Costa Dias: “Falta de sorte na Taça”

A presença na final da Taça de Portugal – que a equipa perdeu para a Ovarense Dolce Vita, no Barreiro –, foi para Costa Dias o ponto mais alto da temporada do Vagos.

Treinadores
20 JUN 2009

Mas o técnico não esquece o precoce afastamento do playoff, bem como a perda de Rico Hill, que acusou positivo num controlo antidoping

Que balanço faz da última época? Foi bastante positivo pois cumprimos o que foi anunciado e estipulado na primeira semana de Setembro: estar nos momentos de decisões – fomos finalistas da Taça de Portugal –, lutar pela vitória em todos os jogos e ficar nos 4 primeiros classificados na fase regular. Com manifesta falta de sorte não vencemos a Taça de Portugal, após dois prolongamentos e com as últimas posses de bola, sendo que no primeiro falhámos diversas “tapinhas” e no segundo uma “bandeja” isolada por um jogador experiente. Mas estou muito agradecido a todo o grupo e orgulhoso de cada um deles. Que aspectos positivos e negativos ressalva? Entre os positivos o facto de termos estado na final da Taça de Portugal. Apesar do corte orçamental de mais de 30 por cento, continuámos competitivos. Nos negativos, a eliminação prematura do playoff, devido a baixas importantes na equipa (Rico Hill que acusou positivo e Pedro Nuno com fractura de uma mão). Já tem algum convite para a próxima época? Sim, felizmente tive alguns, excelentes, e estou a estudar o que for melhor para mim e para a minha família. O basquetebol nunca será uma profissão para mim e isso condiciona a minha participação no jogo. Tem algum projecto que gostaria de levar a cabo? A nível pessoal tenho imensos. A nível desportivo gostaria de ter a hipótese de treinar uma equipa com mais condições, que garantisse tranquilidade ao grupo. Qual é o seu modelo de jogo preferido? Rápido e onde os jogadores são livres de tomar as decisões. Há um modelo de jogo e se o jogador interpreta o que eu quero, esse atleta joga com mais frequência. Fomos a equipa com mais contra-ataques este ano. A componente espectáculo tem que estar presente e isso só se consegue com um jogo rápido, onde se criem facilmente, e de forma constante, desequilíbrios. Os atletas têm que se divertir para poderem contagiar o público e os colegas. De todas as equipas que já treinou, qual foi a que lhe proporcionou os melhores momentos? Todas me têm trazido ensinamentos e progressão como treinador e como homem. Como evolução, estes dois anos na Liga têm sido decisivos e de uma aprendizagem constante, pois nunca tinha tido a felicidade de ser atleta de alta competição. Um momento positivo que nunca vá esquecer. A primeira subida de divisão, da CNB2 para a 1ªDivisão, num jogo em casa contra o Galitos. Foram anos de trabalho sempre em formação e nos escalões inferiores, que finalmente tinham expressão de “ Missão Completa”. E o mais negativo? A exclusão do Rico Hill da equipa, por um motivo que me deixa triste e frustrado. Tento transmitir valores aos meus atletas que são 100 por cento contrários ao que aconteceu. No entanto ele é adulto e responsável pelos seus actos, mas considero todos atletas como meus “filhotes” (os meus atletas sabem o que significa esta expressão). Aquele momento marcou-me profundamente e isso sentiu-se quando o substituí no último jogo oficial dele. Pois tinha perdido um atleta de excepção e a equipa dificilmente chegaria mais longe sem ele a ajudar. Qual é a sua opinião sobre o actual estado do basquetebol em Portugal? Já conheceu melhores dias e basta olhar para as bancadas. Mas a culpa é de todos os intervenientes. Eu faço o melhor para alterar este estado, mas alguns dinossáurios do basquetebol ainda não entenderam que estamos em 2009 e há que adaptar todo o desporto a esta realidade. Algumas pessoas ainda não entenderam que há que mudar e ter a coragem de actuar contra os seus próprios interesses e vaidades. Tem alguma opinião formada sobre o que deve ser alterado para melhorar a qualidade competitiva da modalidade? Tal como o número de estrangeiros é estipulado, também o número de atletas com menos de 20 e 25 anos também deveria ser. Esses atletas jovens deveriam ter tempo de jogo mínimo durante uma época. Só poderiam jogar 2 atletas estrangeiros em simultâneo, por equipa. Por outro lado, devia haver uma aposta na arbitragem, especialmente na aprendizagem de socialização com treinadores e atletas. Como pilar fundamental do jogo, os árbitros deveriam ter maior sensibilidade para o jogo e menos arrogância para esconder falhas. Agora que mais centros de alto rendimento possuímos, menos “estrelas” jovens oriundas desses centros nós temos. Há que repensar o modelo e ajustar ao objectivo e missão. Que jogador mais o impressionou? A nível mundial o Michael Jordan e o Kobe Bryant. Ultimamente Dwight Howard. Em Portugal, há muitos, mas escolho o Pedro Nuno, pela leitura do jogo e soluções, e o Carlos Lisboa, pela facilidade em lançar. A jogar em Portugal (recentemente) – Ricardo Hill, pois conseguia juntar eficácia, potência, ousadia e beleza nos gestos. Quando queria e não estava gordo … E jogadora? Ticha Penicheiro – que orgulho para Portugal! Qual é o seu 5 ideal? Kobe Bryant a base; Alen Iverson, Vince Carter e LeBron James; Dwight Howard a poste. Conte-nos uma situação caricata que se tenha passado em campo. Esta época um árbitro que estava “picado” comigo, em vez de estar a olhar para onde ía (por baixo da tabela) estava com o olhar fixo em mim. Tropeçou e caiu “vergonhosamente” por causa disso, mas poucos viram pois foi durante o jogo. Mas como estávamos de olhos fixos um no outro não pude deixar de reprar no sucedido… Quando ele passou por mim, chamei-o e disse-lhe que foi castigo por estar a pensar “lixar-me” e que ele quase que marcava falta à sua própria sombra que o fez cair. Rimo-nos da situação e aumentámos a estima que temos um pelo outro. E fora do campo? As melhores não se podem dizer publicamente … mas na 1ª fase final na CNB2, e em pleno avião rumo aos Açores, o Daniel (agora no Esgueira) como é muito “desprendido da realidade” pergunta: “ Onde vamos jogar e para quê ?!”

Treinadores
20 JUN 2009

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