Regressamos esta semana com a rubrica “Não pares em casa”, desta vez com o apoio da Jr. NBA, que disponibiliza uma série de exercícios que podes fazer em casa no segmento “Jr. NBA at Home”. Os bases Reggie Jackson (LA Clippers), D.J. Augustin (Orlando Magic) e ainda Mike Conley (Utah Jazz) exemplificam três exercícios de drible diferentes que te vão permitir ter maior controlo da bola no momento do drible, para isso basta prestares atenção às explicações das três estrelas da NBA e repetires os exercícios.
A APD Braga anunciou o regresso às suas fileiras do internacional português José Miguel Gonçalves, que viveu a sua primeira experiência no estrangeiro, ao lado dos colegas de seleção Luís Domingos e Pedro Bártolo, no Basketmi Ferrol, do 2.º escalão espanhol.
Que balanço fazes da experiência em Espanha?
Foi, certamente, uma experiência enriquecedora a vários níveis. O Basketmi formou um grupo muito experiente, aliando a prata da “casa” a dois craques (o polaco Karol Szulc e o português Pedro Bártolo), que possuem um vasto currículo internacional. A fechar o elenco, entrei eu e o irreverente Luís Domingos, que fez uma época excecional. A qualidade do grupo refletiu-se nos resultados obtidos, onde apesar de a época ter sido cancelada, fomos capazes de vencer todas as equipas da nossa divisão e alcançar a subida à principal categoria do BCR espanhol. Pessoalmente, gostava de ter deixado uma marca mais impactante, mas isso não põe em causa um ano de enorme aprendizagem e que guardarei com carinho.
Que aprendizagens técnicas reténs?
O principal choque de realidade aconteceu ao sentir a diferença na intensidade, fosse em treino ou em jogo. O BCR espanhol é mais aguerrido e com mais contacto, mais duro e sem pausas, o que me alertou para a necessidade de dominar a cadeira e a forma como a uso. Aliado a isso, tive a oportunidade de absorver conselhos e métodos de treino de colegas com outra experiência e qualidade, fosse ao analisar a sua técnica de lançamento ou a forma como se posicionam nos vários momentos do jogo. Posso certamente dizer que trago alguns “truques” comigo!
O que te motivou a regressar?
Durante a temporada, finalizei a minha tese de Mestrado em Física Médica e recebi pouco depois uma proposta profissional na mesma área. É o início de uma aventura que quero explorar e, tendo a sorte da mesma se vir a concretizar no norte do país, só fazia sentido voltar a Braga.
Voltas a Braga, à tua casa. Coletivamente, a APD Braga propõe-se a ganhar tudo. Individualmente, o que traças como metas?
Trago comigo uma vontade enorme de voltar a erguer todos os títulos nacionais com a APD Braga, assim como de representar novamente a Seleção Nacional em Campeonatos da Europa. Com isso em mente, quero melhorar em vários aspetos, especialmente na capacidade de controlar os ritmos de jogo e deixar a minha marca nos dois lados do campo, o que a meu ver vai exigir muito trabalho nos “fundamentals” do BCR e na confiança de assumir a responsabilidade. Geralmente, sou tido como um jogador cerebral, mas tímido, pelo que preciso de desenvolver atributos físicos, psicológicos e técnicos que ainda não possuo, de modo a atingir o patamar que pretendo.
Quais os teus objetivos no BCR a médio/longo prazo?
São os mesmos de qualquer atleta, o de competir e vencer o máximo possível juntos dos meus, assim como o de representar de forma regular a Seleção Nacional, ajudando-a no que puder para superar os objetivos. Onde posso ser diferente, é no sonho confesso de me tornar uma referência da nossa modalidade.
A Liga Feminina 2019-20, cumprindo a tradição, pautou-se pelo equilíbrio, numa Fase Regular em que se disputaram 20 das 22 jornadas (União Sportiva e Guifões SC jogaram 19 partidas cada). É altura de mostrar e analisar a estatística da competição.
Aquando da suspensão do campeonato, o Olivais FC liderava a classificação com 17 vitórias e 3 derrotas, seguindo-se Quinta dos Lombos e União Sportiva.
Estes dois últimos clubes, em termos coletivos, acabam por predominar em várias vertentes, com a turma de Carcavelos a revelar-se a mais forte no total de pontos marcados (média de 73.2ppj), da linha de 2 pontos (49.8% de eficácia) e na luta das tabelas (45.3 ressaltos).
Já o conjunto açoriano deu cartas na arte de bem defender (média de 57.5 pontos sofridos por jogo), da linha de lance livre (79.4%), no tiro exterior (32.9%) e nas assistências (18.4).
Duas equipas nortenhas surgem em destaque em dois outros itens do capítulo defensivo: o CP Natação, com uma média de 10.5 roubos de bola por jogo, e a Ovarense, comandante nos desarmes (3.1).
Passando para o lado individual, e com o foco nas jogadoras que alinharam num mínimo de 13 encontros, o que corresponde a 2/3 da época, o título de MVP Global vai para Kayla Gordon, do Carnide Clube/Holos, que terminou com médias de 18.9 pontos, 19.4 ressaltos, 47% de eficácia nos lançamentos de dois pontos e uma valorização de 33.4. Por seu turno, a MVP Nacional é Ana Raimundo, da Ovarense, cujo registo conta com médias de 13.8 pontos, 6.4 assistências, 3 roubos de bola, 45% de acerto da linha de 2 pontos e uma valorização de 16.9. Do CP Natação sai a MVP Jovem (jogadoras nas nascidas a partir de 2000), com Eva Carregosa a assumir destaque (10.3 pontos, 4.9 ressaltos, 3.4 assistências e valorização de 11.1).
Em Guifões morou a melhor pontuadora da Liga, de seu nome Morgan Batey (23.8ppj), seguida de Aliyah Mazyck (22.6ppj), do CAB Madeira, e de Aliyah Collier (19.4ppj), do União Sportiva. Esta última atleta americana brilhou ainda no tiro exterior, o que lhe vale o estatuto de mais eficiente nos triplos em 19 jogos (42% de eficácia), ficando o pódio composto por Artémis Afonso (42%), do Olivais FC), e Aya Traoré (41%), do GDESSA Barreiro.
Nos ressaltos, Kayla Gordon, volta à baila como líder destacada (19.4pj), vindo atrás Ana Radovic (Olivais FC) e A’Lexus Harrison (Vitória SC), ambas com uma média de 10.9. Quanto a assistir, Joana Soeiro, a representar o SL Benfica, foi rainha (7.8pj), para se seguirem Ana Raimundo (6.4) e Sara Ressureição (5.2), do Vitória SC.
Os números coletivos nos roubos de bola e desarmes de lançamento refletem-se no capítulo individual. Nos roubos, Martha Burse, do CP Natação, mostrou-se a maior inimiga dos ataques (média de 3.6pj), sendo secundada por Aliyah Collier (3.1) e Ana Raimundo (3). Já nos desarmes, Tess Bruffey, da Ovarense, ditou leis graças a uma média de 1.8, ficando atrás no ranking Merissa Quick (1.1) e Kayla Gordon (1).
Internacional português de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), com três participações em Campeonatos da Europa, Filipe Carneiro conta com uma experiência na conceituada Liga Espanhola, ao serviço de AMFIV Vigo, e já ganhou tudo pelas cores da APD Braga, emblema que representa e onde se iniciou em 2008.
É o atleta mais veloz do campeonato, o que lhe granjeou a alcunha de “Rocket” entre os colegas na APD Braga, mas nunca viveu na sombra dessa caraterística. Refinou o seu jogo para se transformar num defensor lúcido e, da rapidez com que galga o campo, retirou a apetência pelo contra-ataque, a que soma a capacidade de finalizar como poucos sob pressão. A evolução contínua não surpreende dada a vivência da modalidade em todos os momentos, que lhe permitem listar vários exemplos internacionais. “As minhas referências são jogadores que considero os próximos níveis, a nível de técnica de cadeira, puxada e lançamento. Jason Nelms, em tempos, e mais atualmente, Alberto Esteche e Harry Brown”, discorre o famalicense, que faz uma menção especial a João Correia, nome de proa do atletismo em cadeira de rodas nacional, ex-atleta e dirigente da APD Braga. “Ensina constantemente aquilo que um atleta no estado puro deve ser”, explicita.
As primeiras braçadas, pujantes, a deixar vislumbrar o que aí vinha, remontam à época 2008/09, após ser interpelado pelo futuro colega Eduardo Gomes, que o encorajou a experimentar. “Estava com a minha família, numa praia fluvial, em Braga, quando o Dado me viu ao longe e chamou por mim. Disse que fazia parte da equipa e fiquei logo entusiasmado com a ideia, até porque nem sabia da existência deste desporto no nosso país”.
Nas fileiras do clube minhoto, levantou todos os troféus, e repetiu. Pelo meio, teve uma passagem pelo AMFIV Vigo, no máximo escalão espanhol, da qual guarda na memória a prestação honrosa na estreia, que culminou na derrota por 11 pontos frente a uma das melhores equipas, Amiab Albacete. No pódio dos jogos inesquecíveis, constam a estreia pela Seleção Nacional frente à Bósnia-Herzegovina, em 2015, e a primeira final do Campeonato Nacional pela turma minhota, em 2013. Há espaço ainda para a final do campeonato da época 2017-2018. “Teve um sabor especial. O Sporting CP-APD Sintra inscreveu três jogadores estrangeiros só para jogar o playoff e, no final, ganhámos por boa margem”, revive orgulhosamente.
Sem poder dar o seu contributo à Seleção por lesão, no Europeu C de 2019, Filipe partilha o desejo de “jogar os próximos”, enquanto ao nível de clubes confessa duas metas ousadas para cumprir com a camisola da APD Braga, “disputar uma competição europeia” e “chegar aos 10 títulos de campeão nacional”.
José Miguel Gonçalves, internacional português, atleta do Basketmi Ferrol e ex-APD Braga
“Iniciar um jogo com o Filipe do nosso lado é o mesmo que começar já com vantagem no marcador. O “Rocket”, alcunha que conquistou por ser o jogador mais rápido do país, é temido pelos seus contra-ataques e pela facilidade que tem em deixar adversários para trás, tendo provado em diversos palcos que consegue ser preponderante com e sem bola. No entanto, quem o conhece sabe que já passou por muito para poder competir em momentos cruciais e ajudar a equipa, por isso reitero que a sua melhor qualidade é o espírito de sacrifício, seja com “man outs” e bloqueios eficazes, ou a anular por completo as principais armas ofensivas da outra equipa. Quando diz que “fica” com um adversário, respiramos de alívio e temos pena de quem vai ter de sofrer com ele.
Sem medos, seja de cair ou de assumir o tiro exterior, de lutar por ressaltos no meio dos “grandes” ou de ir ao choque, o Filipe é uma referência do nosso BCR. Por tudo o que fez, faz e certamente fará, quase nos esquecemos que é um classe 2.0, por isso desfrutem, jogadores como ele não aparecem todos os dias”.
Simone Costa, base portuguesa de 24 anos, tem dado nas vistas em Inglaterra, no Nottingham Wildcats. Em entrevista à FPB, assume vontade de voltar ao basquetebol nacional e de voltar a representar as cores do nosso país.
Como avalias esta primeira temporada na WBBL? A tua equipa estava em quinto lugar.
Foi uma experiência bastante boa em Inglaterra, tínhamos equipa para conseguir lutar por títulos, mas infelizmente a época acabou cedo demais para isso acontecer.
Chegaste a figurar no cinco ideal da semana. Esperavas uma primeira temporada tão positiva em Inglaterra?
Não, não esperava que fosse tão positivo o meu percurso no clube. Especialmente porque estive uma época parada devido à faculdade. Trabalhei bem e os resultados apareceram.
Que melhores recordações guardas dos anos passados nos EUA? A presença no March Madness foi o ponto alto?
As melhores recordações que guardo dos EUA foram, claro, o March Madness, SEC Tournament, jogar em pavilhões com milhares de pessoas, é o que sempre me marca mais. Mas, provavelmente, a melhor memória é um jogo contra Tennessee em que fomos a três prolongamentos e em que acabámos por ganhar. Foi incrível.
Vais continuar em Nottingham na próxima temporada? O teu futuro passa por Inglaterra?
O futuro está um pouco incerto para mim. Neste momento, com a pandemia, estou a decidir qual será a minha melhor opção.
Saíste muito nova de Portugal, sendo que chegaste a alinhar na Liga Feminina pelo Algés. O regresso para jogar no nosso país é uma hipótese para o futuro?
O regresso a Portugal é uma hipótese. A Liga Feminina é a minha casa e gostaria de voltar no futuro.
Quais são os maiores objectivos para a tua carreira? A ida à Seleção Nacional está nos teus planos?
Os meus objectivos passam por ser a melhor versão de mim própria, não só no campo mas também fora, conseguir influenciar gerações mais jovens. A meta é sempre ganhar títulos e chegar às melhores competições possíveis. Eu representei a Seleção nas camadas jovens, e agora como sénior seria uma honra chegar a esse patamar, e assim representar o meu país.
Marco Gonçalves, atleta de BCR, tem apenas 26 anos, mas um percurso de 20 pontuado por êxitos e recordes, certificados menores ao lado do ecletismo e noção coletiva do seu jogo, que afiançam a justiça de integrar este grupo distinto.
Atualmente no GDD Alcoitão, despontou na APD Lisboa, cruzou a fronteira para representar o CP Mideba e o Servigest Burgos, e já envergou a camisola da seleção em 3 Europeus.
Um dos mais velozes no campo, na expressão física e no pensamento, Marco Gonçalves deixou transparecer as futuras virtudes, logo na antecâmara da sua iniciação no BCR. “Um dia, um puto reguila entrou a sprintar pelas instalações da associação e chamou a atenção daquele que viria a ser meu colega na APD Lisboa, Jacques Almeida, que prontamente convenceu a minha mãe de que eu deveria ir experimentar um treino”. O teste, no seio da equipa que desenhava um tetracampeonato, bastou para ficar “imediatamente convencido”, encantamento que perdura e ameaça prolongar-se.
Dez anos volvidos do começo, e com uma Supertaça no currículo, alcançaria em idade recorde, 16, a chamada da selecionadora vigente, Inês Lopes, para disputar o Campeonato da Europa B, em 2010. “Foi um momento de orgulho e responsabilidade enorme que nunca esquecerei”, assegura o extremo do GDD Alcoitão, repetente em convocatórias nos Campeonatos da Europa B, em 2016, e C, em 2017. Pouco tempo depois, o gosto pelos palcos internacionais transitou para a esfera clubística, ao surgir a oportunidade de representar o CP Mideba. No gigante do BCR espanhol conquistou uma Challenge Cup (4.ª prova europeia de clubes), “explosão de emoções indescritível”, e alcançou a final da Taça do Rei, ao lado de Hugo Lourenço, impulsionador da sua primeira aventura fora de Portugal e umas das referências que nomeia a par de Jorge Almeida, “as pessoas mais importantes” da sua vida desportiva.
Do “eterno” treinador realça múltiplos ensinamentos, “desde jogar a base, de cabeça levantada, a ter uma visão ampla e inteligente do jogo, ou a identificar os momentos ideais para fazer bloqueios e soltar a bola com facilidade”, explica, antes de se deter no que absorveu do ex-internacional português, agora nas fileiras do Sporting CP-APD Sintra, Hugo Lourenço, atleta cerebral e dedicado. “É um exemplo para praticamente todos nós, que me ensinou a importância da boa defesa e do trabalho “invisível” de um extremo de pontuação baixa para o equilíbrio da equipa, assim como algo que não se explica: a superação e a transformação do amor ao jogo numa força quase incansável, que prevalece nos momentos mais difíceis, a nível mental e físico”, enaltece Marco Gonçalves, que atribui a todos os seus colegas, mas em particular aos dois mencionados, a responsabilidade na concretização do “sonho de jogar na 1.ª Divisão espanhola, uma das melhores do mundo”. No país vizinho, na companhia de Márcio Dias e Helder da Silva, abraçou uma segunda experiência, no Servigest Burgos, da Primera División (2.º escalão), onde o rápido entrosamento e impacto lhe renderam elogios.
A caminho da sexta época no GDD Alcoitão, ambiciona “desfrutar das alegrias” que o BCR lhe dá, “contribuir para o crescimento dos jovens jogadores” e atacar, “num futuro não muito longínquo”, o título de campeão nacional.
A apetência na concretização depressa o elevou a um dos atletas de pontuação intermédia mais influentes e, por isso, sem surpresa, Emanuel Alonso figura entre os eleitos da Seleção de BCR, nas primeiras presenças no panorama europeu, na década de 90. Pela APD Sintra, colecionou 19 títulos, juntou-lhes uma Taça de Portugal ao serviço da APD Lisboa e representa, atualmente, o GDD Alcoitão, emblema que requer menção obrigatória se o tema é o BCR nacional.
É ele o protagonista da rubrica “Man Out”.
Data de nascimento: 21/12/1968
Ano de iniciação: 1986
Posição: extremo/base
Clube: GDD Alcoitão
Palmarés: APD Sintra – 5 Campeonatos Nacionais, 7 Taças de Portugal, 7 Supertaças, 7.º lugar numa competição europeia; APD Lisboa – 1 Taça de Portugal; Participação em 3 Campeonatos da Europa e 3 Taças Andre Vergauwen pela “Team Lisboa” (nome da Seleção Nacional quando participou nesta prova de clubes)
Jogo da tua vida (e porquê): APD Lisboa vs. Mideba, em Badajoz, no qual marquei 32 pontos. Senti que a nível coletivo demos o que tínhamos e o que não tínhamos, ou seja, fomos uma equipa, embora tenhamos perdido o jogo.
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como “vendias” o basquetebol em cadeira de rodas?
Em primeiro lugar, convidava a ir ver um jogo. Depois, dizia que é um jogo viciante e espetacular, que não iria querer outra coisa.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti?
Pedro Esteves, que, infelizmente, já não está entre nós. Era brilhante como passava a bola,tinha uma visão de jogo brutal.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR.
Ocorreu quando jogava no GDR “A Joanita”, já não me lembro contra quem era. Um colega fez uma falta mais violenta e o árbito disse que lhe mostrava cartão amarelo. Chorei a rir, foi lindo.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito?
Sem dúvida, o contra- ataque. Quanto ao gesto, como esquerdino, é fazer o lançamento no lado direito com a cadeira a descair para fora.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”?
Faria “Man Out” a todos os jogadores, porque todos têm o seu valor e o meu respeito.
O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.
Continuamos a revisitar aquilo que foram as duas prestações lusas nos Europeus de 2007 e 2011 e desta vez os porta-vozes da equipa das quinas são novamente dois jogadores que estiveram presentes nos dois momentos. Conversamos com os “interiores”, Miguel Miranda e Elvis Évora, que nos contaram qual era o espírito vivido pelos dois grupos e as dificuldades encontradas pelo caminho.
Com 126 internacionalizações seniores no currículo, Miguel Miranda não deixou de considerar os dois grupos bastante capazes, contudo recordou que em 2011 a equipa se viu afetada por algumas lesões: «os dois grupos eram coletivos fortes, em 2011 tivemos alguns infortúnios. Perdemos o Jorge Coelho e o Paulo Cunha durante a preparação e isso condicionou as coisas. Sem diminuir a qualidade dos jogadores que foram, era um grupo mais curto do que em 2007. Aí tivemos a sorte de não termos lesões, estivemos sempre fortes, da preparação até ao último jogo. Tínhamos uma rotação mais profunda», lembra.
O antigo extremo-poste da equipa das quinas não se absteve, no entanto, de qualificar o Europeu da Lituânia como uma experiência positiva, «foi um Europeu muito bom, demos tudo. Os jogadores dessa Seleção deram todos o máximo. Faltou-nos a ponta de sorte que tivemos em 2007. Tínhamos a Espanha, Turquia, Lituânia, Polónia… A um minuto do fim estávamos dentro do jogo com a Polónia. Não ganhamos devido a alguns erros, notava-se o cansaço na reta final», afirma.
Miguel Miranda também não deixou passar em claro a oportunidade e reconheceu mérito aos dois timoneiros da Seleção Nacional, sobretudo pela forma como lidavam com os atletas, «O coach Melnychuk incutiu outra mentalidade. Estava próximo de nós, acreditava tanto ou mais do que nós. Deixamos de ser a equipa que ia perder, para sermos a equipa que ia ganhar. Era uma abordagem completamente diferente. Por outro lado o Prof. Mário Palma já era um treinador consagrado que também confiava muito em nós, que nos dava liberdade. Quando algo corria menos bem, era o primeiro a assumir a responsabilidade», relembra.
Quem também não esqueceu os dois selecionadores foi Elvis Évora que, tal como os antigos companheiros de Seleção, se desfez em elogios a Valentyn Melnychuk e Mário Palma, «o Valentyn é das pessoas mais humildes que conheci. Era exigente e fez com que estivéssemos todos juntos. Representou o nosso país como se fosse português. O Prof. Mário Palma tinha uma liderança distinta, mas trabalhamos muito durante o Verão. É integro, tinha uma liderança forte, gostei muito de trabalhar com ele. A campanha até ao Europeu foi espetacular, fomos ganhando muitos jogos na preparação», recorda.
No entanto, para o poste da Seleção Nacional a presença nos dois europeus, embora com resultados diferentes, não deve deixar de ser louvável, «Houve uma euforia enorme em torno do primeiro Europeu, mas não deixou de ser um grande feito a qualificação para o segundo de 2011. Ambas as qualificações foram conseguidas contra adversários mais fortes», explica. Além das presenças nas fases finais dos europeus, o processo de apuramento em 2006 foi o que mais marcou Elvis: «qualquer jogador sente orgulho em representar a Seleção Nacional, mas há muitas viagens, muitos sacrifícios e jogos difíceis, como por exemplo na Bósnia, onde ganhamos. Mais do que o Europeu, marcou-me a qualificação de 2006», esclarece.
Para Elvis Évora a grande diferença entre 2007 e 2011 foi o fator surpresa, «Em 2007 era tudo novo, era uma motivação enorme. Em 2011 já conhecíamos a prova e apesar de estarmos motivados, isso nem sempre traz benefícios. Tínhamos outra perceção das coisas e a consciência que havia uma ou duas equipas que poderíamos “enganar”. Estivemos perto de vencer a Polónia, mas faltou qualquer coisa extra. Não tínhamos o “Betinho”, o Paulo Cunha, o Francisco Jordão e o Jorge Coelho em 2011, mas em 2007 também não contamos com o Carlos Andrade que merecia ter estado lá», terminou.
Portugal esteve três vezes presente na fase final de um Europeu. A primeira das quais em 1951, mas depois de um hiato de mais de cinquenta anos afastados dos grandes palcos, a equipa das quinas voltou a alcançar a fase final da prova. Para recordarmos esses dois momentos falamos com três dos protagonistas da seleção de 2007, mas que em 2011 voltaram a elevar o nome do basquetebol português.
Philippe da Silva, base da Seleção Nacional nas duas fases finais, acredita que as qualificações para estes pontos altos surgiram devido ao trabalho que vinha a ser desenvolvido, «foram dois apuramentos diferentes, mas em qualquer um deles houve trabalho e sacrifício. Em 2007 tivemos tempo para criar um grupo forte com o Prof. Valentyn, o Prof. Orlando Simões e o Prof. Magalhães, algo que se foi construindo. Alcançamos uma certa maturidade. Estivemos a um nível elevado», conta. Agora treinador, Philippe da Silva não se coibiu de traçar o perfil dos dois técnicos que conduziram Portugal ao êxito, «são duas pessoas com grande caráter, para ser um grande líder é preciso ter um perfil forte. Enquanto treinadores tinham a sua filosofia e sabiam o que a equipa precisava de fazer dentro de campo», atira.
Quem partilha da mesma opinião é João Santos, que recordou a relação de Valentyn Melnychuk com os atletas: «O relacionamento com os jogadores foi determinante na medida em que nos soube gerir muito bem como pessoas e como jogadores. Soube tirar o melhor de nós. Aliado a isso, além de todo o conhecimento que tinha, ouvia-nos. Havia uma certa “liberdade” nas decisões durante o jogo. Era um treinador flexível e que se adaptava ao jogo e à sua realidade», recorda.
Contudo, o antigo extremo da Seleção lembrou ainda o trabalho realizado antes do apuramento de 2006, «importa referir os percursos, não podemos dissociar os anos que foram feitos antes dos europeus. Refiro-me ao trabalho que vem de trás, da “geração de ouro” com Nuno Marçal, Sérgio Ramos, Paulo Pinto, Luís Machado, etc… Essa geração também merece menção, até porque mesmo não chegando a nenhuma fase final foram importantes. Permitiu-nos fazer este percurso até 2007», lembra. Com 198 internacionalizações na carreira, João Santos considerou diferentes as duas prestações, «em 2007 trabalhávamos como uma família, muitos no auge da carreira, com boa atitude e vontade de conseguir algo. Em 2011 caímos num grupo muito forte, mas demos boa réplica.»
Por sua vez, Miguel Minhava aponta as diferenças no modelo competitivo dos europeus, recordando o feito histórico para o basquetebol nacional, «Em 2007 eram apenas 16 equipas, em 2011 eram 24 e já nos apuramos na qualificação com a Hungria e Finlândia. O grupo que se apura para o Europeu de 2007 era especial e marcou o basquetebol português. Conseguimos um apuramento histórico. Em 2011 demos boa conta do recado», esclarece. Ciente do esforço que tinha de ser feito para estarem ao patamar das restantes equipas, o ex-base relembra a exigência que estava presente na cabeça de cada um dos jogadores, «em 2007, onde conseguimos vencer alguns jogos, demonstramos a nossa qualidade. Para nos batermos com muitas seleções tínhamos de estar a 110%. No dia em que estávamos abaixo eramos cilindrados, tínhamos de estar sempre no máximo. O Valentyn estabeleceu um sentimento muito forte dentro da equipa. Havia uma grande ligação afetiva e isso é o suficiente para potenciar os jogadores.»
Já no segundo Europeu da carreira, Miguel Minhava não descartou a qualidade dos convocados, mas além da preparação destacou que a ligação entre todos não era tão intensa como o tinha sido no Europeu de Espanha: «Com o Prof. Mário Palma tínhamos um grupo com personalidades diferentes, não havia o mesmo sentimento. O grupo era bom, mas em 2006 criamos laços muito fortes, em 2011 foi uma preparação diferente, mais rápida», concluiu.
O “FPB Guinness Challenge” desafia-te a conseguires replicar alguns desafios do Livro dos Recordes do Guinness e ainda te dá a possibilidade de ganhares alguns prémios!
No segundo desafio tens de bater um recorde que pertence a Andrzej Adamczyk, que conseguiu atirar a bola ao ar dez vezes consecutivas enquanto a rodava no dedo, sem deixar cair. O recorde estabelecido em novembro de 2017 é o teu próximo desafio. Segue o regulamento e tenta fazer melhor!
1) Tal como o “Litos” Cardoso exemplificou, roda a bola no dedo e atira-a ao ar o máximos de vez que conseguires, sem a deixares cair;
2) Publica o vídeo nas histórias do Instagram, com o perfil PÚBLICO, identifica @fpbasquetebol e usa a hashtag #fpbguinnesschallenge;
3) No final do vídeo desafia três amigos para cumprirem este desafio e identifica-os;
O vencedor deste primeiro desafio será aquele que conseguir lançar a bola o maior número de vezes, enquanto a toda no dedo. O challenge termina no próximo domingo e segunda feira revelamos o vencedor que terá direito a um voucher de 30€ na loja FPB. Boa sorte!
Queres treinar sem sair de casa? A FPB arranjou a solução ideal para os teus problemas. Semanalmente, com a colaboração do treinador-adjunto e preparador físico da UD Oliveirense, Luís Catarino (Mestre em Biocinética pela Faculdade de Ciências do Desporto e Ed. Física da Universidade de Coimbra), e do antigo capitão e atual fisioterapeuta da equipa unionista, João Abreu (licenciado em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto), vais ter à tua disposição vários planos de treino que te vão permitir manter a atividade física.
No regresso da rubrica “Não pares em casa”, temos uma nova rotina de treino para fazeres com a ajuda de uma bola de ténis. Quatro blocos de treino mais um circuito metabólico que podes consultar no documentos em anexo.
Esteve fora de competição durante esta época e os motivos não foram os piores, pelo contrário. A internacional portuguesa Márcia Costa tirou um ano sabático para abraçar a maternidade, mas agora diz-se pronta para regressar à alta competição, estando já a preparar-se para a temporada 2020/21. A FPB conversou com a experiente jogadora de 30 anos que não escondeu as saudades do basquetebol, falou do período da gravidez e ainda mostrou que está ansiosa por regressar ao ativo com atenções voltadas para as competições europeias.
Recentemente anunciaste que pretendes regressar à competição depois deste ano de paragem. Já sabes onde vais jogar na próxima temproada?
Ainda não tenho nenhuma equipa, estou completamente livre. A época acabou muito mais cedo devido a toda esta situação e as equipas não sabem bem como tudo se vai resolver, porque também ainda não há nenhuma decisão oficial da FPB. No entanto, estou livre e a preparar-me para a próxima época, era esse o meu objetivo. O meu filho acabou por nascer no final de fevereiro e a intenção era mesmo essa, ter tempo para preparar o regresso à Liga.
Depois de oito temporadas consecutivas na Liga como foi este ano de paragem? Sentiste falta do basquetebol?
Estava tudo minimamente planeado. Custou estar um ano sem jogar, mas estava mentalizada para algo que desejava muito, que era ser mãe. Tudo isto acabou por ser vivido com alguma naturalidade, no entanto claro que continuava a acompanhar. Via alguns jogos na FPBtv, porque como é evidente depois de tantos anos a jogar, parar uma época custa. De qualquer das formas continuei com o ginásio, mantive-me ativa. Não parei de jogar para voltar num nível inferior. Está fora de questão. Vou trabalhar para voltar ainda melhor. Para isso acontecer precisava de estar ativa durante a gravidez e enquanto pude foi o que fiz. Tudo isto teve repercussões no meu parto, que durou apenas oito minutos, algo que acaba por trazer benefícios para o regresso ser mais eficaz.
Algo que caracteriza o teu jogo é a fisicalidade e intensidade que colocas dentro de campo. Como uma atleta bastante forte e explosiva, sentes que mantiveste intactas essas capacidades físicas?
Sinto-me uma privilegiada. Tanto eu como o meu marido temos formação nesta área e então sabemos todos os passos que temos de dar para que eu consiga estar realmente bem a partir do dia 1 de setembro, que é quando eu espero começar a minha época. Há uma série de processos que não podem ser ultrapassados para mais tarde não me ressentir. Neste momento ainda não estou a treinar com bola, mas já faço coisas que vão vez despertar novamente as minhas melhores caraterísticas enquanto jogadora. É um processo, e tenho noção desse trajeto. Não estou ansiosa porque sei que vou lá chegar.
Falando da próxima temporada, apesar de toda a indecisão que vivemos atualmente, que tipo de projeto desperta mais a tua atenção? Que expetativas reservas para a próxima temporada?
Não está fora de questão voltar a jogar fora do país no futuro, mas este ano prefiro ficar em Portugal e jogar EuroCup. Quem me der melhores condições para que consiga estar nas competições europeias, é onde vou apostar. Estar num sítio sem ambições não faz sentido nenhum, quero representar uma equipa que me dê condições para jogar EuroCup no próximo ano. É esse o meu desejo.
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Legenda
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Miguel Maria
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