Ana Teresa Faustino: “Vou ter o melhor dos dois mundos”

Base de 19 anos vai estudar Bioengenharia e jogar na Universidade de Oregon State

Atletas
8 SET 2020

Ana Teresa Faustino atravessou o Atlântico para jogar na cotada Universidade de Oregon State. A ex-atleta do GDESSA Barreiro, emblema que representou durante 14 anos, recebeu uma bolsa completa para estudar Bioengenharia e o convite para jogar na NCAA foi “impossível de recusar”. Em entrevista à FPB, a base de 19 anos fala da forma como foi acolhida e revela os objetivos para esta nova aventura nos Estados Unidos da América.

 

Como estão a correr os primeiros dias desse lado do Atlântico?
As primeiras duas semanas foram complicadas visto que tive que estar de quarentena, logo não podia fazer muito ou quase nada. Contudo, depois disso, as coisas melhoraram significativamente uma vez que voltei a pisar as quatro linhas e tenho tido a oportunidade de visitar sítios magníficos aqui em Oregon. Para além disso, tenho a sorte de ter pessoas que têm tornado todo este ‘’ajuste’’ mais fácil. Por outro lado, a família, os amigos e a comida portuguesa, sobretudo, às vezes fazem falta.

Como surgiu este convite da Universidade de Oregon State?
Este convite surgiu já num período tardio e fora do tempo normal de recrutamento, visto que uma das ex-jogadoras pediu transferência para outra faculdade deixando assim um lugar em aberto na equipa. Recebi uma bolsa de estudo completa, o que para mim foi importante, uma vez que vou ter o melhor dos dois mundos: um basquetebol a um nível altíssimo e ter o privilégio de estudar numa faculdade privilegiada, isto no que toca a Bioengenharia.

Depois do contacto inicial, como se desenrolou todo o processo?
A pandemia impossibilitou qualquer visita à faculdade e, como tal, o meu foco principal e da minha família foi, sobretudo, tratar daquelas burocracias necessárias para poder entrar, estudar e jogar nos Estados Unidos. Foi sem dúvida um processo exaustivo, uma corrida contra o tempo, mas tanto as pessoas e treinadores ligados à Universidade como a minha família e outras entidades foram fulcrais para eu ter a oportunidade de estar aqui. Tudo acabou por encaixar na perfeição.

Que referências tiveste da universidade, que é um dos bem cotados programas universitários da NCAA?
O basquetebol universitário sempre me fascinou desde jovem e já tinha conhecimento do valor desta Universidade. Por outro lado, também tenho o privilégio de ter contacto com treinadores que estão muito bem informados no que toca à competição da NCAA e eles foram importantes em orientar-me nesse aspeto. É, sem dúvida, um programa de basquetebol ao mais alto nível e agora que estou aqui ainda mais me apercebo disso.

Fazer formação académica e desportiva nos Estados Unidos era um objetivo?
Acredito que era uma ambição que eu tinha aos 15/16 anos. Contudo, honestamente, não estava nos meus planos ir para os Estados Unidos quando esta proposta surgiu. Pretendia ficar em Portugal a estudar e jogar, mas após ponderar seriamente apercebi-me que esta é uma oportunidade que não aparece todos os dias. Vou jogar numa das melhores equipas da D1 e ter oportunidade de estudar aquilo que eu realmente gosto. Impossível recusar.

Quais as primeiras impressões da localidade onde estás, da universidade, da equipa, dos treinadores e de toda a comunidade?
A universidade de Oregon State localiza-se em Corvallis, que é uma pequena cidade universitária e isso faz-me gostar de estar aqui, porque há aquele sentimento de confraternização. As pessoas são muito amáveis e estão sempre prontas a ajudar quando mais precisas. Relativamente à equipa e treinadores, só tenho coisas boas a dizer. As minhas colegas têm-me ajudado a inserir na comunidade, pois têm noção que não é fácil para as jogadoras internacionais. E os meus treinadores têm sido impecáveis, têm trabalhado comigo todos os dias, a cada treino sinto que saio de lá uma jogadora mais matura. Eles têm sido importantes, sobretudo, no aspeto mental do jogo, valorizam muito jogadoras focadas, que saibam lidar com a pressão e retirar o melhor desses momentos.

O que esperas deste teu primeiro ano na equipa?
Espero ter a oportunidade de absorver os conhecimentos transmitidos pelas minhas colegas e pelos meus treinadores, de modo a que os possa aplicar nos jogos. Em termos coletivos, ajudar a equipa a chegar o mais longe possível, pois temos capacidades para isso. Em termos individuais, quero superar-me, sair da minha zona de conforto e trabalhar para ter um papel importante na equipa. Tenho a noção que isto é um processo e como tal pretendo tentar ser paciente e consistente o máximo possível.

Este ano, a tua universidade colocou uma atleta na WNBA (Mikayla Pivec foi escolhida na 25.ª posição do draft). É uma ambição que tens?
Uma ambição ainda não sei, honestamente. É algo que não pensei ainda muito ou quase nada. Neste momento, a minha única ambição é evoluir o máximo possível dentro de campo e acredito que tópicos como a WNBA acabarão por surgir de forma natural.

Em Portugal representaste apenas um clube, e durante 14 anos: o GDESSA Barreiro. Que palavras queres deixar ao clube e a todas as pessoas com quem te cruzaste ao longo da tua formação?
Só tenho a dizer que sem eles não estaria aqui, sem querer desvalorizar o meu trabalho. Foram eles que me ajudaram a trabalhar e a evoluir de modo a que hoje possa estar a jogar a este nível. Esta é a pergunta mais difícil, porque há sempre tanto para agradecer e falar no que toca ao GDESSA. É uma família, sem dúvida. Estarei sempre a torcer pelas pessoas envolvidas no clube e tenho a certeza que eles irão fazer o mesmo por mim.

 

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8 SET 2020
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