Artigos da Federaçãooo

“Não pares em casa”

Regressamos com a rubrica “Não pares em casa”, com a Jr. NBA. Em baixo podem ver exercícios de trabalho de pés, com Bob MacKinnon, treinador da G-League, e o seu filho, e de drible, a cargo de Kevin Burleson, treinador de desenvolvimento de jogadores dos Minnesota Timberwolves.


Lisboa acolheu a segunda promoção da Seleção Nacional à Divisão B

Ao período de marasmo, marcado por uma crise económica que motivou o cancelamento das competições internas numa época e a ausência dos Europeus C de 2011 e 2013, Portugal respondeu categoricamente e, no regresso, alcançou a subida à Divisão B. Jorge Almeida, selecionador à data, e Márcio Dias, agora capitão, relembram o êxito. 

O desconhecimento dos adversários e a parca preparação, em virtude das limitações financeiras, anteviam dificuldades e o objetivo traçado não tolerava mãos trémulas nos momentos decisivos. Márcio Dias vinha de uma época em alta ao serviço do Servigest Burgos – 2.º escalão espanhol – e correspondeu à exigência da ocasião com o seu melhor desempenho pela Seleção, na meia-final contra a Finlândia. “A minha preparação nesse ano tinha como foco o Campeonato da Europa. Ao mesmo tempo, queria ajudar a minha equipa a conseguir vencer a 1.ª Divisão espanhola. Treinava todos os dias, mais ou menos 1h30 no ginásio, mais 1h hora de técnica de cadeira e quatro sessões de 2h com a equipa”, um volume de trabalho condizente com o praticado ao mais alto nível e que catapultou (ainda mais) o seu jogo para um patamar de excelência.
À margem da prestação individual, o camisola #4 sublinha a elevada competência do grupo selecionado, com “vários jogadores a atuar ou com experiência em ligas estrangeiras”, opinião corroborada pelo então selecionador, Jorge Almeida, que destaca “a entrega, o querer e a qualidade” dos atletas escolhidos. “Não tivemos condições para preparar o Campeonato dignamente, pelo que procurámos, eu e o Rui Lourenço (adjunto), escolher os atletas mais pela sua qualidade individual, visto não ser possível trabalhar o coletivo como desejaríamos, fazendo-os acreditar que era possível”.
O começo titubeante, e até desanimador, pontuado por uma derrota pesada frente à Bósnia-Herzegovina (34-58) e novo “tropeção” frente à Finlândia (47-49) deixaram a seleção sob pressão extrema, circunstância que não afrouxou a crença na subida de escalão. Portugal embalou para vitórias frente à República da Irlanda (54-51), Grécia (34-58), Sérvia (74-50), desforrou-se contra os nórdicos na meia-final (50-61) e, já com a promoção garantida, sucumbiu pela segunda vez ante o poderio dos bósnios (51-75), cuja altura e traquejo não permitiram uma discussão para lá do 2.º período.
Para se repetir a história em 2021, Jorge Almeida reconhece valia para se voltar ao segundo degrau do BCR europeu, embora assinale a premência dos jogadores dedicarem mais tempo ao trabalho individual, “dando uma especial importância à técnica de cadeira com e sem bola”, além de considerar vital desenvolver rotinas ofensivas e anular o “maior problema da equipa nacional no último Campeonato”, a defesa. Em sintonia com o ex-selecionador, Márcio Dias acredita estarem reunidas condições similares às de 2015, atendendo aos muitos atletas da Seleção “a jogarem fora ou que já o fizeram”, pelo que só falta mesmo “voltar a treinar normalmente para limar arestas e vencer o próximo Campeonato da Europa”.

Sofia Ramalho ocupou a “Área Restritiva”

A ex-internacional portuguesa, Sofia Ramalho, foi a convidada desta semana da “Área Restritiva”. As histórias de uma carreira ilustre e muito mais, num programa que pode ser revisto na FPBtv, no Facebook ou na IGTV


Entrevista a Rui Dias, presidente do Basket Clube de Gaia

Rui Dias, presidente do Basket Clube de Gaia (BCG), aborda com ambição a época de estreia do clube na 1.ª Divisão do basquetebol em cadeira de rodas (BCR) nacional e transmite a vontade de promover um paradigma mais competitivo na modalidade. Recorde-se que o emblema gaiense foi o único candidato ao Playoff de subida à 1.ª Divisão.  

Quais as expectativas do BCG no seu ano de estreia na 1.ª Divisão?
As expectativas são de ficar entre os quatro primeiros lugares da competição. Para além disso, pretendemos alargar o número de jogadores e começar a formar novos atletas. A nossa maior presença em atividades de sensibilização e demonstração nas escolas e no Centro de Reabilitação do Norte, na época passada, reflete esse mesmo desejo.
Quais são os fatores diferenciadores deste projeto? 
Somos o único clube da região do Grande Porto e contamos com atletas das Seleções Nacionais A e Sub22. Estamos a falar de uma população de 1,5 milhões de habitantes, onde só existe o nosso clube neste desporto adaptado!
Como surgiu a ideia de criar uma equipa de BCR (em resumo, o que te motivou a fazê-lo e a abordar-me)?
Sendo o Pedro Bártolo de tão perto de onde o clube nasceu e desenvolve a atividade, não poderíamos esperar outra coisa! O facto de o conhecer e ver o gosto que ele tem pela modalidade, em particular pelo desporto adaptado, foi uma questão de tempo para desenvolvermos este projeto. É uma paixão mútua pelo basquetebol nas diferentes variantes.
Que pretensões tem o BCG a longo prazo no BCR (pode falar do BCR e da ambição global no clube)?
Queremos, em geral, que o basquetebol cresça em Portugal. Pretendemos que os mais jovens atletas, e principalmente os pais, não vejam este desporto apenas como um “hobby”, ou algo para passar o tempo, mas como uma forma de vida, tal como se passa em muitos dos países por esse mundo fora, principalmente nos mais desenvolvidos. Este desporto em Portugal, infelizmente, por forças maiores, não é publicitado, pelo que é muito complicado que surjam muitos atletas com qualidade para que se possa competir ao mais alto nível europeu, e desta forma, atrair um maior interesse em todas as vertentes.
Quais os principais entraves à concretização do projeto do BCR?
O maior entrave é, sem dúvida, o equipamento, por forma a que os atletas estejam preparados para a alta competição. As cadeiras são bastante dispendiosas e sem isso a performance competitiva baixa consideravelmente.

“Não pares em casa” com a Jr. NBA

O “Não pares em casa” com a Jr. NBA regressa esta semana com três exercícios diferentes que podes incluir na tua rotina de treino. O treinador adjunto dos Detroit Pistons, Micah Nori, explica-te o primeiro exercício de lançamento, seguindo-se o treinador da Jr. NBA, Adrian Carrion Armas, com trabalho específico de drible e para finalizar Dan Liburd, preparador físico dos Brooklyn Nets, dá-te alguns exercícios que te ajudam a manter a condição física.


Sónia Reis foi a convidada da “Área Restritiva”

Sónia Reis marcou uma geração no basquetebol feminino nacional, com um currículo que fala por si, e que inclui sucessos em Espanha. A antiga poste foi a convidada na “Área Restritiva”, programa que pode ser visto na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. 


Os melhores jogos da Liga Feminina 2019/20

Entramos numa semana dedicada aos três jogos mais vistos da Liga Feminina 2019/20. No YouTube/FPBtv ou no Facebook da FPB, para ver esta segunda, quarta e sexta-feira, às 21h30, duelos que prenderam a atenção dos adeptos da modalidade.


APD Braga, o primeiro (e único) campeão a norte

Os minhotos despertaram para as conquistas na época 2012/13, quando ergueram os troféus de campeão nacional e de vencedor da Taça de Portugal. Manuel Vieira, jogador e presidente da APD Braga, e Ricardo Vieira, treinador, narram as bases do êxito, antecâmara de um ciclo dominador, que perdura, no BCR nacional.

Após um ano atípico, sem competições de BCR em Portugal, a APD Braga surgia em força, uma vez maturado o processo cujo fito passava por vencer títulos. Em primeiro lugar, rumou a Braga a Taça de Portugal, e a jogar em “casa”, empurrada por uma das maiores enchentes da modalidade no país, a equipa festejou o campeonato. “Foram pelo menos 4 épocas a trabalhar para conseguir esse título, com um aperfeiçoamento de várias situações: passámos a 2 treinos semanais e a dispor de ginásio grátis”, descreve o treinador Ricardo Vieira, que salienta também o investimento pessoal e a aquisição de cadeiras. “Fiz inúmeros cursos internacionais, alguns quilómetros sozinho e sem dormir, para perceber mais e melhor. Além disso, tivemos cadeiras novas ao abrigo de um apoio importante, que veio demonstrar que tínhamos mão de obra, faltavam material e verbas para apoio aos atletas”.
Manuel Vieira, presidente e jogador da APD Braga, subscreve as premissas de sucesso elencadas pelo técnico, seu irmão, e frisa o impulso dado pelo pai, Carlos Vieira, na “criação de condições para a prática desportiva das pessoas com deficiência”, numa primeira fase voltada para “a integração”. Angariados novos parceiros, a APD Braga começaria “a marcar pontos no panorama desportivo nacional”, dinâmica na qual reconhece o papel de João Correia, atleta paralímpico e figura incansável nos bastidores, a quem presta um “reconhecimento especial”.
Do desejo à realidade distaram 20 anos, pois fora na época 1992/93 que a APD Braga, fundada em 1982, constituiria as secções de atletismo e BCR. A transição do pendor recreativo para uma orientação mais competitiva custaria momentos de tensão e exigiu firmeza. “Numa saída, uma dirigente pediu aos atletas dinheiro para ajudar a pagar o almoço e o meu pai disse que se assim fosse tirava as cadeiras todas da sua carrinha, deixava-as na estrada e trazia todos os atletas que pudesse. Foi para mim o ponto de viragem e perceção de que o atleta não pode pagar algo em que vai fazer o nome da instituição crescer”, sublinha Ricardo Vieira.
Atualmente, embora saliente o “muito trabalho a fazer”, o técnico considera que “a cidade e concelho estão mais atentos” ao desporto paralímpico, consequência indesmentível das múltiplas ações de sensibilização e demonstração de BCR realizadas pela APD Braga, com um impacto que ultrapassa até o território continental. “Um dos pontos altos foi a ida aos açores. Receberam-nos como verdadeiros atletas; outdoors luminosos a anunciar a nossa presença, nas escolas havia entusiasmo, pediram-nos autógrafos, fotos, queriam saber mais de nós. Para culminar, houve um jogo entre os atletas com direito a pavilhão cheio e entrevistas, assim como invasão do campo, onde as pessoas nos pediram camisolas, calções e até meias”.
Se uma longa espera antecedeu os primeiros títulos, desde então a APD Braga inaugurou uma verdadeira dinastia no BCR nacional, ao arrecadar todos as provas em disputa a partir da temporada 2015/16. E a motivação não se esfuma. “Todos os anos desportivos fazemos um reset, pois o passado já era”, explica Manuel Vieira, filosofia a que se juntam as ambições expressas por Ricardo Vieira em “colocar o máximo de atletas na Seleção Nacional” ou a “dar o salto” para o estrangeiro “e ser a melhor equipa de sempre do BCR em Portugal (com formação feita no clube)”.

“Man Out” a Miguel Reis

Miguel Reis iniciou-se há três anos no BCR, pelo Basket de Clube de Gaia, mas rapidamente despertou a cobiça de outras equipas e envergou a camisola da APD Paredes esta época. Versátil e com um reportório técnico interessante, ameaça distinguir-se como um dos principais jogadores de pontuação 4.0 em Portugal.  

Data de nascimento: 19/01/2000
Ano de iniciação: 2017
Posição: Poste
Clube: BCG
Palmarés: Participação nos EPYG – Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude – de 2019
Jogo da tua vida (e porquê): Sem dúvida alguma, nos Jogos da Juventude na Finlândia, contra a Irlanda. Fez-me crescer a nível pessoal e como jogador. Foi também o jogo que me fez perceber que o nível lá de fora não era inalcançável.
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como “vendias” o basquetebol em cadeira de rodas? Primeiramente, expressava a minha paixão pelo jogo e explicava no que consiste; em seguida só lhe diria que só jogando se percebe o porquê de ser a modalidade paralímpica rainha.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti? 
Neste momento, há três jogadores em Portugal que exercem fascínio em mim. O primeiro, o Pedro Bártolo, pela sua riquíssima experiência e maneira de jogo; também não só por ser meu treinador, como mentor, que me aponta sempre para a direção certa; depois o Márcio Dias, uma grande fonte de inspiração, pois é aquele nível que quero alcançar e superar; por último, mas não menos importante, Hugo Lourenço, não só por ser um poste formidável, como também um dos jogadores mais criativos que já vi a jogar e isso é algo que eu gostava de ter no meu jogo.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR. 
Mais uma vez na Finlândia, nos Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude, como praxe por ser a nossa primeira competição internacional, tivemos os nosso cabelos cortados com cortes engraçados e isso deu uma luz e uma união enorme ao grupo.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito? 
Seria o U-turn. Sendo bastante útil, é para mim um dos movimentos bases que todos os jogadores deveriam ter; gesto seria o lançamento, aquela sensação de a bola a deslizar pelos dedos e a entrar no cesto não há igual; e por último, o momento seria logo o início do jogo, onde ambas as equipas batalham para saber quem vai sair na frente na primeira parte do jogo e tudo está ainda em equilíbrio.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”? 
Sem dúvida alguma, seria ao Pedro Bártolo. No dia que o conseguir, terei superado o meu (eu) jogador atual.
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.

“Não pares em casa” com a Jr. NBA

Esta semana, no “Não pares em casa” com a Jr. NBA, temos exercícios de treino dados por Tanny Zhao sobre a técnica de drible.


Jogadores marcantes #8: Eduardo Gomes

Paradigma de longevidade e fair-play, aos 53 anos, Eduardo Gomes continua a fazer a diferença na tetracampeã nacional APD Braga, fruto de uma apetência quase sem paralelo para marcar, de qualquer lado. Detentor de 16 troféus pelo emblema minhoto, renova a cada ano o entusiasmo pelo BCR, que só deixará quando não puder mais.   

O passado desportivo, resumido às funções de treinador-adjunto nas camadas jovens de uma equipa de futebol, não pressagiava os êxitos que se sucederiam. Eduardo Gomes (4.0) começou a praticar BCR há 22 anos, “através de Rafael Azevedo”, seu futuro colega e o primeiro contacto bastou. “Nem fui equipado. Apresentei-me lá e o Ricardo (Vieira) pôs-me logo numa cadeira. Fiquei apaixonado. Pensei: “Olha que maravilha”. A partir daí, nunca mais falhei um treino. Amo este desporto”, afirma a perder o fôlego.
De imediato, o fascínio produziu um compromisso ao nível dos melhores, espelhado na dedicação e no olhar aguçado. “Via os outros lançar e comecei a praticar sozinho, em casa, sem cesto, só a fazer o gesto”, resolução com frutos comprovados. O lançamento, virtude que consensualmente lhe reconhecem, aprimorou a cada treino, pela recriação constante da atmosfera do jogo. “Faço cada lançamento como se fosse no último segundo. Digo para mim “Estamos a perder por um” e é com esse lançamento que vamos passar para a frente”.
Uma ida a Vigo acrescentou-lhe soluções de concretização, perante a eficácia à tabela de um jogador do conjunto local, tal como o regresso de Márcio Dias (4.5) aos minhotos, após experiência em Espanha, pelo Servigest Burgos. “Jogava sempre do lado direito. Quando o Márcio voltou à equipa, perguntou se não me importava de trocar. Tive que me adaptar, e entretanto, comecei a lançar de todos os lados”, explica o veterano. O mérito da evolução atribui também a Carlos Vieira, fundador da APD Braga, e Ricardo Vieira, seu técnico atual. “Foram eles que me incentivaram”, sublinha, a par dos colegas, a quem louva “o apoio espetacular”. Para o treinador da APD Braga, Eduardo “tem uma vivacidade no jogo e intensidade que “envergonha” alguns novos atletas e até de Seleção Nacional”, dispara, caraterísticas que ajudam a compreender o impacto que mantém no conjunto tetracampeão nacional.
Há, porém, uma mágoa que não se apaga. “Sabes qual é o meu maior desgosto, a minha maior tristeza? Nunca vestir a camisola da Seleção”, confessa, apesar de aceitar a ausência das escolhas no passado. “Posso lançar bem, mas os outros têm velocidade”. Da mesma forma, Ricardo Vieira conjetura a disponibilidade de vários atletas da pontuação do seu pupilo, com qualidade, como atenuante para não constar nas convocatórias, mas frisa a injustiça. “Mais não fosse pelo prémio do que tem dado, e acredito ainda tem para dar, merecia ser reconhecido. Gostava de o ter visto mais em estágios, se fosse Sub22 garantidamente ia”, afiança em tom de brincadeira o selecionador da categoria.
Dissabores à parte, o encanto de Eduardo Gomes pela modalidade não parece afrouxar. “O que eu quero é jogar”.
Ricardo Vieira, Selecionador Nacional Sub22 e Treinador da APD Braga
O “Dado” é um caso a estudar pela ciência, pois quanto mais velho, mais vontade tem em crescer como jogador. Como ser humano, é um exemplo com todos, colegas de equipa e adversários. Não conheço um jogador ou agente desportivo (árbitros incluídos) que tenham algo a apontar-lhe, pelo contrário. As inúmeras vezes que já me aborreci com ele, em relação a parar uma jogada para ajudar um adversário ou desistir da mesma por fair-play, fizeram-me entender que não consigo mudar isso, está no ADN dele. É um prazer tê-lo na equipa, espero que se mantenha mais alguns anos connosco, pois poderá ser ou vir a ser o jogador com mais longevidade no BCR e com qualidade, pois em termos de longevidade temos já alguns exemplos, mas em termos de qualidade, como o “Dado” é difícil. Basta ver que tem feito parte do 5 inicial de uma equipa tetracampeã nacional e isso quer dizer alguma coisa, não?”

“Man Out” a Christophe da Silva

Christophe da Silva descobriu o basquetebol em cadeira de rodas em 2009, mas só chegaria ao “radar” da Seleção Nacional a partir de finais de 2016. Com o traquejo adquirido ao serviço do CS Meaux, pelo qual se sagrou campeão francês em 2017, o extremo viu recompensado o afinco e o caráter coletivo do seu jogo com duas participações em Campeonatos da Europa.  

Data de nascimento: 06/11/1982
Ano de iniciação: 2009
Posição: extremo/base
Clube: CS MEAUX (França – Nationale A)
Palmarés: Campeão de França – 2017
Jogo da tua vida (e porquê): CS Meaux 64-68 Bilbao BSR– Andre Vergauwen 2017 (estatística aqui) Perdemos por pouco contra uma grande equipa. Foi um jogo de alto nível e muito intenso.
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como o “vendias”?
Antes do meu acidente, não conhecia este desporto. Desde que pratico, todas as pessoas que o conheceram, adotaram-no de imediato e começaram a segui-lo. É um desporto aberto a toda gente (em vários países, a participação está aberta a pessoas sem deficiência. Em Portugal, essa circunstância está restrita à 2.ª Divisão), não é preciso ter uma deficiência para praticar, e é um ótimo momento de partilha. As regras são semelhantes à versão convencional e o espetáculo é igualmente impressionante. A melhor maneira de ficar fã é ver pelo menos uma partida ou sentar-se numa cadeira. A partir daí, só podemos amar a modalidade.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti? 
Tive a chance de jogar com grandes jogadores e contra os melhores. É difícil nomear alguém em particular, mas os que realmente me ajudaram a crescer nesta modalidade são Otias Pliska, Audrey Cayol, Samir Goutali e Mario Farasman.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR. 
Durante uma sessão de consciencialização sobre a prática do BCR, com professores de Educação Física e treinadores de clubes do desporto convencional, quando testaram a modalidade, tiveram a impressão de inverter os papéis. Eles tornaram-se as pessoas com deficiência e eu a pessoa dita “normal”.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito? 
Gosto de castigar a defesa adversária, fazendo o “comboio”*, para que o jogador que me segue possa marcar à vontade.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”? 
Gostava de fazer “Man Out” ao Márcio Dias, capitão da nossa Seleção e jogador com muita experiência.
* Comboio ou “seal” – movimentação caraterística do BCR, geralmente materializada pelo jogador de baixa pontuação e/ou estatura, que prescinde de atacar uma vantagem numérica pelos cânones habituais para efetuar um bloqueio em movimento e permitir que o seu colega o acompanhe nas costas, alcançando deste modo uma posição próxima do cesto.

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“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”

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