Vagos triunfa à bomba
O conjunto de Vagos solidifica a sua posição de melhor ataque da LFB e, pela primeira vez esta época, uma equipa ultrapassa a centena de pontos, isto porque as jogadoras da AD Vagos no encontro frente ao Académico estiveram imparáveis da linha dos três pontos.
Competições
7 JAN 2012
A equipa de Vagos deslocou-se à cidade do Porto para defrontar o Académico com várias jogadoras em dúvida. A equipa continua a ser perseguida por lesões e no treino de ontem, véspera deste jogo, foi Sara Ressurreição a deslocar o polegar da mão direita. Para agravar ainda mais a situação, Joana Lopes nem se treinou em virtude de uma forte gripe e Inês Faustino não pôde, ainda, dar o seu contributo devido à lesão sofrida no início de Dezembro. A solução foi chamar Mariana Alves, que teve de jogar com a proteção de uma máscara facial. Mesmo assim, o conjunto de Nuno Ferreira fez um jogo praticamente imaculado e despedaçou a formação do Académico “à bomba”. Foram nada mais, nada menos, do que 18 triplos convertidos em 25 tentados, o que equivale a 54 pontos, mais de metade dos pontos convertidos. Aquele que era o grande handicap da equipa – principalmente nos jogos europeus – e fator de menor rendimento, é agora a sua maior arma ofensiva. Nesta partida, a AD Vagos atingiu a notável marca de 72% de triplos convertidos. O jogo em si foi um festival ofensivo que mostrou duas formações a abordarem esta partida de forma desinibida. Quem acabou por ganhar foram os adeptos que assistiram o jogo ao vivo e pelos ecrãs de televisão. Foi mais uma partida de basquetebol da LFB transmitida pela Sport TV esta época, demonstrando que o campeonato está ao rubro e é uma aposta ganha em termos de espetáculo televisivo. São jogos como este que impulsionam a modalidade e trazem mais espetadores aos pavilhões. Donica Cosby, do Académico, e a MVP da partida Lilian Gonçalves, da AD Vagos, foram o expoente máximo de uma luta de titãs. As duas atletas deram um festival de bem jogar basquetebol e acabaram ambas nas três dezenas de pontos marcados. Mas vamos por partes. O primeiro período foi pautado pelo equilíbrio, com várias alternâncias na frente do marcador. Com Mariana Alves de início no comando do ataque, a equipa vaguense consegue imprimir grande velocidade e dinamismo, materializado nos 26 pontos convertidos neste parcial. Mas o Académico não esteve pelos ajustes e forçou sempre o conjunto de Nuno Ferreira a cometer erros defensivos, conseguindo discutir o jogo até aos derradeiros instantes do parcial, altura em que o Vagos consegue distanciar-se fruto da sua maior eficácia no tiro de longa distância. No segundo período, Nuno Ferreira troca Mariana por Joana Lopes e a equipa perde algum dinamismo nas transições, mas ganha muitos centímetros na luta dos ressaltos. Louvável o esforço da internacional do Vagos que, sem estar nas melhores condições físicas, ajudou a equipa a todos os níveis. Nesta fase, e apesar de nunca baixar os braços, a equipa de Eugénio Rodrigues não consegue parar o jogo exterior das forasteiras e começa, paulatinamente, a perder terreno.O resultado ao intervalo de 38-51 espelhava bem o desempenho ofensivo dos dois conjuntos. Em termos práticos, a superioridade da AD Vagos devia-se, fundamentalmente, à sua eficácia da linha dos três pontos, já que o Académico mantinha boas percentagens de lançamento, principalmente nas zonas próximas do cesto. No terceiro período, e como já vem sido hábito no campeonato, a AD Vagos cilindrou o adversário por claros 29-9. A atuação da equipa forasteira foi de tal forma sufocante que nem Danica Cosby, sem dúvida a jogadora mais esclarecida do Académico, foi capaz de contrariar. Claramente mais fortes no ressalto, principalmente pelo contributo dado pela experiente poste Ana Teixeira, e a sair várias vezes em contra-ataque, a AD Vagos retirou qualquer possibilidade ao Académico de poder discutir o resultado final. Este foi também o momento em que apareceram Daniela Domingues e Joana Jesus a mostrarem os seus créditos no lançamento triplo. Por outro lado, ao nível defensivo, a AD Vagos criou inúmeras dificuldades e retirou toda a capacidade ofensiva do adversário através de uma maior adequação e adaptação tática aos movimentos do Académico em ataque. Com uma vantagem de 33 pontos à entrada do quarto e último período, Nuno Ferreira dá oportunidade a várias jovens atletas de somarem minutos na competição. O Académico aproveita para encurtar distâncias através de uma defesa mais pressionante, conseguindo vários roubos de bola que originaram sucessivos contra-ataques. Ainda assim, e apesar de estar a jogar com 4 atletas abaixo dos 19 anos, o conjunto de Vagos depressa corrige alguns erros e volta ao controlo da partida, acabando por terminar o encontro com os mesmos 33 pontos de diferença com que iniciou este último parcial. Lilian Gonçalves foi a grande figura da partida ao apontar 34 pontos, o seu melhor registo esta temporada, falhando apenas um lançamento de campo a seis minutos do fim. Fantástica exibição da internacional brasileira da AD Vagos. Do lado do Académico, Danica Cosby foi, de longe, a jogadora mais produtiva ao terminar com 30 pontos marcados. Ressalva ainda para o desempenho ofensivo da AD Vagos que conseguiu apontar mais de 20 pontos em todos os períodos do encontro e ultrapassou a centena de pontos, um recorde esta época da LBF. Parciais: 19-26, 19-25, 9-29, 22-22 Académico (69): Joana Ferreira (10), Joana Cruz (3), Francisca Braga (4), Ana Morais, Catarina Vieira (3), Mariana Silva (12), Donica Cosby (30), Matteke Hutzler (7), Bruna Almeida AD Vagos (102): Artémis Afonso (8), Inês Pinto (1), Ana Teixeira (12), Mariana Alves (2), Joana Lopes (6), Lilian Gonçalves (34), Flávia Santos (9), Daniela Domingues (15), Sara Ressurreição (nj), Maria Pereira (nj), Joana Jesus (12), Carolina Anacleto (3)


