Excelente réplica não chegou

AD Vagos despede-se da Eurocup Women com o sentimento claro de que podia ter feito mais.

Competições
8 DEZ 2011

O Pavilhão Municipal de Vagos engalanou-se para assistir a uma partida entusiasmante em que a nota dominante foi o equilíbrio. As “amarelas” deram uma excelente réplica e fizeram tremer as belgas, mas acabaram por perder a última oportunidade de alcançarem uma vitória na prova.

Forte, muito forte a entrada em jogo da equipa da casa. O conjunto de Vagos cedo deu mostras de que desta vez não iria deixar fugir o adversário. O esquema montado por Nuno Ferreira quase surtiu efeito, pois manteve-se na frente do marcador por largos minutos. Uma defesa individual intensa e com muita entreajuda conseguiu baralhar as belgas quase por completo. No ataque, e talvez por nada terem a perder, as atletas vaguenses jogavam desinibidas e as finalizações apareciam com naturalidade. O único factor menos positivo espelhava-se nas perdas de bola, que as jogadoras do Dexia Namur aproveitaram eximiamente para passar para a frente do marcador. As belgas acabariam por ser mais felizes e fecharam o primeiro parcial com uma vantagem de 3 pontos (17-20). As forasteiras reentram mais audazes no segundo período e tentaram dar a estocada. A excelente Ify Ibekwe, uma das melhores marcadoras da prova, foi a que mais contribuiu para desequilibrar a partida. Mas a AD Vagos não desarmou e conseguiu manter-se na luta graças ao jogo coletivo e atitude defensiva. Nuno Ferreira apostou claramente em jogar boa parte deste período com um “cinco” em que a média de altura rondava 1,82 m, chegando a ter Daniela Domingues a base (notava-se a falta de Inês Faustino e nem Sara Ressurreição ou Joana Jesus davam garantias), resultando daí a superioridade nos ressaltos. No entanto, no ataque perdia alguma versatilidade (só marcaram 9 pontos neste parcial) e houve momentos em que as belgas estiveram quase para aumentar a diferença pontual para a dezena de pontos. Tal não aconteceu porque o treinador Nuno Ferreira fez reentrar Mariana Alves, que imprime outro ritmo à equipa e ainda contribuiu com um triplo. Ainda assim, as belgas chegam ao intervalo com uma vantagem de 7 pontos (26-33), o que não favorecia o conjunto da casa. Para a segunda metade, a equipa portuguesa regressa dos balneários novamente em força e obriga o treinador belga a fazer substituições sucessivas para tentar por ordem no plantel face à recuperação imprimida pelas da casa. O equilíbrio volta a ser a tónica dominante e a AD Vagos cola-se às belgas, mas sem nunca conseguir passar para a frente. Foi o parcial mais bem jogado pela equipa portuguesa e aquele que devolveu a esperança. O conjunto de Vagos só não deu a volta ao marcador porque do lado das belgas estava uma jovem base, Hind Ben Abdelkader, que não deixou a equipa descarrilar e manteve a cabeça fria na hora de organizar o jogo. A ganhar apenas por 2 pontos à entrada do último período, a equipa belga coloca em campo todo o seu arsenal. O seu treinador dá ordens para fazerem enorme pressão sobre a bola, o que origina vários turnovers da equipa portuguesa (22 em toda a partida) e desencadeia situações de contra-ataque. A AD Vagos tremeu e ressentiu-se. Ao verem as belgas a cavarem uma diferença de 9 pontos, as esperanças da AD Vagos conseguir um resultado positivo começavam a esfumar-se. Nuno Ferreira tenta travar o ímpeto das forasteiras e pede um desconto de tempo. Fazem-se retificações e ajustam-se marcações. A equipa regressa transfigurada e volta a pegar no jogo. O ascendente da equipa portuguesa foi de tal forma que consegue empatar a partida à entrada do último minuto. Dois descontos de tempo quase seguidos, pedidos pelo treinador belga, conseguem surtir efeito e recolocam o Dexia Namur na frente do marcador por 3 pontos. Com 13 segundos para jogar, Nuno Ferreira pede, também ele, um desconto e elabora uma última tentativa para empatar a partida. Joana Lopes é a escolhida para materializar o ataque, mas a bola bate no aro e fica na posse das forasteiras. Chega assim ao fim a epopeia europeia da AD Vagos. Sem qualquer vitória no grupo C, a equipa portuguesa fecha a sua participação na prova com 6 pontos e volta-se para as competições internas. Apesar deste saldo negativo, a equipa portuguesa teve à beira de ganhar por duas vezes (ambas em casa, frente às turcas super favoritas do TED Ankara e agora contra o Dexia Namur) e conseguiu equilibrar as partidas em Nantes e na Bélgica. De qualquer forma, demonstrou que começa a estar ao nível destas equipas e, mais cedo ou mais tarde, as vitórias vão aparecer naturalmente. Nesta partida, a AD Vagos mostrou melhorias significativas ao nível da finalização com 40,0% de lançamentos de 2 pontos (16/40) e, principalmente, 41,7% nos triplos (5/12). Com estas percentagens de lançamento, as portuguesas mostram que é por aqui que os resultados vão aparecer. O destaque neste jogo vai inteirinho para a jogadora do Dexia Namur Ify Ibekwe (22 pts, 8 res. e 3 rb). Do lado das portuguesas, o protagonismo é repartido pela internacional portuguesa Joana Lopes (14 pts, 7 res., 4 ass. e 4 rb) e pela dupla brasileira Flávia dos Santos (14 pts, 9 res.) e Lilian Gonçalves (13 pts). Na outra partida do Grupo C, as turcas do TED Ankara venceram o Nantes Rezé por 69-62 e seguem assim com as belgas para a fase seguinte. Pavilhão Municipal de Vagos Parciais: 17-20, 9-13, 20-15, 14-15 AD Vagos (60): Artémis Afonso, Inês Pinto (nj), Ana Teixeira (6), Mariana Alves (9), Joana Lopes (14), Lilian Gonçalves (13), Flávia dos Santos (14), Daniela Domingues (4), Sara Ressurreição, Maria Pereira (nj), Joana Jesus, Carolina Anacleto (nj)Treinador: Nuno Ferreira Dexia Namur Capitale (63): Sarah Deneil, Stephanie Dubuc (11), Nina Crelot, Ify Ibekwe (22), Hind Ben Abdelkader (9), Chandrea Jones (10), Camille Lebrun (nj), Laurence Van Malderen (7), Rianne De Roos (2), Oksana Agabalova (2)Treinador: Daniel Goethals

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8 DEZ 2011

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