“Foi uma história com final feliz”

Joana Soeiro, Mariana Silva, Marta Martins e Eugénio Rodrigues abordam época histórica

Imagem de Destaque 1 Imagem de Destaque 2 Imagem de Destaque 3 Imagem de Destaque 4
Competições
11 MAI 2021

“Escrever mais uma página na história deste grande clube é um sentimento inexplicável”, descreve Joana Soeiro. “Foi uma época muito especial, não apenas pelo feito inédito que realizámos ao conquistar a “dobradinha”, mas também pelo facto de ter estado rodeada de pessoas extraordinárias”, acrescenta Marta Martins. “Só posso dizer que foi uma história com um final feliz”, adiciona Mariana Silva.

Foi uma temporada de estreias para a equipa feminina do Sport Lisboa e Benfica. O clube lisboeta conquistou a primeira Taça de Portugal e o primeiro campeonato nacional da sua história – a “dobradinha” – , e juntou-se a GDESSA Barreiro, União Sportiva, AD Vagos, Sport Algés e Dafundo, e Quinta dos Lombos, que também conseguiram o feito na última década.

“Tínhamos estabelecido metas e objetivos no início da época, sempre conscientes daquilo que era necessário para alcançar tais conquistas. Acho que a chave para o sucesso esteve na entrega e dedicação por parte de todo o grupo de trabalho”, considera Joana Soeiro, internacional lusa e capitã de equipa.

A base portuguesa assumiu um papel de destaque com vários lançamentos em momentos decisivos, e atesta que a lesão da norte-americana, Altia Anderson, atuou como um “tónico de concentração” que obrigou as jogadoras a focarem-se no objetivo: “Quando, infelizmente, perdemos uma jogadora essencial, numa altura tão importante como as meias-finais dos playoffs, sabíamos que tínhamos que reagrupar e ir buscar forças onde achávamos não existir”.

Depois de terminar a fase regular em segundo lugar, as “águias” enfrentaram a AD Vagos na primeira ronda e Quinta dos Lombos nas meias-finais, uma eliminatória que assumiu um papel determinante na resiliência psicológica das “encarnadas”, como esclarece Mariana Silva: “Houve vários momentos decisivos, mas decerto que um dos momentos mais importantes foi no terceiro jogo das meias-finais, contra a Quinta dos Lombos”.

A atleta de 20 anos aprofunda a questão da força mental apresentada pelo conjunto da Luz: “Foi um ponto de viragem no nosso mindset, pois a partir desse momento tivemos que redobrar o nosso foco e trabalho, pois tínhamos que compensar a nossa baixa. Foi um ponto em que nos unimos ainda mais e no qual a entreajuda e cooperação falaram mais alto”.

“A união da equipa foi algo que sempre esteve presente, não só na presença de adversidades. E quando se tem a equipa toda alinhada para o mesmo objetivo, já se tem a tarefa meio realizada”, considera a internacional pelas camadas jovens de Portugal.

Ultrapassado a congénere de Carcavelos, as “águias” enfrentaram as açorianas do União Sportiva, primeiras classificadas da fase regular e um dos melhores ataques da competição. A decisão ficou reservada para a “negra”, em Ponta Delgada, onde o Benfica triunfou por 76-73.

“Foram os segundos mais longos da minha vida, aqueles em que o Sportiva lançou nos últimos instantes”, relembra Marta Martins.

A três segundos do fim do jogo, Nausia Woolfolk roubou a bola a Laura Ferreira e lançou um triplo que, caso tivesse sido concretizado, levaria o encontro para prolongamento. “Na minha cabeça, a bola parou no ar e o barulho que se fazia sentir no pavilhão cheio, desapareceu. Assim que vi a bola a sair, já era tempo de festejar e abraçar os meus”, revive.

Quanto ao fator decisivo, Marta Martins aponta o trabalho realizado ao longo da temporada: “Acredito que o sucesso que tivemos foi resultado do trabalho diário que realizámos, sempre conscientes de que o caminho a percorrer era longo. Estávamos todos na mesma página, atrás dos mesmos objetivos e, quando assim é, o resultado só pode ser bom”.

“Penso que a chave deste sucesso terá sido o caráter da equipa e a química que sempre existiu entre as jogadoras, que as permitiu alavancar sempre para níveis superiores de superação quando foi preciso”, afirma Eugénio Rodrigues, técnico “encarnado”.

No seu primeiro ano ao comando da equipa, o próprio reconhece que não esperava estes resultados: “Confesso que não estava à espera de, logo no primeiro ano deste projeto, termos o sucesso que tivemos. O nosso compromisso era estar nos pontos altos e foi para isso que nos preparámos. O sucesso acabou por vir por acréscimo e foi uma consequência quase natural”, explica.

Finalizada uma época longa, o treinador de 50 anos destaca dois momentos como tendo sido determinantes: “O momento da derrota em Guifões, que nos serviu para percebermos que não poderiam existir limites para a exigência diária, e que quando relaxássemos estávamos a dar um passo atrás. O outro foi a vitória na Taça, que projetou a equipa para níveis de confiança que nunca tinha tido”, elucida.

 

Competições
11 MAI 2021

Mais Notícias