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“Não pares em casa” com a Jr. NBA

O “Não pares em casa” com a Jr. NBA está de regresso e esta semana focamos atenções no passe e no lançamento. O treinador da Jr. NBA, Jeremiah Boswell, indica-te dois exercícios que te permitem melhorar no capítulo do passe e na finta de lançamento, com o extremo dos Miami Heat, Duncan Robinson, a deixar indicações para um exercício bem simples que podes fazer em casa para melhorares na hora de lançares ao cesto.


Estabilidade foi aposta ganha

O Imortal/AlgarExperience foi um dos “reis” da temporada 2019/20, graças a um percurso imaculado na Proliga com 22 vitórias em outros tantos jogos, sem esquecer a conquista do Troféu António Pratas e a boa campanha na Taça de Portugal. Quisemos saber as razões do sucesso com o treinador, Luís Modesto, e com os atletas Rui Quintino, Hugo Sotta e António Monteiro.

Luís Modesto, técnico do Imortal, não esconde a ambição colocada no projeto: “O Imortal, quando construiu a equipa para participar na Proliga, foi com o principal objetivo da subida de divisão e uma das metas secundárias era ganhar jogo a jogo, porque tínhamos a consciência de que o plantel nos dava garantias de podermos alcançar estes dois objetivos”, lembra.
O treinador de 45 anos explica as razões que determinaram uma época tão positiva: “Este sucesso está alicerçado num conjunto de fatores em que cada um teve a sua quota-parte de responsabilidade. Em primeiro lugar, a qualidade individual dos nossos atletas e a sua dedicação, depois as excelentes condições de trabalho que a direção do clube proporciona, quer aos atletas, quer ao corpo técnico. Não podemos esquecer o apoio fundamental e precioso dos nossos patrocinadores, onde se destaca o do Município de Albufeira, e também o apoio incondicional dos nossos adeptos, assim como da equipa técnica”, enumera.
O emblema algarvio está de volta à Liga Placard, estando ainda na memória a curta passagem pelo campeonato em 2018/19. Para Luís Modesto, todos os esforços estão a ser feitos para que o futuro seja risonho: “Após uma experiência mal conseguida na época 2018/19, o principal objetivo na próxima temporada será, sem dúvida, assegurar a permanência na Liga Placard. Para isso se concretizar, a direção do clube está a fazer o seu trabalho para continuar a proporcionar excelentes condições de trabalho para todos, mesmo numa conjuntura desfavorável, devido à dificuldade em garantir apoios financeiros, motivada pelo problema da pandemia da COVID”, realça.
Rui Quintino foi um dos “craques” que chegou há um ano a Albufeira, sua cidade-natal, e por isso este ano foi especial: “O meu futuro passa pelo Imortal. Estou bastante satisfeito por representar o clube e poder ajudá-lo a crescer. A equipa foi contruída de raiz com o objetivo, não só de regressar à Liga, mas também de aproveitar a experiência adquirida por todos os intervenientes durante esta época. Estou bastante otimista porque acredito que este projeto, apoiado pela cidade de Albufeira, tem condições e potencial para ser uma referência do basquetebol no nosso país”, afirma.
Outro jogador garantido para a próxima temporada, no Imortal, é o influente poste Hugo Sotta, que destaca a estabilidade do plantel: “Todos os jogadores portugueses e estrangeiros tinham contrato de dois anos, e isso criou uma dinâmica de grupo que nos vai ajudar a entrar na Liga noutro patamar, com uma ligação já criada. Os novos jogadores que vierem vão colocar ainda mais qualidade nesta equipa, por isso só há razões para estar otimista. Sabendo que a Liga está bastante competitiva, teremos ainda de ser mais sérios e trabalhadores para poder dar o tal passo em frente”, avisa.
Ainda sem mostrar certezas quanto ao futuro, mas igualmente muito grato ao Imortal temos António Monteiro. Com uma carreira já bem preenchida, o jogador de 31 anos enaltece a importância da experiência no Algarve: “Sem dúvida de que foi a época de que eu precisava. Sou um jogador que já conquistou tudo o que havia para conquistar a nível coletivo em Portugal, e as pessoas pensavam que vir para o Imortal ou para a Proliga era um passo atrás. E no início foi um passo atrás, no sentido em que estava habituado a lutar por títulos e a jogar na Europa. A qualidade não é a mesma, isso é verdade, mas sinto que evoluí muito mais esta época, porque joguei muitos minutos e é isso que um jogador quer e precisa. Por isso, posso dizer que dei um passo atrás e que, logo em seguida, dei dois em frente”, vinca.

“Queremos reforçar e melhorar o 3×3 nas Escolas”

Em condições normais ter-se-iam realizado esta quarta-feira, no Forte da Casa, as finais nacionais do 3×3 nas Escolas, mas a atual situação pandémica não o permitiu. Contudo, os olhos já estão postos na edição do próximo ano!

Nuno Manaia, Diretor Técnico Nacional, manifesta objetivos para o regresso deste impactante evento: “Achamos que este projeto é da máxima importância. Queremos reforçá-lo e melhorá-lo para o próximo ano, afirma.

O dirigente explica a importância da prova do Desporto Escolar: “O 3×3 nas Escolas proporciona a prática do basquetebol, cria o “bichinho” nos jovens e traz adeptos para a modalidade. Queremos entrar cada vez mais nas escolas”, vinca.


“Betinho”: “Não lidero pelo que digo, mas sim pelo exemplo”

Às 76 internacionalizações pela equipa das quinas, João “Betinho” Gomes juntou nova distinção ao vasto currículo e, na época de regresso à Liga Placard, destacou-se como o português mais valioso do campeonato. Sem privilegiar os feitos individuais, o extremo de 35 anos olhou para a atípica temporada de 2019/20 e realçou os feitos alcançados pelo coletivo que encontrou no regresso ao Sport Lisboa e Benfica.

 

É precisamente o regresso à Luz que o #15 das águias começa por referir, justificando a aposta no clube que representou entre 2011 e 2014 como o único caminho a seguir para voltar a conquistar títulos: «Decidi voltar e tinha de ser para o Benfica, onde se faz um trabalho sério, com muitas boas condições. Sabia que aqui podia continuar a lutar por títulos. Quando jogava em Trento fui duas vezes à final e não ganhei o campeonato, aqui no Benfica sabia que isso era possível, apesar da infelicidade do cancelamento da época», explica.
No global da temporada, mesmo que esta não tenha chegado ao fim, “Betinho” fez um balanço positivo da época que ficou marcada pela boa campanha europeia dos vice-campeões nacionais: «Tivemos um ano muito positivo. Estivemos a pouco de conseguirmos algo inédito, que seria passarmos a segunda fase de grupos da FIBA Europe Cup, mas nunca é fácil jogar no campeonato e nas competições europeia em simultâneo», afirmou.
Sem destacar nenhum momento em específico vivido durante o ano, o ex-internacional luso optou por salientar o espírito resiliente que encontrou no plantel: «não destaco nada em particular deste ano, no entanto mesmo com as provas europeias e com as lesões, a equipa acabou por se manter unida e sempre na luta pelo primeiro lugar do campeonato. Isso define esta equipa. Mesmo com dificuldades, demos sempre um passo em frente», conta.
Peça fundamental na manobra de Carlos Lisboa, dentro e fora das quatro linhas, “Betinho” explicou como faz sentir a sua influência no conjunto encarnado: «Sou uma pessoa bastante tranquila, muito calmo. Tento transmitir essas sensações à equipa nos momentos complicados dos jogos. Não lidero pelo que digo, mas sim pelo exemplo. A forma como trabalho é que me define. Sou o primeiro a chegar ao pavilhão e o último a sair», refere.
Desafiado a nomear o jogador mais complicado de travar durante a temporada e a equipa mais difícil de defrontar, o MVP Nacional não se coibiu em apontar dois nomes: «Há muitos bons jogadores, mas escolhendo um optava pelo Marqueze Coleman do Vitória SC. Causou-me alguns problemas, foi o jogador mais difícil de defrontar esta época. No que diz respeito ao coletivo, a equipa mais desafiante diria que foi a UD Oliveirense. Tenho muito respeito pelos jogadores que eles têm no plantel e realço o José Barbosa que é um jogador espetacular, que sabe por a equipa a jogar. A ajuda do treinador Norberto Alves, que é dos melhores da nossa Liga, fazem deles um excelente adversário», finaliza.

Márcio Dias e Jorge Palmeira construíram a sua própria tabela

Márcio Dias e Jorge Palmeira construíram a sua própria tabela. Os internacionais A de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), atletas da APD Braga, fintaram o desgaste do confinamento e, sem perspetivas de regresso aos pavilhões ou de utilizar os campos ao ar livre, puseram, literalmente, mãos à obra. Até lá, vão calibrando a pontaria, em casa. 

A interrupção das competições e treinos solicita à criatividade soluções rebuscadas para a manutenção da forma e do rendimento, mas longe do grau de investimento pessoal das encontradas por Márcio Dias e Jorge Palmeira. “Mal me deu o clique de fazer a tabela, lembrei-me logo que já tinha em casa um cesto e a parte da madeira onde prende o aro, que me tinham sido oferecidos por um amigo há uns anos. Também tínhamos alguns ferros cá em casa para fazer a estrutura da tabela”, narra o capitão da Seleção Nacional e da APD Braga, que viu ali meio caminho andado para fazer nascer a obra. Já Jorge Palmeira, quis capitalizar o “algum espaço disponível” e prontificou-se a adquirir o material necessário. “Comprei o aro e o ferro. O acrílico já tinha. Peguei na máquina de furar, aparelho de soldar e rebarbadora… um pneu velho, cimento e está no ar”, descreve.
No caso de Márcio Dias, o esforço improvisado de compensar a longa ausência dos campos de basquetebol contou com uma colaboração valiosa. “O meu pai sempre teve jeito para construir as próprias coisas, como alfaias agrícolas ou até jaulas para a criação de coelhos. Eu ajudei na medição e corte dos ferros, ele tratava de soldar todas as peças de forma a estrutura ficar mais sólida”, comenta o #4 da APD Braga e da Seleção Nacional, que enaltece o engenho do parceiro de construção. “Sou sincero, se fosse eu a soldar, certamente que a tabela não aguentava muito tempo em pé”, admite.
Colegas de equipa e de Seleção, tetracampeões nacionais pela APD Braga, mantêm-se, como suposto, à distância, mas coincidiram na vontade de não adiar mais o contacto com a essência do jogo. Por isso, afirma Jorge Palmeira, “sempre que o tempo permite, lança-se umas bolas”.

Ticha Penicheiro foi a convidada desta semana

Esta semana a “Área Restritiva” foi ocupada pela “Hall of Famer” do basquetebol português, Ticha Penicheiro, que numa conversa descontraída recordou o seu percurso na modalidade confidenciando algumas das melhroes histórias de uma carreira recheada de êxitos.
Podes rever o episódio desta semana na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. Estamos de volta com um novo episódio no próximo domingo!


“Não pares em casa” com a Jr. NBA

Regressamos esta semana com a rubrica “Não pares em casa”, desta vez com o apoio da Jr. NBA, que disponibiliza uma série de exercícios que podes fazer em casa no segmento “Jr. NBA at Home”. Os bases Reggie Jackson (LA Clippers), D.J. Augustin (Orlando Magic) e ainda Mike Conley (Utah Jazz) exemplificam três exercícios de drible diferentes que te vão permitir ter maior controlo da bola no momento do drible, para isso basta prestares atenção às explicações das três estrelas da NBA e repetires os exercícios.


“Trago comigo uma vontade enorme de voltar a erguer todos os títulos nacionais com a APD Braga”

A APD Braga anunciou o regresso às suas fileiras do internacional português José Miguel Gonçalves, que viveu a sua primeira experiência no estrangeiro, ao lado dos colegas de seleção Luís Domingos e Pedro Bártolo, no Basketmi Ferrol, do 2.º escalão espanhol. 

Que balanço fazes da experiência em Espanha?
Foi, certamente, uma experiência enriquecedora a vários níveis. O Basketmi formou um grupo muito experiente, aliando a prata da “casa” a dois craques (o polaco Karol Szulc e o português Pedro Bártolo), que possuem um vasto currículo internacional. A fechar o elenco, entrei eu e o irreverente Luís Domingos, que fez uma época excecional. A qualidade do grupo refletiu-se nos resultados obtidos, onde apesar de a época ter sido cancelada, fomos capazes de vencer todas as equipas da nossa divisão e alcançar a subida à principal categoria do BCR espanhol. Pessoalmente, gostava de ter deixado uma marca mais impactante, mas isso não põe em causa um ano de enorme aprendizagem e que guardarei com carinho.
Que aprendizagens técnicas reténs?
O principal choque de realidade aconteceu ao sentir a diferença na intensidade, fosse em treino ou em jogo. O BCR espanhol é mais aguerrido e com mais contacto, mais duro e sem pausas, o que me alertou para a necessidade de dominar a cadeira e a forma como a uso. Aliado a isso, tive a oportunidade de absorver conselhos e métodos de treino de colegas com outra experiência e qualidade, fosse ao analisar a sua técnica de lançamento ou a forma como se posicionam nos vários momentos do jogo. Posso certamente dizer que trago alguns “truques” comigo!
O que te motivou a regressar?
Durante a temporada, finalizei a minha tese de Mestrado em Física Médica e recebi pouco depois uma proposta profissional na mesma área. É o início de uma aventura que quero explorar e, tendo a sorte da mesma se vir a concretizar no norte do país, só fazia sentido voltar a Braga.
Voltas a Braga, à tua casa. Coletivamente, a APD Braga propõe-se a ganhar tudo. Individualmente, o que traças como metas?
Trago comigo uma vontade enorme de voltar a erguer todos os títulos nacionais com a APD Braga, assim como de representar novamente a Seleção Nacional em Campeonatos da Europa. Com isso em mente, quero melhorar em vários aspetos, especialmente na capacidade de controlar os ritmos de jogo e deixar a minha marca nos dois lados do campo, o que a meu ver vai exigir muito trabalho nos “fundamentals” do BCR e na confiança de assumir a responsabilidade. Geralmente, sou tido como um jogador cerebral, mas tímido, pelo que preciso de desenvolver atributos físicos, psicológicos e técnicos que ainda não possuo, de modo a atingir o patamar que pretendo.
Quais os teus objetivos no BCR a médio/longo prazo?
São os mesmos de qualquer atleta, o de competir e vencer o máximo possível juntos dos meus, assim como o de representar de forma regular a Seleção Nacional, ajudando-a no que puder para superar os objetivos. Onde posso ser diferente, é no sonho confesso de me tornar uma referência da nossa modalidade.

Números finais da Liga Feminina

A Liga Feminina 2019-20, cumprindo a tradição, pautou-se pelo equilíbrio, numa Fase Regular em que se disputaram 20 das 22 jornadas (União Sportiva e Guifões SC jogaram 19 partidas cada). É altura de mostrar e analisar a estatística da competição.

Aquando da suspensão do campeonato, o Olivais FC liderava a classificação com 17 vitórias e 3 derrotas, seguindo-se Quinta dos Lombos e União Sportiva.
Estes dois últimos clubes, em termos coletivos, acabam por predominar em várias vertentes, com a turma de Carcavelos a revelar-se a mais forte no total de pontos marcados (média de 73.2ppj), da linha de 2 pontos (49.8% de eficácia) e na luta das tabelas (45.3 ressaltos).
Já o conjunto açoriano deu cartas na arte de bem defender (média de 57.5 pontos sofridos por jogo), da linha de lance livre (79.4%), no tiro exterior (32.9%) e nas assistências (18.4).
Duas equipas nortenhas surgem em destaque em dois outros itens do capítulo defensivo: o CP Natação, com uma média de 10.5 roubos de bola por jogo, e a Ovarense, comandante nos desarmes (3.1).
Passando para o lado individual, e com o foco nas jogadoras que alinharam num mínimo de 13 encontros, o que corresponde a 2/3 da época, o título de MVP Global vai para Kayla Gordon, do Carnide Clube/Holos, que terminou com médias de 18.9 pontos, 19.4 ressaltos, 47% de eficácia nos lançamentos de dois pontos e uma valorização de 33.4. Por seu turno, a MVP Nacional é Ana Raimundo, da Ovarense, cujo registo conta com médias de 13.8 pontos, 6.4 assistências, 3 roubos de bola, 45% de acerto da linha de 2 pontos e uma valorização de 16.9. Do CP Natação sai a MVP Jovem (jogadoras nas nascidas a partir de 2000), com Eva Carregosa a assumir destaque (10.3 pontos, 4.9 ressaltos, 3.4 assistências e valorização de 11.1).
Em Guifões morou a melhor pontuadora da Liga, de seu nome Morgan Batey (23.8ppj), seguida de Aliyah Mazyck (22.6ppj), do CAB Madeira, e de Aliyah Collier (19.4ppj), do União Sportiva. Esta última atleta americana brilhou ainda no tiro exterior, o que lhe vale o estatuto de mais eficiente nos triplos em 19 jogos (42% de eficácia), ficando o pódio composto por Artémis Afonso (42%), do Olivais FC), e Aya Traoré (41%), do GDESSA Barreiro.
Nos ressaltos, Kayla Gordon, volta à baila como líder destacada (19.4pj), vindo atrás Ana Radovic (Olivais FC) e A’Lexus Harrison (Vitória SC), ambas com uma média de 10.9. Quanto a assistir, Joana Soeiro, a representar o SL Benfica, foi rainha (7.8pj), para se seguirem Ana Raimundo (6.4) e Sara Ressureição (5.2), do Vitória SC.
Os números coletivos nos roubos de bola e desarmes de lançamento refletem-se no capítulo individual. Nos roubos, Martha Burse, do CP Natação, mostrou-se a maior inimiga dos ataques (média de 3.6pj), sendo secundada por Aliyah Collier (3.1) e Ana Raimundo (3). Já nos desarmes, Tess Bruffey, da Ovarense, ditou leis graças a uma média de 1.8, ficando atrás no ranking Merissa Quick  (1.1) e Kayla Gordon (1).

Jogadores marcantes #6: Filipe Carneiro

Internacional português de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), com três participações em Campeonatos da Europa, Filipe Carneiro conta com uma experiência na conceituada Liga Espanhola, ao serviço de AMFIV Vigo, e já ganhou tudo pelas cores da APD Braga, emblema que representa e onde se iniciou em 2008.

É o atleta mais veloz do campeonato, o que lhe granjeou a alcunha de “Rocket” entre os colegas na APD Braga, mas nunca viveu na sombra dessa caraterística. Refinou o seu jogo para se transformar num defensor lúcido e, da rapidez com que galga o campo, retirou a apetência pelo contra-ataque, a que soma a capacidade de finalizar como poucos sob pressão. A evolução contínua não surpreende dada a vivência da modalidade em todos os momentos, que lhe permitem listar vários exemplos internacionais. “As minhas referências são jogadores que considero os próximos níveis, a nível de técnica de cadeira, puxada e lançamento. Jason Nelms, em tempos, e mais atualmente, Alberto Esteche e Harry Brown”, discorre o famalicense, que faz uma menção especial a João Correia, nome de proa do atletismo em cadeira de rodas nacional, ex-atleta e dirigente da APD Braga. “Ensina constantemente aquilo que um atleta no estado puro deve ser”, explicita.
As primeiras braçadas, pujantes, a deixar vislumbrar o que aí vinha, remontam à época 2008/09, após ser interpelado pelo futuro colega Eduardo Gomes, que o encorajou a experimentar. “Estava com a minha família, numa praia fluvial, em Braga, quando o Dado me viu ao longe e chamou por mim. Disse que fazia parte da equipa e fiquei logo entusiasmado com a ideia, até porque nem sabia da existência deste desporto no nosso país”.
Nas fileiras do clube minhoto, levantou todos os troféus, e repetiu. Pelo meio, teve uma passagem pelo AMFIV Vigo, no máximo escalão espanhol, da qual guarda na memória a prestação honrosa na estreia, que culminou na derrota por 11 pontos frente a uma das melhores equipas, Amiab Albacete. No pódio dos jogos inesquecíveis, constam a estreia pela Seleção Nacional frente à Bósnia-Herzegovina, em 2015, e a primeira final do Campeonato Nacional pela turma minhota, em 2013. Há espaço ainda para a final do campeonato da época 2017-2018. “Teve um sabor especial. O Sporting CP-APD Sintra inscreveu três jogadores estrangeiros só para jogar o playoff e, no final, ganhámos por boa margem”, revive orgulhosamente.
Sem poder dar o seu contributo à Seleção por lesão, no Europeu C de 2019, Filipe partilha o desejo de “jogar os próximos”, enquanto ao nível de clubes confessa duas metas ousadas para cumprir com a camisola da APD Braga, “disputar uma competição europeia” e “chegar aos 10 títulos de campeão nacional”.
José Miguel Gonçalves, internacional português, atleta do Basketmi Ferrol e ex-APD Braga
“Iniciar um jogo com o Filipe do nosso lado é o mesmo que começar já com vantagem no marcador. O “Rocket”, alcunha que conquistou por ser o jogador mais rápido do país, é temido pelos seus contra-ataques e pela facilidade que tem em deixar adversários para trás, tendo provado em diversos palcos que consegue ser preponderante com e sem bola. No entanto, quem o conhece sabe que já passou por muito para poder competir em momentos cruciais e ajudar a equipa, por isso reitero que a sua melhor qualidade é o espírito de sacrifício, seja com “man outs” e bloqueios eficazes, ou a anular por completo as principais armas ofensivas da outra equipa. Quando diz que “fica” com um adversário, respiramos de alívio e temos pena de quem vai ter de sofrer com ele.
Sem medos, seja de cair ou de assumir o tiro exterior, de lutar por ressaltos no meio dos “grandes” ou de ir ao choque, o Filipe é uma referência do nosso BCR. Por tudo o que fez, faz e certamente fará, quase nos esquecemos que é um classe 2.0, por isso desfrutem, jogadores como ele não aparecem todos os dias”.

“O regresso a Portugal é uma hipótese. A Liga Feminina é a minha casa e gostaria de voltar”

Simone Costa, base portuguesa de 24 anos, tem dado nas vistas em Inglaterra, no Nottingham Wildcats. Em entrevista à FPB, assume vontade de voltar ao basquetebol nacional e de voltar a representar as cores do nosso país.

Como avalias esta primeira temporada na WBBL? A tua equipa estava em quinto lugar.
Foi uma experiência bastante boa em Inglaterra, tínhamos equipa para conseguir lutar por títulos, mas infelizmente a época acabou cedo demais para isso acontecer.
Chegaste a figurar no cinco ideal da semana. Esperavas uma primeira temporada tão positiva em Inglaterra?
Não, não esperava que fosse tão positivo o meu percurso no clube. Especialmente porque estive uma época parada devido à faculdade. Trabalhei bem e os resultados apareceram.
Que melhores recordações guardas dos anos passados nos EUA? A presença no March Madness foi o ponto alto?
As melhores recordações que guardo dos EUA foram, claro, o March Madness, SEC Tournament, jogar em pavilhões com milhares de pessoas, é o que sempre me marca mais. Mas, provavelmente, a melhor memória é um jogo contra Tennessee em que fomos a três prolongamentos e em que acabámos por ganhar. Foi incrível.
Vais continuar em Nottingham na próxima temporada? O teu futuro passa por Inglaterra?
O futuro está um pouco incerto para mim. Neste momento, com a pandemia, estou a decidir qual será a minha melhor opção.
Saíste muito nova de Portugal, sendo que chegaste a alinhar na Liga Feminina pelo Algés. O regresso para jogar no nosso país é uma hipótese para o futuro?
O regresso a Portugal é uma hipótese. A Liga Feminina é a minha casa e gostaria de voltar no futuro.
Quais são os maiores objectivos para a tua carreira? A ida à Seleção Nacional está nos teus planos?
Os meus objectivos passam por ser a melhor versão de mim própria, não só no campo mas também fora, conseguir influenciar gerações mais jovens. A meta é sempre ganhar títulos e chegar às melhores competições possíveis. Eu representei a Seleção nas camadas jovens, e agora como sénior seria uma honra chegar a esse patamar, e assim representar o meu país.

Jogadores marcantes #5: Marco Gonçalves

Marco Gonçalves, atleta de BCR, tem apenas 26 anos, mas um percurso de 20 pontuado por êxitos e recordes, certificados menores ao lado do ecletismo e noção coletiva do seu jogo, que afiançam a justiça de integrar este grupo distinto. 
Atualmente no GDD Alcoitão, despontou na APD Lisboa, cruzou a fronteira para representar o CP Mideba e o Servigest Burgos, e já envergou a camisola da seleção em 3 Europeus.
Um dos mais velozes no campo, na expressão física e no pensamento, Marco Gonçalves deixou transparecer as futuras virtudes, logo na antecâmara da sua iniciação no BCR. “Um dia, um puto reguila entrou a sprintar pelas instalações da associação e chamou a atenção daquele que viria a ser meu colega na APD Lisboa, Jacques Almeida, que prontamente convenceu a minha mãe de que eu deveria ir experimentar um treino”. O teste, no seio da equipa que desenhava um tetracampeonato, bastou para ficar “imediatamente convencido”, encantamento que perdura e ameaça prolongar-se.
Dez anos volvidos do começo, e com uma Supertaça no currículo, alcançaria em idade recorde, 16, a chamada da selecionadora vigente, Inês Lopes, para disputar o Campeonato da Europa B, em 2010. “Foi um momento de orgulho e responsabilidade enorme que nunca esquecerei”, assegura o extremo do GDD Alcoitão, repetente em convocatórias nos Campeonatos da Europa B, em 2016, e C, em 2017. Pouco tempo depois, o gosto pelos palcos internacionais transitou para a esfera clubística, ao surgir a oportunidade de representar o CP Mideba. No gigante do BCR espanhol conquistou uma Challenge Cup (4.ª prova europeia de clubes), “explosão de emoções indescritível”, e alcançou a final da Taça do Rei, ao lado de Hugo Lourenço, impulsionador da sua primeira aventura fora de Portugal e umas das referências que nomeia a par de Jorge Almeida, “as pessoas mais importantes” da sua vida desportiva.
Do “eterno” treinador realça múltiplos ensinamentos, “desde jogar a base, de cabeça levantada, a ter uma visão ampla e inteligente do jogo, ou a identificar os momentos ideais para fazer bloqueios e soltar a bola com facilidade”, explica, antes de se deter no que absorveu do ex-internacional português, agora nas fileiras do Sporting CP-APD Sintra, Hugo Lourenço, atleta cerebral e dedicado. “É um exemplo para praticamente todos nós, que me ensinou a importância da boa defesa e do trabalho “invisível” de um extremo de pontuação baixa para o equilíbrio da equipa, assim como algo que não se explica: a superação e a transformação do amor ao jogo numa força quase incansável, que prevalece nos momentos mais difíceis, a nível mental e físico”, enaltece Marco Gonçalves, que atribui a todos os seus colegas, mas em particular aos dois mencionados, a responsabilidade na concretização do “sonho de jogar na 1.ª Divisão espanhola, uma das melhores do mundo”. No país vizinho, na companhia de Márcio Dias e Helder da Silva, abraçou uma segunda experiência, no Servigest Burgos, da Primera División (2.º escalão), onde o rápido entrosamento e impacto lhe renderam elogios.
A caminho da sexta época no GDD Alcoitão, ambiciona “desfrutar das alegrias” que o BCR lhe dá, “contribuir para o crescimento dos jovens jogadores” e atacar, “num futuro não muito longínquo”, o título de campeão nacional.
Em anexo podem ler o testemunho de Hugo Maia.

Noticias da Federação (Custom)

“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”

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