Vasco Curado: “Gostava muito de voltar a Portugal”
Em entrevista exclusiva à FPB
Treinadores
17 ABR 2026
Aos 12 anos, desenhava jogadas para o Carlos Lisboa e mostrava-as ao pai, José Curado, para ver se ele as usava no Benfica. Mas o pequenino que ficava “ali sentadinho só a ver” nos treinos da Luz acabou por encontrar o seu próprio caminho — não em Portugal, mas do outro lado do Mediterrâneo, onde em dez anos construiu uma carreira de campeão tunisino e competidor na Basketball Africa League.
Em entrevista exclusiva à FPB, Vasco Curado conta uma história de paciência, de uma chamada que mudou tudo, das razões que o levam a fazer o Ramadão com os seus jogadores e de como um filho do basquetebol português foi buscar a sua identidade muito longe de casa.
Cresceste dentro de pavilhões — o teu pai treinava, a tua mãe jogava. Como é que foi crescer assim?
A minha mãe jogou também. O meu pai foi treinador dela. Em casa jogávamos mais à bola — eu e o meu pai no corredor, a passar a bola de um lado ao outro, com a minha mãe a dizer para pararmos, que íamos partir alguma coisa. Clássico. Era apartamento, não tínhamos espaço. Depois pus aquelas tabelas pequeninas no quarto, fazia lá uns afundanços e tal.
Jogaste até aos 18, 19 anos. Como é que fizeste a transição para treinador?
Sinceramente, no primeiro e segundo ano de faculdade não senti falta nenhuma de basquetebol. Mas depois surgiu uma oportunidade de começar a fazer estatística para a Infordesporto. Um contacto, comecei a ir aos jogos outra vez, fazer estatística, e estava cá a vontade dentro — voltou a subir. Depois falei com o Fernando Jóia, que conhecia do Algés. Fui fazer o curso de nível 1 na Associação de Basquetebol de Lisboa, ele foi um dos palestrantes, e depois falou comigo. Disse-me: “já está cheio, mas podes vir ser o meu adjunto.” Foi o primeiro ano que comecei como adjunto — do Jóia, a treinar uma equipa que tinha entre outros o Miguel Barroca. Fomos campeões nacionais de sub-18 logo nesse ano. Era uma equipa muito engraçada, com o Mário Silva filho, o Sérgio “Mantorras”, que depois fez carreira na Liga, e outros jogadores. Ganhámos o campeonato na final contra o Barreirense.
O Algés acaba por ser o fio condutor da família Curado, não é?
É, exatamente.
Depois passaste 15 anos a treinar aqui em Portugal. Como foi esse período?
Os primeiros anos foram sempre na formação — sub-18, sub-20. Depois quis passar para os seniores. Fui adjunto nos seniores do Algés quando o clube estava na ProLiga, com o Flávio Nascimento — estive um ano com ele. E também mais tarde com o André Martins na Liga. Depois houve a possibilidade de treinar os seniores no Queluz, na CNB1. Dois anos: um que correu bastante bem, o segundo foi terrível — ganhámos dois ou três jogos. O clube também já não tinha dinheiro para investir. Depois passei para o feminino: fui adjunto das seniores com o Zé Araújo, e no ano seguinte com o Manolo Povea. Trabalhei também com o Ricardo Vasconcelos na formação feminina no Algés. Quando o Ricardo saiu, fiquei com as seniores femininas — estávamos na primeira divisão. E foi a meio desse ano que o Mário Palma me falou para ir com ele para a Tunísia.
Em dezembro de 2015 recebes uma chamada do Mário Palma para seres adjunto no Club Africain, na Tunísia. Como foi essa tomada de decisão?
Eu queria ser profissional de basquetebol, queria ser treinador, mas não via o mínimo de condições financeiras para ser. Estes anos todos fiz esta carreira, mas estava sempre com o meu trabalho — fui mudando: comecei em Infordesporto, depois passei a trabalhar como webmaster na parte do basquetebol, depois estive uma altura como consultor na Remax, imagina. A ideia era sempre ganhar algum dinheiro que me permitisse continuar a ser treinador, porque ser treinador não dá para viver. Com salários sempre razoáveis — não eram maus, mas razoáveis. Os dias todos preenchidos — trabalho normal das 9 às 5 ou 6, e depois ir para os treinos. Os seniores às vezes treinavam às 9 da noite. Ou seja, começavas às 8 da manhã e acabavas às 11 da noite. Muitos anos estive com duas equipas em simultâneo. Deu-me muita tarimba, muita experiência, muitos amigos, muitas amigas. Não me arrependo de nada. Quando o Mário me convidou, não vou dizer que não hesitei, mas o primeiro embate foi logo dizer que sim. Pensei um bocado mais, falei com pessoas, falei com os meus pais — o normal. Mas o instinto era logo dizer que sim. Como diz o Rubén Amorim: o comboio Mário Palma não ia passar outra vez.
O teu pai é uma das grandes figuras do basquetebol português. Ao longo desses anos em Portugal, sentiste alguma tensão entre o peso do nome Curado e a tua própria busca de identidade como treinador?
Não, não. Dele “só” aprendi, basicamente, o mais importante, a dar o máximo e a ser honesto. Eu acompanhava o trabalho que ele fazia em casa — ver vídeo, na altura em cassetes, quase uma hora sentado à secretária a preparar o treino, ao telefone com o adjunto, a ver vídeos até às tantas da manhã. Levava-me aos jogos e aos treinos muitas vezes — no Benfica, depois no Estrelas da Avenida, e no Vitória um bocadinho menos, que era mais longe. Mas era hiperprofissional: “vais comigo, mas ficas ali sentado, não intervens, só a ver, e no fim eu falo contigo.” Às vezes, na brincadeira, até aos 12, 13 anos, desenhava-lhe jogadas para ele usar na equipa — para fazer tiros de três pontos para o Carlos Lisboa. Mostrava-lhe para ver se ele usava. Acho que não usou. Mas lembra dessas histórias. Era muito engraçado também o ambiente em que ele frequentava. Havia um restaurante ali em Algés, a Gaivota, onde muitos treinadores se juntavam — o Mário Gomes quase sempre, o Luís Seixas, o Jorge Fernandes, Carlos Teigas, entre outros. Sobretudo às sextas-feiras. E 90% da conversa era basquetebol. O pequenino estava ali a absorver.
Trabalhaste com o Mário Palma em três momentos — Club Africain, Seleção da Tunísia, Al Ahly do Egito. O que é que aprendeste com ele?
Tanta coisa. Mas sobretudo uma coisa que ele me disse sempre: se queres ser treinador, tens de ter coragem. Coragem não para procurar conflitos, mas para os enfrentar de frente — porque por muito bem que as coisas corram, vai sempre haver conflitos, e nessa altura tens que pensar sempre no melhor para a equipa, não estar dependente deste ou daquele jogador por muito bom que seja. Há princípios que se devem manter para o bem da equipa e tens de ter coragem para os aplicar. E uma coisa que ele sempre conseguiu, mesmo em alturas de menos sucesso, foi montar equipas que realmente funcionam como equipa — solidárias, organizadas, com uma identidade. Mesmo não tendo muito talento, faz a diferença. E também a maneira como conseguia, muitas vezes em conversas individuais, convencer os jogadores do que queria, puxá-los para o seu lado e pô-los todos na mesma linha. Acho que foi o mais importante que aprendi com ele.
Em que dimensões do trabalho de treinador era ele verdadeiramente elite?
Capacidade de liderança. Às vezes parece distraído, um bocado disperso, mas ele apanha os pormenores todos e as situações todas. Muitas vezes tinha intervenções em reuniões de equipa que na altura até me surpreendiam — mas depois em conversa com ele percebia que já tinha antecipado comportamentos de alguns jogadores, que via ali um problema antes de ele subir e causar algum dano à dinâmica da equipa. Fazia também muito bem o planeamento — da época, da semana. E uma coisa incrível: tudo dentro da cabeça. Não apontava treino nenhum. Vinha com aquilo tudo na cabeça e antes do treino dava-me só as ideias gerais do que íamos fazer, pormenores não. Aquilo estava tudo esquematizado cá dentro e saía tudo de forma natural. Depois eu é que apontava tudo o que fazíamos — era eu que fazia os relatórios, que ele também gosta muito. Outra coisa: conseguia o treino duro e intenso, era muito agressivo com os jogadores — mas acabava o treino e estava ali na brincadeira com eles, criava uma relação mais pessoal, sem familiaridade excessiva. Conseguia aquele equilíbrio muito bem.

Há características do Mário Palma que tentaste implementar na tua forma de estar?
Tens de ser tu próprio, tens o teu carácter. Aqueles raspanetes que o Mário dava às vezes — sou completamente incapaz. É um bocadinho diferente, mas é a maneira como eu sou. Se não for natural, não tem sentido nenhum. Os jogadores topam à distância se não estás a ser sincero.
Já vão mais de dez anos fora de Portugal — Tunis, Cairo, Riade, Fez. O que te surpreendeu culturalmente quando chegaste?
A religião é a maior diferença. Mas na altura não fez diferença nenhuma — os tunisinos são acolhedores. Nunca senti qualquer tipo de animosidade. Quase todas as pessoas, mesmo as que não se relacionam connosco profissionalmente, na rua, em situações sociais, são muito abertas e tentam ajudar. Eu creio que uma das minhas grandes qualidades — passa a imodéstia — é a facilidade de adaptação. As coisas diferentes não me fazem confusão. Eu é que me adapto e faço as coisas com normalidade. Mesmo em Riade, que é bem mais diferente da Tunísia e onde o peso da religião é muito mais forte, não senti dificuldade de adaptação.
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Uma dessas adaptações está ligada ao Ramadão. Treinaste durante vários Ramadões — na Tunísia, em Marrocos, no Egito. Como é gerir uma equipa com os jogadores em jejum?
Quando chegámos ao Egito já era a parte final do Ramadão, portanto não vivemos muito. Mas aqui na Tunísia vários, e um na Arábia Saudita que, sem ser pejorativo, é o mais radical de todos. Na Arábia Saudita é impensável haver treinos ou qualquer atividade física durante o dia no período do Ramadão. As pessoas param ao meio-dia, uma da tarde, e vão para casa. Aqui na Tunísia o horário de trabalho também é mais reduzido, mas a atividade desportiva — sobretudo por regras das autoridades, que não querem jogos à noite depois das pessoas se alimentarem — obriga-nos a fazer treinos e jogos nas horas finais antes de quebrar o jejum. No clube onde estou agora o jejum começa às 6 da tarde, por isso treinamos das 4 às 5 e meia, para eles terem tempo para tomar duche e ir para casa. Antes de mais, é preciso saber exatamente com o que contamos — na Arábia Saudita, 100% fazem o Ramadão; na Tunísia, alguns atletas, em dias de jogo, abrem exceção e alimentam-se. Depois temos que baixar o volume de treino. Geralmente são duas horas e picos, temos que reduzir para uma hora e um quarto, uma hora e meia, tentando manter alguma intensidade — mas nota-se claramente que a performance vai baixando ao longo do período. As sessões bidiárias e de musculação também têm que ser reduzidas. Os bidiários eliminam-se completamente. No Club Africain consegui às vezes fazer sessões de treino à noite, mesmo em dias de jogo, para ter os jogadores mais capazes fisicamente. Mas aqui no Nabeulien não se consegue. O que se nota também é que as emoções ficam à flor da pele — às 4, 5 da tarde já estamos 14, 15 horas sem beber água nem comer, o cérebro já está assim um bocadinho mais vazio. Situações que normalmente passam num treino normal começam a causar discussões. Há mais tensão.
Tu próprio fazes o Ramadão. Como é liderar homens nesse estado, estando a passá-lo também?
Eles estão mais que habituados — fazem isto a vida toda, todos os anos. Às vezes até começam a comer e a pedir desculpa uns aos outros pelas reações que tiveram nas horas anteriores. Mas o Ramadão é muito bom para a capacidade de sacrifício e de disciplina. A primeira vez que fiz achava que ia ser impossível — também sou uma pessoa que gosta de comer e quando sinto fome começo a ficar mais tenso. Foi um desafio pessoal. Continuo a fazer, não só por razões religiosas, mas porque me ajuda muito a trabalhar a disciplina, a força mental, a capacidade de sacrifício. E é extremamente útil para transmitir isso ao grupo: na altura de maior tensão no treino, quando estão com dificuldades, relembrar-lhes — isto é uma escolha pessoal, vocês vão melhorar com isto, está tudo dentro da vossa cabeça, continuem a puxar, trabalhem o coletivo.
Treinaste tunisinos, egípcios, marroquinos, sauditas. Existe o estereótipo de que o jogador africano é fisicamente capaz mas taticamente menos desenvolvido. O que é que a tua experiência te diz?
Há uma diferença grande — e é importante sublinhar que a Tunísia, Marrocos e o Egito são África, mas são árabes. Norte de África. É muito diferente do angolano, do marfinense. Dentro deles há diferenças entre si. Do ponto de vista tático e de conhecimento do jogo, a Tunísia claramente está acima dos outros. Quando eu e o Mário chegámos em 2015, ficámos agradavelmente surpreendidos com o conhecimento do jogo e a capacidade tática que eles tinham. Estávamos a apanhar a melhor geração de sempre da Tunísia — o Salah Mejri, o Makram com 25, 26 anos, o Zied Chanoufi, o Mourad Mabrouk, o Hamoudi Hadidane que foi MVP do campeonato africano 2017, vários jogadores com passagem na NCAA. O Salah Mejri fez a carreira que fez na Europa e na NBA. Agora o nível baixou bastante porque descuraram muito o trabalho de formação. Esses jogadores estão a retirar-se ou a jogar com 37, 38 anos — ainda no ano passado treinei o Radouane Slimane “Seka”, que foi jogador do Mário Gomes no Barreirense, e com 43 anos ainda joga com bastante qualidade. Mas a Tunísia, na seleção, já não consegue lutar com as melhores equipas africanas. O Egito tem muito potencial — jogadores muito altos, uma quantidade incrível acima de 2 metros e 10, num país de 100 milhões de pessoas. Mas não consegue desenvolver bem o trabalho coletivo e tático. Marrocos é o país que está em melhores condições para dar um grande salto — social, económica e politicamente está em alta, já deu esse salto no futebol, há construção e desenvolvimento por todo o lado, a NBA fala em instalar uma academia lá. Falta estrutura — os pavilhões ainda são muito rudimentares, o piso do pavilhão em Fez quando entrei até me assustou, parecia ter 40 anos. Mas há vontade e há potencial. A Arábia Saudita é completamente diferente. Há um grupo de 14, 15 jogadores com alguma qualidade, mas fisicamente não gostam muito do contacto nem da intensidade — são muito slow-mo. É um país com muito dinheiro mas com uma cultura desportiva de 95% futebol. Em Riade, num derby de basquetebol do Al Nassr x Al Hilal, vão mil pessoas. No futebol, se o estádio tiver 200 mil lugares, enchem-no. As mulheres, quando cheguei lá, estavam no segundo ano em que podiam jogar — e tenho acompanhado, está a desenvolver-se bastante o basquetebol feminino na Arábia Saudita.
Levaste o Monastir ao sexto título tunisino consecutivo em 2024 e depois venceste a Conferência Sahara da BAL em Dacar em 2025. São as maiores conquistas da tua carreira?
Sem dúvida. Ser campeão tunisino como treinador principal é o mais importante. Mas a BAL é uma experiência fantástica porque o nível de jogo e a qualidade dos jogadores é muito alto. No Monastir infelizmente não tínhamos um orçamento muito elevado, mas havia equipas do Egito, da Líbia, com jogadores de nível Eurocup ou Champions League, com salários claramente nos três dígitos, e alguns com passagem na NBA. E a própria organização é NBA — tudo planeado ao milímetro. Temos um acompanhante que nos diz: conferência de imprensa antes do jogo aqui, ir falar para a televisão aqui, tudo ao segundo, ao minuto. Uma folha posta no balneário com a hora do aquecimento, tudo planeado ao mínimo detalhe. Bons pavilhões — o pavilhão em Dacar era espetacular, quase sempre cheio, com boa produção televisiva e redes sociais. Sentes-te realmente importante. Foi muito gratificante participar na BAL.
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A NBA fala também em criar uma liga permanente em África. Achas que é viável?
Com 12 equipas — o projeto já foi anunciado e creio que há um investimento inicial de pelo menos 5 milhões de dólares. Para o basquetebol africano não é assim tão fácil. Mas para a NBA anunciar e estar a trabalhar nisso é porque também vê potencial. Vamos ver se nos próximos dois ou três anos a BAL se consegue transformar numa liga com 12 equipas — não para todo o ano, mas qualquer coisa a meia distância da Euroliga.
E o basquetebol europeu tem a ganhar com esta ligação com a NBA?
O que eu gostaria mais é que não houvesse nenhuma divisão — acho que seria gravíssimo. Havia essa ideia de que uma vai canibalizar a outra, mas as últimas declarações do novo CEO da Euroliga — um espanhol com muitos anos na NBA — dão a ideia de estarem em conversas para tentar algum tipo de parceria entre a NBA, a FIBA e a Euroliga, para parar esta divisão, que acho que é muito má para o basquetebol em geral. A Euroliga é uma coisa espetacular — clubes com muita tradição, os espanhóis, os turcos, com equipas de futebol muito fortes que trazem muitos adeptos. O Olympiacos-Panathinaikos, o Olympiacos-Real Madrid, o Partizan-Estrela Vermelha — se deixarmos de ter jogos desses, para nós como adeptos do basquetebol seria muito triste. Espero que as pessoas dos dois lados pensem no bem comum e não só em euros ou dólares. A NBA claramente pode trazer mais-valias à Euroliga, mas a Euroliga tem a tradição.
Estás de regresso à Tunísia, ao Stade Nabeulien. O que motivou este projeto?
O Stade Nabeulien é um dos clubes históricos da Tunísia, com mais títulos — teve uma geração muito boa nos anos 90 e início dos anos 2000. Depois mantiveram-se competitivos mas sem lutar por títulos, e há dois anos as coisas foram piorando até baixarem de divisão. Este ano voltaram à primeira. Uma das coisas que me fez vir foi o presidente do basquetebol, o Bashir Hadidane— um ex-jogador, foi nosso no Club Africain e também na seleção quando ganhámos o campeonato africano em 2017. Retirou-se há dois, três anos e este é o clube da cidade dele. Quis pô-lo lá em cima novamente. Falou comigo e disse: “coach, temos alguns jovens com capacidade, não temos muito dinheiro, mas podemos ir buscar dois ou três jogadores para sermos minimamente competitivos.” O objetivo principal era ficar nos seis primeiros — aqui o campeonato divide-se ao fim de uma primeira fase: os seis de cima já não correm risco de descida, os seis de baixo ainda correm. E conseguimos: éramos provavelmente o oitavo ou nono orçamento e ficámos em quinto. Conseguimos também colocar o Aziz Mghirbi, com 20, 21 anos, nos 12 que jogaram a janela de qualificação em novembro para o Mundial. A segunda fase já foi mais difícil — o dinheiro começou a falhar, como às vezes acontece aqui, e só ganhámos dois jogos. Mas fomos sempre competitivos. E do ponto de vista pessoal, é uma cidade junto à praia, muito agradável de viver — pego no carro e estou a três minutos da praia. Essas coisas também contam. A maior parte dos treinadores e dos jogadores não lutam por títulos — o mais importante é tentar ser competitivo, e foi isso que conseguimos.
Tens vontade de voltar a treinar em Portugal?
Sem dúvida, mas o problema é que não há muitos lugares para treinadores profissionais em Portugal. Para voltar e ser treinador ao final do dia… Não posso “nunca”, porque às vezes temos que nos adaptar se não houver outra solução, mas gostava muito de voltar, de um bom projeto que me permitisse ser profissional. Se não, vou tentar continuar aqui. Como disse ao princípio: se o projeto for bom, posso ir viver para o Japão, para a Austrália, para a Indonésia, para o Sri Lanka. Não tenho problema nenhum. Vou, se depois não correr bem ou não gostar, volto ou mudo. A ideia é sempre ir e tentar.
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