Esta semana a “Área Restritiva” foi ocupada pela “Hall of Famer” do basquetebol português, Ticha Penicheiro, que numa conversa descontraída recordou o seu percurso na modalidade confidenciando algumas das melhroes histórias de uma carreira recheada de êxitos.
Podes rever o episódio desta semana na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. Estamos de volta com um novo episódio no próximo domingo!
Regressamos a Cantanhede e ao Clinic Internacional, desta vez de 2018, para acompanhar a sessão conduzida pelo espanhol Borja Comenge sobre princípios da defesa em contexto de formação.
Canceladas as competições seniores chegou o momento de fazermos um balanço daquilo que foi a 12.ª edição da principal competição masculina do basquetebol nacional. Quais foram os jogadores em maior evidência? Que equipas se destacaram até à suspensão da prova? Respondemos a algumas destas questões, com os principais números da Liga Placard.
Das vinte e seis jornadas previstas para a fase regular do campeonato, a equipa que apresentou maior regularidade nos vinte e dois jogos disputados foi o Sporting CP. A formação verde e branca orientada por Luís Magalhães caiu apenas às mãos do SL Benfica, em deslocação à Luz, aquando da 5.ª jornada do campeonato. No entanto, além de liderarem a classificação da Liga, os “leões” são a equipa que apresenta maior poder de fogo com uma média de 93.4 pontos marcados, sendo de igual forma eficazes do outro lado do campo, com apenas 70.2 pontos sofridos. Além disto, lideram ainda na eficácia dos lançamentos de dois pontos (57%) e são a equipa que mais ressaltos (média de 41.9) e roubos de bola (média de 10.1) consegue, por jogo.
No lançamento exterior quem lidera é o SL Benfica com 228 triplos convertidos em 585 tentados (39% de eficácia). A par dos “leões”, os encarnados são a única equipa a manter a invencibilidade caseira que em muito foi suportada pelo jogo coletivo dos encarnados, já que são a equipa que apresentou a média de assistências mais elevada, com 21.1 passes para cesto por encontro. Da linha de lance livre a UD Oliveirense lidera de forma destacada, com 81% de eficácia, já o Galitos Barreiro surge como a equipa que melhor protege o seu cesto com 3.1 desarmes de lançamento por encontro.
No plano individual, importa realçar que todos os dados estatísticos foram tidos em conta para os jogadores que participaram em quinze ou mais jogos, número de encontros que corresponde a dois terços da temporada disputada. O ranking de MVP global ficou para Kurt James (Maia Basket Clube) que aos 20.3 pontos por jogo somou 7 ressaltos, 3 assistências e uma eficácia de lançamento a rondar os 49.3%, resultando em 23.2 pontos de valorização MVP. No que diz respeito ao português mais valioso da Liga, João “Betinho” Gomes (SL Benfica) assume-se como o mais preponderante com uma valorização MVP de 15.7, fruto dos 12.3 pontos (66% de eficácia), 6 ressaltos, 2 assistências e 1.1 roubos de bola, nos vinte jogos de águia ao peito.
George Beamon (CAB Madeira SAD), com 21.5ppj, foi o melhor marcador do campeonato, seguido de perto pelo norte-americano do Vitória SC, Marqueze Coleman (21ppj), com o pódio a fechar-se com o MVP Kurt James. O trio de franco-atiradores da Liga é liderado pelo ex-FC Barreirense, David Shepard (46.3% de eficácia), seguido de perto por José Silva (SL Benfica) que conseguiu alcançar os 46.2% de eficácia. Da Maia chega a terceira percentagem de eficácia mais elevada, com Lamar Morgan a assumir protagonismo (45.9%). Jabari McGhee, do FC Barreirense, é o melhor ressaltador da Liga (9.4), seguido de perto por Dani Elgadi (Esgueira/Aveiro/Oli) que apresenta uma média de 7.6 ressaltos e pelo poste leonino, Abdul-Malik Abu (7.5).
O rei das assistências é José Barbosa (UD Oliveirense), que ostenta 5.9 por partida, superando os bases do SL Benfica e do CAB Madeira SAD, Anthony Ireland (5.6) e Diogo Gameiro (5.5), respetivamente. No capítulo defensivo, o norte-americano Montell Goodwin (Esgueira/Aveiro/OLI) comanda nos roubos de bola, com 2.4, com os “leões” Travante Williams (2.2) e James Ellisor (1.8) a comporem o ramalhete de maiores “ladrões” do campeonato. Por último, mas não menos importante, realce para os 1.68 desarmes de lançamento de Emondre Rickman (SC Lusitânia), que tem a companhia do benfiquista Eric Coleman (1.25) e do poste do Esgueira/Aveiro/OLI, Daniel Regis (1.24), no top3 de melhores protetores do cesto do campeonato.
Internacional português de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), com três participações em Campeonatos da Europa, Filipe Carneiro conta com uma experiência na conceituada Liga Espanhola, ao serviço de AMFIV Vigo, e já ganhou tudo pelas cores da APD Braga, emblema que representa e onde se iniciou em 2008.
É o atleta mais veloz do campeonato, o que lhe granjeou a alcunha de “Rocket” entre os colegas na APD Braga, mas nunca viveu na sombra dessa caraterística. Refinou o seu jogo para se transformar num defensor lúcido e, da rapidez com que galga o campo, retirou a apetência pelo contra-ataque, a que soma a capacidade de finalizar como poucos sob pressão. A evolução contínua não surpreende dada a vivência da modalidade em todos os momentos, que lhe permitem listar vários exemplos internacionais. “As minhas referências são jogadores que considero os próximos níveis, a nível de técnica de cadeira, puxada e lançamento. Jason Nelms, em tempos, e mais atualmente, Alberto Esteche e Harry Brown”, discorre o famalicense, que faz uma menção especial a João Correia, nome de proa do atletismo em cadeira de rodas nacional, ex-atleta e dirigente da APD Braga. “Ensina constantemente aquilo que um atleta no estado puro deve ser”, explicita.
As primeiras braçadas, pujantes, a deixar vislumbrar o que aí vinha, remontam à época 2008/09, após ser interpelado pelo futuro colega Eduardo Gomes, que o encorajou a experimentar. “Estava com a minha família, numa praia fluvial, em Braga, quando o Dado me viu ao longe e chamou por mim. Disse que fazia parte da equipa e fiquei logo entusiasmado com a ideia, até porque nem sabia da existência deste desporto no nosso país”.
Nas fileiras do clube minhoto, levantou todos os troféus, e repetiu. Pelo meio, teve uma passagem pelo AMFIV Vigo, no máximo escalão espanhol, da qual guarda na memória a prestação honrosa na estreia, que culminou na derrota por 11 pontos frente a uma das melhores equipas, Amiab Albacete. No pódio dos jogos inesquecíveis, constam a estreia pela Seleção Nacional frente à Bósnia-Herzegovina, em 2015, e a primeira final do Campeonato Nacional pela turma minhota, em 2013. Há espaço ainda para a final do campeonato da época 2017-2018. “Teve um sabor especial. O Sporting CP-APD Sintra inscreveu três jogadores estrangeiros só para jogar o playoff e, no final, ganhámos por boa margem”, revive orgulhosamente.
Sem poder dar o seu contributo à Seleção por lesão, no Europeu C de 2019, Filipe partilha o desejo de “jogar os próximos”, enquanto ao nível de clubes confessa duas metas ousadas para cumprir com a camisola da APD Braga, “disputar uma competição europeia” e “chegar aos 10 títulos de campeão nacional”.
José Miguel Gonçalves, internacional português, atleta do Basketmi Ferrol e ex-APD Braga
“Iniciar um jogo com o Filipe do nosso lado é o mesmo que começar já com vantagem no marcador. O “Rocket”, alcunha que conquistou por ser o jogador mais rápido do país, é temido pelos seus contra-ataques e pela facilidade que tem em deixar adversários para trás, tendo provado em diversos palcos que consegue ser preponderante com e sem bola. No entanto, quem o conhece sabe que já passou por muito para poder competir em momentos cruciais e ajudar a equipa, por isso reitero que a sua melhor qualidade é o espírito de sacrifício, seja com “man outs” e bloqueios eficazes, ou a anular por completo as principais armas ofensivas da outra equipa. Quando diz que “fica” com um adversário, respiramos de alívio e temos pena de quem vai ter de sofrer com ele.
Sem medos, seja de cair ou de assumir o tiro exterior, de lutar por ressaltos no meio dos “grandes” ou de ir ao choque, o Filipe é uma referência do nosso BCR. Por tudo o que fez, faz e certamente fará, quase nos esquecemos que é um classe 2.0, por isso desfrutem, jogadores como ele não aparecem todos os dias”.
No quarto “Momento Histórico” que recuperamos, falamos do tetracampeonato nacional de basquetebol em cadeira de rodas (BCR) da APD Lisboa, conquistado entre 1999 e 2003.
O ciclo laureado da APD Lisboa, histórica formação do BCR nacional, não se fez só de títulos. Graças a uma frequência de treino inaudita na modalidade, à época, a APD Lisboa ombreou com equipas estrangeiras em torneios internacionais e alcançou mesmo uma vitória num encontro de pré-época frente ao CP Mideba, episódio que não se apaga da memória de Jorge Almeida e Luís Oliveira, então treinador-jogador e jogador, respetivamente.
Aos tetracampeonatos de GDD Alcoitão e APD Sintra, a APD Lisboa respondeu imitando a façanha, com contornos que escaparam aos eternos rivais, pois à vitrine do conjunto da capital foram parar todos os troféus em disputa nessas quatro épocas. Na origem de tamanha hegemonia, Jorge Almeida, o treinador-jogador, indica uma mudança brusca na mentalidade dos atletas. Movido por “uma grande ambição de chegar ao título”, o grupo constatou que dois treinos de hora e meia por semana ficavam curtos para as metas definidas. “Aumentámos para três treinos semanais de duas horas e, na época seguinte, para quatro treinos de duas horas cada um. Os resultados apareceram. Este número de treinos e jogadores com uma qualidade extraordinária foram a base dos títulos que viríamos a alcançar”, assevera.
A convicção do quão determinante se revelou a intensidade de trabalho é partilhada por Luís Oliveira, que acrescenta um outro fator decisivo. “A equipa era equilibrada e competia, mas com a chegada do Hugo Lourenço, a partir daí, começámos a ganhar. Ele fazia a diferença”. De tal forma que, mais tarde, após um triunfo da APD Lisboa sobre o CP Mideba, que causou perplexidade em vencedores e vencidos, a formação de Badajoz não perdeu de vista o talento do futuro campeão da Europa C, contratado e convertido num dos pilares do clube durante uma década.
As prestações internacionais sonantes não se extinguiram neste encontro de pré-época frente ao adversário fronteiriço. “Nunca ganhámos nenhum dos torneios, mas em Israel tivemos uma boa participação. Salvo erro, conseguimos o terceiro lugar”, recorda o temível atirador, cuja corpulência e altura faziam adivinhar um poste. Do périplo europeu, Jorge Almeida salienta “a chegada às meias-finais numa competição em Chipre”, na qual os lisboetas saíram derrotados por dois pontos pela equipa que se sagraria vencedora. No balneário, os marcadores apertados trouxeram a assimilação plena de que, na verdade, o trabalho era a única via para diminuir distâncias face à elite. “Acreditávamos que podíamos jogar de igual para igual com qualquer equipa e, continuando a trabalhar arduamente, com a participação em mais torneios internacionais, contribuir para um maior reconhecimento do BCR nacional, juntamente com a APD Sintra”, afirma o estratega, no banco e no campo, pois desempenhava as funções de base.
Na ótica de Luís Oliveira, a saída de Hugo Lourenço determinaria o fim precoce do domínio da APD Lisboa. “Ainda conseguimos manter o equilíbrio, mas já não ganhámos títulos”. Em sintonia com o antigo pupilo, Jorge Almeida alude a nomes desta e outras eras do emblema lisboeta, transferidos para outras paragens, além do mencionado Hugo Lourenço, casos de Marco Gonçalves e Renato Pereira, ou que terminaram a carreira, referindo o abandono prematuro, por doença, de Paulo Matos. “A história dos títulos em Portugal teria sido muito diferente”, atesta. Do plantel brilhante que tudo conquistou, o técnico menciona ainda o impacto de Manuel Borges, António Vilarinho, Jacques Almeida, José Lima e também de Luís Oliveira, agora dirigente, que se mostra esperançoso num novo capítulo de êxito. “Estamos numa fase favorável, de renovação. Quem sabe se daqui a quatro anos não voltamos a vencer”.
Na primeira edição da “Área Restritiva”, espaço semanal de entrevista às maiores figuras do basquetebol português, recebemos José Costa, base do Casino Ginásio, para uma conversa imperdível.
Podes rever o primeiro episódio na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. No próximo domingo estaremos de volta com um novo convidado!
Em tempo de pandemia, nada melhor do que recordar as melhores memórias do jogo. É isso que vamos fazer na “Área Restritiva”, uma entrevista semanal às maiores figuras da história do basquetebol português.
Na estreia vamos receber José Costa, base do Casino Ginásio, que continua a jogar aos 46 anos de idade. O jogador português com mais internacionalizações de sempre pela Seleção Nacional sénior (167) é o primeiro a entrar na “Área Restritiva”, numa entrevista que será transmitida este domingo, dia 10 de maio, às 21h30, no canal de YouTube da FPBtv e no Facebook da FPB.
Palmarés: APD Lisboa – 4 Campeonatos Nacionais; 4 Taças de Portugal; 3 Supertaças. Total de 11 títulos. Seleção A BCR – 2.º Lugar Europeu C 2015 e consequente promoção à Divisão B
Jogos da minha vida: O jogo de consagração de campeão nacional pela primeira vez, porque era um título muito desejado por toda a equipa e porque senti que o trabalho projetado e desenvolvido tinha tido o desfecho desejado. Outro jogo bastante importante foi a vitória da APD Lisboa contra o CP Mideba, de Badajoz, em Espanha, pela projeção que deu ao BCR nacional. Mostrou que com condições de trabalho éramos iguais a todos os outros. Por último, a vitória num torneio em Santander, com uma seleção formada apenas com jogadores das várias equipas da APD (Associação Portuguesa de Deficientes).
Resumo do percurso no desporto: Comecei a jogar em 1977, na APD Lisboa, tendo feito um interregno de cinco anos para jogar no GDR “A Joanita”. Regressei em 1982 para Lisboa, onde permaneci até 2015 como treinador/jogador desde 1993. Fiz ainda atletismo, natação e ténis. (Jorge Almeida representou ainda a Seleção Nacional em 5 Campeonatos da Europa – inclusive no memorável Europeu C de 2007, conquistado por Portugal – e, sob a designação “Team Lisboa”, em 3 Taças Andre Vergauwen, prova continental de clubes).
Que mensagem dirigias a um treinador hesitante em treinar BCR?
Que esta vertente do basquetebol é tão ou mais espetacular que o basquetebol em pé e que facilmente se tornaria fã da mesma.
Quais os treinadores que exercem maior fascínio sobre ti e porquê?
A nível nacional, a Professora Regina e Pedro Antunes, pelos conhecimentos que me transmitiram e por me ajudarem a criar o “bichinho” técnico dentro de mim. A nível internacional, Malik Abes, pois considero um grande comunicador e visionário do BCR.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por treinar BCR.
Não consigo recordar exatamente onde foi. Mas uma vez fomos fazer uma demonstração e, quando entrámos no campo, um senhor olhou para nós e foi rapidamente buscar as tabelas de minibasquete.
Quais as competências que consideras essenciais para ser um treinador de sucesso?
O sucesso é muito relativo, mas, se formos humildes, ambiciosos, privilegiarmos a comunicação e estivermos sempre disponíveis para aprender com os jogadores e outros treinadores (formação constante), podemos ter alguns momentos de sucesso.
Em linha, a defesa que todos os treinadores querem, mas poucos conseguem. Qual a receita para lá chegar?
A defesa ideal seria aquela que conseguisse evitar a progressão da equipa contrária a 100%, mas, como todos sabemos, não existe, pelo que penso que a mais próxima será a defesa em banana (em linha). Se forem seguidos os fundamentos da mesma e a trabalharmos em todos os treinos, podemos conseguir retardar o ataque contrário por mais uns segundos preciosos. Quanto mais mecanizada, mais à frente pode/deve ser colocada.
A defesa em linha é a mais cobiçada pelos treinadores de BCR. Consiste em dispor os atletas ao longo da linha dos três pontos, limitando o raio de ação e tempo de ataque da equipa adversária.
Marco Gonçalves, atleta de BCR, tem apenas 26 anos, mas um percurso de 20 pontuado por êxitos e recordes, certificados menores ao lado do ecletismo e noção coletiva do seu jogo, que afiançam a justiça de integrar este grupo distinto.
Atualmente no GDD Alcoitão, despontou na APD Lisboa, cruzou a fronteira para representar o CP Mideba e o Servigest Burgos, e já envergou a camisola da seleção em 3 Europeus.
Um dos mais velozes no campo, na expressão física e no pensamento, Marco Gonçalves deixou transparecer as futuras virtudes, logo na antecâmara da sua iniciação no BCR. “Um dia, um puto reguila entrou a sprintar pelas instalações da associação e chamou a atenção daquele que viria a ser meu colega na APD Lisboa, Jacques Almeida, que prontamente convenceu a minha mãe de que eu deveria ir experimentar um treino”. O teste, no seio da equipa que desenhava um tetracampeonato, bastou para ficar “imediatamente convencido”, encantamento que perdura e ameaça prolongar-se.
Dez anos volvidos do começo, e com uma Supertaça no currículo, alcançaria em idade recorde, 16, a chamada da selecionadora vigente, Inês Lopes, para disputar o Campeonato da Europa B, em 2010. “Foi um momento de orgulho e responsabilidade enorme que nunca esquecerei”, assegura o extremo do GDD Alcoitão, repetente em convocatórias nos Campeonatos da Europa B, em 2016, e C, em 2017. Pouco tempo depois, o gosto pelos palcos internacionais transitou para a esfera clubística, ao surgir a oportunidade de representar o CP Mideba. No gigante do BCR espanhol conquistou uma Challenge Cup (4.ª prova europeia de clubes), “explosão de emoções indescritível”, e alcançou a final da Taça do Rei, ao lado de Hugo Lourenço, impulsionador da sua primeira aventura fora de Portugal e umas das referências que nomeia a par de Jorge Almeida, “as pessoas mais importantes” da sua vida desportiva.
Do “eterno” treinador realça múltiplos ensinamentos, “desde jogar a base, de cabeça levantada, a ter uma visão ampla e inteligente do jogo, ou a identificar os momentos ideais para fazer bloqueios e soltar a bola com facilidade”, explica, antes de se deter no que absorveu do ex-internacional português, agora nas fileiras do Sporting CP-APD Sintra, Hugo Lourenço, atleta cerebral e dedicado. “É um exemplo para praticamente todos nós, que me ensinou a importância da boa defesa e do trabalho “invisível” de um extremo de pontuação baixa para o equilíbrio da equipa, assim como algo que não se explica: a superação e a transformação do amor ao jogo numa força quase incansável, que prevalece nos momentos mais difíceis, a nível mental e físico”, enaltece Marco Gonçalves, que atribui a todos os seus colegas, mas em particular aos dois mencionados, a responsabilidade na concretização do “sonho de jogar na 1.ª Divisão espanhola, uma das melhores do mundo”. No país vizinho, na companhia de Márcio Dias e Helder da Silva, abraçou uma segunda experiência, no Servigest Burgos, da Primera División (2.º escalão), onde o rápido entrosamento e impacto lhe renderam elogios.
A caminho da sexta época no GDD Alcoitão, ambiciona “desfrutar das alegrias” que o BCR lhe dá, “contribuir para o crescimento dos jovens jogadores” e atacar, “num futuro não muito longínquo”, o título de campeão nacional.
A apetência na concretização depressa o elevou a um dos atletas de pontuação intermédia mais influentes e, por isso, sem surpresa, Emanuel Alonso figura entre os eleitos da Seleção de BCR, nas primeiras presenças no panorama europeu, na década de 90. Pela APD Sintra, colecionou 19 títulos, juntou-lhes uma Taça de Portugal ao serviço da APD Lisboa e representa, atualmente, o GDD Alcoitão, emblema que requer menção obrigatória se o tema é o BCR nacional.
É ele o protagonista da rubrica “Man Out”.
Data de nascimento: 21/12/1968
Ano de iniciação: 1986
Posição: extremo/base
Clube: GDD Alcoitão
Palmarés: APD Sintra – 5 Campeonatos Nacionais, 7 Taças de Portugal, 7 Supertaças, 7.º lugar numa competição europeia; APD Lisboa – 1 Taça de Portugal; Participação em 3 Campeonatos da Europa e 3 Taças Andre Vergauwen pela “Team Lisboa” (nome da Seleção Nacional quando participou nesta prova de clubes)
Jogo da tua vida (e porquê): APD Lisboa vs. Mideba, em Badajoz, no qual marquei 32 pontos. Senti que a nível coletivo demos o que tínhamos e o que não tínhamos, ou seja, fomos uma equipa, embora tenhamos perdido o jogo.
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como “vendias” o basquetebol em cadeira de rodas?
Em primeiro lugar, convidava a ir ver um jogo. Depois, dizia que é um jogo viciante e espetacular, que não iria querer outra coisa.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti?
Pedro Esteves, que, infelizmente, já não está entre nós. Era brilhante como passava a bola,tinha uma visão de jogo brutal.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR.
Ocorreu quando jogava no GDR “A Joanita”, já não me lembro contra quem era. Um colega fez uma falta mais violenta e o árbito disse que lhe mostrava cartão amarelo. Chorei a rir, foi lindo.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito?
Sem dúvida, o contra- ataque. Quanto ao gesto, como esquerdino, é fazer o lançamento no lado direito com a cadeira a descair para fora.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”?
Faria “Man Out” a todos os jogadores, porque todos têm o seu valor e o meu respeito.
O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.
Continuamos a revisitar aquilo que foram as duas prestações lusas nos Europeus de 2007 e 2011 e desta vez os porta-vozes da equipa das quinas são novamente dois jogadores que estiveram presentes nos dois momentos. Conversamos com os “interiores”, Miguel Miranda e Elvis Évora, que nos contaram qual era o espírito vivido pelos dois grupos e as dificuldades encontradas pelo caminho.
Com 126 internacionalizações seniores no currículo, Miguel Miranda não deixou de considerar os dois grupos bastante capazes, contudo recordou que em 2011 a equipa se viu afetada por algumas lesões: «os dois grupos eram coletivos fortes, em 2011 tivemos alguns infortúnios. Perdemos o Jorge Coelho e o Paulo Cunha durante a preparação e isso condicionou as coisas. Sem diminuir a qualidade dos jogadores que foram, era um grupo mais curto do que em 2007. Aí tivemos a sorte de não termos lesões, estivemos sempre fortes, da preparação até ao último jogo. Tínhamos uma rotação mais profunda», lembra.
O antigo extremo-poste da equipa das quinas não se absteve, no entanto, de qualificar o Europeu da Lituânia como uma experiência positiva, «foi um Europeu muito bom, demos tudo. Os jogadores dessa Seleção deram todos o máximo. Faltou-nos a ponta de sorte que tivemos em 2007. Tínhamos a Espanha, Turquia, Lituânia, Polónia… A um minuto do fim estávamos dentro do jogo com a Polónia. Não ganhamos devido a alguns erros, notava-se o cansaço na reta final», afirma.
Miguel Miranda também não deixou passar em claro a oportunidade e reconheceu mérito aos dois timoneiros da Seleção Nacional, sobretudo pela forma como lidavam com os atletas, «O coach Melnychuk incutiu outra mentalidade. Estava próximo de nós, acreditava tanto ou mais do que nós. Deixamos de ser a equipa que ia perder, para sermos a equipa que ia ganhar. Era uma abordagem completamente diferente. Por outro lado o Prof. Mário Palma já era um treinador consagrado que também confiava muito em nós, que nos dava liberdade. Quando algo corria menos bem, era o primeiro a assumir a responsabilidade», relembra.
Quem também não esqueceu os dois selecionadores foi Elvis Évora que, tal como os antigos companheiros de Seleção, se desfez em elogios a Valentyn Melnychuk e Mário Palma, «o Valentyn é das pessoas mais humildes que conheci. Era exigente e fez com que estivéssemos todos juntos. Representou o nosso país como se fosse português. O Prof. Mário Palma tinha uma liderança distinta, mas trabalhamos muito durante o Verão. É integro, tinha uma liderança forte, gostei muito de trabalhar com ele. A campanha até ao Europeu foi espetacular, fomos ganhando muitos jogos na preparação», recorda.
No entanto, para o poste da Seleção Nacional a presença nos dois europeus, embora com resultados diferentes, não deve deixar de ser louvável, «Houve uma euforia enorme em torno do primeiro Europeu, mas não deixou de ser um grande feito a qualificação para o segundo de 2011. Ambas as qualificações foram conseguidas contra adversários mais fortes», explica. Além das presenças nas fases finais dos europeus, o processo de apuramento em 2006 foi o que mais marcou Elvis: «qualquer jogador sente orgulho em representar a Seleção Nacional, mas há muitas viagens, muitos sacrifícios e jogos difíceis, como por exemplo na Bósnia, onde ganhamos. Mais do que o Europeu, marcou-me a qualificação de 2006», esclarece.
Para Elvis Évora a grande diferença entre 2007 e 2011 foi o fator surpresa, «Em 2007 era tudo novo, era uma motivação enorme. Em 2011 já conhecíamos a prova e apesar de estarmos motivados, isso nem sempre traz benefícios. Tínhamos outra perceção das coisas e a consciência que havia uma ou duas equipas que poderíamos “enganar”. Estivemos perto de vencer a Polónia, mas faltou qualquer coisa extra. Não tínhamos o “Betinho”, o Paulo Cunha, o Francisco Jordão e o Jorge Coelho em 2011, mas em 2007 também não contamos com o Carlos Andrade que merecia ter estado lá», terminou.
Aalsmeer, Holanda, é a terceira paragem obrigatória na resenha histórica do basquetebol em cadeira de rodas (BCR) português.
Em 1994, sob a designação Team Lisboa, Portugal retomava os contactos internacionais, depois de uma interrupção de 21 anos, e participava na Taça Andre Vergauwen, a segunda prova europeia mais importante de clubes. Victor Sousa, dirigente do Sporting CP-APD Sintra, então a cargo da área motora na FPDD (Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência), chefe de missão da delegação lusa, e Jorge Almeida, atual técnico dos sintrenses, um dos jogadores dessa Seleção, relembram o impacto da competição.
A disputa dos Jogos de Stoke Mandeville, em 1973, marcara a derradeira aparição da Seleção portuguesa, antes de um longo interregno, traduzido num fosso galopante face aos restantes países europeus, nomeadamente à vizinha Espanha, que nunca cessou a entrada em certames internacionais desde 1969. Por isso, vislumbrada a oportunidade, Portugal não podia esperar mais. “Iniciados o 1.º Campeonato (1991), a 1.ª Taça e a 1.ª Supertaça, as primeiras ações de formação de árbitros e classificadores, tendo sido realizada anteriormente a primeira ação de formação para treinadores, seria lógico avançar para a constituição de uma Seleção Nacional”, comenta Victor Sousa, impulsionador das ações elencadas, na qualidade de vice-presidente para a área motora da FPDD.
Um hiato tão prolongado não se prestava a qualquer incúria ou excesso em termos organizativos, nem se apresentava como solução lógica a integração imediata em provas de seleções, pelo que, consultada a IWBF Europa, surgiu a sugestão do organismo de jogar uma competição de clubes com o nome “Team Lisboa”. Para Jorge Almeida, um dos atletas selecionados, o traquejo proporcionado trouxe dividendos à modalidade em Portugal. “Foi uma experiência deslumbrante, descobrimos um mundo de BCR mais evoluído, que nos permitiu aprender imenso”, apesar do agora treinador do Sporting CP-APD Sintra creditar ao 1.º Europeu da Seleção, na Eslovénia, em 1996 – dois anos depois -, um potencial mobilizador mais significativo para a evolução lusa.
Victor Sousa reputa Aalsmeer como “fonte de aprendizagem” de um prisma organizativo, mas releva sobretudo o aprofundamento da “certeza de que se tornava fundamental realizar ações de formação técnica massiva”, algo que viria a acontecer em 1994 e 1995, numa parceria FPDD/ IWBF-Europa. Outra das determinações que emanaram da estadia na cidade holandesa foi acelerar a redução da pontuação por equipa em campo, que se cifrava nos 18 pontos à escala nacional, quando as leis do jogo ditavam 14,5. “A conjugação dos dois aspetos alterou mentalidades, na medida em que criou oportunidades para os jogadores das classes baixas e passou a ser importante que os praticantes tivessem como objetivo chegar à seleção”, frisa o dirigente e ex-jogador da APD Sintra.
Encabeçava o corpo técnico Rui Calrão, treinador do GDD Alcoitão, “com quem se trabalhou muito bem para a altura”, enaltece Jorge Almeida, que constata um certo grau de ingenuidade das aspirações portuguesas prévias à partida. “Fomos bastante confiantes para a Holanda, desconhecendo o que nos esperava”. Na ótica do atleta, o antigo base da APD Lisboa salienta a familiarização com “novas técnicas e movimento de cadeira”, ganhos no “passe, visao periférica e aperfeiçoamento do lançamento”, mas acima de tudo, a consciência coletiva do jogo. A partir daí, Portugal entraria na dinâmica europeia e acumularia mais duas experiências na Taça Andre Vergauwen, em 1995 e 1996, para se estrear neste último ano, conforme mencionado acima, no Europeu B, em Liubliana, Eslovénia.
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Legenda
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Miguel Maria
“Donec Aliquam sem eget tempus elementum.”
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