Pedro Costa:“Com Oha a história teria sido diferente”
O Esgueira/OLI foi quarto classificado na fase regular da Proliga, não chegou à final do playoff, mas o treinador Pedro Costa faz um balanço positivo de uma época que só não foi melhor, salienta, devido às inúmeras lesões que fustigaram o plantel.
Treinadores
18 JUN 2009
O treinador ainda não sabe se vai continuar a treinar a equipa de Aveiro
Que balanço faz da última época? Penso que apesar de achar que fomos precocemente eliminados no playoff, de uma forma um pouco infantil, a época foi positiva, tendo esta equipa alcançado o 4º lugar na fase regular com os mesmos pontos do 3º classificado e a 2 vitórias do 2º, mesmo depois de passarmos por tantos problemas de lesões, inclusivamente a perda de um dos norte americanos e problemas de outra ordem. Tudo isto só foi possível pelo excelente trabalho efectuado pelos jogadores, que sempre acreditaram e nunca atiraram a toalha ao chão. Que aspectos negativos e positivos ressalva? Como aspecto mais positivo gostaria de realçar a atitude e entrega dos jogadores que ao longo da época souberam sempre dignificar a camisola deste Clube. Apesar das dificuldades porque passámos, nunca senti da parte deles qualquer sinal de descrença, o que me facilitou a tarefa como treinador e me fez sentir sempre muito prazer e orgulho em ser treinador deles. A todos eles o meu obrigado. Como aspectos mais negativos, gostaria de realçar as lesões, que em muito nos condicionaram, em especial a que levou à perda do Antonhy Oha. Com ele a história teria sido diferente, acredito. A maneira como fomos eliminados do playoff e, finalmente, a situação em que se encontra neste momento o Clube Povo de Esgueira, que pelo seu historial e por sem dúvida ser o clube que representa a cidade ao mais alto nível do basquetebol feminino e masculino a nível nacional, merecia que as entidades da cidade, nomeadamente a Câmara Municipal de Aveiro, o respeitassem mais. Já tem algum convite para a próxima época? Tive já uma hipótese para a próxima época mas que coloquei logo de parte por motivos pessoais. Para já não tive mais nenhum convite. Tem algum projecto que gostaria de levar a cabo? Neste momento não tenho nenhum em especial. Gostaria de continuar a fazer aquilo que me dá muito gozo e prazer que é ser treinador de basquetebol da maneira que sempre o tenho feito, ou seja, de uma forma séria , honesta e sempre com muito empenhamento, entusiasmo e dedicação. Qual é a sua opinião sobre o estado actual do basquetebol em Portugal? Em relação aos escalões maiores, penso que o nível baixou claramente, como se pode ver pela principal Liga, em que duas ou três equipas se distinguiram das outras, havendo até muitos jogos equilibrados entre equipas da Liga e Proliga. No que diz respeito à formação, muito há ainda a investir neste sector, nomeadamente na formação e escolha de treinadores. As equipas deveriam ter os melhores e mais aptos treinadores e isso nunca acontece. É claro que para isso teria que se valorizar muito, mas muito mais, o treinador da formação, coisa que no nosso país acho difícil de acontecer, como se vê em Espanha e noutros países em que os treinadores de formação são profissionais de basquetebol. Aqui nem os dos seniores se podem dar a esse luxo… Treina-se pouco na formação e com pouca qualidade. E por enquanto ainda vamos tendo os Centros de Alto Rendimento que são sem dúvida uma boa aposta, vamos ver até quando. O que deve ser alterado para melhorar a qualidade competitiva da modalidade? A nível de seniores, penso que seria bom termos 12 equipas na Proliga e 12 equipas na Liga, competindo separadamente em 2 campeonatos distintos e sem jornadas cruzadas. Em caso de existirem as jornadas cruzadas, as regras de utilização de jogadores estrangeiros deveriam ser iguais, apenas 2 por equipa. De qualquer maneira, penso que na Liga vão continuar a existir 2 ou 3 equipas que vão distinguir-se porque conseguem ter orçamentos muito superiores às outras e maior capacidade de recrutamento de jogadores.


