Jorge Almeida em 12 jogadores marcantes

Jorge Almeida notabilizou-se ao serviço do GDR A Joanita e da APD Lisboa, mas o seu nome é maquinalmente associado à última, onde foi Campeão Nacional por quatro vezes, vencedor da Taça em quatro ocasiões e da Supertaça em três.

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1 JAN 2017

Vestiu a camisola das quinas em oito competições, seis das quais Campeonatos da Europa, incluindo quando a Seleção conquistou o cetro da Divisão C, em 2007; conciliou o papel de jogador com o de treinador na APD Lisboa e nos anos dourados do conjunto da capital protagonizou uma dupla de respeito ao lado de Hugo Lourenço. A visão de jogo, a qualidade de passe e o lançamento certeiro que lhe gabam valeram-lhe o reconhecimento como um dos 12 jogadores mais marcantes e o melhor base que Portugal já teve.

Principais conquistas: Quatro vezes campeão nacional, quatro taças de Portugal, três Supertaças; melhor jogador e marcador num torneio em Santander (ao serviço da equipa do GDR Joanita), Campeão da Europa C na Irlanda; vitória sobre a equipa de CP MIDEBA em Badajoz (única de equipas portuguesas); vencedor de torneio Ibérico em Santander com uma seleção das equipas da APD – Associação Portuguesa de Deficientes

O tetracampeonato da APD Lisboa entre 1999 e 2003 eternizou um conjunto de jogadores históricos do Basquetebol em cadeira de rodas nacional. O paralímpico e admirável caso de longevidade, António Vilarinho, Jacques Almeida, Hugo Lourenço… e claro, Jorge Almeida. Os anos úberes de títulos do conjunto lisboeta tiveram a mão do base que revolucionou o jogo em Portugal, reconhecimento não só de colegas, mas também de adversários, como Rui Lourenço, que assinala a sua capacidade pioneira de “conseguir saber o que fazer com a bola antes mesmo de a receber”. O próprio não se esconde do que representou e acrescentou ao BCR nacional, vincando a “inteligência e a visão periférica extraordinária”. A carreira começou quando passava pelo Estádio Universitário e deu de caras com “várias pessoas em cadeira de rodas a jogar”. Ficou a observar até final sendo abordado pelo então técnico da APD Lisboa, Pedro Antunes, que lhe endereçou o convite para jogar.  Durante a travessia de 40 anos de dedicação ao jogo, colecionou títulos, distinções individuais, brilhou em torneios internacionais, agigantando-se perante patamares basquetebolísticos superiores, profissionais. Pelo meio, a paixão ramificou-se para as funções de treinador, que exerceu durante mais de duas décadas. Aliás, há apenas um ano atrás, em julho de 2015, na cidade de Lisboa, conseguiu enquanto técnico recolocar Portugal no grupo B do Basquetebol em cadeira de rodas Europeu e já no verão de 2016 por muito pouco a Seleção Nacional não se manteve na antecâmara da elite. Fascinam-no “a simplicidade e as cumplicidades que se criam dentro do campo”, traços que revestiram desde sempre a sua conceção de jogo, fosse como intérprete, fosse como orientador. 

O que dizem sobre ele

Hugo Lourenço, internacional português, jogador da APD Sintra/Sporting CP: "Foi sem dúvida o melhor base que Portugal já teve, com uma visão de jogo acima da média aliada a um lançamento bastante certo. Forte na defesa, mas acima de tudo com uma capacidade incrível no último passe."

Marco Gonçalves, internacional português, jogador do GDD Alcoitão: "O Jorge ficará na minha mente sempre como um jogador extraordinário e como o melhor base “puro” que o nosso campeonato e seleção já tiveram, não devendo em nada, no seu auge, aos melhores bases com quem joguei em Espanha ou internacionalmente. Foi o jogador com maior visão de jogo que eu conheci e influenciou muito os meus pontos fortes. Tinha também uma qualidade de passe ímpar, pois conseguia colocar sempre a bola onde queria, com movimentos por vezes quase “impossíveis” aos olhos dos que o rodeavam. Foi um verdadeiro professor de basquetebol para dezenas de jogadores que ainda hoje atuam no campeonato português."

Rui Lourenço, internacional português, jogador-treinador da APD Sintra/Sporting CP: "Deverá sempre apontar-se a eficácia do seu lançamento à tabela a 45º (lado esquerdo), feito com as 2 mãos, mas muito eficaz. A eficácia do passe era acima da média."

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1 JAN 2017

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