“Quem ganhar fica um centímetro à frente”

O jogo da Luz, que faz questão de vencer, não é decisivo para Moncho López. Porque, mais do que conservar o primeiro lugar à nona jornada, o treinador dos Dragões projecta mantê-lo ao final da fase regular.

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8 DEZ 2011

Na antevisão do encontro, o galego, que se diz adoptado pela cidade do Porto, aborda todas as questões sobre a rivalidade e até revela como se prepara antes de cada encontro. Carlos Andrade, que a incorpora, faz referência à “injecção guerreira” que lhe foi administrada à chegada ao Porto.

Na contagem decrescente para “um jogo importante mas não determinante”, Moncho não esconde nada. Discorre sobre diferenças e semelhanças dos opositores, aborda de alternativas e soluções e fala de química, de música e de dez minutos de mística. Parceiros incómodos desde o acerto de calendário, Benfica e FC Porto Ferpinta alimentam uma longa história de profundo antagonismo e tratam da separação a partir das 17h00 de domingo, no Pavilhão da Luz, em Lisboa. No final do jogo, um deles ficará sozinho. E na frente. Moncho diz que os Dragões estão mais fortes. Condições para vencer“É importante mas não determinante, dado que é um jogo do campeonato. Queremos ser primeiros, mas não estamos obcecados em sê-lo ao fim de nove ou dez jogos, mas sim no final da fase regular. É um desafio importante, frente a um adversário que ocupa a segunda posição e no terreno dele. Vamos estar atentos e concentrados. Quero pensar que é mais um jogo do campeonato, contra um adversário de muita qualidade, mas que temos condições para vencer.”Equipas semelhantes“Somos equipas semelhantes, ainda que diferentes. Temos plantéis compridos, com a hipótese de utilizar diferentes estruturas, ao ponto de se tornar difícil falar de diferenças em termos de potencialidades e de qualidades.”Táctica e técnica“O adversário explora bem as situações de um 1×1, tem jogadores com capacidades para o fazer bem, tem muita capacidade física, pode colocar quatro jogadores em campo com dois metros ou mais, mas tem também a hipótese de usar uma estrutura completamente oposta, como jogar com 3 bases. Tudo isto, além de interessante, oferece muitas alternativas ao treinador, que pode mudar tudo mexendo em duas ou três peças. É a capacidade táctica, técnica e estratégica da equipa a partir de elementos individuais.”Versatilidade“Há muito tempo que tentamos ser uma equipa versátil e essa é uma característica que nos define. Somos fortes no colectivo, ainda que haja jogadores que possam ter valores estatísticos mais expressivos. Somos uma equipa que apresenta domínio estatístico nos pontos sofridos, nos pontos marcados, nos ressaltos, na valorização global, e é isto que nos faz fortes. Temos ainda a capacidade estratégica de preparar os jogos com a utilização de muitos elementos e, por isso, há confiança e capacidade de resposta perante um jogo com um adversário que vai também utilizar vários jogadores e modificar as nossas estruturas.” Sem discurso motivacional“Não faço nada para moralizar os meus atletas. Não é necessário. Provavelmente, nestas semanas, com este tipo de jogos, falamos mais de basquetebol, de argumentos tácticos. A equipa está consciente de que o jogo é contra um adversário forte, consciente da rivalidade histórica entre os clubes, e utilizar um discurso mais motivador e, sobretudo, mais emotivo deixa de ser necessário.” Uma questão de química“Tenho a sorte de dispor de um balneário em que a química funciona bem. O Carlos Andrade, por exemplo, além dos valores técnicos, tem um ingrediente extra que lhe permite transmitir motivação e energia. Tem valores humanos muito altos e dinamiza muito o grupo. Para quê falar-lhe da motivação deste jogo? Não é necessário. Temos ainda a sorte de contarmos com um atleta como o Stempin, que está cá há tempo suficiente para se identificar com o Porto.” Dez minutos de mística“É claro que entendo o que é um Benfica-FC Porto, já disputei muitos. Os jogadores têm os rituais deles e a esses não temos acesso. Eles têm o seu espaço no balneário e só eles sabem como falam e como se motivam. Na preparação para os jogos, nós, os treinadores, reservamos tempo para dez minutos de mística. Ouvimos as músicas “Pronúncia do Norte” e “Porto Sentido”, que são estimulantes para nós. A última, acompanhada pelo vídeo com imagens da cidade do Porto, ajuda-me muito a concentrar e a relaxar. Não me atrevo a dizer que serei mais portuense que um portuense. Serei mais um portuense adoptado. Sinto-me bem aqui, na cidade e no clube. Primeiramente, no clube que me foi buscar e que me acolheu. E na cidade cada vez melhor.” Um centímetro de vantagem“Nesta altura, o FC Porto está melhor do que o Benfica. Estamos em primeiro e, se o campeonato acabasse hoje, éramos nós que continuaríamos em primeiro. Não estamos ainda a 100 por cento, pois faltam introduzir processos tácticos, e ainda não foram exploradas todas as potencialidades da equipa. Mas estamos preparados para ganhar a qualquer adversário e, até ao fim do ano, iremos fazer coisas que ainda não foram feitas. Queremos ganhar e sabemos que a equipa que o fizer no domingo ganha um centímetro de vantagem para chegar à linha final, mas ainda falta um longo percurso.”Incompreensível“Não consigo entender o calendário. Sei que os motivos passam pela dupla jornada nos Açores, mas acho que era possível ter trabalhado de outra maneira. Somos 12 equipas e só oito estão a sofrer com a acumulação dos jogos fora e em casa. Além de que há uma série de equipas que trabalha bem e merece competir em igualdade de circunstâncias com as outras, como é o caso da Ovarense, que iniciou a primeira volta com sete jogos fora, o que desde logo condiciona muito as possibilidades de apuramento para a Taça da Liga, a disputar pelos quatro primeiros classificados da primeira volta.”Saudades do Dragão“Vou sentir muitas saudades do Dragão até 28 de Janeiro, mas acredito que uma equipa como a nossa, tão forte, mesmo numa situação desfavorável como esta, pode aguentar-se melhor do que outras equipas. Mas não é bom.” A injecção guerreira de Carlos Andrade“Este clássico é a cultura de um povo, é uma cultura futebolística que se transmite às outras modalidades. Para os adeptos tem um grande significado e para os atletas é a mesma coisa. Lá dentro sentimos a pressão de estarmos a representar uma cidade, um povo e um clube que revela qualidade ano após anos. Aqui, no Porto, parece que nos dão uma injecção guerreira da vontade de ganhar e eu vou mostrar toda a minha garra e determinação para vencer.”

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8 DEZ 2011

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