Uma semana em Ovar: a primeira Taça
Figuras do clube vareiro recordam histórico triunfo de há 31 anos sobre o Illiabum
Competições
17 ABR 2020
Dia 16 de abril de 1989, Pavilhão Municipal do Montijo. A Ovarense batia o Illiabum por 81-73 e conquistava assim a primeira Taça de Portugal da sua história, num momento para revisitar por algumas das figuras do clube vareiro.
Por todos os testemunhos recolhidos e crónicas daquele feito de há 31 anos, um dado é consensual: o grande ambiente em redor do encontro. Arala Chaves, presidente de então da Ovarense, dá conta disso mesmo: “Foi um jogo muito com uma enorme afluência de público. Foram de Ovar para o Montijo vários autocarros repletos de adeptos. A alegria era contagiante e à chegada houve uma grande festa com os adeptos do Illiabum”, recorda.
E a atmosfera vibrante no recinto da margem sul do Tejo foi uma constante, o que se estendeu para além da final, como destaca Vítor Ferreira, que alinhava na Ovarense e antigo vice-presidente da FPB: “O ambiente no Montijo foi tremendo e outra coisa não seria de esperar. Já na altura, a modalidade tinha no distrito de Aveiro várias equipas de elevada qualidade. No basquetebol temos uma cultura e um histórico de enorme fair-play. De incentivar durante o jogo e de, no final, reconhecer e dar os parabéns ao vencedor, reconhecendo-lhes os méritos e sem procurar escudar-nos em desculpas. Por isso, também nesta final, o espírito de fair-play existiu. Os vencedores festejaram e os vencidos reconheceram a justiça do resultado, num embate em que a Ovarense esteve sempre na dianteira do marcador.”, finaliza.
Este dérbi teve uma particularidade, que passou pelo facto do cinco incial vareiro ter disputado… os 40 minutos. O norte-americano DJ (Dwayne Johnson), peça-chave na turma vareira, estava indisponível, e no seu lugar jogou Rui Anacleto, que acabou por brilhar com a obtenção de 14 pontos. “O facto de ter alinhado no cinco inicial ajudou na confiança e o jogo correu-me bem, a mim e aos meus colegas. todos tivemos uma pontuação muito semelhante, o que não é normal num jogo de basquetebol. Acho também que estivemos sempre a ganhar, mas o Illiabum foi um bom adversário porque nunca nos deixou fugir no marcador. Como jogámos sem um americano, tivemos que ser mais coletivos, e acho que esse foi o segredo para o triunfo. Quando se joga uma final com um ambiente fantástico e a partida corre bem, podemos afirmar que superamos sempre o cansaço”, eis as palavras do próprio Anacleto.
Luís Magalhães, treinador da Ovarense e ainda no início de uma carreira recheada, realça o “grande jogo” de Anacleto, e salienta a primeira Taça conquistada: “O mais importante é ganhar pela primeira vez e nunca esquecer o que fizemos para chegar lá. O Pavilhão do Montijo estava completamente esgotado. Foi mais uma grande vitória”, vinca.
Era uma Ovarense grande qualidade, que a partir da segunda metade dos anos 80 se colocou, em definitivo, no patamar mais alto do basquetebol português. Mário Leite, outro dos craques do carismático clube de Ovar, explica alguns dos trunfos daquela equipa marcante: “Éramos uma equipa humilde, sabíamos bem as nossas forças, mas também as limitações que tínhamos. Defendíamos a campo inteiro e destacávamo-nos, sobretudo, pela capacidade defensiva. Caracterizávamo-nos pela pressão que fazíamos, tanto eu como o Rui Chumbo éramos rápidos. Tinhamos o Mario Elie e o DJ que também ajudavam porque tinham muita mobilidade. Éramos uma equipa agressiva e explorávamos bem as situações de contra-ataque”, analisa.
E para Luís Magalhães, os mais rasgados elogios vão mesmo para Mário Leite: “Quero destacar o Mário Leite, que sempre foi de um profissionalismo incrível. É uma excelente pessoa, é impagável aquilo que ele fez pela Ovarense”, acentua.
Pode recordar este Ovarense vs. Illiabum esta noite, a partir das 21h30, no YouTube/FPBtv ou no Facebook da FPB.


