Coleccionador de sucessos
E o palmarés continua a crescer… Depois dos êxitos como jogador, nas décadas de 80 e 90, Nuno Barroso consegue a terceira subida de escalão como técnico.
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27 MAI 2009
Uma história de sucesso no basquetebol açoriano, que se vai afirmando no plano nacional.
“Acabo a época satisfeito… Mas mais satisfeito estaria se tivessemos ganho o Campeonato Nacional.” Esta foi a primeira frase da nossa figura da semana, dias depois da derrota frente ao Desp. da Póvoa, que revela um técnico ambicioso, sempre em formação e em busca de novos conhecimentos e novas fronteiras. No início da época fixou como objectivo a subida do TerceiraBasket à Proliga. No final diz com orgulho que o objectivo está cumprido… “Valeu a pena. Somos um clube jovem, um clube novo, para quem esta subida representa muito Trabalhamos com um grupo de rapazes bastante jovem e isto é um processo que está a nascer agora, a todos os níveis. Por ser assim é ainda mais satisfatório”.Com uma equipa jovem conseguiu o 1º lugar na época regular e venceu a Zona Sul da CNB 2, que deu ao Terceira o acesso à Proliga. Nem tudo correu bem durante o ano, “as dificuldades foram várias, mas conseguimos com persistência ultrapassá-las”, refere. Agora, “temos de estar preparados. Conseguimos atingir o objectivo, agora temos de trabalhar na preparação da próxima época”. A equipa deverá ter alterações, mas os atletas da formação deverão manter o lugar no plantel. Para dar corpo a um projecto que está gravado no coração de Nuno Barroso… “Não é meu, mas sinto que sou parte integrante do projecto. Também comecei com eles e sinto-me como parte do grupo. Por outro lado é um passo também na minha vida de treinador. Apesar de ter conseguido outras subidas de escalão, esta tem, tanto pelo nível da competição como pelo carácter do clube, obviamente um sabor diferente”.Da Praia à ProligaUm trajecto que começou no Juventude Sport Clube, na Praia da Vitória, há cerca de trinta anos. “Na altura o basket era pouco organizado. Começava a surgir o minibasquete… A partir daí comecei a pertencer às Selecções de Iniciados, já nos anos 80. Preparavamos o Regional durante um mês no ano. Depois íamos a Lisboa, aos Nacionais. A competição que tínhamos era no Liceu, ou na Base e assim foi até aos 17 anos”.Depois partiu para Lisboa, onde jogou “basquetebol mais a sério”, no Algés. No regresso abraçou a Lusitânia onde fez o resto da carreira como atleta. Dos Regionais à II Divisão Nacional. “Todo o percurso foi importante… Encarava as coisas de uma forma muito séria e gostava de progredir e fazer sempre o melhor possível. Embora reconheça que não era fácil na altura, porque as condições não eram as melhores e o nível não era muito alto. Quando surgiu a oportunidade de evoluir, já tinha 30 anos”, acrescenta com um sorriso.Do campo para o banco foi um passo “natural”. No Lusitânia e no Boa Viagem conseguiu subidas de divisão. Hoje está pronto para a estreia na Proliga… “Não me assusta. Estou à espera de um nível competitivo mais exigente, mas estamos preparados”.Anos de experiência, em que se assumiu como um dos pilares do crescimento do basquetebol na Terceira. Em jeito de balanço final, confirma a evolução… “As principais diferenças estão em algum profissionaismo que já existe e que não existia na altura. Eramos todos amadores e havia uma forma diferente de encarar o treino e a competição. Para além disso nota-se mais qualidade no treino, porque a qualidade dos jogadores é outra. A metodologia evoluiu, mas não tanto como se possa pensar; o que mudou muito foi a qualidade dos jogadores”.Sempre a aprenderDurante a carreira, Nuno Barroso teve a sorte de “aprender com bons treinadores”. Amoroso Lopes, José Sá ou Mário Barros, são alguns exemplos de técnicos que contribuiram para a sua formação. Mesmo assim, revela-se um eterno insatisfeito… “Nesta actividade temos muito para aprender a todos os níveis e nós tendo a dificuldade do isolamento que temos, não temos possibilidade de trocar experiências com outros treinadores. Isso tem de nos levar a estar mais dispostos a aprender. Temos de ser auto-didactas, ir à procura da informação, temos de ler e se calhar é aí que temos de investir”.Uma mensagem para todos os técnicos dos Açores, que segundo a nossa figura da semana, devem continuar a merecer os lugares que ocupam… “Acho que os treinadores têm de estar prontos para continuar a aprender… Não há treinadores da Terceira, nem treinadores do continente… Há treinadores. Os treinadores ou estão aptos ou não estão aptos. Eu não concordo com a ideia de ter que dar a vez aos treinadores da casa… Todos têm de ter competência para assumir as suas funções. Se têm, muito bem. Senão, paciência”.


