Sónia Teixeira no papel de “Tutor Referee”

Árbitra internacional portuguesa fala sobre momento importante da carreira

Juízes
4 SET 2020

Sónia Teixeira, árbitra internacional portuguesa, assumiu papel de destaque nos últimos meses enquanto “Tutor Referee” da FIBA, num convite que partiu da entidade que gere o basquetebol mundial e que consiste em dar formação a outros juízes.

A juíza de 43 anos não esconde a satisfação por esta oportunidade: “A experiência foi muito boa, toda a equipa que esteve dedicada a este projeto (duas instrutoras e cinco árbitras) teve um feedback muito positivo por parte dos responsáveis da FIBA e das árbitras e comissárias internacionais que assistiram às formações. Foi algo marcante por três ordens de razão: pelo facto do convite ter sido endereçado pela FIBA; por poder fazer algo de que gosto muito – dar formação – a um nível bastante superior, o que me obrigou a sair da zona de conforto; e porque foi um momento de grande aprendizagem também para mim, pois aprende-se ainda melhor quando se tem a responsabilidade de ensinar”, afirma.

Sónia Teixeira explica, mais concretamente, as suas funções: “Preparei e realizei os webinars em coordenação com as instrutoras, com base no material técnico da FIBA (apresentações powerpoint e vídeos). Para cada apresentação tive que estudar os conteúdos e prepará-las individualmente. Depois, tinha uma simulação da apresentação, em conjunto com o staff FIBA dedicado ao projeto, onde eram afinados todos os detalhes. Por último, tinha uma sessão de treino com a instrutora, para ultimarmos pormenores da nossa articulação”, descreve.

É inevitável fugir ao atual contexto pandémico, e por isso Sónia Teixeira projeta a temporada 2020/21: “Estou em crer que será uma época mais desafiante e complexa. E o desafio maior será o de remarmos todos no mesmo sentido, para que consigamos ter de volta o nosso basquetebol com todas as condições de segurança, de modo a que não haja retrocessos na situação. É demasiado importante, para a vida de demasiadas pessoas, para que nos possamos dar ao luxo de falhar ou de remarmos em sentidos distintos. É muito importante que nos mantenhamos positivos e otimistas, procurando influenciar positivamente as coisas que podemos controlar. Não adianta estarmos ansiosos ou pessimistas a pensar em tudo o que pode correr mal, a menos que seja para anteciparmos problemas e encontrarmos soluções. Da minha parte, mantenho-me positiva, otimista e com confiança em todos os responsáveis da modalidade, e é com este pensamento que estou a preparar-me para a nova época”, vinca.

São várias as jovens árbitras portuguesas que vão surgindo no panorama da modalidade. Sónia Teixeira, categorizada juíza europeia, deixa-lhes conselhos: “A lei natural da vida é que as gerações futuras venham a ser melhores do que as anteriores. Há uma evolução natural, que resulta de conhecimentos adquiridos, novos métodos que se desenvolvem, novas formas de trabalhar mais eficazes, mais tecnologia dedicada ao aperfeiçoamento da tarefa. Estou em crer que se irá verificar essa evolução natural e desejo que as jovens árbitras nacionais cheguem longe e tenham sucesso. É preciso, no entanto, estar ciente de que, sem trabalho, não se chega a lado nenhum. É muito importante o potencial, sem dúvida, mas há tantas pessoas com potencial que não chegam longe porque não se dedicaram o suficiente… Claro que por vezes é preciso aquela pontinha de sorte, mas sem trabalho… pode-se lá chegar, mas depois não se consegue manter. Para finalizar, um desejo e uma mensagem também para o futuro dessas jovens árbitras: que, num futuro breve, não estejamos a falar de árbitras mulheres ou árbitros homens, e que isso seja indiferente às pessoas quando vêem o/a árbitro/a entrar em campo. O que importa é a competência e a qualidade, não é o género. Que sejam estas jovens árbitras as principais transmissoras desta mensagem, através do seu exemplo e atitude”, finaliza.

O convite dirigido a Sónia Teixeira merece elogios de António José Coelho, presidente do Conselho de Arbitragem: “O convite dirigido à Sónia para “Tutor Referee” é uma mais-valia para a arbitragem portuguesa, em particular, e uma forma de mostrar a outros países europeus a qualidade e forma do trabalho que se desenvolve no nosso país e na nossa Federação. O trabalho que a Sónia tem desenvolvido, tanto a nível nacional, como por exemplo na Jr. NBA e formações específicas em pontos altos e do quadro dos Potenciais Talentos, assim como ao nível internacional, em que é preletora convidada em campos de arbitragem e em formações por videoconferência da FIBA, tem contribuído para o desenvolvimento da arbitragem em Portugal e na Europa. Ainda recentemente estivemos presentes num curso de instrutores, organizado pela Federação Internacional, e ela foi considerada uma das melhores participantes, tanto nos aspetos teóricos, como nos práticos. A Sónia recebeu um convite direto da FIBA para estar presente nessa formação, face à qualidade que já reconhecem nas suas intervenções, o que contribui para a valorização e conhecimento da arbitragem que se pratica em Portugal, que na minha opinião está ao nível dos melhores campeonatos da Europa”, enaltece.

Também António José Coelho aborda o futuro, e analisa a chamada de algumas jovens juízas para Webinars da FIBA: “É um incentivo e vem dar razão ao Conselho de Arbitragem e à política desportiva da Federação, sobre a aposta que desde há dois anos a esta parte se tem desenvolvido na arbitragem feminina em Portugal. Não são todos os países que conseguem colocar cinco árbitras nacionais nas formações internacionais. Tivemos uma visão estratégica quanto ao futuro, pois agora a própria Federação Internacional revelou uma estratégia idêntica ao programa que este CA apresentou nas eleições de 2018. Vamos continuar a desenvolver e a dinamizar este setor, assim como a proporcionar oportunidades e, a tentar chamar para a arbitragem, mais jovens através dos programas de formação e das Festas do Basquetebol, que espero que no próximo ano possam voltar em grande força. É uma porta com grandes janelas, que temos de voltar a abrir, para todos os jovens praticantes, em geral, e para os jovens árbitros, em particular”, enfatiza.

 

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Juízes
4 SET 2020
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