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Márcio Dias e Jorge Palmeira construíram a sua própria tabela

Márcio Dias e Jorge Palmeira construíram a sua própria tabela. Os internacionais A de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), atletas da APD Braga, fintaram o desgaste do confinamento e, sem perspetivas de regresso aos pavilhões ou de utilizar os campos ao ar livre, puseram, literalmente, mãos à obra. Até lá, vão calibrando a pontaria, em casa. 

A interrupção das competições e treinos solicita à criatividade soluções rebuscadas para a manutenção da forma e do rendimento, mas longe do grau de investimento pessoal das encontradas por Márcio Dias e Jorge Palmeira. “Mal me deu o clique de fazer a tabela, lembrei-me logo que já tinha em casa um cesto e a parte da madeira onde prende o aro, que me tinham sido oferecidos por um amigo há uns anos. Também tínhamos alguns ferros cá em casa para fazer a estrutura da tabela”, narra o capitão da Seleção Nacional e da APD Braga, que viu ali meio caminho andado para fazer nascer a obra. Já Jorge Palmeira, quis capitalizar o “algum espaço disponível” e prontificou-se a adquirir o material necessário. “Comprei o aro e o ferro. O acrílico já tinha. Peguei na máquina de furar, aparelho de soldar e rebarbadora… um pneu velho, cimento e está no ar”, descreve.
No caso de Márcio Dias, o esforço improvisado de compensar a longa ausência dos campos de basquetebol contou com uma colaboração valiosa. “O meu pai sempre teve jeito para construir as próprias coisas, como alfaias agrícolas ou até jaulas para a criação de coelhos. Eu ajudei na medição e corte dos ferros, ele tratava de soldar todas as peças de forma a estrutura ficar mais sólida”, comenta o #4 da APD Braga e da Seleção Nacional, que enaltece o engenho do parceiro de construção. “Sou sincero, se fosse eu a soldar, certamente que a tabela não aguentava muito tempo em pé”, admite.
Colegas de equipa e de Seleção, tetracampeões nacionais pela APD Braga, mantêm-se, como suposto, à distância, mas coincidiram na vontade de não adiar mais o contacto com a essência do jogo. Por isso, afirma Jorge Palmeira, “sempre que o tempo permite, lança-se umas bolas”.

“Apita tu também!”

As três situações de jogo da semana passada foram resolvidas, com as soluções para os três casos a serem detalhadamente explicadas. Esta quinta-feira teremos novo desafio!

Situação 1: Durante um ataque da equipa azul, o jogador #4 recebe a bola, efetua um drible e realiza um lançamento, sob pressão do jogador #12. Após largar a bola no lançamento, existe um contacto entre ambos os jogadores. Falta normal do jogador #4, falta antidesportiva do jogador #4 ou “no call”?
Resposta: Ocorre uma falta antidesportiva do jogador azul #4. Este jogador é responsável pelo contacto violento com o cotovelo sobre o defensor. Este contacto forte, claramente excessivo, tem de ser assinalado como contacto antidesportivo, não podendo ser desprezado.
Situação 2: O jogador #12 vai efetuar uma reposição de bola em jogo pela linha final. Passa a bola para dentro de campo, a bola toca nas costas do jogador #6 e o jogador atacante #12 volta a agarrar a bola e lança ao cesto. Esta ação é:  Jogada legal ou jogada ilegal, pois o jogador amarelo #12 não tem ambos os pés dentro de campo quando agarra a bola?
Resposta: A Jogada é legal. O jogador amarelo #12 já se encontra dentro de campo quando contacta novamente com a bola e a agarra para lançar. A posição de um jogador é determinada pelo local onde toca o solo (Art. 11 das Regras Oficiais). Quando ele toca a bola, um dos seus pés já está dentro de campo (o outro está no ar), logo situação legal.
Situação 3: O jogador #4 inicia um contra-ataque fazendo um passe para o seu colega #31, que recebe a bola em movimento, e inicia o ato de lançamento para o cesto. Esta jogada do jogador #31 é: Jogada ilegal ou é uma jogada legal?
Resposta: O jogador #31 não comete qualquer violação, a jogada é legal. De acordo com o Art. 25 (regra dos passos), o jogador #31 recebe e controla a bola enquanto tem um pé (esquerdo) no solo – passo zero, e de seguida faz mais dois apoios – passo um e passo dois, lançando a bola ao cesto de seguida antes de regressar com um ou ambos os pés ao solo novamente.

Ticha Penicheiro foi a convidada desta semana

Esta semana a “Área Restritiva” foi ocupada pela “Hall of Famer” do basquetebol português, Ticha Penicheiro, que numa conversa descontraída recordou o seu percurso na modalidade confidenciando algumas das melhroes histórias de uma carreira recheada de êxitos.
Podes rever o episódio desta semana na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. Estamos de volta com um novo episódio no próximo domingo!


“Princípios da defesa em formação”

Regressamos a Cantanhede e ao Clinic Internacional, desta vez de 2018, para acompanhar a sessão conduzida pelo espanhol Borja Comenge sobre princípios da defesa em contexto de formação.


“Trago comigo uma vontade enorme de voltar a erguer todos os títulos nacionais com a APD Braga”

A APD Braga anunciou o regresso às suas fileiras do internacional português José Miguel Gonçalves, que viveu a sua primeira experiência no estrangeiro, ao lado dos colegas de seleção Luís Domingos e Pedro Bártolo, no Basketmi Ferrol, do 2.º escalão espanhol. 

Que balanço fazes da experiência em Espanha?
Foi, certamente, uma experiência enriquecedora a vários níveis. O Basketmi formou um grupo muito experiente, aliando a prata da “casa” a dois craques (o polaco Karol Szulc e o português Pedro Bártolo), que possuem um vasto currículo internacional. A fechar o elenco, entrei eu e o irreverente Luís Domingos, que fez uma época excecional. A qualidade do grupo refletiu-se nos resultados obtidos, onde apesar de a época ter sido cancelada, fomos capazes de vencer todas as equipas da nossa divisão e alcançar a subida à principal categoria do BCR espanhol. Pessoalmente, gostava de ter deixado uma marca mais impactante, mas isso não põe em causa um ano de enorme aprendizagem e que guardarei com carinho.
Que aprendizagens técnicas reténs?
O principal choque de realidade aconteceu ao sentir a diferença na intensidade, fosse em treino ou em jogo. O BCR espanhol é mais aguerrido e com mais contacto, mais duro e sem pausas, o que me alertou para a necessidade de dominar a cadeira e a forma como a uso. Aliado a isso, tive a oportunidade de absorver conselhos e métodos de treino de colegas com outra experiência e qualidade, fosse ao analisar a sua técnica de lançamento ou a forma como se posicionam nos vários momentos do jogo. Posso certamente dizer que trago alguns “truques” comigo!
O que te motivou a regressar?
Durante a temporada, finalizei a minha tese de Mestrado em Física Médica e recebi pouco depois uma proposta profissional na mesma área. É o início de uma aventura que quero explorar e, tendo a sorte da mesma se vir a concretizar no norte do país, só fazia sentido voltar a Braga.
Voltas a Braga, à tua casa. Coletivamente, a APD Braga propõe-se a ganhar tudo. Individualmente, o que traças como metas?
Trago comigo uma vontade enorme de voltar a erguer todos os títulos nacionais com a APD Braga, assim como de representar novamente a Seleção Nacional em Campeonatos da Europa. Com isso em mente, quero melhorar em vários aspetos, especialmente na capacidade de controlar os ritmos de jogo e deixar a minha marca nos dois lados do campo, o que a meu ver vai exigir muito trabalho nos “fundamentals” do BCR e na confiança de assumir a responsabilidade. Geralmente, sou tido como um jogador cerebral, mas tímido, pelo que preciso de desenvolver atributos físicos, psicológicos e técnicos que ainda não possuo, de modo a atingir o patamar que pretendo.
Quais os teus objetivos no BCR a médio/longo prazo?
São os mesmos de qualquer atleta, o de competir e vencer o máximo possível juntos dos meus, assim como o de representar de forma regular a Seleção Nacional, ajudando-a no que puder para superar os objetivos. Onde posso ser diferente, é no sonho confesso de me tornar uma referência da nossa modalidade.

Números finais da Liga Feminina

A Liga Feminina 2019-20, cumprindo a tradição, pautou-se pelo equilíbrio, numa Fase Regular em que se disputaram 20 das 22 jornadas (União Sportiva e Guifões SC jogaram 19 partidas cada). É altura de mostrar e analisar a estatística da competição.

Aquando da suspensão do campeonato, o Olivais FC liderava a classificação com 17 vitórias e 3 derrotas, seguindo-se Quinta dos Lombos e União Sportiva.
Estes dois últimos clubes, em termos coletivos, acabam por predominar em várias vertentes, com a turma de Carcavelos a revelar-se a mais forte no total de pontos marcados (média de 73.2ppj), da linha de 2 pontos (49.8% de eficácia) e na luta das tabelas (45.3 ressaltos).
Já o conjunto açoriano deu cartas na arte de bem defender (média de 57.5 pontos sofridos por jogo), da linha de lance livre (79.4%), no tiro exterior (32.9%) e nas assistências (18.4).
Duas equipas nortenhas surgem em destaque em dois outros itens do capítulo defensivo: o CP Natação, com uma média de 10.5 roubos de bola por jogo, e a Ovarense, comandante nos desarmes (3.1).
Passando para o lado individual, e com o foco nas jogadoras que alinharam num mínimo de 13 encontros, o que corresponde a 2/3 da época, o título de MVP Global vai para Kayla Gordon, do Carnide Clube/Holos, que terminou com médias de 18.9 pontos, 19.4 ressaltos, 47% de eficácia nos lançamentos de dois pontos e uma valorização de 33.4. Por seu turno, a MVP Nacional é Ana Raimundo, da Ovarense, cujo registo conta com médias de 13.8 pontos, 6.4 assistências, 3 roubos de bola, 45% de acerto da linha de 2 pontos e uma valorização de 16.9. Do CP Natação sai a MVP Jovem (jogadoras nas nascidas a partir de 2000), com Eva Carregosa a assumir destaque (10.3 pontos, 4.9 ressaltos, 3.4 assistências e valorização de 11.1).
Em Guifões morou a melhor pontuadora da Liga, de seu nome Morgan Batey (23.8ppj), seguida de Aliyah Mazyck (22.6ppj), do CAB Madeira, e de Aliyah Collier (19.4ppj), do União Sportiva. Esta última atleta americana brilhou ainda no tiro exterior, o que lhe vale o estatuto de mais eficiente nos triplos em 19 jogos (42% de eficácia), ficando o pódio composto por Artémis Afonso (42%), do Olivais FC), e Aya Traoré (41%), do GDESSA Barreiro.
Nos ressaltos, Kayla Gordon, volta à baila como líder destacada (19.4pj), vindo atrás Ana Radovic (Olivais FC) e A’Lexus Harrison (Vitória SC), ambas com uma média de 10.9. Quanto a assistir, Joana Soeiro, a representar o SL Benfica, foi rainha (7.8pj), para se seguirem Ana Raimundo (6.4) e Sara Ressureição (5.2), do Vitória SC.
Os números coletivos nos roubos de bola e desarmes de lançamento refletem-se no capítulo individual. Nos roubos, Martha Burse, do CP Natação, mostrou-se a maior inimiga dos ataques (média de 3.6pj), sendo secundada por Aliyah Collier (3.1) e Ana Raimundo (3). Já nos desarmes, Tess Bruffey, da Ovarense, ditou leis graças a uma média de 1.8, ficando atrás no ranking Merissa Quick  (1.1) e Kayla Gordon (1).

Quem se destacou na Liga Placard?

Canceladas as competições seniores chegou o momento de fazermos um balanço daquilo que foi a 12.ª edição da principal competição masculina do basquetebol nacional. Quais foram os jogadores em maior evidência? Que equipas se destacaram até à suspensão da prova? Respondemos a algumas destas questões, com os principais números da Liga Placard.

 

Das vinte e seis jornadas previstas para a fase regular do campeonato, a equipa que apresentou maior regularidade nos vinte e dois jogos disputados foi o Sporting CP. A formação verde e branca orientada por Luís Magalhães caiu apenas às mãos do SL Benfica, em deslocação à Luz, aquando da 5.ª jornada do campeonato. No entanto, além de liderarem a classificação da Liga, os “leões” são a equipa que apresenta maior poder de fogo com uma média de 93.4 pontos marcados, sendo de igual forma eficazes do outro lado do campo, com apenas 70.2 pontos sofridos. Além disto, lideram ainda na eficácia dos lançamentos de dois pontos (57%) e são a equipa que mais ressaltos (média de 41.9) e roubos de bola (média de 10.1) consegue, por jogo.
No lançamento exterior quem lidera é o SL Benfica com 228 triplos convertidos em 585 tentados (39% de eficácia). A par dos “leões”, os encarnados são a única equipa a manter a invencibilidade caseira que em muito foi suportada pelo jogo coletivo dos encarnados, já que são a equipa que apresentou a média de assistências mais elevada, com 21.1 passes para cesto por encontro. Da linha de lance livre a UD Oliveirense lidera de forma destacada, com 81% de eficácia, já o Galitos Barreiro surge como a equipa que melhor protege o seu cesto com 3.1 desarmes de lançamento por encontro.
No plano individual, importa realçar que todos os dados estatísticos foram tidos em conta para os jogadores que participaram em quinze ou mais jogos, número de encontros que corresponde a dois terços da temporada disputada. O ranking de MVP global ficou para Kurt James (Maia Basket Clube) que aos 20.3 pontos por jogo somou 7 ressaltos, 3 assistências e uma eficácia de lançamento a rondar os 49.3%, resultando em 23.2 pontos de valorização MVP. No que diz respeito ao português mais valioso da Liga, João “Betinho” Gomes (SL Benfica) assume-se como o mais preponderante com uma valorização MVP de 15.7, fruto dos 12.3 pontos (66% de eficácia), 6 ressaltos, 2 assistências e 1.1 roubos de bola, nos vinte jogos de águia ao peito.
George Beamon (CAB Madeira SAD), com 21.5ppj, foi o melhor marcador do campeonato, seguido de perto pelo norte-americano do Vitória SC, Marqueze Coleman (21ppj), com o pódio a fechar-se com o MVP Kurt James. O trio de franco-atiradores da Liga é liderado pelo ex-FC Barreirense, David Shepard (46.3% de eficácia), seguido de perto por José Silva (SL Benfica) que conseguiu alcançar os 46.2% de eficácia. Da Maia chega a terceira percentagem de eficácia mais elevada, com Lamar Morgan a assumir protagonismo (45.9%). Jabari McGhee, do FC Barreirense, é o melhor ressaltador da Liga (9.4), seguido de perto por Dani Elgadi (Esgueira/Aveiro/Oli) que apresenta uma média de 7.6 ressaltos e pelo poste leonino, Abdul-Malik Abu (7.5).
O rei das assistências é José Barbosa (UD Oliveirense), que ostenta 5.9 por partida, superando os bases do SL Benfica e do CAB Madeira SAD, Anthony Ireland (5.6) e Diogo Gameiro (5.5), respetivamente. No capítulo defensivo, o norte-americano Montell Goodwin (Esgueira/Aveiro/OLI) comanda nos roubos de bola, com 2.4, com os “leões” Travante Williams (2.2) e James Ellisor (1.8) a comporem o ramalhete de maiores “ladrões” do campeonato. Por último, mas não menos importante, realce para os 1.68 desarmes de lançamento de Emondre Rickman (SC Lusitânia), que tem a companhia do benfiquista Eric Coleman (1.25) e do poste do Esgueira/Aveiro/OLI, Daniel Regis (1.24), no top3 de melhores protetores do cesto do campeonato.

Jogadores marcantes #6: Filipe Carneiro

Internacional português de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), com três participações em Campeonatos da Europa, Filipe Carneiro conta com uma experiência na conceituada Liga Espanhola, ao serviço de AMFIV Vigo, e já ganhou tudo pelas cores da APD Braga, emblema que representa e onde se iniciou em 2008.

É o atleta mais veloz do campeonato, o que lhe granjeou a alcunha de “Rocket” entre os colegas na APD Braga, mas nunca viveu na sombra dessa caraterística. Refinou o seu jogo para se transformar num defensor lúcido e, da rapidez com que galga o campo, retirou a apetência pelo contra-ataque, a que soma a capacidade de finalizar como poucos sob pressão. A evolução contínua não surpreende dada a vivência da modalidade em todos os momentos, que lhe permitem listar vários exemplos internacionais. “As minhas referências são jogadores que considero os próximos níveis, a nível de técnica de cadeira, puxada e lançamento. Jason Nelms, em tempos, e mais atualmente, Alberto Esteche e Harry Brown”, discorre o famalicense, que faz uma menção especial a João Correia, nome de proa do atletismo em cadeira de rodas nacional, ex-atleta e dirigente da APD Braga. “Ensina constantemente aquilo que um atleta no estado puro deve ser”, explicita.
As primeiras braçadas, pujantes, a deixar vislumbrar o que aí vinha, remontam à época 2008/09, após ser interpelado pelo futuro colega Eduardo Gomes, que o encorajou a experimentar. “Estava com a minha família, numa praia fluvial, em Braga, quando o Dado me viu ao longe e chamou por mim. Disse que fazia parte da equipa e fiquei logo entusiasmado com a ideia, até porque nem sabia da existência deste desporto no nosso país”.
Nas fileiras do clube minhoto, levantou todos os troféus, e repetiu. Pelo meio, teve uma passagem pelo AMFIV Vigo, no máximo escalão espanhol, da qual guarda na memória a prestação honrosa na estreia, que culminou na derrota por 11 pontos frente a uma das melhores equipas, Amiab Albacete. No pódio dos jogos inesquecíveis, constam a estreia pela Seleção Nacional frente à Bósnia-Herzegovina, em 2015, e a primeira final do Campeonato Nacional pela turma minhota, em 2013. Há espaço ainda para a final do campeonato da época 2017-2018. “Teve um sabor especial. O Sporting CP-APD Sintra inscreveu três jogadores estrangeiros só para jogar o playoff e, no final, ganhámos por boa margem”, revive orgulhosamente.
Sem poder dar o seu contributo à Seleção por lesão, no Europeu C de 2019, Filipe partilha o desejo de “jogar os próximos”, enquanto ao nível de clubes confessa duas metas ousadas para cumprir com a camisola da APD Braga, “disputar uma competição europeia” e “chegar aos 10 títulos de campeão nacional”.
José Miguel Gonçalves, internacional português, atleta do Basketmi Ferrol e ex-APD Braga
“Iniciar um jogo com o Filipe do nosso lado é o mesmo que começar já com vantagem no marcador. O “Rocket”, alcunha que conquistou por ser o jogador mais rápido do país, é temido pelos seus contra-ataques e pela facilidade que tem em deixar adversários para trás, tendo provado em diversos palcos que consegue ser preponderante com e sem bola. No entanto, quem o conhece sabe que já passou por muito para poder competir em momentos cruciais e ajudar a equipa, por isso reitero que a sua melhor qualidade é o espírito de sacrifício, seja com “man outs” e bloqueios eficazes, ou a anular por completo as principais armas ofensivas da outra equipa. Quando diz que “fica” com um adversário, respiramos de alívio e temos pena de quem vai ter de sofrer com ele.
Sem medos, seja de cair ou de assumir o tiro exterior, de lutar por ressaltos no meio dos “grandes” ou de ir ao choque, o Filipe é uma referência do nosso BCR. Por tudo o que fez, faz e certamente fará, quase nos esquecemos que é um classe 2.0, por isso desfrutem, jogadores como ele não aparecem todos os dias”.

Entre as épocas 1999/00 e 2002/03, só deu APD Lisboa

No quarto “Momento Histórico” que recuperamos, falamos do tetracampeonato nacional de basquetebol em cadeira de rodas (BCR) da APD Lisboa, conquistado entre 1999 e 2003.
O ciclo laureado da APD Lisboa, histórica formação do BCR nacional, não se fez só de títulos. Graças a uma frequência de treino inaudita na modalidade, à época, a APD Lisboa ombreou com equipas estrangeiras em torneios internacionais e alcançou mesmo uma vitória num encontro de pré-época frente ao CP Mideba, episódio que não se apaga da memória de Jorge Almeida e Luís Oliveira, então treinador-jogador e jogador, respetivamente.
Aos tetracampeonatos de GDD Alcoitão e APD Sintra, a APD Lisboa respondeu imitando a façanha, com contornos que escaparam aos eternos rivais, pois à vitrine do conjunto da capital foram parar todos os troféus em disputa nessas quatro épocas. Na origem de tamanha hegemonia, Jorge Almeida, o treinador-jogador, indica uma mudança brusca na mentalidade dos atletas. Movido por “uma grande ambição de chegar ao título”, o grupo constatou que dois treinos de hora e meia por semana ficavam curtos para as metas definidas. “Aumentámos para três treinos semanais de duas horas e, na época seguinte, para quatro treinos de duas horas cada um. Os resultados apareceram. Este número de treinos e jogadores com uma qualidade extraordinária foram a base dos títulos que viríamos a alcançar”, assevera.
A convicção do quão determinante se revelou a intensidade de trabalho é partilhada por Luís Oliveira, que acrescenta um outro fator decisivo. “A equipa era equilibrada e competia, mas com a chegada do Hugo Lourenço, a partir daí, começámos a ganhar. Ele fazia a diferença”. De tal forma que, mais tarde, após um triunfo da APD Lisboa sobre o CP Mideba, que causou perplexidade em vencedores e vencidos, a formação de Badajoz não perdeu de vista o talento do futuro campeão da Europa C, contratado e convertido num dos pilares do clube durante uma década.
As prestações internacionais sonantes não se extinguiram neste encontro de pré-época frente ao adversário fronteiriço. “Nunca ganhámos nenhum dos torneios, mas em Israel tivemos uma boa participação. Salvo erro, conseguimos o terceiro lugar”, recorda o temível atirador, cuja corpulência e altura faziam adivinhar um poste. Do périplo europeu, Jorge Almeida salienta “a chegada às meias-finais numa competição em Chipre”, na qual os lisboetas saíram derrotados por dois pontos pela equipa que se sagraria vencedora. No balneário, os marcadores apertados trouxeram a assimilação plena de que, na verdade, o trabalho era a única via para diminuir distâncias face à elite. “Acreditávamos que podíamos jogar de igual para igual com qualquer equipa e, continuando a trabalhar arduamente, com a participação em mais torneios internacionais, contribuir para um maior reconhecimento do BCR nacional, juntamente com a APD Sintra”, afirma o estratega, no banco e no campo, pois desempenhava as funções de base.
Na ótica de Luís Oliveira, a saída de Hugo Lourenço determinaria o fim precoce do domínio da APD Lisboa. “Ainda conseguimos manter o equilíbrio, mas já não ganhámos títulos”. Em sintonia com o antigo pupilo, Jorge Almeida alude a nomes desta e outras eras do emblema lisboeta, transferidos para outras paragens, além do mencionado Hugo Lourenço, casos de Marco Gonçalves e Renato Pereira, ou que terminaram a carreira, referindo o abandono prematuro, por doença, de Paulo Matos. “A história dos títulos em Portugal teria sido muito diferente”, atesta. Do plantel brilhante que tudo conquistou, o técnico menciona ainda o impacto de Manuel Borges, António Vilarinho, Jacques Almeida, José Lima e também de Luís Oliveira, agora dirigente, que se mostra esperançoso num novo capítulo de êxito. “Estamos numa fase favorável, de renovação. Quem sabe se daqui a quatro anos não voltamos a vencer”.

José Costa foi o primeiro convidado da “Área Restritiva”

Na primeira edição da “Área Restritiva”, espaço semanal de entrevista às maiores figuras do basquetebol português, recebemos José Costa, base do Casino Ginásio, para uma conversa imperdível.
Podes rever o primeiro episódio na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. No próximo domingo estaremos de volta com um novo convidado!


Grandes figuras da modalidade na “Área Restritiva”

Em tempo de pandemia, nada melhor do que recordar as melhores memórias do jogo. É isso que vamos fazer na “Área Restritiva”, uma entrevista semanal às maiores figuras da história do basquetebol português.

 

Na estreia vamos receber José Costa, base do Casino Ginásio, que continua a jogar aos 46 anos de idade. O jogador português com mais internacionalizações de sempre pela Seleção Nacional sénior (167) é o primeiro a entrar na “Área Restritiva”, numa entrevista que será transmitida este domingo, dia 10 de maio, às 21h30, no canal de YouTube da FPBtv e no Facebook da FPB.


“Em Linha” com Jorge Almeida

Ano de Inscrição – 1993
Clubes/Seleções orientados – APD Lisboa, Seleção Nacional, Sporting CP-APD Sintra (atual)
Palmarés: APD Lisboa – 4 Campeonatos Nacionais; 4 Taças de Portugal; 3 Supertaças. Total de 11 títulos. Seleção A BCR – 2.º Lugar Europeu C 2015 e consequente promoção à Divisão B
Jogos da minha vida: O jogo de consagração de campeão nacional pela primeira vez, porque era um título muito desejado por toda a equipa e porque senti que o trabalho projetado e desenvolvido tinha tido o desfecho desejado. Outro jogo bastante importante foi a vitória da APD Lisboa contra o CP Mideba, de Badajoz, em Espanha, pela projeção que deu ao BCR nacional. Mostrou que com condições de trabalho éramos iguais a todos os outros. Por último, a vitória num torneio em Santander, com uma seleção formada apenas com jogadores das várias equipas da APD (Associação Portuguesa de Deficientes).
Resumo do percurso no desporto: Comecei a jogar em 1977, na APD Lisboa, tendo feito um interregno de cinco anos para jogar no GDR “A Joanita”. Regressei em 1982 para Lisboa, onde permaneci até 2015 como treinador/jogador desde 1993. Fiz ainda atletismo, natação e ténis. (Jorge Almeida representou ainda a Seleção Nacional em 5 Campeonatos da Europa – inclusive no memorável Europeu C de 2007, conquistado por Portugal – e, sob a designação “Team Lisboa”, em 3 Taças Andre Vergauwen, prova continental de clubes).
Que mensagem dirigias a um treinador hesitante em treinar BCR?
Que esta vertente do basquetebol é tão ou mais espetacular que o basquetebol em pé e que facilmente se tornaria fã da mesma.
Quais os treinadores que exercem maior fascínio sobre ti e porquê?
A nível nacional, a Professora Regina e Pedro Antunes, pelos conhecimentos que me transmitiram e por me ajudarem a criar o “bichinho” técnico dentro de mim. A nível internacional, Malik Abes, pois considero um grande comunicador e visionário do BCR.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por treinar BCR. 
Não consigo recordar exatamente onde foi. Mas uma vez fomos fazer uma demonstração e, quando entrámos no campo, um senhor olhou para nós e foi rapidamente buscar as tabelas de minibasquete.
Quais as competências que consideras essenciais para ser um treinador de sucesso? 
O sucesso é muito relativo, mas, se formos humildes, ambiciosos, privilegiarmos a comunicação e estivermos sempre disponíveis para aprender com os jogadores e outros treinadores (formação constante), podemos ter alguns momentos de sucesso.
Em linha, a defesa que todos os treinadores querem, mas poucos conseguem. Qual a receita para lá chegar? 
A defesa ideal seria aquela que conseguisse evitar a progressão da equipa contrária a 100%, mas, como todos sabemos, não existe, pelo que penso que a mais próxima será a defesa em banana (em linha). Se forem seguidos os fundamentos da mesma e a trabalharmos em todos os treinos, podemos conseguir retardar o ataque contrário por mais uns segundos preciosos. Quanto mais mecanizada, mais à frente pode/deve ser colocada.
A defesa em linha é a mais cobiçada pelos treinadores de BCR. Consiste em dispor os atletas ao longo da linha dos três pontos, limitando o raio de ação e tempo de ataque da equipa adversária.

Noticias da Federação (Custom)

“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”

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