Anthony da Silva: “Vamos fazer tudo para chegar ao Mundial”
Ricardo Brito Reis esteve à conversa com o internacional português
Atletas | Seleção Nacional Masculina
23 JUL 2026
Depois de uma época de recordes pessoais no ALM Évreux, onde se assumiu como um dos melhores passadores da Élite 2 francesa, Anthony da Silva troca de clube e ganha, pela primeira vez como profissional, um treinador que conhece muito bem: o pai, Philippe da Silva, antigo internacional português presente nos EuroBasket de 2007 e 2011. A partir da próxima época, pai e filho vão trabalhar lado a lado nos Béliers de Kemper (Quimper), um desafio que o base de 25 anos encara sem receios: “dentro de campo, isso esquece-se todo”, garante.
Em entrevista exclusiva à FPB, Anthony da Silva fala sobre esta nova etapa e sobre a forma como pretende separar, dentro e fora do pavilhão, o papel de pai e o de treinador. A conversa passa também pela Seleção Nacional, que garantiu a passagem à segunda fase da qualificação para o Mundial 2027 depois de um triunfo histórico na Grécia (71-56, em Atenas) — a primeira vitória de sempre de Portugal sobre os helénicos em jogos oficiais —, e pelo irmão mais novo, Gregory, chamado este verão pelo pai à Seleção de sub-18.
Entrevistámos o teu pai há cerca de um ano, e perguntámos-lhe se uma das coisas que gostaria era, eventualmente, poder vir a treinar-te, e se achava que ia ser difícil. Ele disse que não ia ser nada difícil, porque já te tinha treinado nos escalões de formação, e que, entre profissionais, achava que seria ainda mais fácil. Ainda não lhe perguntámos se já teve tempo para processar tudo isto, mas perguntamos-te: sentes-te preparado para seres treinado pelo teu pai?
Acho que estou preparado há muito tempo, porque a nossa relação é um pouco diferente. Fora de campo, fora do mundo profissional e do basquetebol, somos pai e filho; mas no momento em que falamos de basquetebol ou entramos em campo, isso esquece-se completamente. É uma coisa incrível, porque há pessoas que não percebem isto e acham que somos muito diferentes do normal, mas não somos. Sinto que não era propriamente uma pergunta que eu fazia a mim mesmo — se estava ou não preparado —, sentia-se como uma coisa normal: se podia acontecer um dia, ia acontecer. Espero e sei que vai correr tudo bem, mas agora a diferença entre ser pai e ser treinador é mesmo muito grande. Agora que o meu pai vai ser o meu treinador profissional, vai ser diferente, mas estou preparado para isso, e acho que ele também está.
Há uma coisa que acontece nos treinos muito naturalmente: quando um jogador quer falar com o treinador, trata-o por coach ou usa o nome do treinador. Não sabemos como tratas o teu pai, se é “pai” ou “papá”. E agora?
Sim, estou preparado. Aprendi isso a crescer: sempre chamei coach aos meus treinadores, porque em Espanha um dos primeiros treinadores que tive dizia sempre “yes coach, yes coach”. Então, para mim, vai ser sempre coach. Até fora de campo tenho de fazer esta distinção — chamar-lhe papá, pai — mas dentro de campo vai ser sempre coach.
Se calhar tens é de o tratar por coach fora do campo, para não te enganares quando estiveres dentro das quatro linhas.
Acho que sim — durante o ano que vamos estar juntos, é natural que isso aconteça.
Como é que surgiu esta hipótese? Nos teus anos no Évreux, a seres treinado pelo Dinis Amaral, o teu pai deslocava-se lá muitas vezes para ver os jogos. E agora, de repente, como surge esta hipótese de jogares para ele? Até porque tinhas como prioridade ir para o estrangeiro e havia outras equipas interessadas: o La Rochelle e o Saint-Quentin estavam de olho em ti. Como surge esta hipótese para ti?
É verdade, eu tinha essa vontade de ir para o estrangeiro, sobretudo para Espanha, porque conto como espanhol: fiz lá os meus anos de formação, e isso pode ser um bónus para mim. Claro que, quanto aos clubes aqui em França, eu não queria qualquer projeto. Tive outras hipóteses, como já disseste: o La Rochelle, e o próprio Évreux, com o Dinis — que vai passar a treinador principal, e de quem eu gosto muito, por isso também pensei nessa opção. Mas surgiu esta hipótese do Quimper, que estava interessado em mim. Eles já tinham começado a falar um pouco com o meu agente, a recolher informações. E depois havia esta situação: o clube não sabia se ia ficar ou não na Pro B. Quando ficaram oficialmente confirmados na divisão, ligaram-me logo — o que é uma coisa importante, porque mostra que o diretor e o treinador, que é o meu pai, queriam mesmo contar comigo. É verdade que eu ainda estava à espera de uma hipótese no estrangeiro, mas como não aconteceu, ou não era financeiramente interessante, tinha de tomar uma decisão sobre o Quimper. E foi assim que surgiu esta assinatura — assinei o projeto desportivo deles. É muito interessante, porque têm ambição: não é um clube que joga só para se manter na divisão, quer playoffs. E ter responsabilidade e render numa equipa ambiciosa como esta é importante para mim também.
Vens de uma das melhores épocas da tua carreira, se não mesmo a melhor: foste um dos melhores passadores da Élite 2, numa liga que conheces bem. Há também uma grande aposta no treinador — foram buscar o Philippe, que é um treinador de liga principal, para o clube. Já falaste com o teu pai, o Philippe, sobre o papel que ele quer para ti e sobre as expectativas que tem?
Sim, tivemos muitas conversas, porque durante a semana em que estávamos a falar eu tinha de tomar uma decisão. Falei com o treinador, que é o meu pai, para perceber o meu papel — porque, para mim render e a equipa ganhar jogos e ser competitiva, era claro que só assinaria por um sítio onde tivesse um papel importante. Conheço já a forma como ele gosta de treinar as equipas: não é os americanos jogarem mais do que os franceses, ou uma coisa assim — não é todos no mesmo lugar. Se jogas bem, jogas mais; se jogas menos bem, jogas menos. É isso: ser justo com cada um de nós. Mas acho que vou ter um papel importante, e foi uma das razões por que assinei. Vou trabalhar para ajudar o máximo possível a equipa.
No Évreux eras treinado pelo Dinis, que falava contigo em português. Agora, vais continuar a ter esse português no treino, ou vai ser tudo em francês?
O Dinis gostava muito de falar comigo em português, mesmo em campo, para que os outros não percebessem — acho que ele também me vai dar algumas dicas em português. Claro, sem fazer diferença em relação aos outros.
Vais ter paciência para aturar o teu pai o ano inteiro?
Não sei — se calhar nenhum de nós vai ter paciência (risos), porque ele é muito exigente. Mas, para além ser meu pai, é um treinador muito bom. Gosta muito de basquetebol, é o amor da vida dele. Conhece muito bem o jogo e sabe como envolver todas as pessoas e todos os jogadores dentro de um projeto. Vai ser difícil, claro, porque é muito exigente, mas tem de ser.
Ainda bem que é exigente.
Ainda bem, claro — ele tem de ser exigente para podermos ganhar o máximo de jogos possível.
Quando falámos com o teu pai no ano passado, e ao longo dos anos — desde os tempos do Nanterre, do Saint-Quentin, nas várias conversas que tivemos com ele —, uma das coisas que ele dizia sobre o jogo era que em França havia muito pick and roll: os ataques dependiam muito disso, e muito daquilo que os bases faziam. E que gostava de implementar coisas diferentes — saídas bloqueadas, jogar a partir dos grandes. Queria implementar coisas diferentes. O que achas que ele valoriza no papel de um base, de um point guard, no jogo da equipa dele, e que podes dar?
No basquetebol atual, os bases são os jogadores mais importantes da equipa — têm de assumir, marcar pontos, mas sobretudo criar para os outros. Complica-se muito se um treinador não tiver um base que também sabe criar para os outros. Acho que o que posso ajudar aqui é isso: sou um criador, gosto de criar para os outros, gosto também de marcar pontos, mas essa não é a minha principal qualidade. No pick and roll, também envolvemos muito o quatro — sei que ele gosta muito de jogar com o quatro no poste baixo, por exemplo, o que é diferente, mas é bom, porque as equipas contra quem jogamos têm de se adaptar e arranjar soluções novas. E nós já estamos habituados a jogar este tipo de jogo, porque ele também gosta de um jogo muito de transição, up and down, rápido — e isso é um jogo de que eu gosto muito. Se for sempre a meio-campo, esquece: não tenho 30 anos, tenho 25, deixa-me correr um bocado. (risos) É por isso que posso encaixar bem no plano de jogo dele.
O teu pai contava-nos que ias com ele para os treinos desde bebé, dentro do carrinho.
Sim, é verdade.
Qual é a primeira memória que tens de um pavilhão de basquetebol? Aos seis anos já andavas com ele nos estágios das seleções.
Tenho muitas boas memórias do pavilhão do CAB, porque foi o primeiro pavilhão onde vi basquetebol, onde joguei basquetebol — foram os primeiros momentos. Não me lembro propriamente, mas a minha mãe e o meu pai contavam sempre que eu, com três meses, conseguia ficar um treino inteiro a olhar para o basquetebol sem dizer nada, sem chorar, sem gritar — nada. Acho que esta paixão pelo basquetebol vem daí, desde muito pequeno: gostar de ver, gostar de jogar. São as minhas primeiras memórias, e são muito boas — às vezes até me apetece voltar a esses tempos, quando não há qualquer pressão e estás só a jogar porque gostas, com os amigos ou sozinho. Mas essas são as primeiras. Também tenho boas memórias de quando ele jogava pela seleção, por exemplo em Coimbra, em Almada, e até no EuroBasket, em Sevilha, quando eu tinha seis anos. Foram memórias muito boas.
Foi nesse EuroBasket que tiraste fotografias com o Juan Carlos Navarro e com o Pau Gasol?
Sim, sim, estás muito bem informado. Até tenho uma história engraçada: tirei uma fotografia com o Pau Gasol, o Navarro e o Tony Parker. Quando cheguei ao pé do Tony Parker para a foto, a minha mãe, que estava a tirá-la, disse: “Oh, Tony, para de te mexeres, fica quieto” — a falar comigo. O Tony Parker tirou os óculos, porque não sabia que eu também me chamava Anthony — era a mim que ela se dirigia.
Por falar em bons jogadores — fazemos aqui uma transição, porque anos mais tarde foste com o teu irmão Gregory e o teu pai para o Nanterre, e lá conheceste um rapazinho que agora é muito famoso, um tal de Victor Wembanyama?
Sim, é um dos mais famosos agora — vejo sempre a NBA. Tive a sorte e a oportunidade de jogar com ele, porque já sabíamos que ia ser especial: toda a gente tinha dúvidas sobre o físico dele, porque é um físico fora do normal, mas ele já tinha o foco totalmente no basquetebol e no objetivo. Eu já sabia. Lembro-me, por exemplo, do meu treinador de jovens, quando eu estava no Nanterre, a dizer-me: “Sabes que estás a jogar com o número um do draft?” E eu pensava: “Estás a brincar?” Eu sabia que ele ia ser bom, mas quando alguém te diz uma coisa assim, pensas: não é possível. E afinal era mais do que isso — é um dos melhores jogadores da NBA e do mundo.
O teu irmão Gregory está agora a ser treinado pelo teu pai nos sub-18, na seleção. Falam sobre isso? Dás-lhe conselhos? Como funciona esta relação familiar?
Sim, claro. O meu irmão anda destruído — ele não é o único, mas nos primeiros dias de estágio dizia sempre: “já não consigo andar”. Estamos sempre a trabalhar muito, a defender com intensidade máxima. Ele, ao contrário de mim, nunca foi jogador treinado pelo meu pai, por isso tinha dúvidas sobre como ia correr. Mas está tudo a correr bem, e é bom para ele, porque sei que tem um treinador exigente e isso é bom para ele.
O teu pai disse-nos também que ver-te jogar pela seleção nacional portuguesa o deixa muito orgulhoso. Já viste os jogos completos dele no EuroBasket? Deves ter poucas memórias dessa altura, eras muito pequeno — mas já viste, recentemente, o teu pai a jogar?
Sim, claro. Sabia que ele tinha os jogos dele do EuroBasket guardados no computador. E nos verões, quando íamos para a casa da Madeira, não tínhamos internet — por isso, a única coisa que podia fazer, tirando a praia, a comida e dormir, era ver esses jogos. Conheço-os bem, os jogos contra a Espanha, tantos outros. Lembro-me desses momentos em direto, mas também, há pouco tempo, voltei a vê-los. Gosto muito, porque é uma coisa especial — foi uma coisa histórica, Portugal ir ao EuroBasket de 2007 e de 2011, e ter lá o meu pai. É um orgulho ter um pai que foi ao EuroBasket e representou Portugal a jogar assim.
Acreditamos que o teu pai seja uma das tuas referências. Que outros jogadores tens como referência — para estudar o jogo, ver vídeo, roubar alguns moves?
Sim, quando era pequeno era muito o Tony Parker — muito, muito, porque ele vivia em França e foi na altura em que eu era mais novo, com 12, 13, 14 anos, e ele estava no seu prime, para dizer assim. O Wembanyama tem uma fotografia muito famosa com a camisola do Tony Parker, e eu tenho uma exatamente igual, com a mesma camisola — era igual. Ele treinava com a camisola dele, e eu, quando era pequeno, via muitos jogos dele. Depois também gosto muito, por exemplo, do Luka Doncic — hoje em dia não gosto tanto de como ele se comporta, às vezes, com os árbitros, mas gosto de como joga. Agora também gosto de como joga o Matthew Strazel, que está a jogar muito bem, por exemplo. Mas gosto de ver, num jogo qualquer — vejo muitos jogos de liga, sobretudo os campeonatos francês, espanhol e português — mesmo um jogador que não tem 10 pontos de média, mas que jogou bem nesse jogo: “este move é bom, esta coisa é boa”. E depois vou experimentar esse move no treino.
É por isso que és um estudante do jogo.
Isso mesmo. Gosto de ver como os jogadores atuam ou reagem num determinado momento, e os treinadores também — mesmo as reações que se veem, muitas vezes, dos treinadores na ACB, por exemplo, que se vê muito bem.
Com os microfones, ouve-se tudo, não é?
Exatamente. Sou muito curioso. Gosto de saber como eles reagem. E gosto muito de ver todos os jogos — vejo, no mínimo, dois ou três jogos por semana. Muitos, mesmo.
Este verão é também o teu primeiro verão como pai — mudas de clube, andas na seleção, tens um bebé. Como se consegue equilibrar tudo isto?
Tens razão, é complicado, é diferente. Antes tinha, digamos, uma vida mais simples: só me preocupava comigo, marcava as férias e estava resolvido — e jogava, claro. Agora é preciso organização: temos de estar presentes para as consultas do bebé, por exemplo. É complicado, é diferente. Mas está a correr tudo bem. Nunca se aprende a ser pai — quando és pai, tens de agir como um bom pai e fazer tudo pelo teu bebé. É esse o meu plano: fazer tudo o que for possível para que o meu bebé tenha tudo, e está a correr tudo bem.
Sobre a seleção: acabámos de nos apurar para a segunda fase da qualificação para o Mundial, depois de uma derrota em casa com o Montenegro que deixou toda a gente um pouco receosa, mas depois foram a Atenas e ganharam por 15 pontos. Como foi viver estas emoções dentro do balneário?
Para ser honesto, depois do jogo com o Montenegro, sabíamos que tínhamos de ganhar, porque, senão, não passávamos — se perdêssemos contra a Grécia e a Roménia ganhasse, ficávamos de fora. Por isso, era dar tudo para ganhar contra a Grécia. Chegámos lá antes do jogo com um único objetivo: ganhar. E sentia-se uma coisa especial. Temos um grupo em que estou há três anos e que gosta muito de desafios: por exemplo, nenhuma equipa portuguesa tinha alguma vez batido a Grécia, e queríamos bater a Grécia — como já tínhamos batido a Espanha. E foi o que fizemos. Começámos bem o jogo, estivemos bem até ao intervalo, e sentíamos que íamos ganhar de qualquer maneira — tínhamos muita confiança em nós, em cada um de nós. É por isso que o resultado foi tão bom: tínhamos perdido em casa por sete ou oito pontos contra a Grécia, por isso era importante ganhar por mais do que isso — e foi o que aconteceu. Por isso é que agora terminámos em segundo lugar no nosso grupo, e vamos para a segunda fase.
Estavas a dizer que é um grupo que gosta de ir à procura desses desafios. Há uma coisa que a seleção nunca fez, que é estar num Mundial de basquetebol. Vocês falam muito sobre isso, certamente?
Sim, falamos sobre isso — mas não é falar por falar, do tipo “ah, seria fixe estar no Mundial”. Não: vamos fazer tudo para lá chegar, honestamente. No verão passado, num jogo não oficial, batemos a Espanha — podemos voltar a bater a Espanha. A Geórgia? Também podemos ganhar.
E à Ucrânia também ganharam recentemente.
Não há uma equipa da qual olhamos e dizemos “vai ser complicado” — claro que vai ser complicado, mas podemos ganhar. E todos estes jogos vão contar, porque os resultados da primeira fase transitam para a segunda. É verdade que podíamos ter feito melhor: perdemos contra a Roménia depois de termos ganhado em casa por uma grande margem, e contra o Montenegro também podíamos ter ganhado, jogando em casa. Mas não faz mal — agora vamos dar ainda mais força para ganhar os jogos que faltam.
Nesta janela nem sequer puderam contar, por exemplo, com o Neemias, porque ele estava em fase de negociação do contrato com os Celtics. Como é treinar com ele, fazer um pick and roll e tentar um alley-oop?
É só mandar lá para cima, que ele vai buscar. É fixe.
Infelizmente, por causa de uma lesão, falhaste o EuroBasket do ano passado. Deve ter sido muito difícil ficar em casa a ver os jogos pela televisão.
Foi muito duro ver os jogos assim, à distância. Foi das coisas mais complicadas da minha carreira até agora: eu queria representar Portugal num patamar mais alto, e não ter essa oportunidade, por estar lesionado, foi difícil. Mas foi também uma coisa positiva — tento ver sempre o lado positivo: tive a sorte e a oportunidade de estar cá e ver o nascimento da minha filha, que teria perdido se estivesse no EuroBasket. E, ao voltar da lesão, no Évreux rendi muito bem — estava com muita fome, e queria estar o mais preparado possível para fazer a melhor época da minha carreira.
Portanto, falta-te ainda viver uma grande competição com Portugal.
Sim, é exatamente isso. Há bons jogadores em Portugal, mas agora quero ajudar — mais do que ajudar, quero render na seleção. Estou só à espera deste momento, e vou trabalhar muito para lá chegar. Sinto mesmo que é isso que me falta, para viver estes bons momentos com o grupo que temos.
Num verão em que tens seleção e mudas de clube — portanto, mudança de cidade e de casa — é fácil estares fisicamente preparado para a época? Consegues ajustar tudo isto?
Não é fácil, mas faço tudo para chegar o mais preparado possível, fisicamente e mentalmente — porque falamos do físico, mas a parte mental também é difícil. Por exemplo, há dois verões, ficámos um mês e meio juntos com a seleção e, logo a seguir, sem férias, comecei logo a pré-época. Se não tens uns dias para desligar, a época torna-se longa. Por isso, tenho de me preparar: mesmo nos estágios da seleção, faço tudo para chegar o mais preparado possível à pré-época — vou sempre ao ginásio, descanso bem também nas seleções. Não é fácil, mas é possível.
Última pergunta: há bocado falaste das ambições do Quimper — é uma equipa que quer jogar lá para cima, lutar por playoff, não é uma equipa só para jogar pela manutenção, quer apostar a sério nesta temporada. Isso estabelecido, o que queres, este ano, para ti? Depois de teres sido uma estrela em Évreux, um dos melhores passadores da liga, qual é o próximo passo para o Anthony da Silva?
Sendo honesto, o ano passado o meu objetivo era ser um dos melhores bases da liga. Para este ano, o objetivo é ser o melhor base francês [n.d.r.: Anthony é luso-francês] da liga — vi há pouco tempo que era o terceiro ou quarto melhor, e isso não chega. Quero subir, quero ir mais para cima, é esse o objetivo. Depois, quero continuar a melhorar, a ter mais qualidade no meu jogo, com mais regularidade. Mas é assim: todos os anos, sejam bons ou menos bons, aprende-se sempre alguma coisa, e depois usa-se isso para ser melhor e voltar mais forte. É esse o meu objetivo: chegar lá, ser a melhor pessoa e o melhor jogador possível, e render — fazer uma boa época num clube, numa equipa que ganha jogos. Como o (Diogo) Brito agora, que vai para a ACB, por exemplo. É esse o meu objetivo: ser sempre melhor.
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