Entrevista a Regina Costa, responsável máxima da classificação a nível mundial

“Estar em conformidade com o Código do IPC é a única forma de manter a modalidade nos Paralímpicos"

Competições
14 JUL 2020

Regina Costa, responsável máxima da classificação a nível mundial, abordou a controvérsia atual com o IPC – Comité Paralímpico Internacional -, que ameaça excluir o basquetebol em cadeira de rodas (BCR) dos Jogos de Tóquio 2021 e dos Jogos de Paris 2024.

O choque anunciado, entre IWBF (Federação Internacional de BCR) e IPC, consumou-se este ano. A entidade máxima do desporto paralímpico comunicou à IWBF a possibilidade de exclusão do BCR dos Jogos de Tóquio 2021 e, com efeito imediato, a sua retirada do programa de Paris 2024, caso o organismo não ajuste o seu processo de classificação de atletas às normas do IPC. Entre os danos colaterais com maior repercussão está a declaração de inelegibilidade de David Eng, lenda do BCR canadiano, cuja lesão, à luz dos códigos do IPC, se entende como insuficiente. Reacende-se, assim, a discussão da introdução do classe 5 (cada atleta é pontuado entre 1 a 4.5 face à sua funcionalidade e lesão, perfazendo o total do cinco 14.0) para atletas com limitações mínimas ou até sem qualquer lesão, como acontece em Inglaterra, outrora em Itália ou precisamente no Canadá. Regina Costa, Presidente da Comissão de Classificação do Conselho Executivo da IWBF, esclarece a polémica instalada.
Para os leigos na matéria, consegues explicar sucintamente a controvérsia atual em torno da classificação? 
No final de janeiro de 2020, o IPC exigiu que a IWBF fizesse uma reavaliação de todos os jogadores com Classificação Internacional para confirmar a sua elegibilidade de acordo com o Código de Classificação do IPC. Esta reavaliação faz parte do processo que a IWBF tem de fazer para continuar a fazer parte do programa dos Jogos Paralímpicos.
O mérito do BCR é a introdução de critérios funcionais e, à conta disso, abarcar uma multiplicidade de lesões. Constitui um retrocesso a adoção do código do IPC? 
A revisão que estamos a fazer tem sido uma vantagem, porque havia imensas coisas que precisavam de ser atualizadas e melhoradas. O Código de Classificação do IPC veio ajudar imensas modalidades onde o sistema de classificação era mais débil. No BCR, temos um bom sistema e esse vai continuar. O que estamos neste momento a rever é a questão da elegibilidade dos jogadores. Estar em conformidade com o Código do IPC é a única forma de mantermos a modalidade nos Jogos Paralímpicos. Como tal, é difícil de considerar isso como um retrocesso.
Já tivemos as primeiras baixas à conta das imposições do IPC, com a falta de elegibilidade do David Eng a ser o caso mais mediático. Que soluções se estão a encontrar para atletas como ele, inapto para o basquetebol convencional e BCR? 
A IWBF criou um documento que foi distribuído aos diversos países com as várias possibilidades de continuação na modalidade para qualquer jogador que deixe de jogar, devido a este processo ou não. Poderá haver a hipótese de continuar a participar nas ligas nacionais e, eventualmente, a participação em competições internacionais de clubes.
Quais os maiores desafios da classificação funcional do BCR no momento atual? 
O maior desafio é o processo de reavaliação que está a decorrer. A logística por trás de todo este processo é enorme, porque estão envolvidos cerca de 4500 jogadores! A pandemia não veio ajudar, uma vez que estamos a pedir aos jogadores para nos enviarem informações médicas. Este desafio é enorme para nós, IWBF, mas também para todos os países e jogadores envolvidos, não só devido à informação que é pedida, pelo stress psicológico a que todos ficam sujeitos. O objetivo é acabar todo este processo e ter o “carimbo” do IPC para que possamos continuar em frente e desfrutar da modalidade que tantos gostamos!

Versão wap:

Competições
14 JUL 2020

Mais Notícias