Dia Internacional da Mulher: o impacto e o legado das mulheres no basquetebol português

As histórias de Helena Aires e Sara Ferreira refletem como o desporto pode moldar trajetórias

Atletas
8 MAR 2026

No Dia Internacional da Mulher assinala‑se o contributo das mulheres em todas as áreas da sociedade e recorda‑se o caminho que continua a ser feito para garantir igualdade de oportunidades e reconhecimento. No basquetebol português, a presença feminina tem sido determinante para o crescimento da modalidade, construindo histórias de dedicação, resiliência e liderança que continuam a inspirar novas gerações de atletas.

Entre essas histórias encontram‑se os percursos de Helena Aires e Sara Ferreira, ambas Vice-Presidentes da Federação Portuguesa de Basquetebol, duas figuras ligadas ao desporto nacional que partilham o impacto profundo que a modalidade teve nas suas vidas, dentro e fora de campo.

Helena Aires iniciou a sua ligação ao basquetebol aos 13 anos, sem imaginar que aquela paixão pelo jogo viria a acompanhar grande parte da sua vida. A sua carreira prolongou‑se até aos 36 anos, num percurso marcado por conquistas, desafios e aprendizagens que ultrapassam largamente a dimensão competitiva do desporto.

Ao longo dos anos representou vários clubes do panorama nacional, entre eles o Algés e Dafundo, o Estrelas da Avenida, o União de Santarém, o CAB Madeira, o Rio Maior e o União da Madeira. Durante esse percurso conquistou campeonatos nacionais, Taças de Portugal e distinções individuais, como melhor defensora e “melhor marcadora de três pontos”.

Um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi a oportunidade de representar Portugal ao serviço da seleção nacional — uma experiência que continua a ocupar um lugar especial na sua memória.

“Um dos maiores orgulhos da minha carreira foi representar durante vários anos a seleção nacional. Vestir as cores do nosso país e estar entre as melhores praticantes da modalidade é algo que levarei comigo para sempre.”

Tal como acontece com muitas atletas, o percurso de Helena foi também marcado pela necessidade de conciliar diferentes dimensões da vida como o desporto, o trabalho e a vida pessoal.

“Nem sempre foi fácil. Houve momentos de cansaço, de dúvida e de sacrifício. Mas foi precisamente nesses desafios que encontrei força, disciplina e resiliência.”

Para Helena, ser mulher no desporto significa também afirmar presença e competência num contexto que durante muitos anos foi maioritariamente masculino.

“Ser mulher no desporto, especialmente numa modalidade como o basquetebol, significa muitas vezes lutar por reconhecimento e valorização. Cada atleta feminina que entra em campo representa também todas as mulheres que acreditam no seu lugar no desporto.”

Sara Ferreira partilha uma visão semelhante sobre o impacto transformador do basquetebol no seu percurso pessoal e profissional.

“Ser mulher e jogadora de basquetebol moldou profundamente quem sou hoje. Nunca foi apenas sobre competir. Foi sobre acreditar.”

A atleta recorda que a modalidade lhe proporcionou muito mais do que vitórias desportivas.

“O basquetebol não me deu apenas vitórias — deu‑me estrutura, resiliência e voz. Ensinou‑me a escutar, a decidir com firmeza, a gerir emoções nos momentos críticos e a valorizar cada elemento da equipa. Ensinou‑me a cair e a levantar.”

Sara iniciou o seu percurso no Ginásio Clube Figueirense, clube onde realizou toda a sua formação e onde nasceram as bases da sua ligação à modalidade.

Mais tarde viveu alguns dos momentos mais marcantes da sua carreira ao serviço do União de Santarém, onde teve a oportunidade de partilhar o campo com referências do basquetebol português como Ticha Penicheiro, Clarisse Machanguana e Cristina Carvalhosa. Nesse período conquistou títulos inesquecíveis, entre eles o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e a Supertaça.

A carreira competitiva terminou no Olivais Futebol Clube, numa fase de grande maturidade desportiva. Foi também nesse contexto que viveu algumas das suas experiências internacionais mais marcantes e conquistou mais um Campeonato Nacional.

Paralelamente ao percurso nos clubes, teve ainda a oportunidade de representar Portugal em várias seleções nacionais, experiências que marcaram profundamente o seu crescimento enquanto atleta e enquanto pessoa.

Hoje, Sara Ferreira olha para o seu percurso com profundo orgulho.

“Levo comigo um enorme orgulho por todos os clubes que representei, pelas equipas de que fiz parte e pela oportunidade de vestir a camisola da seleção nacional.”

Para a antiga atleta, a liderança constrói‑se diariamente através do exemplo e do compromisso.

“Aprendi que a liderança não se impõe — constrói‑se com exemplo, consistência e compromisso diário. A voz de uma mulher dentro de campo é tão forte quanto qualquer outra.”

Neste Dia Internacional da Mulher, as suas palavras reforçam a importância da presença feminina no desporto.

“Celebro todas as mulheres que encontram no desporto uma escola de carácter e liderança. A representação feminina no desporto transforma trajetórias, cria referências e abre caminho às próximas gerações. Ser mulher no basquetebol é ocupar espaço, afirmar competência e mudar narrativas.”

Hoje, 68 das atletas da Liga Betclic Feminina já são jogadoras profissionais, um sinal claro de evolução, investimento e reconhecimento do talento no basquetebol feminino.

Mas cada conquista é apenas mais um passo. Ainda há muito caminho para percorrer, mais oportunidades para criar e mais sonhos para apoiar. Porque quando o basquetebol cresce para todas, o jogo fica mais forte.

Histórias como as de Helena Aires e Sara Ferreira demonstram que o basquetebol é muito mais do que competição. É uma escola de valores, de superação e continua a inspirar novas gerações de atletas a acreditar que também elas têm um lugar dentro do jogo.

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Atletas
8 MAR 2026

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