Rui Fagundes elogia Angrabasket
Deixou o comando técnico do Angrabasket em Dezembro do ano passado e passou a assumir as funções de director desportivo da equipa açoriana.
Treinadores
23 JUN 2009
Saiba nesta entrevista que balanço Rui Fagundes faz da época da formação insular.
Que balanço faz da última temporada? Penso que dentro das possibilidades do Angrabasket, com o plantel que tínhamos e pelas mudanças forçadas de norte americanos, foi uma época positiva. Atingimos o playoff, o que não acontecia desde a nossa subida, em 2004/2005. Que aspectos negativos e positivos ressalva? A forma que o clube encara a competição onde está inserido, a forma que cumpre com os compromissos que tem com os atletas e treinadores, mantendo-os fiéis ao clube, são, sem dúvida, aspectos positivos. Isto faz do grupo uma autêntica família! Posso dar o exemplo do Pedro Loth e do Carlos Dias que são do Continente e que estão há muitos na Ilha Terceira, bem integrados no clube Já tem alguma proposta para a próxima época? Neste momento sou director-desportivo do Angrabasket. Saí em Dezembro do ano passado do comando da equipa, pois a minha actividade como Director Técnico (a tempo inteiro) na Associação de Basquetebol da Ilha Terceira não era compatível com as funções de treinador. Algumas viagens coincidiam com o meu trabalho e não podia prejudicar nenhuma das instituições. Tem algum projecto que gostaria de levar a cabo? O meu projecto, para quem não tem conhecimento, sempre foi o Angrabasket. Fui um dos fundadores do antigo Núcleo Sportinguista da Ilha Terceira, que em 1998, foi campeão dos Açores e subiu à II A Divisão. Depois resolvemos fundar um clube só de basquetebol e criar as nossas próprias infraestruturas, desde sede própria, viaturas, etc, criando uma base sólida para sermos o que somos hoje. Subimos em 2003/2004 da CNB1 à Proliga e cá estamos. Sempre com os pés bem assentes no chão, com cerca de 100 atletas nos diferentes escalões, com atletas que têm sido chamados às selecções nacionais, como são os casos de David Tavares, em sub-20, e mais recentemente do Guilherme Ornelas, em sub-16, que está no Centro de Treino de Alto Rendimento de S. João da Madeira. Outro projecto que está na nossa mira é a construção do nosso pavilhão. Qual é o seu modelo de jogo preferido? O passing game onde, de uma forma livre, mas com regras bem especificas, damos prioridade às reacções colectivas do 1×1. De todas as equipas que já treinou, qual foi a que lhe proporcionou os melhores momentos da sua carreira? O Angrabasket. Sempre! Que momento positivo que nunca vai esquecer? A nossa subida da CNB1 à Proliga. E o mais negativo? O momento em que deixei de jogar. Qual é a sua opinião sobre o estado actual do basquetebol nacional? É complicado responder a essa questão, pois nós portugueses não temos uma verdadeira cultura desportiva, como acontece por exemplo com os Estados Unidos ou com Espanha. Isso complica a tarefa das pessoas responsáveis pelo basquetebol. Tem alguma opinião formada sobre o que deve ser alterado para melhorar a qualidade competitiva da modalidade? Sou da opinião que os treinadores mais aptos deviam estar a treinar os escalões de Minis e Iniciados, pois é aí que tudo começa. No nosso caso cometemos sempre o mesmo erro uma vez que é sempre onde estão os menos experientes, onde estão aqueles que acabaram de tirar o Nível I e isso não está correcto. A nossa pirâmide está completamente invertida. É preciso mudar as mentalidades. Se calhar treinar uma equipa de minis não tem o mesmo impacto que treinar uma equipa sénior da Liga ou Proliga. Que jogador mais o impressionou favoravelmente? Português, Paulo Pinto. Estrangeiro, Michael Jordan. E a jogadora? A Ticha Penicheiro. Qual é o seu 5 de sonho? O português pode ser o do Benfica. Quem não os queria? Estrangeiro: Michael Jordan, Kobe Bryant, Magic Johnson, Charles Barkley, Paul Gasol. Conte-nos uma situação caricata que tenha assistido em campo. Há uns anos jogávamos em Évora, onde o piso era sintético verde. Nós, do Lusitânia, equipávamos de verde e o Lusitano também. Um jogador nosso, meio nervoso, atirou de repente a bola ao árbitro e perguntámos-lhe: “Então?” Ele respondeu: “Não sei! Chão verde, nós de verde, eles de verde… O único que não estava de verde era aquele caramelo…” E fora do campo Que me lembre, nada de especial.


