Internacionais portuguesas distinguidas com Bolsas de Educação

Ana Carolina Rodrigues, Bárbara Falcão, Carolina Costa e Susana Carvalheira

Atletas | Seleções
29 JUL 2020

Os Jogos Santa Casa distinguiram uma série de atletas com Bolsas de Educação pelos méritos académicos obtidos no ano letivo 2018/19, aos quais juntaram o bom desempenho desportivo, assim como a participação na Missão Portuguesa à Universíada de Nápoles do ano passado.
Entre os eleitos, surgem quatro internacionais portuguesas que, entre a formação académica e o basquetebol, vão construindo uma carreira dentro e fora das quatro linhas. Conversamos com Ana Carolina Rodrigues, Bárbara Falcão, Carolina Costa e Susana Carvalheira sobre aquilo que é a vida de um estudante-atleta e sobre a conquista histórica da medalha de bronze ao serviço da Seleção Universitária Sub25.

Para Carolina Costa, que frequenta o 4.º ano do Mestrado em Engenharia Química do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, a conjugação dos estudos com o basquetebol é possível mediante certas condições que considera essenciais para o sucesso estar presente nas duas vertentes: “É certo que há várias alturas que não são fáceis, especialmente quando temos exames e vários trabalhos para entregar ao mesmo tempo, e é nestas alturas que nos temos de focar e concentrar ao máximo. Acho que com uma boa organização e delineação de tarefas, especialmente ao nível de estudos, é possível conjugar os dois”, confessa.

Já Susana Carvalheira, no 1.º ano de Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial da Universidade de Aveiro, acredita que o basquetebol também é uma ajuda: “Na época de exames, por vezes, é difícil de me conseguir focar nas duas a 100%. Uma pessoa descansa menos e dá o melhor que tem. Mas sim, o basquetebol ajuda-me a não deixar para amanhã o que posso fazer hoje, porque se não o fizer hoje amanhã já não vai dar porque tenho um jogo”, explica.

Por sua vez, Bárbara Falcão, a frequentar o 2.º ano da Licenciatura em Gestão da Universidade do Minho, admite que para conciliar os dois mundos é preciso criar rotinas e hábitos de trabalho: “No início foi complicado, mas depois de criar rotinas, tudo se tornou normal e foi uma questão de hábito. Criei uma rotina e a preenchi melhor os meus tempos livres. O basquetebol como ocupa uma grande parte do meu tempo livre ajuda-me a desanuviar do estudo”.

Ana Carolina Rodrigues, que está no 3.º ano da Licenciatura em Fisioterapia na Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Instituto Politécnico de Lisboa, reconhece que é complicado harmonizar as duas tarefas: “Os horários não são compatíveis, o que por vezes faz com que a assiduidade nas duas partes não seja a melhor. Acabo por ter que optar, ao longo do ano, em qual me vou focar mais em determinada altura, o que não é de todo o ideal para quem ambiciona o sucesso desportivo como o académico», refere.

Contudo, momentos de excelência como aqueles que foram vividos na Universíada de Nápoles do ano passado, tornam-se inesquecíveis: “Sem dúvida que a melhor memória da Universíada é o prolongamento com o Japão em que disputávamos a medalha e fizemos um parcial incrível de 18-1. Acabamos por vencer e fazer história”, recorda.

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Publicado por FADU Portugal em Segunda-feira, 27 de julho de 2020

O jogo que deu a medalha de bronze a Portugal diante da congénere nipónica, parece perdurar nas memórias de cada uma das distinguidas com as Bolsas Educação Jogos Santa Casa 2020. Carolina Costa relembra a globalidade da competição, mas sobretudo a forma como foi recebida: “A Universíada foi uma competição que me marcou muito, da qual me orgulho bastante, e por isso todas as memórias que eu tenho são espetaculares. O momento que mais me marcou foi o último jogo que fizemos contra o Japão. No entanto, não posso deixar de referir que guardo na minha memória todas as pessoas que partilharam esta experiência comigo, devido ao incrível espírito de equipa que houve, mas também à forma excecional como todos me receberam”, aponta.

Susana Carvalheira, também recorda com saudade o prolongamento contra a Seleção Japonesa: “Esse prolongamento… Elas não metiam uma e nós sempre a marcar. Foi uma sensação indescritível. Subir ao pódio ao lado de atletas tão trabalhadoras e focadas é um orgulho. Adorei a experiência. É, sem dúvida nenhuma, um dos momentos mais altos da minha vida desportiva”, admite.

O Presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, Manuel Fernandes, também não deixou passar em claro a experiência que é participar num evento como a Universíada: “As nossas jogadoras viveram uma experiência única e inesquecível. Estar numa Universíada é estar próximo de uma espécie de Jogos Olímpicos Universitários e ainda para mais com um resultado histórico. Serem a melhor seleção europeia em prova e conseguirem a medalha de bronze”, recorda.

No entanto, Manuel Fernandes também realçou o significado desta distinção para as atletas, bem como para a modalidade: “Na atribuição das Bolsas de Educação importa destacar que foram distinguidas quatro jogadoras de basquetebol num universo de dez vagas e num lote de cerca de setenta atletas que marcaram presença na Universíada de Nápoles, algo que é gratificante não só para as atletas, mas também para o Basquetebol. Conseguir resultados de excelência ao mais alto nível desportivo e consegui-los também ao nível académico é complicado e difícil, mas aqui está a prova de que com empenho e sacrifício é possível conciliar o desporto de alto nível com a vida académica. Registamos esta distinção com grande satisfação por vermos o trabalho destas atletas reconhecido no seio da nossa modalidade”, comentou.

 

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29 JUL 2020
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