«Não sentimos que somos os melhores»

O Dragon Force ainda não perdeu qualquer encontro na Proliga, mas o treinador não aceita a tese de que a sua equipa é a melhor da prova.

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19 DEZ 2013

Moncho lembra que os portistas ainda não defrontaram todos os adversários e que alguns deles, a começar pelo próximo, o Ginásio, têm lugar na Liga. Não perca a entrevista, nos detalhes desta notícia.

Surpreende-o o facto de a equipa ter conseguido dominar tão cedo a competição? Percebo a lógica da pergunta, por que há dados objetivos e estatísticos que mostram a liderança da equipa em aspetos fundamentais do jogo, como a equipa que menos pontos sofre ou a mais valorizada, mas acho que não podemos falar de domínio de uma competição quando ainda não jogamos contra todos os adversários. De facto, nestas duas jornadas que faltam para finalizar a primeira volta, temos que enfrentar dois planteis que poderiam perfeitamente competir no primeiro escalão em Portugal. 
Por que razão a equipa do Dragon Force tem sido melhor e continua invicta na Proliga? Dizer que temos sido a melhor é muito subjetivo, e agradeço que, desta vez, nos reconheçam valor e competência desde a principal “janela” dos campeonatos portugueses, como é o site da FPB. Nós não pensamos assim, não sentimos que a nossa equipa seja a melhor. Obviamente tem sido a que mais jogos ganhou e houve alturas em que, quer ao atacar quer a defender, atingiu níveis de elevada qualidade, que parecia difícil uma equipa de atletas tão jovens pudesse conseguir. Mas para ser considerada a melhor equipa de um campeonato há que fazer isso com mais regularidade do que nós temos conseguido até agora, e esse é o nosso espírito de exigência, a procura de uma continuidade na qualidade de jogo durante os quarenta minutos, independentemente da altura da época e do adversário, de jogar em casa ou fora.
 A competição tem sido ideal para que o grupo evolua? A competição da Proliga tem sido uma grande ajuda para a evolução, individual e coletiva, mas estaria a mentir se dissesse que é a ideal; temos muitos condicionantes que não permitem seja um campeonato em forma e fundo, ideal para a evolução de jogadores. Vou só dar um exemplo: o facto de ter um calendário “irreal”, com desequilíbrios entre os jogos em casa e fora entre a primeira e segunda volta, não ajuda a ter programas de trabalho e planeamentos eficazes, desde o ponto de vista técnico e psicológico, para construir indivíduos e grupos. Por outro lado, há duas coisas muito boas na Proliga, que sim têm sido elementos fundamentais para os nossos jogadores crescer: em primeiro lugar, o bom nível dos treinadores adversários obrigou-nos a analisar muito bem os jogos e propor diferentes estratégias para contrariar os problemas que nos têm sido colocados em competição. Em segundo lugar, algo que já não é surpresa, o grande nível das equipas de arbitragem. É um privilegio para os treinadores, e sobretudo para atletas tão jovens como os nossos, conviver em competição com os melhores árbitros internacionais portugueses, sem dúvida que é um factor de motivação extra, e um luxo, que nos faz acreditar em que a modalidade está saudável, e poderia estar melhor se todos os agentes desportivos tivéssemos a capacidade que os árbitros têm de se organizar e formar.Além da competição da Proliga, temos feito torneios e jogos contra equipas da liga ACB, Leb, etc, que favorecem o crescimento dos atletas. O reconhecimento internacional à marca FC Porto tem sido uma grande mais-valia para o projeto Dragon Force, no sentido de nos permitir com certa assiduidade fazer jogos internacionais, em que os nossos atletas passam por experiências competitivas fundamentais para o seu desenvolvimento. Numa altura em que infelizmente as seleções de formação tem de desistir dos necessários estágios de preparação, como pode acontecer no próximo Natal, no FC Porto conseguimos de alguma maneira reduzir os efeitos negativos dessas decisões e, assim, os nossos atletas sub-18 e sub-20, só entre Agosto e Dezembro de 2013 somarão 12 confrontos internacionais.
 O próximo jogo frente ao Ginásio, que vai com 5 vitórias consecutivas, será um bom teste à vossa consistência? Como disse anteriormente, é uma das equipas que poderia, com pequenos ajustes, competir no principal escalão em Portugal. Vai ser sem dúvida um excelente teste, de máxima dificuldade, em que espero a equipa volte a mostrar a sua ambição perante os desafios que a competição oferece. Ao jogar no Dragão Caixa, a nossa responsabilidade aumenta e a capacidade de esforço inerente às equipas do FC Porto é potenciada pelo apoio dos nossos adeptos.
A dupla José Costa e Marco Gonçalves vai merecer atenção especial? Claro que sim. Na nossa análise dos adversários tentamos fugir da ideia de nos focar em individualidades, porque estamos a falar duma modalidade coletiva, mas neste caso, seria hipócrita não reconhecer a preponderância destes dois jogadores no estilo de jogo do nosso adversário. Marco Gonçalves é um poste de grande mobilidade, com recursos para jogar de costas e de frente que colocará aos nossos interiores numa situação de desajuste permanente, teremos que encontrar a maneira de o seu par sentir que há um coletivo pronto a ajudar nos diferentes desequilíbrios em que se pode encontrar. E quanto ao Zé Costa, que posso dizer? Primeiro que é um luxo para os meus jogadores poder defrontá-lo, eu até estou emocionado. São tantas as habilidades que o Zé tem, para criar os seus próprios lançamentos, e também gerar vantagens aos colegas, que só com muita concentração e esforço de todo o grupo poderemos tentar reduzir a sua influência no jogo.

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19 DEZ 2013

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