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Dinis Amaral: “A idade não é um posto”
Aos 28 anos, Dinis Amaral inicia a segunda época como adjunto do ALM Évreux, na ProB francesa, depois de concluir o FECC, a maior certificação da Europa. Em miúdo, saía da secretaria da Ovarense para o gabinete do professor Jorge Araújo para ver cassetes, hoje troca ideias com Tuomas Iisalo sobre filosofia de jogo. Entre um papel de adjunto com responsabilidades de principal, a aprendizagem do ano histórico no Galomar e as diferenças estruturais que encontrou em França, o treinador fala de liderança e ambição: competir nas provas europeias a curto prazo e, um dia, chegar à NBA.
Preparado para mais uma época no Évreux?
Sim, a experiência do primeiro ano foi muito positiva. A experiência no estrangeiro também acabou por ser muito positiva e, apesar de a realidade do clube não ser das melhores numa divisão tão forte, fiquei motivado pelo facto de o clube me querer de volta. Já conheço um bocadinho os cantos à casa e, sobretudo, o projeto que têm para mim é de me fazer crescer. Por isso foi fácil aceitar e decidir cedo, e permitiu-me ir para o verão com as coisas claras na cabeça; isso ajudou-me bastante.
Que aprendizagens retiraste do teu primeiro ano?
Sobretudo fora do basquetebol, porque o nível é elevado, sem dúvida. O jogador francês é fisicamente muito mais disponível do que o jogador português da primeira divisão. No entanto, o que mais me marcou foi o dia-a-dia do clube: a quantidade de dirigentes com quem tens de lidar para tratar de diversos assuntos é algo que não existe em Portugal. Antes, a comunicação estava muito reduzida ao diretor desportivo e aos jogadores; agora tens de falar com o diretor de marketing, com o responsável pelos parceiros, com toda a gente. É uma realidade quase de clube de futebol em Portugal, e encontrar isso numa segunda divisão foi fantástico. Nesse aspeto cresci muito, porque até então tinha-me focado só no basquete e em resolver os problemas dentro do campo. Agora abri um bocadinho os horizontes a essa vertente.
Portanto, dirias que a principal diferença que encontraste foi em termos de estrutura?
Sim, sem dúvida. É claro que, a nível de qualidade, teres mais dinheiro e orçamentos maiores permite contratar jogadores melhores e o jogo acaba por ser também de maior qualidade. Estamos a falar de uma liga em que tens americanos que passaram por Portugal, foram campeões e agora aqui têm papéis quase secundários. Jogámos, por exemplo, contra Sean Willett, que foi MVP há uns anos na Liga portuguesa, e este ano vêm jogadores como Marvin Clark, que jogou no Porto e no Sporting. A nível de jogadores, é claramente superior, mas a nível estrutural não tem comparação. Em França, a liga gere tudo: tens de apresentar os orçamentos antes da época começar e só se houver condições é que o clube cumpre os requisitos e fica nas divisões profissionais. Isso ajuda a aumentar o espetáculo e simplifica o teu dia-a-dia; a tua tarefa é mais focada, não tens de acumular duas ou três funções. Ao mesmo tempo, há muito mais pessoas a trabalhar ao serviço do clube e tens de lidar com elas diariamente.
E como é o teu dia-a-dia no Évreux? De manhã à noite, como se organiza?
Tenho a sorte e o azar de estar sozinho aqui, longe de família e amigos, então dedico 24 horas ao basquete. Um dia normal começa de manhã com o grande bloco: vídeo, musculação, preparação individual pré-treino — estou no pavilhão nessa altura. Depois há treino coletivo com a equipa, sempre preparado no dia anterior ou no início da semana. No final, fazemos trabalho individual extra e reunião de treinadores para analisar o que correu bem, o que temos de melhorar, o que é urgente trabalhar no dia seguinte. Definimos também conversas individuais com os jogadores: uns precisam de apoio porque não estão na melhor forma mental, outros precisam de ser trazidos de volta à realidade e ligados à equipa.
À tarde, entre o treino da manhã e o treino individual, mais direcionado para aspetos técnicos e físicos, há o trabalho de vídeo. Nesta fase de pré-época ainda não temos scouting de outras equipas, fazemos scouting dos nossos treinos. Todos os pavilhões têm câmaras integradas, por isso vês tudo: cortas, analisamos melhorias defensivas, ofensivas e individuais. Esse trabalho é feito antes do treino da tarde, que inclui sessões de grupos de dois ou três atletas — postes, extremos, etc. No fim do dia, preparas o treino seguinte e fazes vídeo. Há sempre trabalho; se estiveres parado é que estás mal.
Notas diferença na importância do papel do adjunto em França, comparando com Portugal?
Conheço duas realidades de adjunto em França, não posso generalizar, mas para mim foi espetacular. Vim de treinar a Liga como treinador principal e podia pensar que o papel seria menor numa segunda divisão. Antes de vir, fui ao Nanterre ver os treinos do Philippe (da Silva) e do Pascal Donnadieu, uma grande figura do basquetebol francês, e percebi que o Philippe, como adjunto, coordenava todo o scouting, liderava treinos, era responsável pelo treino individual — tinha funções idênticas às que eu tinha em Portugal.
Quando falei com o treinador principal de Évreux, ele disse-me: “Sei que eras treinador principal, mas quero que venhas para aqui com responsabilidade. Não é para estares de bola debaixo do braço sem fazer nada, quero que tenhas responsabilidade”. Gostei da ideia, já conhecia o nível da liga e pareceu-me o sítio certo para começar no estrangeiro.
Cheguei mais tarde por causa do Europeu de Sub-16, na Macedónia, e inicialmente procurava o meu espaço. Mas o treinador deixou claro: “É para fazeres”. Aos poucos fui percebendo que queria mesmo que eu fizesse. O meu dia-a-dia aqui e no Galomar, há dois ou três anos, são praticamente iguais, e isso é perfeito porque tenho o mesmo nível de responsabilidade. Claro que há diferenças: estar à frente dos jogadores obriga a falar mais, mas em termos de responsabilidade estou muito contente. A relação é muito boa e a confiança dele no meu trabalho é incrível. A realidade que conheço do adjunto em França é a do Philippe no Nanterre, e o meu papel não é muito diferente do dele.
Por falar em Philippe, falei com ele há pouco tempo e disse que o teu trabalho no Évreux tinha impressionado outros treinadores. Como recebeste esses elogios?
Cresci a ver o basquetebol português e a seleção; quando Portugal foi ao EuroBasket há 14 anos o Philippe era o base dessa equipa. Eu era pequenino e vi esses jogadores a jogar. Ter um desses jogadores, por quem tenho grande admiração, a dizer essas coisas sobre o meu trabalho deixa-me muito contente. Não te consigo descrever.
O Philippe estava a treinar o Nanterre no ano passado, numa época complicada. Ele tinha o jogo sempre ao sábado e os nossos eram à sexta; estamos a cerca de uma hora e meia de Nanterre. Se não veio ver todos, esteve em quase todos os jogos em casa. Tinha o filho na equipa, sim, mas no fim dos jogos vinha ter connosco: “Vocês têm de fazer isto, têm de fazer aquilo. Muito bem ali, muito bem aqui”.
Para mim, que sempre tive a sorte de estar acompanhado por jogadores de alto nível, ter isto no ouvido na primeira vez que saio de Portugal é espetacular. Mostra, em primeiro lugar, a pessoa que o Philippe é e, em segundo, o que ele é como treinador, pela forma como quer ajudar os outros. Não lhe posso pagar o que tem feito por mim.
“Pagas”, de certa forma, porque trabalhas com o Anthony da Silva todos os dias. Dá para falar português com ele?
É verdade. Quando cheguei, só falava inglês; francês, mais ou menos. Perguntei: “Como é que vou fazer aqui?” E disseram: “Não te preocupes, falamos inglês para ti”. Mas na primeira reunião com os dirigentes tudo foi em francês. Tive de me desenrascar: Duolingo, novelas francesas, tudo para melhorar.
Nos treinos, ter o Anthony a falar português comigo foi espetacular. Estás preso a uma língua estrangeira, mas quando tens alguém que te percebe verdadeiramente na tua, é diferente. Dá-te uma naturalidade na voz: “Let’s go, guys… Tony, f***-**, corre, c******!” É diferente. No fim da época já tinha muitos jogadores a falar português; as asneiras que digo em português eles já as sabiam.
Este verão concluíste o FECC, o maior nível de certificação que existe na Europa. O que significou para ti concluir esta certificação de três anos e, por outro lado, como foi ser distinguido como o melhor da turma?
Significa muito para mim porque valorizo muito a minha formação como treinador. A formação académica que tenho — relações internacionais, política internacional, economia internacional, direito internacional — não tem nada a ver com basquetebol. Portanto, a formação que dediquei ao basquete valorizo muito, porque foram muitas horas extra desde novo.
Em primeiro lugar, ter sido escolhido pela Federação para este curso significou muito, porque é exclusivo: há muitas pessoas que querem fazer e não há lugar para todos. Ser escolhido foi um primeiro orgulho e senti que tinha de aproveitar ao máximo a experiência, independentemente de ser boa ou má.
Quando chego lá, estamos constantemente em contacto com Pablo Laso, Andrea Trinchieri, Erdem Can, Marco Ramondino, Nenad Trunić… referências. Ter a abertura de falar com eles como nós estamos a falar agora é espetacular. Mais do que os ensinamentos, são as histórias do dia a dia que valorizo. Por exemplo, o Nenad Trunić contava: “Tínhamos o playbook com 30 páginas e dávamos ao Aleksandar Abramoović. Ele lia tudo e no dia seguinte sabia todas as posições e corrigia os jogadores. Fazes o mesmo ao Teodosić, dás-lhe 30 páginas, ele enrola os papéis, faz cigarros e deita fora, nem olha.” Ouvir estas histórias de alguém com quem cresceste a ver jogar é espetacular.
E, por fim, ter essas pessoas todas a dizerem-te que és bom naquilo em que tens apostado nos últimos anos é muito bom. Posso dizer que foi uma boa experiência e fiquei muito contente.
Durante a tua carreira foste muitas vezes o mais novo da sala. Nesse curso eras também o mais novo dos quase cinquenta que estavam a tirar a formação?
Há muitos países que enviam os treinadores das seleções mais jovens, 15 ou 16 anos, por isso tens muita malta nova. O Bernardo (Pires), que também foi, é novo. Mas, por exemplo, o treinador que foi de Espanha era o que subiu de divisão com o Girona quando o Marc Gasol era jogador — foi ele o escolhido.
Tens um bocadinho de tudo: treinadores altamente referenciados com carreiras feitas, como o treinador húngaro que ganhou a Euroliga feminina há dois anos, e treinadores de países como Gibraltar, Luxemburgo ou Azerbaijão, que estão a começar e que os seus países querem que sejam os futuros selecionadores. Mas sim, tenho sido o mais novo até aqui, é verdade. Corre atrás de mim.
Ao longo destes três anos em que fizeste o FECC, tiveste de fazer grandes sacrifícios pessoais. O curso é difícil e ocupou os teus últimos três verões.
Sim. Sacrifícios pessoais e sobretudo profissionais, que acabam por ser pessoais. O primeiro ano fomos para a Macedónia durante o Europeu de Sub-16, que terminava a meio de agosto, e era a primeira vez que eu e o Bernardo íamos ser treinadores principais na Liga Masculina Portuguesa. Estávamos no mesmo quarto: fazíamos os trabalhos para passar as disciplinas e, cinco minutos depois, ele ia lá fora falar com um agente; depois eu ia lá fora falar com outro.
A nível profissional teve impactos. Este ano, por exemplo, o curso decorreu durante o Europeu de Sub-20 e, como a minha época em França começava mais cedo, não tive oportunidade de estar nas seleções nacionais. Houve sacrifícios: passo dez meses fora e nos dois meses em casa estou a fazer isto. A minha mulher dá cabo de mim… está sempre a falar! (risos)
Na tua estreia na Liga, o Galomar subiu numa promoção histórica, por teres sido o treinador mais novo de sempre a orientar na competição. Que memórias tens desse ano de conquista da Proliga e da subida? Qual foi a chave do sucesso?
A chave do sucesso foi o grupo que conseguimos criar. Unimo-nos pela missão de lutar contra todas as adversidades — é um cliché, mas é a verdade. Todos os jogadores tinham algo a provar, e eu também.
Desde os nacionais que vieram comigo, como o João Gallina e o Jeremias Manjate, que vinham de uma época difícil no Guimarães por não terem jogado muitos minutos, até aos estrangeiros: um rookie que vinha de uma lesão grave e que antes estava referenciado para o draft; o William Loyd, que este ano esteve na Liga com o Vitória de Guimarães, mas que vinha da segunda divisão da Finlândia, onde lhe disseram que nunca poderia jogar basquetebol e que dali a dois anos já não teria carreira… juntou-se um grupo de pessoas com algo a provar.
As condições eram difíceis — estar sozinho numa ilha, fazer viagens de avião no próprio dia do jogo para chegar em cima da hora — mas quando tens esta mentalidade, arregaças as mangas e trabalhas. Do ano da Proliga guardo memórias muito boas.
Do ano da Liga posso dizer que foi um ano de muita aprendizagem, sobretudo fora do campo. Sempre fui sereno, nunca fui aquele treinador que diz “sou mais novo, tenho de aproveitar” e se deixa levar pela euforia. Foquei-me no basquetebol e, como tínhamos um grupo muito bom de jogadores, trabalhei muito nisso. Mas quando chegas a um nível em que tens de controlar muitas outras coisas além do jogo, tens de dar importância a essas matérias, rodear-te de pessoas de confiança e saber delegar.
Foi um ano duro porque, quando chegas à Liga pela primeira vez, é tudo ainda um sonho e queres ter uma boa época para te confirmar entre a elite. Quando não tens a oportunidade de completar o teu trabalho, custa. Mas ficou-me algo que o Pablo Laso disse no FECC: “Para seres um bom treinador, tens de ser despedido.” Disse isso logo no início. (risos) Se calhar vinha de ser despedido do Bayern, não sei. Mas ficou comigo. No segundo ano cresci muito por causa disso.
No contexto atual, com a carreira pela frente, preferes consolidar uma trajetória internacional. Mas regressar à Liga como treinador principal é um objetivo para ti?
Já tive oportunidade de ser convidado para voltar a treinar a Liga. O momento em que recebi esse convite agora foi completamente diferente do primeiro. Vir para aqui abriu-me portas para sonhar diferente, não mais alto, mas diferente. Com estas experiências consigo redefinir muito melhor a minha carreira.
Posso dizer que gostava, num futuro, de treinar a Liga Portuguesa. O maior orgulho que tenho é representar o meu país e a minha seleção, e poder fazê-lo perto da minha família, que sempre me apoiou, é a coisa que mais quero. Infelizmente, estando longe, nem sempre conseguem estar presentes, apesar de virem muitas vezes.
Mas redefini os meus objetivos a curto e médio prazo. Neste momento sinto que posso estar a desenhar algo diferente no estrangeiro. Para já é essa a resposta; daqui a dois, três anos, um ano ou um mês, logo se vê.
Cresceste e formaste-te na Ovarense. Quando percebeste que tinhas mais futuro agarrado à prancheta do que à bola?
As minhas respostas são sempre um bocado políticas. Posso contar a versão mais caricata e a versão mais verdadeira.
A caricata: a minha mãe trabalhava na secretaria da Ovarense, era administrativa, e eu, em vez de ir para o infantário, preferia ir para o pavilhão com ela, no Raimundo Rodrigues. Nos anos 2000 eu tinha 3 ou 4 anos e o treinador da Ovarense era o professor Jorge Araújo. Ele estava sempre no pavilhão e, quando passava pela secretaria e me via, dizia: “O que estás aqui a fazer? Anda comigo.” Levava-me para o gabinete, punha as cassetes dos jogos para fazer scouting e ficávamos os dois a ver. Eu tinha quatro anos, não percebia nada de basquete, mas via os vídeos com ele a explicar: “Olha aqui, eles fazem isto, fazem aquilo.” A minha mãe diz que ele já sabia que eu ia ser treinador — é a versão dela, e eu gosto de contar.
A mais verdadeira: não fui abençoado com as melhores capacidades físicas e atléticas, mas sempre tive uma paixão enorme pelo jogo e queria ser profissional de basquetebol. Aos 12, 13 anos, comecei a treinar jogadores mais pequenos e gostava de ensinar. Quando percebi que como jogador seria complicado, mudei a mentalidade para ser o melhor treinador possível e chegar ao nível profissional. Com sorte, até agora tem corrido bem.
Passaste também como adjunto na Ovarense, com o Nuno Manarte e o Pedro Nuno. Que aprendizagens retiraste desse período?
Cresci a ver essa malta toda a treinar e a jogar; eram ídolos para mim. Estar a assistir a um treino e ver o Nuno Manarte, o Jaime Silva, o André Pinto, o Pedro Nuno… e, uns anos depois, estar sentado na mesma mesa com eles e ouvir: “Então, o que achas que devíamos fazer aqui neste bloqueio direto?” Para mim é espetacular; não dou nada disso como garantido. Nas primeiras vezes sentia ansiedade, porque eram as pessoas que cresci a ver jogar.
A aprendizagem foi muita. Estávamos num período menos bom na Ovarense, com problemas financeiros, e sobretudo no tempo do Covid foi complicado. Fui adjunto de quatro treinadores diferentes em Portugal e apanhei um bocadinho de cada um. O Nuno Manarte, atual adjunto da Seleção Nacional, a nível de metodologia de trabalho, conhecimento do jogo e dedicação, é dos melhores. Começar como adjunto dele foi muito bom. Ele é daqueles que passa horas ao computador a ver jogos e a fazer scouting. Nos primeiros tempos eu sentava-me ao lado dele só a observar; pedia: “Posso estar aqui ao teu lado sem falar? Só quero ver”. Só nisso aprendi muito.
Quando chega o Pedro Nuno, a meio de uma época conturbada, tens uma abordagem diferente: alguém formado no mesmo sítio mas com experiências noutros clubes. Um estilo de liderança distinto, uma forma de levar os jogadores ao limite e de mudar a mentalidade da equipa a meio da época — algo difícil quando tens uma dinâmica negativa. Num ano tive o equivalente a quatro ou cinco anos de aprendizagem.
E a mesma coisa aconteceu no Vitória. Quando fui para lá estava a trabalhar com o Carlos Fechas e, a meio da época, entrou o Miguel Miranda. Ter dois anos com quatro treinadores que foram referências como jogadores e também como treinadores foi muito bom; decisivo no meu processo de construir a minha própria filosofia.
Já falámos da tua idade. Alguma vez sentiste que foi ou é um entrave? Como lidas com a perceção de seres um miúdo?
Acho que a idade não importa se o teu conhecimento do trabalho, a tua postura e a forma de te relacionares com os outros forem profissionais. Se fores profissional nessas coisas, a idade não interessa. Há maus profissionais com 70 anos e bons profissionais com 20 ou 25.
A idade já foi desculpa para não ter algumas coisas, sim, já foi — posso dizer claramente. Mas acredito que, se fores profissional em tudo o que fazes todos os dias, a idade acaba por ser menos relevante. Agora, passar pelas coisas a primeira vez e depois na segunda é diferente — isso que chamam experiência existe, e respeito muito isso. Mas, para fazer um bom trabalho, acho que não é um fator decisivo. Tenho tentado contrariar essa ideia durante a minha carreira; talvez daqui a 20 anos diga que faz diferença, mas agora luto contra isso. A idade não é um posto.
Treinaste certamente equipas em que muitos jogadores eram mais velhos do que tu e provavelmente olhavam de lado no início: “O que é que este miúdo me vai ensinar?” Sentiste alguma vez esses olhares no arranque das épocas?
Claro, todas as vezes. Sempre que entro num pavilhão, seja para dar um treino, um clinic ou uma palestra, para além de ser novo sou pequeno. A malta diz: “Ah, és tu? Pensava que eras o fisioterapeuta.” Só quando falas e mostras aquilo que construíste é que ganhas respeito.
No primeiro ano no Galomar tinha 25 anos e o meu capitão era o Edson Rosário, que tinha 42 anos — idade quase para ser meu pai. A primeira vez que me apertou a mão senti que pensava: “Mandam para aqui um puto…” Posso dizer que foi o primeiro, durante os treinos, a defender-me em qualquer momento de conflito, a fazer respeitar e cumprir o que eu queria. Porque a honestidade transcende a experiência. Se fores honesto e profissional, eles seguem-te. É a forma como passas a mensagem, não apenas o que queres passar; é como consegues passar. Isso é o mais importante.
Já falaste em trabalho, honestidade e transparência. São palavras que te descrevem como treinador? Que outras usarias?
Gosto da ideia de sonhador. É uma coisa muito Disney e eu estou aqui em França… Gosto de fazer alguém acreditar que consegue fazer algo em que não acreditava. Quando consegues, sentes-te muito bem.
Se aplicares isso ao teu trabalho — não és a equipa com melhor orçamento mas sonhas estar entre a elite; não és um treinador de referência porque és novo e vens de um país maioritariamente conhecido pelo futebol mas, de repente, estás dentro da elite — gosto dessa ideia.
E, sem dúvida, o trabalho: sonhar sem meter as horas necessárias e fazer os sacrifícios necessários, como ir para longe da tua família ou trabalhar 26 horas por dia nas 24 que tens, não chega. Diria que sou sonhador e trabalhador.
Passaste pelas seleções nacionais jovens. Que diferenças notas entre os jovens portugueses e os franceses no processo de formação?
São países em momentos completamente diferentes. A própria França está num patamar distinto do que há 15 anos. O Tony Parker, antes do Wembanyama, foi incrível, o Nicolas Batum também, e contribuíram para o momento de formação que o país vive.
Aqui, o dinheiro e o investimento fazem diferença. Existe muito a cultura de “cheguei até aqui, quero retribuir à minha comunidade; vou criar uma academia, um centro onde os jovens da minha terra possam melhorar”. Isso em Portugal ainda não acontece tanto. Quanto mais pessoas tiveres a treinar ao mesmo nível, mais jogadores vão sair desse trabalho.
Fisicamente, um atleta francês de 15 anos é diferente. Dou um exemplo: o Miguel Sousa, que acabou agora o Europeu de Sub-16 e joga no Valencia, é um talento incrível e vai dar que falar. Mas o perfil físico do Miguel, aqui em França, num treino do sub-18 do Évreux, é apenas “mais um”. Em Portugal ele é a grande esperança; aqui seria só mais um. Isso vem dos centros de formação, da quantidade de estruturas, de olhos e treinadores a observar. A matéria-prima está muito mais acessível.
E trabalhar nas seleções nacionais é algo que gostas e queres continuar a fazer?
Adoro. Fiquei triste por não poder estar este verão. É algo que quero fazer sempre que houver oportunidade. Representar o país é um privilégio que poucos têm. Estás a fazer o que gostas, a tua profissão, a representar Portugal e a tentar que seja melhor no basquetebol. É uma combinação difícil de recusar, a não ser por razões que ultrapassem esse sentimento. Estás a cantar o hino antes de um jogo para representar a seleção — é indescritível. Quanto mais vezes puder, vou fazê-lo.
Há vários treinadores jovens a cimentar posição na Europa e até na NBA. Quem são as tuas grandes referências neste momento?
Adoro ouvir todos os treinadores e todos os estilos. Gosto de Pablo Laso, Ergin Ataman, Trinchieri pela personalidade. Mas sei que nunca serei igual a eles; não pelo nível que atingiram, mas pelo perfil.
Entre as minhas maiores referências está o Philippe da Silva. Não só como treinador, mas também pela filosofia de jogo: ritmo rápido, posses curtas, pressão em todo o campo, muito orientado para o bloqueio direto e sempre focado na tua equipa mais do que na adversária. É também a minha filosofia.
Outra referência é o Tuomas Iisalo. Quando saí do Galomar tive tempo para ver mais basquete e já acompanhava o trabalho dele no Bonn. Quando ele chega a França, e ao visitar o Philippe, vi que iam jogar contra o Paris Basket e tive acesso ao scouting. Investi muito a estudar e decidi enviar-lhe uma mensagem no LinkedIn. Fiz-lhe uma pergunta sobre o ataque orientado ao TJ Shorts, se tinha alternativa quando ele não estava. Pensei que não ia responder. Mas ele respondeu com um vídeo dos White Stripes, em que o vocalista explicava que, quando queria fazer uma música, fechava-se com uma palheta, uma caneta e uma folha e só saía quando encontrava a solução. E acrescentou: “Mais do que procurar uma alternativa, procuras sempre a cura para o teu vírus e vais moldando a tua filosofia.” Para mim, um treinador que estava a lutar pela EuroCup perder tempo a responder a alguém de Portugal mostra o tipo de pessoa que é. Identifico-me muito com ele.
Na NBA, destaco o Brad Stevens. Pela postura e pelo que fez, foi revolucionário, porque na altura não havia treinadores jovens. Para mim, foi uma referência. E gosto muito de treinadores como o Taylor Jenkins nos Memphis Grizzlies. Mas as minhas referências principais são estas.
Disseste há pouco que hoje em dia tens mais facilidade em desenhar o que pretendes da tua carreira a curto e médio prazo. Quais são esses objetivos?
Não tenho problemas em dizer os meus objetivos. Quando era mais novo, dizia que queria chegar à equipa sénior da Ovarense; quando cheguei à equipa sénior, disse que queria ser treinador principal; quando fui treinador principal, disse que queria ser treinador da Liga; quando fui treinador da Liga, mesmo antes de sair do Galomar, disse que queria ir para o estrangeiro.
A curto prazo posso dizer que quero treinar uma equipa que esteja em competições europeias, quero conhecer o dia-a-dia de uma equipa que joga provas europeias. Gostava de o fazer como treinador principal. Se surgir a oportunidade, vou fazê-lo; se tiver de caminhar para chegar lá de forma mais sustentada, farei isso.
A longo prazo, o objetivo é o mesmo da maior parte dos miúdos que começam a jogar basquete: quando era criança via a NBA, e o meu sonho é um dia poder chegar à NBA. Não como jogador — não tenho altura nem qualidade para isso — mas se um dia puder treinar uma equipa da NBA, seria o topo, o último patamar.
Curso de Treinadores de Grau 2 termina hoje com destaque para a crescente presença feminina no basquetebol
Chega hoje ao fim, esta quinta-feira, o Curso de Treinadores de Grau 2 iniciado a 23 de julho, uma formação que reafirma o compromisso com a qualificação técnica no basquetebol nacional e marca uma tendência clara de mudança: a crescente participação feminina.
Nesta edição, o curso contou com dois polos em regime de internato, reunindo um total de 45 formandos. Em Viseu estiveram presentes 23 participantes e Setúbal contou com 22 pessoas inscritas. Os formandos ficam agora aptos a orientar equipas Sub16, Sub18 e seniores das CN1 e CN2.

Para João Cardoso, Diretor da Escola Nacional de Basquetebol, “É de sublinhar o importante apoio da FPB, através da medida Impulso Feminino, que tem incentivado de forma clara a participação de mais treinadoras nos cursos de Grau II e Grau III, proporcionando condições especiais de acesso que têm feito a diferença”.
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Curso de Treinadores de Grau 2 arranca em Setúbal com forte adesão feminina
Esta quarta-feira, 23 de julho, arrancou em Setúbal um novo Curso de Treinadores de Grau 2, com um total de treze mulheres e nove homens inscritos. Esta é uma distribuição que reflete o crescimento expressivo da participação feminina no setor técnico da modalidade.
Este curso conta com formandos oriundos de diferentes zonas do país, incluindo o Porto, Lisboa e Portimão, o que demonstra o alcance nacional da formação e o compromisso destes futuros treinadores com o desenvolvimento do basquetebol.
O Curso de Grau 2 é considerado um dos mais completo no âmbito da formação de treinadores, abordando temas como fundamentos ofensivos e defensivos, metodologia do treino, ética no desporto, e estratégias coletivas e individuais. Após a conclusão, os formandos ficam habilitados a orientar equipas Sub16, Sub18 e seniores das CN1 e CN2.
Esta edição reforça o que já se sente em campo: uma maior presença do impulso feminino no basquetebol português com mais mulheres a assumir papéis de liderança e responsabilidade técnica.
Organizado pela Federação Portuguesa de Basquetebol, em colaboração com a Associação de Basquetebol de Setúbal, este curso é mais do que um passo na formação sendo um sinal claro de evolução e mudança no basquetebol nacional.
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Curso de Treinadores Grau III da ENB/FPB em Aveiro
Chega ao fim a primeira semana de trabalhos do Curso de Treinadores de Grau III, promovido pela Escola Nacional de Basquetebol (ENB) em colaboração com a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), que está a decorrer em Aveiro.
Ao longo destes dias, os formandos viveram uma semana marcada por um ritmo intenso e pela presença de diversos formadores que, nas mais variadas áreas, contribuíram com conhecimento técnico e pedagógico essencial para a formação dos futuros treinadores de Grau III.
Os participantes demonstraram um elevado compromisso, mantendo-se concentrados e dedicados, mesmo perante o cansaço natural de uma agenda exigente.
O curso entra agora numa breve pausa para permitir a participação no Clínic da ANTB. A retoma dos trabalhos está marcada para hoje, segunda-feira, dia 14 de julho, com os formandos a prepararem-se para a fase final do curso, que culminará com a avaliação final agendada para o dia 17 de julho.
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Liliana Dias no podcast SerMinibasquete: “Mudou o paradigma daquilo que é a Festa de Paços de Ferreira”
É hoje que regressa a Paços de Ferreira a Festa Nacional do Minibasquete, que chega à sua 13.ª edição. Por isso, só faz sentido destacar no podcast SerMinibasquete a conversa com a treinadora Liliana Dias (à direita na foto de capa), diretora e treinadora na Associação Juvenil do Clube Operário Desportivo, e também coordenadora do Minibasquete na Associação de Basquetebol de São Miguel, Açores.
Num episódio que foca nas diferenças de realidade existentes entre Portugal continental e ilhas, falou-se ainda da Festa Nacional do Minibasquete em Paços de Ferreira, o culminar da competição Sub12.
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Confere aqui a entrevista completa com Luís Abreu:
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FOTO DE CAPA | DR
II Clinic Internacional Cruz Quebradense promete formação de excelência para treinadores
Está a chegar a segunda edição do Clinic Internacional Cruz Quebradense, que contará com a presença de treinadores nacionais e internacionais, nos dias 5 e 6 de julho, sendo uma oportunidade única para a partilha de conhecimentos, troca de experiências e desenvolvimento técnico-pedagógico dos participantes.
Josep Raventos (CB Prat, LEB Ouro) e Juan Gatti (adjunto no La Laguna Tenerife, Liga Endesa) são os preletores espanhóis convidados, participando ainda Nuno Manarte (adjunto da Seleção Nacional) e Hugo Salgado (Kriol Stars, Cabo Verde).
A Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense (SIMECQ), que organiza o evento, sublinha o seu compromisso em promover formação de qualidade, consolidando este Clinic como um espaço de excelência para todos os profissionais que desejam crescer no mundo do basquetebol, sendo uma sessão creditada pelo IPDJ (2 créditos) – e com vagas limitadas.
Mais informações sobre o programa e inscrições serão divulgadas nos canais oficiais da SIMECQ.

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Jorge Fernandes homenageado com o Prémio Carreira 2025
Nem todos os troféus e prémios do professor Jorge Fernandes ganham o lugar de destaque na casa do antigo diretor da Escola Nacional de Basquetebol (ENB). Tem de partilhar o espaço com o espólio da esposa, com quem faz “a seleção”, confessa. Mas “este vai ficar”, diz-nos, entre risos.
Com 16 anos de ligação ao departamento de formação de treinadores e juízes da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), só fazia sentido que esta homenagem decorresse em Cantanhede, em pleno Clinic Internacional de Formação, ponto alto para o qual Jorge Fernandes tanto contribuiu, nas pegadas da grande referência que foi Eliseu Beja. Este domingo (22 de junho), ergueu o Prémio Carreira, perante um plateia de quase 500 treinadores, entre eles “pessoas que estiveram intimamente ligadas” ao antecessor de João Cardoso, que crê também ter sido este “o momento ideal” e “uma merecida e justa homenagem”.
“Sinto-me muito honrado e gratificado pela homenagem da FPB”, confessou Jorge Fernandes, sentado entre alguns amigos – e referências – que leva do Basquetebol.
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O professor Mário Gomes, Selecionador Nacional, é um deles: “É muito difícil falar de um grande amigo, porque todas as outras qualidades do Jorge [Fernandes] já foram referidas por quem falou antes, mas esta é a mais importante de todas. E isso foi fundamental para o êxito da missão dele e para o êxito da formação de treinadores. Tudo isto só é possível porque o Jorge, para além de um excelente profissional, é um ser humano excecional”.
Este legado é preservado também por Olímpio Coelho, que, entre votos de “absoluta justiça”, salienta “o papel que ele teve na reativação da Associação Nacional de Treinadores de Basquetebol (ANTB), com o Alberto Babo e o ‘saudoso’ Henrique Vieira, depois de 10 anos de inatividade total”; de Jorge Adelino Soares, que fala com orgulho “de uma tradição do Basquetebol de há muitos anos, que o Jorge agarrou” – e lá “colocou o seu entusiasmo, a sua competência, as suas ideias, e fez um percurso bonito que mereceu esta homenagem”; e de Dimas Pinto:
“O Jorge herdou uma organização de referência e com a sua paixão e a sua competência conseguiu mantê-la como referência nacional que, deu e continua a dar um contributo fundamental no desenvolvimento e que se tornou uma boa prática que hoje é procurada também pelas outras modalidades. O Jorge, com uma liderança assertiva e criando uma leque de treinadores muito grande e com a tal paixão de que falámos, fez um trabalho incrível e esta é uma homenagem muito justa”.
Afinal, Jorge Fernandes, diz-nos, apesar de, “ao início”, não saber bem “ao que vinha”, teve uma coisa “sempre presente”: “Gerir sabendo que estava como ‘headcoach’ e a trabalhar para os meus jogadores, sendo que os jogadores são os formandos. Sempre acreditei que trabalhar em coletivo é muito importante e portanto foi esse o meu caminho”.

A merecida homenagem sucede ao Prémio Carreira 2024, Olímpio Coelho (à esquerda)
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Cantanhede 2025: “esta levo na mochila como recordação”
Decorria a última sessão do Clinic Internacional de Formação de Cantanhede 2025 quando a FPB e Madelén Urieta trocaram algumas palavras. À porta do Pavilhão “Os Marialvas”, a formadora espanhola ainda não estava de malas e bagagens pronta para regressar a Espanha, mas já “carregava” algo consigo: “Esta [experiência] levo na mochila de recordação. É difícil encontrar tantos treinadores [quase 500] num Clinic, o trabalho que têm feito é maravilhoso, a iniciativa é muito bonita e estar a partilhar os meus dias com tantos treinadores tem sido muito especial”.
Ainda hoje (22 de junho) Madelén parte para Vitoria-Gasteiz, no País Basco, onde lidera o Araski AES, na Liga Femenina Endesa. E, embora não seja ano de Mundial Sub17 Feminino, quiçá se prepare para se juntar à Seleção Espanhola do escalão, onde é a treinadora principal.
A conversa não chegou a esse ponto, contudo. Entretanto terminava o módulo do preletor Gonzalo Rodríguez (ex-Monbus Obradeiro, Primera FEB) e o aplauso geral marcava o final da sessão – e da 22.ª segunda edição do Clinic de Cantanhede.
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Foi um fim de semana em grande, com cerca de 10 horas de formação para quase 500 treinadores, “e isso diz muito sobre o interesse do treinador português em continuar a melhorar na modalidade”, acredita o último prelator do segundo dia.
Madelén concorda: “Um treinador nunca pode parar de se formar. Ter tantos treinadores com vontade de crescer, de aprender, de escutar… é fundamental para crescer e acredito que neste aspeto Portugal está a trabalhar muito bem”.
Com o término da sessão, os treinadores estagiários de Grau I levantaram-se, de um lado; do outro, os estagiários de Grau II, para a “fotografia de família”.

UMA PASSAGEM DE TESTEMUNHO
Cada vez mais Cantanhede é sinónimo de ponto de encontro para treinadores de todo o país, há 22 edições, para ser mais exato – mas continuamente a crescer enquanto ponto alto da Escola Nacional de Basquetebol (ENB), departamento da Federação Portuguesa de Basquetebol que dinamiza este momento de formação desde o ano 2000.
E, na linha daquilo que tem sido os anos anteriores, “correu tudo dentro da normalidade, é um balanço muito positivo”, acredita João Cardoso, Diretor da ENB. “Teremos agora uma oportunidade, com mais calma, de fazer uma análise mais profunda daquilo que foi o Clinic”, frisa. Já o vice-presidente da FPB, Miguel Pereira, tem elogios mais rasgados para a organização.
“Os formadores de altíssima qualidade, não só o Gonzalo, como a Madelén; os formadores portugueses também muito bem a transmitir as suas experiências, tanto o Sérgio [Silva] a falar sobre o lançamento e as suas experiências em formações no estrangeiro, muito enriquecedoras. O André [Cardoso] quase a fazer uma sessão de treino baseada com a sua experiência na Seleção Nacional de Sub16 Masculinos; a Paula Seabra a mostrar bem a sua experiência com os conhecimentos adquiridos para trabalhar no Minibasquete, ultimamente na formação de treinadores (…); a Beatriz [Mesquita] e os testes físicos recomendados para o Sub16 e os Sub14”.
Além disso, fez questão de realçar, “não se notou a mudança do responsável da ENB e da equipa, porque o trabalho foi bem feito e de facto houve também uma boa passagem de testemunho do anterior responsável para o novo”.
Ambos os responsáveis que menciona o vice-presidente estiveram presentes nesta edição do Clinic Internacional de Cantanhede. De um lado, o professor João Cardoso; do outro, o professor Jorge Fernandes. E foi com enorme satisfação que o primeiro entregou ao segundo o Prémio Carreira. “Uma homenagem merecida e justíssima por tudo aquilo que ele representa para o Basquetebol português”, no local ideal para tal. “Um momento de agregação, de convívio, de juntar treinadores, isso é muito importante”, confessa por seu lado o recém-galardoado.
“Passar da bancada para o campo é um orgulho para qualquer um dos treinadores que vem cá”.
As palavras são de André Cardoso, Selecionador Nacional de Sub16 Masculinos, que inaugurou a manhã do segundo dia trazendo, “dentro do que são as orientações nacionais”, uma sessão de treino com os seus atletas, que em julho participarão no Campeonato da Europa da categoria e que estiveram todo o fim de semana em colaboração com a ENB.
“Para quem já veio a este clinic há muitos anos e começa muito novo ali em cima, estar perante quase 500 treinadores é um orgulho tremendo, um marco, diria, até, para quem gosta disto, para quem gosta de ser treinador. É uma experiência que nos o obriga a melhorar, que nos tira da zona de conforto, que nos obriga a prepararmo-nos, sem dúvida”.
Por seu lado, Sérgio Silva, que no dia anterior tinha orientado a sessão sobre a técnica de lançamento, acredita que nunca faltou a uma edição do Clinic de Cantanhede. Ele próprio confessa que aprende muito observando o trabalho dos outros treinadores, “que passa muitas horas na bancada. E foi um privilégio poder estar aqui”.
Além dos “rapazes” Sub16, “muito concentrados”, o Clinic teve a colaboração da Seleção Sub12 Feminina da AB Coimbra, que se prepara para a XIII Festa Nacional do Minibasquete, e que Luís Santarino (presidente da Associação de Basquetebol de Coimbra) acredita ser uma experiência muito importante para as atletas, que “reconhecem a confiança depositada nelas” para as demonstrações – nomeadamente a sessão sobre Minibasquete, com Paula Seabra, com um “treino (…) que permite que o treinador possa criar alguma autonomia” e que trouxe muito “caos organizado” ao Clinic.
Já Beatriz Mesquista, preparadora física das Seleções Sub14, demonstrou no segundo workshop do primeiro dia uma bateria de testes físicos para os Sub14 e Sub16: “uma forma deles aprenderem o que é que podem fazer durante o ano com as equipas deles, para se ver a evolução que os atletas vão tendo”.
Segundo workshop porque o primeiro, em simultâneo, coube a Madelén, cujo currículo a torna mais que capaz de palestrar sobre a importância da coordenação desportiva, papel que desempenha no clube (exclusivamente feminino) que lidera.
E “agora é a parte mais importante, que é os treinadores levarem para os seus clubes, para os seus jogadores, as aprendizagens que aqui tiveram”, acrescentou Miguel Pereira, depois deste “afinar de agulhas anual muito importante”, nas palavras do vereador do Desporto do Município de Cantanhede, Adérito Machado, presente na cerimónia de entrega do Prémio Carreira, e de toda a equipa camarária, que muito ajudou à organização deste ponto alto.

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2024/2025: os campeões e os vencedores
Finda a época 24/25 para os clubes, atletas, treinadores e juízes portugueses. Tempo de balanços, de retrospetivas… e de olhar para o futuro, para o “verão de ouro” que espera Portugal. Vamos (literalmente) por partes:
MASCULINO
➤ Depois do primeiro lugar na fase regular da Liga Betclic Masculina, o SL Benfica chegou aos playoffs pronto para vencer – e assim o faz. 3-0 nos quartos e nas meias, frente a Vitória SC e Ovarense Gavex; do outro lado, o FC Porto fazia um percurso semelhante, mas frente a Imortal LUZiGÁS e Sporting CP. Com as duas equipas invictas na chegada às Finais, Norberto Alves voltou a provar porque é o segundo treinador português mais titulado nas “andanças” da Liga e comandou a sua equipa para a vitória – a sexta em sete anos.
Os encarnados venceram 3-1 e fizeram a festa no Dragão Arena, com Nico Carvacho a sagrar-se como MVP na sua primeira época de águia ao peito – e o tetracampeonato fica na Luz. Javian Davis foi o MVP da Fase Regular.
✯ MVP das Finais – Nico Carvacho (SL Benfica)
☆ MVP da Fase Regular – Javian Davis (Imortal LUZiGÁS)
⤷ Melhor Marcador – Gregory Parham II (Queluz O NOSSO PREGO)
⤷ Melhor Ressaltador – Michael Durr (AD Galomar)
⤷ Assistências – Miguel Monteiro (Esgueira Aveiro OLI)
⤷ Roubos de Bola – Tanner Omlid (FC Porto)
⤷ Desarmes de Lançamento – Xeyrius Williams (FC Porto)
⤷ Melhor Defensor – Tanner Omlid (FC Porto)
⤷ Melhor Jogador Jovem – André Cruz (Sporting CP)
⤷ Melhor Treinador – Fernando Sá (FC Porto)
⤷ Prémio Fair Play Mike Plowden – Miguel Correia (Galitos BARREIRO)
⤷ Melhor Árbitro(a) – Sérgio Silva
➤ Com o Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos completamente lotado, a Taça foi azul e branca. O FC Porto conquistou a sua 16.ª Taça de Portugal, a segunda consecutiva, com uma exibição de luxo do internacional português Miguel Queiroz (20pts, 12res – 40val), na final, a valer a vitória sobre o Sporting CP, por 94-73, depois do Clássico esgotado que encheu a “Casa das Seleções” nas meias (a UD Oliveirense completou o quarteto). Foi uma Final Four “quente”, em pleno março.
✯ MVP da Final – Miguel Queiroz (FC Porto)
➤ Mas jogar no Porto não é sinónimo de vitória azul e branca, como a UD Oliveirense provou na Taça Hugo dos Santos. Em Gondomar, no início de maio, os comandados de João Figueiredo fizeram uma Fase Final de excelência, vencendo consecutivamente Sporting CP, Ovarense GAVEX e, na final, o FC Porto, dando o primeiro título ao seu treinador. Três vitórias que deram também ao emblema de Oliveira de Azeméis o seu primeiro troféu em cinco anos – o último tinha sido precisamente a Taça Hugo dos Santos, mas em 2020, e só André Bessa permanece no plantel desde então.
✯ MVP da Final – Onno Steger (UD Oliveirense)
➤ A 39.ª edição da Supertaça Mário Saldanha, no início da temporada, foi uma reedição não só das Finais da Liga Betclic Masculina em 23/24, como em 24/25. À data, o FC Porto levou a melhor sobre os encarnados, e os dragões celebraram em Sines a sua oitava Supertaça. 93-97 foi o resultado final, após Miguel Queiroz ter levado o jogo para prolongamento no último segundo. O MVP foi Xeyrius Williams, na sua estreia oficial pelos azuis e brancos. O Clássico voltará a abrir oficialmente a época em 2025/2026.
✯ MVP da Final – Xeyrius Williams (FC Porto)
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➤ Épica “negra” na Proliga e o histórico SC Vasco da Gama regressa à principal divisão do Basquetebol português, 30 anos depois. A última presença do emblema portuense tinha sido em 94/95 (Série A2), precisamente depois de conquistarem a II Divisão. Desta feita, venceram, no Parque das Camélias, o CB Queluz, no Jogo 3 das Finais, com um ambiente completamente avassalador. Por seu lado, o SC Braga, que caiu nas meias-finais, foi a equipa mais consistente ao longo da fase regular (22-6) e meritosamente estrear-se-á na Liga Betclic Masculina em 2025/2026. Descem FC Barreirense e Clube dos Galitos.
✯ MVP das Finais – Akoi Yuot (SC Vasco da Gama)
➤ Depois da subida em 2023/2024, o Ginásio Serviplaco repete o feito e ergue-se no trono do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão Masculina, batendo, em casa e num ambiente contagiante, a Académica Efapel, numa luta até ao fim (61-64) pela subida à Proliga. Por seu lado, FC Gaia, Angrabasket, Fayal e a equipa Sub23 do Clube Atlético de Queluz descem ao Campeonato Nacional da 2.ª Divisão Masculina.
➤ Campeonato Nacional da 2.ª Divisão Masculina este que termina com uma vitória verde e branca no Parque das Camélias. A equipa Sub23 do Sporting CP perdeu o encontro contra a turma do Porto (80-65), mas a margem da primeira mão (99-46) foi confortável para gerir o resultado e erguer a taça no final. Sobem os jovens leões e sobem também Vasco da Gama Sub23, Seixal e Juvemaia.
➤ Na Taça Nacional de Seniores Masculinos, o Belenenses Sub23 sagrou-se vencedor, após vencer fora de casa o CAA Salesianos Pad. Ribeiro, por 56-59, na segunda mão de uma final marcada pelo equilíbrio e intensidade, após um empate a 71 pontos na primeira.
FEMININO
➤ Na Liga Betclic Feminina, SL Benfica e Esgueira Aveiro (que ficou em primeiro na Fase Regular) encontraram-se no duelo final, depois de ultrapassarem respetivamente Imortal TCARS, CRC Quinta dos Lombos, Basquete Barcelos HMMotor e Sportiva Azoris Hotels. As “Bikudas” alcançaram uma final histórica para o emblema de Aveiro, a primeira do clube, mas, na reta final, as encarnadas foram mais fortes e sagraram-se bicampeãs nacionais, com Raphaella Monteiro a terminar a época levantando mais um troféu de MVP (já o tinha sido na Taça Vítor Hugo, logo a abrir a temporada).
De frisar o ambiente ensurdecer dos dois jogos das Finais, quer no Caldeirão Verde do Esgueira, quer no Pavilhão Fidelidade, onde foi preciso prolongamento para se consagrar a festa vermelha e branca com a embaixadora Ticha Penicheiro presente no sofá Betclic. Foi a quarta Liga Betclic Feminina para o coletivo de Eugénio Rodrigues. Rebecca Taylor foi a MVP da Fase Regular.
✯ MVP das Finais – Raphaella Monteiro (SL Benfica)
☆ MVP da Fase Regular – Rebecca Taylor (Basquete Barcelos HMMOTOR)
⤷ Melhor Marcadora – Rebecca Taylor (Basquete Barcelos HMMOTOR)
⤷ Melhor Ressaltadora – Rebecca Taylor (Basquete Barcelos HMMOTOR)
⤷ Assistências – Carolina Anacleto (AD Sanjoanense)
⤷ Roubos de Bola – Gabriela Raimundo (Esgueira Aveiro)
⤷ Desarmes de Lançamento – Dayna Rouse (GDESAA Barreiro)
⤷ Melhor Defensora – Gabriela Raimundo (Esgueira Aveiro)
⤷ Melhor Jogador Jovem – Isabela Quevedo (Benfica)
⤷ Melhor Treinador – André Janicas (Esgueira Aveiro)
⤷ Prémio Fair Play Mike Plowden – José Leite (CRC Quinta dos Lombos)
⤷ Melhor Árbitro(a) – Inês Freire
➤ Em conjunto com a Final Four Masculina, a LXII Taça de Portugal Feminina Skoiy jogou-se em Matosinhos, para o segundo vencedor da temporada no Feminino. O CRC Quinta dos Lombos bate na final o SL Benfica por 65-75, com Maddi Utti e os seus 23 pontos a MVP. Nas meias, as encarnadas precisarem de prolongamento para ultrapassar o GDESSA Barreiro e o CDEFF Hosp. Part. da Madeira meritosamente representou a 1.ª Divisão Feminina na prova.
✯ MVP da Final – Maddi Utti (CRC Quinta dos Lombos)
➤ O Esgueira Aveiro levou para a XV Taça Federação (que chegou ao seu oitavo vencedor em 15 edições) a mesma energia com que fechara a primeira volta da Liga Betclic Feminina. As “Bikudas” de André Janicas venceram na final as águias de Eugénio Rodrigues, por 87-75, carimbando o primeiro troféu do ano civil – o primeiro para o emblema – e a viagem de Queluz a Aveiro foi com certeza de festa – e talvez de prenúncio para onde viria a chegar até ao final da temporada.
✯ MVP da Final – Bárbara Souza (Esgueira Aveiro)
➤ Já a XXXVIII Supertaça Feminina, no início da temporada, opôs os emblemas do SL Benfica e do GDESSA Barreiro (finalista vencido da Taça de Portugal Skoiy 2023/2024). Em Sines, as águias (re)entraram de pé direito na temporada, Raphaella Monteiro recebeu o seu primeiro MVP da época e as encarnadas ergueram a terceira Supertaça no seu historial – 61-54 no final dos 40 minutos.
✯ MVP da Final – Raphaella Monteiro (SL Benfica)
➤ (Re)entraram, como escrito na parágrafo anterior, porque na XVI Taça Vítor Hugo, competição de pré-temporada, foi igualmente o SL Benfica a levantar a Taça – a quarta do palmarés encarnado. Resultado final de 86-56 e o primeiro MVP da temporada para Raphaella Monteiro, com 13 pontos e 25.5 de valorização.
✯ MVP da Final – Raphaella Monteiro (SL Benfica)
➤No Campeonato Nacional da 1.ª Divisão Feminina, o Sporting CP vence os dois primeiros jogos sobre o SC Coimbrões (que também alcança a promoção) nas Finais dos playoffs e termina a época como campeão da prova, depois de, com o primeiro lugar da fase regular, ter garantido a subida à Liga Betclic Feminina, apenas um ano após venceram a 2.ª Divisão em 2023/2024. Uma ascensão meteórica com uma equipa “escolhida a dedo”, revelou ao Magazine das Ligas Betclic o técnico João Pedro Vieira. Por seu lado, descem Académico FC, CPN Sub22 (devido à descida do CPN da Liga Betclic Feminina), Ginásio Olhanense e Carnide.
✯ MVP das Finais – Hanna Pratt (Sporting CP)
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➤ No Campeonato Nacional da 2.ª Divisão Feminina, a taça é azul e laranja: o GDG / Reis & Ana venceu primeiro fora, em Lisboa, por três pontos, e depois em casa, na Gafanha, por uma curta margem, a necessária, face à equipa Sub22 do Sporting CP. O público, uma vez mais, foi fundamental para a vitória do emblema anfitrião, que vence pela primeira vez a competição. As duas equipas sobem à divisão acima (o coletivo Sub22 do Sporting CP a beneficiar da subida da equipa principal) e sobem ainda CD José Régio e Olivais FC.
➤ Na Taça Nacional de Seniores Femininos, vitória do GD Bolacesto. Apesar do empate (58-58) na segunda mão, o coletivo do distrito do Porto sagrou-se vencedor da prova, já que tinham vencido confortavelmente a primeira mão, em casa, no Municipal das Pedras – Nélson Cardoso, por 77-54, frente ao coletivo do NDA Pombal.
FORMAÇÃO
➤ Na Festa Nacional do Basquetebol Juvenil, epítome da formação nacional, com os melhores atletas de cada distrito a competirem entre si, destaque para as quatro Associações que alavancaram os primeiros lugares dos respetivos pódios: AB Aveiro é campeã de Sub14 Masculinos, 13 anos depois da última conquista no escalão; a AB Lisboa revalida o título de Sub14 Femininos e dos Sub16 Masculinos e a AB Porto sagra-se tricampeã em Sub16 Femininos;
➤ A nível de competição de clubes, os campeões nacionais de Sub18 singraram-se em Matosinhos: de um lado, o CRC Quinta dos Lombos, na prova feminina; no setor masculino, o Imortal Pneu Rápido fez a festa do Norte até ao Algarve.
✯ Cinco Ideal Masculino – MVP Rodrigo Caires (Sporting CP), Lucas Barreira, Mwayi Cuinica (Imortal Pneu Rápido), Simão Cordeniz (SC Beira-Mar), António Sousa (CD Gumirães);
✯ Cinco Ideal Feminino – MVP Francisca Teixeira, Rita Rodrigues (CPN), Maria Amaro (Sporting CP), Maria Marcelino (CLIP Teams), Maria Silva (CRC Quinta dos Lombos);
➤ As Taças Nacionais do escalão foram erguidas pelo Maia BC e Seixal Clube 1925, no Feminino e Masculino, respetivamente, na Figueira da Foz e no Montijo.
✯ Cinco Ideal Masculino – MVP Rafael Peiriço, Guilherme Palma, Afonso Fernandes, Lorin Spinu (Seixal Clube 1925), Santiago Silva (FC Porto);
✯ Cinco Ideal Feminino – MVP Leonor Paiva, Ana Sobral (Maia BC), Martina Minguez, Inês Fernandes (Estoril BC), Sara Correia (Santarém BC);
➤ Em Sub16, Águeda (Feminino) e Monção (Masculino) viram sagrar-se campeãs as equipas do Sporting CP e do FC Porto, respetivamente, este último a revalidar a conquista da época transata. Beatriz Garcia (Sporting CP) e Rui Semedo (Portimonense SC) foram os MVP de cada uma das provas.
✯ Cinco Ideal Masculino – MVP Rui Semedo (Portimonense SC), Francisco Faria (FC Porto), Pedro Sousa (SC Vasco da Gama), Diogo Moreira e Gonçalo Neves (Paço de Arcos Clube);
✯ Cinco Ideal Feminino – MVP Beatriz Garcia, Matilde Lopes (Sporting CP), Mariana Soares (CP Esgueira), Rita Nunes e Lara Gomes (Club 5basket);
➤ Nas Taças Nacionais do escalão, CAB Madeira e BC Vila Real foram os grandes vencedores. Estremoz (Masculino) e Tortosendo (Feminino) receberam as Final 4, e Gonçalo Pereira e Catarina Marques saíram como MVP.
✯ Cinco Ideal Masculino – Gonçalo Pereira (Galitos Pizzarte), Gonçalo Fajardo (Ginásio CO), Vicente Pinto, Manuel Carolino e Francisco Bento (CAB Madeira);
✯ Cinco Ideal Feminino – MVP Catarina Marques (CDE F. Franco), Sofia Nunes, Maria Teixeira, Matilde Costa (BC Vila Real), Zora Caetano (AJCOD);
➤ Viramos as atenções para os Sub14. Tubarões Severa LunaRossa, da Quarteira, fizeram história em Bragança, ao sagrarem-se campeões nacionais do escalão masculino logo na primeira participação numa Fase Final, batendo o Sporting CP no derradeiro duelo. No feminino, foi a Chamusca BC que fez a festa, na Tapadinha (Lisboa), depois de vencer o GD Bolacesto.
✯ Cinco Ideal Masculino – Joel Gouveia, Robert Sleahtitchi (Tubarões Severa LunaRossa), Afonso Maria (Maia BC / WIN MAXFINANCE), Pedro Carrilho (FC Porto) e José Fernandes (Sporting CP);
✯ Cinco Ideal Feminino – Matilde Martinho, Matilde Coelho (Chamusca BC), Carolina Almeida (CPN), Mafalda Barbosa (GD Bolacesto) e Matilde Nascimento (CRC Quinta dos Lombos);
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➤ Já as Taças Nacionais caem para a Guarda UP (uma vez mais, feito histórico para um clube que nunca tinha chegado à Fase Final no escalão) e para o Sporting Clube Figueirense.
✯ Cinco Ideal Masculino – Salvador Branquinho, Francisco Sosa, Tiago Gonçalves (Guarda UP), Iúri Rondanito, Guilherme Gonçalves (PAQ);
✯ Cinco Ideal Feminino – Aaliyah Ovono, Mafalda Mamede (Sporting Clube Figueirense), Maria Nunes (Portimonense SC), Inês Pereira (CDE Francisco Franco), Leonor Puim (União Sportiva);
MASTERS
➤ SC Coimbrões (Feminino) e Clube do Povo de Esgueira (Masculino) reclamam as vitórias nos respetivos campeonatos, as Ligas Master Dhika. A Supertaça Feminina (jogada em novembro) caiu igualmente para o Esgueira (40-35) face ao NDA Pombal.
➤ Nas Taças Master Dhika, o NDA Pombal tira a desforra da final da última edição, batendo o CP Esgueira no setor feminino. No masculino, vitória novamente do CP Esgueira, frente aos CAA Salesianos, por 71-50.
BASQUETEBOL EM CADEIRA DE RODAS
➤ Na Liga BCR, o GDD Alcoitão foi o grande campeão, 30 anos depois da última conquista – eles que estrearam a prova, em 1991, como vencedores, e que se sagaram logo tetracampeões. O coletivo de Fernando Lemos triunfou por 3-1 frente ao BCG/Hosp. Sta. Maria – Porto, com o último jogo em casa, na Secundária de Alvide, por 78-69.
✯ MVP da Final – Ângelo Pereira (GDD Alcoitão)
➤ Por seu lado, em Setembro, foi o finalista BC Gaia que ergueu o primeiro “caneco” da temporada: a XXX Supertaça. Perante a APD-Braga, que tinha feito a dobradinha no anterior, os “wildcats” saíram por cima, em Famalicão, por 65-68, e tornaram-se os primeiros vencedores da época perante o adversário que lhes roubara o título em 23/24.
✯ MVP da Final – Pedro Bártolo (BCG/Hosp. Sta. Maria – Porto)
➤ Adversário esse que se vingou em março, quando da Final Four da XXXI Taça de Portugal de BCR, em Pinhal Novo. Os gaienses não chegaram sequer à final, tendo perdido para a APD-Sintra – honrosa finalista perante o coletivo de Braga, que, já afastado dos playoffs, se elevou por 58-44 e revalidou o troféu – o décimo do género na sua vitrine.
✯ MVP da Final – Márcio Dias (APD-Braga)
PORTUGUESES ALÉM FRONTEIRAS
Os internacionais lusos pelo mundo fora também deixaram as respetivas marcas nas provas onde se inserem.
➤ Várias atletas das Linces chegaram ao final da época com diferentes títulos “no bolso”: a poste internacional portuguesa Lavínia da Silva fez a dobradinha, campeã no Reino Unido da WBBL Women e da WBBL Cup, ao serviço do Oaklands Wolves, tal como Márcia Costa, que se sagrou campeã da principal liga belga e da Lotto Basketball Cup com os Castors Braine; Carolina Rodrigues venceu a Taça da Suíça (SBL Cup 2025), com o Elfic Fribourg, equipa que reforçou a meio da temporada;
➤ Entre os Linces, destaque para a época de Travante Williams na Roménia: o shooting guard dos Linces foi finalista vencido das duas principais provas, a Liga e Taça da Roménia, depois do emblema que representa, o CSM Oradea, terminar a fase regular no primeiro posto da classificação; por outro lado, Diogo Brito foi eleito MVP da Temporada pelos adeptos do seu Ourense, depois de duas eleições para MVP da Ronda e do MVP de Abril da Primera FEB.
➤ No basquetebol universitário, muitos portugueses foram destaque esta época, com Stanley Borden a chegar mais longe que os demais, caíndo com os seus Duke na Final Four do March Madness (no Feminino, Fatumata Djaló e os seus Ole Miss ficaram-se pela Elite Eight), isto depois de terem conquistado o título de East Regional Champions. Rúben Prey, na sua época de estreia em terras de Uncle Sam, foi campeão da fase regular da Big East Conference ao serviço dos St. John’s Red Storm; Inês Bettencourt (Gonzaga Bulldogs, NCAA D1) e Anita Pereira (Northwest Florida State, NJCAA D1) também foram campeãs das respetivas conferências.
➤ Falando de prémios individuais, Inês Vieira, que também atingiu a marca de 500 assistências na sua carreira pelos Estados Unidos, integrou a lista de nomeadas para o 2025 Nancy Lieberman Award, prémio que reconhece a melhor base da Divisão I da NCAA, e foi nomeada também para a All-Tournament Team do torneio Cayman Island Classic, da NCAA; já Joana Magalhães, atleta lusa que atuou ao serviço dos New Mexico Lobos (NCAA D1), foi escolhida para integrar a All-Freshman Team da sua conferência; e Sara Barata Guerreiro, que representa a equipa de Cleveland St., foi escolhida para a All-Horizon League Third Team e também para a All-Defensive Team.
➤ No que ao 3×3 diz respeito, o ano foi positivo para os internacionais lusos que fazem desta modalidade profissão. Falamos de João Grosso e de Marko Loncovic, os primeiros portugueses a participar em etapas do circuito mundial – cuja temporada competitiva já se iniciou. Grosso é ainda o primeiro atleta nacional a surgir no ranking mundial do 3×3, com 54,193 pontos, segundo os dados atualizados a 19 de junho (já o era em janeiro, a par de Joana Soeiro, que continua a liderar no setor feminino – 21,743 pontos)
➤ Os treinadores lusos também singraram: Philippe da Silva chegou aos quartos de final da Basketball Champions League com o Nanterre 92, o primeiro treinador luso a alcançar este feito. Já Hugo Salgado não foi o primeiro português a chegar à fase de grupos – e fase a eliminar – da BAL, mas foi o primeiro a levar até à principal prova internacional africana uma equipa de Cabo Verde – os Kriol Star. A sua equipa – e os US Monestir (Tunísia) de Vasco Curado – caíram nos quartos de final da competição.
➤ De frisar ainda o devido e gradual reconhecimento aos nossos árbitros: Sérgio Silva chegou aos 100 jogos na Euroliga, Pedro Maia voltou a estar no momento das decisões no 3×3 mundial, Paulo Marques viu o seu trabalho reconhecido com duas chamadas para dois diferentes EuroBasket, inclusive liderando a equipa de arbitragem do Europeu feminino, e Julio Anaya esteve não só na Final da Basketball Champions League, como da Champions League Americas. No que aos nossos comissários diz respeito, destacar a presença de Bruno Casinha na semifinal da Europe Cup Masculina e de Rui Vieira nos quartos de final da Euroliga Feminina e na semifinal da EuroCup Women.
A nível interno, registou-se ainda uma histórica equipa de arbitragem, com Sónia Teixeira, Inês Freire e Ana Costa a formarem a primeira tripla de arbitragem exclusivamente feminina a apitar um jogo masculino sénior. Nota ainda para o término de carreira dos árbitros Luís Lopes e Jorge Marques, que apitaram esta época os seus últimos jogos.
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ESTE VERÃO
➤ Women’s EuroBasket 2025, de 19 a 29 de junho, Fase de Grupos em Brno, Chéquia;
➤ Clinic Internacional de Formação de Cantanhede 2025, de 20 a 22 de junho, em Cantanhede, com a atribuição do Prémio Carreira ao professor Jorge Fernandes;
➤ FIBA U19 Women’s World Cup, de 12 a 20 de julho, em Brno, na Chéquia;
➤ XIII Festa Nacional do Minibasquete, de 2 a 6 de julho, em Paços de Ferreira;
➤ Campeonato da Europa de Sub18 Femininos (Divisão A), de 5 13 de julho, em La Palma, Espanha;
➤ Campeonato da Europa de Sub20 Masculinos (Divisão B), de 11 a 20 de julho, em Yerevan, Arménia;
➤ IV Torneio Inter-Seleções Sub17 de 3×3, de 18 a 20 de julho, em Tomar;
➤ Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude – BCR –, de 25 a 27 de julho, em Istambul, Turquia;
➤ Campeonato da Europa de Sub18 Masculinos (Divisão B), de 25 de julho a 3 de agosto, em Pitesti, Roménia;
➤ Campeonato do Mundo de 3×3 de BCR, de 1 a 3 de agosto, em Sun City resort, África do Sul;
➤ Campeonato da Europa de Sub20 Femininos (Divisão A), de 2 a 10 de agosto, em Matosinhos
➤ Torneio Internacional de Braga, de 15 a 17 de agosto, no Fórum Braga;
➤ Campeonato da Europa de Sub16 Masculinos (Divisão B), de 7 a 16 de agosto, em Skopje, Macedónia do Norte;
➤ Campeonato da Europa de Sub16 Femininos (Divisão B), de 20 a 29 de agosto, em Istambul, Turquia;
➤ EuroBasket 2025 – de 27 de agosto a 14 de setembro, Fase de Grupos em Riga, Letónia;

Vlad Voytso, Cândido Sá e Francisco Amarante estão entre os 15 convocados de Mário Gomes para a preparação rumo a Riga
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Joseph Hernandez no podcast SerMinibasquete: “Criar hábitos leva tempo”
O primeiro convidado internacional do podcast SerMinibasquete, à data, foi Joseph Hernandez, e é ele que hoje destacamos. Nas palavras do host Luís Abreu, “esteve muito tempo dedicado ao minibasquete, mas agora não tão ligado ao mesmo. Começou a sua caminhada em Espanha, passou por Portugal, Chile e Brasil, mas a paixão pelo Basquete e Minibasquete está sempre presente”.
Numa entrevista sobre a “ilusión”, sobre deixar a criança ser ela mesma, sobre a sua ideia de planeamento no Minibasquete e sobre a sua visão em relação à competição:
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Confere aqui a entrevista completa:
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FOTO DE CAPA | DR
Falta uma semana para encerrarem as inscrições do curso de Grau II na Covilhã
Falta sensivelmente uma semana para se darem por encerradas as inscrições para o curso de treinadores de Grau II, na Covilhã. O prazo foi proletado para dia 19 de junho, até quando os formandos se poderão inscrever.
Após confirmação da inscrição serão solicitados os seguintes documentos (a enviar para enb@fpb.pt, devidamente identificado):
➤ Título de treinador grau I – TPTD grau I Basquetebol, válido.
➤ Uma fotografia digital atualizada
➤ Comprovativo de pagamento da taxa de inscrição – NIB: 0036.0427.99101413420.24
A reunião inicial dar-se-à no dia 23 de junho, segunda-feira, pelas 21h15, na plataforma digital da Gnosies, uma das parceiras na realização deste curso, a par da Associação de Basquetebol de Castelo Branco.
Mais informações no comunicado anexo.
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Clinic de Cantanhede 2025: faltam sete dias
Faltam sete dias para iniciar o Clinic Internacional de Formação de Cantanhede 2025, que conta com um elenco de luxo e um programa de excelência, firmando-se uma vez mais como um dos mais importantes momentos de formação para os treinadores portugueses. Com inscrições abertas e limitadas a 500 participantes.
No Pavilhão “Os Marialvas”, entre os dias 21 e 22, serão palestrantes Sérgio Silva, Paula Seabra, André Cardoso, Gonzalo Rodriguez Palmeiro e Madelen Urieta Gutierrez. O professor Jorge Fernandes, ex-Diretor da Escola Nacional de Basquetebol, irá também ser homenageado, com o Prémio Carreira, pelos seus vários anos de serviço a esta casa.

Confere abaixo os custos de inscrição (limitada a 500 participantes) e inscreve-te já:
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Noticias da Federação (Custom)
“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”
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Legenda
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Miguel Maria
“Donec Aliquam sem eget tempus elementum.”

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