Clínic de Cantanhede 2026 encerra com formação, partilha e homenagem a Orlando Simões
Mais de 500 treinadores estiveram presentes no Clinic
Treinadores
29 JUN 2026
A 23.ª edição do Clínic Internacional de Formação 2026 chegou ao fim este domingo, depois de mais uma manhã dedicada à aprendizagem, à reflexão e à partilha de conhecimento entre treinadores. O segundo e último dia do evento, realizado no Pavilhão “Os Marialvas”, contou com as preleções de André Silva, Dinis Amaral e Pepe Vázquez, e ficou ainda marcado pela atribuição do Prémio Carreira ao treinador Orlando Simões.
Num evento que voltou a reunir perto de 500 treinadores em Cantanhede, o último dia arrancou com André Silva, selecionador nacional de Sub-15 Femininos, que apresentou a preleção “Desenvolvimento da Técnica Individual Ofensiva. Construção de Cenários de Aprendizagem”. A sessão contou com a participação da Seleção Nacional de Sub-15 Femininos e teve como foco a criação de exercícios orientados para a evolução das atletas, sempre com ligação às exigências futuras do jogo.
Para André Silva, a principal mensagem passou por reforçar a importância de olhar para a formação como um processo de preparação a longo prazo. “Desde os escalões de iniciação e de formação, temos de conhecer as necessidades que as atletas vão encontrar no jogo adulto, naturalmente adaptadas ao escalão em que se encontram”, explicou o treinador, sublinhando que a bateria de exercícios apresentada foi construída para dar ferramentas aos treinadores, “sempre a pensar no futuro da atleta e não apenas no momento presente”.
O selecionador nacional de Sub-15 Femininos destacou ainda a importância de aproximar o treino das situações reais de jogo. Partindo da sua própria experiência, André Silva reconheceu que, numa fase inicial do seu percurso, desenhava exercícios demasiado centrados na componente mecânica e coordenativa, mas pouco ligados à tomada de decisão. “Acho que um dos erros mais comuns é precisamente não criarmos exercícios suficientes que obriguem os atletas a tomar decisões”, afirmou.
Seguiu-se Dinis Amaral, recentemente promovido a treinador principal do clube francês ALM Évreux, que compete na Elite 2, e também treinador da Seleção Nacional de Sub-18 Masculinos. Na sua preleção, “Bloqueio Direto – Atacar o SHOW”, o técnico abordou o pick and roll, uma das situações mais utilizadas no basquetebol moderno, com especial atenção à forma como a coordenação entre o base, o poste e os restantes jogadores pode potenciar a criação e continuidade de vantagens.
Mesmo estando do lado de quem ensina, Dinis Amaral frisou que o Clínic de Cantanhede continua a ser também um espaço de aprendizagem. “Durante muitos anos vim a estes clínics e consegui sempre retirar uma ideia de cada formador”, recordou, explicando que a preparação da sua intervenção foi igualmente um exercício de organização e reflexão sobre o jogo.
No plano técnico, o treinador destacou a intensidade das ações e a ligação entre o base e o poste como aspetos muito presentes no alto rendimento internacional. “Vemos equipas como Paris ou Valência que são muito fortes neste tipo de interação entre jogadores”, referiu, acrescentando que estas dinâmicas envolvem não só a ação principal do bloqueio direto, mas também as reações à penetração, ao passe e ao passe interior.
Para Dinis Amaral, dois conceitos continuam a ser determinantes no desenvolvimento destas situações: spacing e timing. “O erro principal tem a ver com a tática individual do jogador base e do jogador poste”, explicou. “Mais do que as decisões, o erro está muitas vezes no spacing e no timing”, acrescentou, realçando a importância de todos os jogadores estarem preparados para dar continuidade à vantagem criada no dois contra dois.
Ver esta publicação no Instagram
A meio das preleções, Orlando Simões foi distinguido com o Prémio Carreira, num momento de reconhecimento pelo seu percurso e pelo contributo dado ao basquetebol português. O treinador valorizou a dimensão do evento e a qualidade da formação proporcionada em Cantanhede.
“A sensação é excelente, pela grandiosidade do número de participantes e pela qualidade que este Clínic tem”, afirmou Orlando Simões, destacando também o crescimento do basquetebol na região centro e a presença de muitas caras conhecidas. Depois de assistir à intervenção de Dinis Amaral, deixou ainda uma nota de elogio à nova geração de treinadores: “Dá-me um gozo especial ver alguém com 30 anos trabalhar como ele trabalhou.”
Sobre o significado da distinção, Orlando Simões sublinhou o valor pessoal do momento. “Para mim, significa um reconhecimento pelo trabalho que fiz e pelos anos que dei ao basquetebol”, afirmou, recordando o trabalho desenvolvido não só como treinador, mas também enquanto colaborador e comentador. “É sinal de que o basquetebol está num bom caminho, e esse bom caminho precisa de formação”, acrescentou.
O programa do último dia ficou completo com o regresso de Pepe Vázquez, que apresentou a preleção “Jogar na Transição Ofensiva com Várias Opções”. Depois de também ter sido um dos protagonistas do primeiro dia, o treinador espanhol voltou a partilhar conhecimento com os participantes, desta vez numa sessão centrada na transição ofensiva e na capacidade de criar soluções em velocidade.
No balanço da edição, João Cardoso, Diretor da Escola Nacional do Basquetebol e coordenador do evento, destacou a dimensão organizativa do Clínic de Cantanhede. “É uma enorme responsabilidade. É um Clínic que obriga a uma organização muito pesada, porque temos vários parceiros e uma grande envolvência no que diz respeito aos alojamentos, às refeições e ao registo dos treinadores”, explicou.
Apesar da exigência, João Cardoso enalteceu o trabalho coletivo que tornou possível mais uma edição do evento. “Há muito stress, como é óbvio, mas temos uma equipa grande e muito colaborativa. Quando assim é, as coisas tornam-se muito mais fáceis”, afirmou.
O Diretor da ENB realçou ainda que a força do Clínic está na sua tradição e na capacidade de juntar treinadores de diferentes contextos em torno da formação. “Este Clínic tem uma enorme tradição. Tem uma data própria e um momento próprio para acontecer”, referiu, explicando que a escolha dos preletores procura sempre ligar temas trabalhados no alto rendimento ao contexto da formação, “desde o minibasquete até ao escalão de sub-18”.
Para João Cardoso, a palavra que melhor define o Clínic de Cantanhede é “partilha”. “Os próprios treinadores estrangeiros que vêm cá, por mais conceituados que sejam, ficam sempre agradados com a experiência, porque é uma experiência única”, afirmou, lembrando que muitos destacam a dimensão do evento e o número de treinadores presentes.
A 23.ª edição terminou com a habitual fotografia de grupo, momento simbólico de encerramento de um fim de semana dedicado ao crescimento dos treinadores e, por consequência, da modalidade. Como resumiu João Cardoso, o Clínic de Cantanhede é “um fim de semana único no panorama da formação de treinadores em Portugal” e “um momento único para ser vivido”.
Acompanha tudo sobre Basquetebol em Portugal através das nossas redes sociais: Facebook, Instagram, X e TikTok.










