Artigos da Federaçãooo

“Em Linha” com Fernando Lemos

A ligação à vertente convencional do jogo é de longa data, na qual, ao serviço do CA Queluz, obteve múltiplos êxitos, mas em 2018 surgiu em cena novo desafio: treinar a equipa de BCR do GDD Alcoitão. Treinador experiente, Fernando Lemos aborda a etapa recente com orgulho e garante que esta representa um veículo de aprendizagem. 

Ano de iniciação como treinador: 1991 (2018 no BCR)
Clubes/seleções orientados: CA Queluz, AB Lisboa, GDD Alcoitão
Palmarés: 1 vez campeão nacional de Sub16; 1 Taça Nacional Sub14; 1 Festa do Minibasquete (Sub12); 3 vezes campeão distrital de Lisboa Sub14, 3 vezes Campeão Distrital de Lisboa Sub16; 1 vez campeão distrital de Lisboa de Sub18
Jogo da tua vida: Talvez o jogo em que me sagrei campeão nacional de Sub16, numa Final Four em que a partida decisiva foi com o FC Porto, e na qual ganhámos por 17 pontos. Todos tinham tido no equilíbrio a nota dominante e, contra todas as expectativas, a minha equipa esteve brilhante e conseguiu uma vitória folgada, num jogo praticamente perfeito.
Resumo do percurso no desporto: CA Queluz – 1991-presente – treinou todos os escalões de formação e a equipa sénior em 2 épocas. Em 2019/20 foi treinador dos Sub14 e coordenador técnico do clube; Selecionador Distrital de Lisboa Sub12 – 2016/17 (conquista das Festas do Minibasquete). GDD Alcoitão – 2018/2019 – presente – participação numa Final Four da Taça de Portugal.
Que mensagem dirigias a um treinador hesitante em treinar BCR?
Dizia para assistir a treinos, observar um jogo, de forma a poder aperceber-se da beleza do BCR e a entender o esforço desenvolvido por todos os agentes para que a modalidade se afirme de uma vez por todas na sociedade, não como algo “autónomo” ou “satélite”, mas como parte integrante do basquetebol. Depois, que não tivesse receio de trabalhar, pois o ambiente que se vive no seio do BCR é muito salutar. Por último, dizia que o desafio em encontrar respostas para a constante evolução destes atletas é altamente encorajador, para também nós técnicos continuarmos a aprender e evoluir.
Quais os treinadores que exercem maior fascínio sobre ti e porquê? 
O mais importante para mim, pelo facto de ter tido a honra e o prazer de com ele trabalhar diretamente, como adjunto, nos meus primeiros anos de treinador, foi San Payo Araújo, a quem muito devo pela aprendizagem que me proporcionou. Destaco a sua humildade, capacidade de trabalho e o enorme amor ao jogo! Quero também destacar todos os treinadores que vim encontrar no BCR, pelo seu trabalho, dedicação e enorme qualidade, que também me tem permitido evoluir nesta nova etapa que abracei.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por treinar BCR. 
Ainda não tenho muitos. Destaco as perguntas curiosas que algumas pessoas que tenho levado a assistir a jogos me têm colocado, como um caso de uma pessoa que quando viu um atleta meu, após ter caído da cadeira, levantar-se pelo próprio pé e sentar-se novamente, me disse que o meu jogador era batoteiro, porque afinal andava e não devia jogar numa cadeira de rodas! Claro que de seguida lhe tive de explicar as patologias e a elegibilidade de cada atleta, mas foi curioso!
Quais as competências que consideras essenciais para ser um treinador de sucesso?
Em primeiro lugar, gostar muito do que faz, pois só com paixão poderá alcançar o sucesso. Depois três qualidades que considero decisivas: humildade, sentido de justiça e perseverança.
Em linha, a defesa que todos os treinadores querem, mas poucos conseguem. Qual a receita para lá chegar?
Muito trabalho e esforço, aliado ao domínio perfeito das técnicas de cadeira e à boa condição física. A defesa em linha é uma grande arma, pois permite à equipa que a consegue interpretar corretamente, colocar em dificuldade o ataque contrário. Para finalizar, deixo uma frase muito conhecida: “O ataque ganha os jogos, a defesa ganha os campeonatos!”.

Com mais maturidade e prontas para a Liga Feminina

Ana Ramos e Carolina Bernardeco, duas bases que passaram os últimos anos nos EUA, estão de volta ao nosso país, e mostram vontade de singrar na Liga Feminina.

Após quatro anos na Universidade de San Diego, Ana Ramos tem um novo desafio pela frente, no União Sportiva. A jogadora de 21 anos explica o porquê da escolha: “Apesar de não ter os minutos desejados no EUA, nunca deixei de trabalhar. No Sportiva quero ganhar experiência e competir com jogadoras mais experientes. Escolhi este clube porque acho que tem as condições necessárias para atingir os meus objetivos”, afirma.
A MVP do Europeu de Sub16 femininos de 2015 mostra-se bem focada: “Estou mais madura. Tudo o resto, penso que se mantém. Passados quatro anos, obviamente que estou mais velha, e esta experiência em San Diego só me fez perceber ainda mais aquilo de que eu gosto e aquilo que quero fazer. E irei lutar/trabalhar para o fazer!”, vinca.
Mery Andrade, figura incontornável do basquetebol português, foi adjunta de Ana Ramos, algo fundamental: “A Mery Andrade foi a razão pela qual escolhi a Universidade de San Diego. Foi um alívio ter alguém que me pudesse ajudar no outro lado do oceano, sendo ela quem nós sabemos, uma ex-jogadora com bastante experiência. Ensinou-me muita coisa , mas o que mais me marcou foi a sua mentalidade e filosofia de trabalho, quase se pode comparar com a Mamba Mentality! Para sermos melhores temos que trabalhar, nada nos vai cair do céu”, finaliza.
Já Carolina Bernardeco esteve cinco anos em solo norte-americano e traz várias histórias para contar: “As melhores recordações que tenho foram o facto de poder treinar e jogar ao mais alto nível e de, ao mesmo tempo, poder tirar o meu curso. O que também vai ficar para sempre é o facto de ter que acordar às 4h30 da manhã para me ir preparar para o treino intenso que estava para vir todos os dias e o ter que sair desse mesmo e ter que ir treinar outra vez. Foram momentos marcantes e que nunca vou esquecer. Outra memória que fica para a vida foi ter jogado no pavilhão de Duke, conhecido como Coach K Court, completamente cheio, foi uma sensação incrível. E outra memória marcante foi o meu senior day, porque depois de ter passado por muitos altos e baixos, é o momento em que olho para trás e sinto que tudo valeu a pena”, conclui.
A antiga atleta da Universidade de Old Dominion, com 22 anos, assume o objetivo de disputar a Liga Feminina: “Sou uma jogadora com mais maturidade  e isso reflete-se nas decisões que tomo dentro do campo. O meu principal objetivo é poder jogar na nossa Liga”, não esconde.
Mas a passagem de Carolina Bernardeco pelos EUA também contou com uma experiência enquanto treinadora-adjunta da Universidade de Queens. A base fala do quão importante foi para si: “Estar numa equipa técnica foi uma experiência importante e que me deu uma perspetiva do jogo diferente. Estando do outro lado, foi possível perceber a importância da relação entre os jogadores e treinadores para que tudo dê certo. O meu trabalho no staff também passou pelo scouting e por definir uma estratégia para os jogos, e isso acrescentou-me conhecimento”, analisa.

“Man Out” a Rui Pedro

A iniciação tardia não representou obstáculo para evoluir e quem o conhece identifica-lhe como virtude o entusiasmo incessante em relação à modalidade, que se repercute em partilhas e envolvimento nos círculos do basquetebol em cadeira de rodas (BCR) internacional. Em escassos quatro anos de prática, Rui Pedro, extremo/poste do GDD Alcoitão, tem já muito para contar.  

Data de nascimento: 10/09/78
Ano de iniciação: 2016
Posição: extremo/poste
Clube:  GDD Alcoitão
Palmarés: Finalista vencido da Taça de Portugal – 2016/17
Jogo da tua vida (e porquê): APD Braga vs. GDD Alcoitão – Precisávamos de ganhar para ir ao playoff. Com muita garra e grande oposição de Braga, sempre guerreiros, conseguimos os últimos quatro pontos com uma pressão a campo inteiro, nos últimos cinco minutos.
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como “vendias” o basquetebol em cadeira de rodas?
O BCR é fácil de vender. Basta convidares para fazer um treino, ver um jogo ou mostrar a “tua” evolução desde que se iniciou a prática. Ainda tem o fator social, que nos abre portas a outros conhecimentos.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti? 
Pedro Bártolo, um jogador completo; Marco Gonçalves, pela capacidade atlética e espírito coletivo; Márcio Dias e Hugo Lourenço, pela liderança em campo, sem esquecer outras qualidades. Internacionalmente: feminino – Joy Haizelden; masculino – Terry Bywater.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR. 
À parte das muitas vezes que o [Hugo] Maia vai ao chão, e que todas as quedas são diferentes, refiro a primeira vez que vi um treino. Entro no campo, apresentam-me e pedem ao Mário [Silva] para ver uma cadeira adequada a mim. Na minha cabeça, só podiam jogar atletas com uma incapacidade visível, no entanto, o Mário pára, tira os cintos e levanta-se da cadeira! Começa a andar normalmente e a tratar da cadeira. E eu disse: “Mas ele também joga?” Mas acho que ninguém ouviu.
Qual é o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito? 
Na fase de aprendizagem em que me encontro, preciso de evoluir muito na movimentação, na defesa e no ataque. Perceber quando e como bloquear. Diria que os bloqueios são um dos meus movimentos preferidos, quando os consigo fazer.
Qual é o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”? 
Fica sempre bem fazê-lo a qualquer adversário, uma vez que o objetivo é finalizar em superioridade numérica. Mas sem preferência, respeito por todos.
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.

“Apita tu também!”

Continuamos a desafiar-te para testares os teus conhecimentos sobre arbitragem! No décimo “Apita tu também” voltamos a abordar três situações de jogo distintas, onde só tens de analisar os lances e deixar o respetivo comentário com as tuas decisões na caixa de comentários das nossas páginas de Facebook Twitter.

Situação 1: Falta antidesportiva ou falta desqualificante?
Após uma entrada para o cesto em ato de lançamento, a atacante #15 cai ao chão e em seguida atinge com o pé a defensora #13. Qual a penalidade para a ação da atacante #15?
Situação 2: “Transposição de campo” ou não? Qual o tempo de ataque?
Após um lançamento ao cesto da equipa azul, que não toca no aro, a defensora #21 chega primeiro à bola e lança-a com uma mão apenas na direção do seu meio campo ofensivo, onde uma adversária recupera de novo a bola. Foi transposição de campo da equipa azul? O aparelho de 24″ deve continuar a contagem ou ser reposto em 24″?
Situação 3: Falta defensiva ou falta ofensiva?
A atacante recebe um passe quando corre em direção ao cesto e ocorre um contacto com a defensora que se colocou na sua trajetória. De quem é a responsabilidade por este contacto, da atacante ou da defensora?

“Apita tu também!”

Esta quinta-feira vamos ter um novo desafio para ti, mas antes está na hora de resolver as três situações do desafio da semana que passou! 

Situação 1: “Flop” da defensora ou falta ofensiva?
Resposta: Falta ofensiva da jogadora laranja #7 que, ao recuar, ocupa o espaço da defensora, carregando-a.
Situação 2: Jogada legal ou passos?
Resposta: Passos. O jogador atacante só pode retirar os pés do chão para lançar ou passar. Para driblar tem que largar a bola antes do pé eixo sair do chão.
Situação 3: Falta pessoal ou falta anti-desportiva?.
Resposta: Falta Anti-desportiva. O jogador defensor para a transição defesa ataque sem fazer uma tentativa legitima de jogar a bola.

Phillipe da Silva na “Área Restritiva”

Na “Área Restritiva” desta semana tivemos o prazer de receber Philippe da Silva. O ex-internacional português trouxe-nos uma série de histórias únicas de uma carreira recheada de conquistas coletivas e individuais.
Podes rever o episódio desta semana na FPBtv, no Facebook ou na IGTV. Estamos de volta com um novo episódio no próximo domingo!


Jogadores marcantes #7: António Botelho

Um dos célebres atletas de basquetebol em cadeira de rodas (BCR) da participação nos Jogos de Stoke Mandeville de 1971 e dos Paralímpicos de Heidelberg, em 1972, António Botelho inscreve com propriedade o seu nome no rol de jogadores marcantes.  Entre 1969 e 1993, jogou pelas equipas de Alcoitão, da extinta AFDA (Associação dos Deficientes das Forças Armadas) e da APD Lisboa.

Ligado aos primórdios do BCR em Portugal, António Botelho, paraquedista em Angola, de 1963 a 1965, na guerra do Ultramar, mudou, na ação individual, a ligeireza e o menosprezo com que se olhavam a pessoa com deficiência e o desporto adaptado. Tudo começou no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão. “O campo era em alcatrão, com umas tabelas, que nem sequer tinham rede. As atividades foram iniciadas pelo Ângelo Lucas, estudante de fisioterapia”, a quem, entre risos e sem desmerecer o contributo, não reconhecia o grau necessário de competência. “Ele não percebia nada daquilo, nem regras de basquetebol sabia”, conta o antigo poste.
Com ele ao leme, os onze selecionados rumaram a Stoke Mandeville, Inglaterra, em 1971, para disputar os jogos sob a designação da localidade, criados em 1948, por Sir Ludwig Guttmann. Na pátria do movimento Paralímpico, “onde se viam ainda as casernas da II Guerra Mundial”, António Botelho relata o espanto que perpassou o grupo perante a naturalidade desconcertante no modo de se encarar a deficiência. “Nunca tive muitos complexos, mas aí fiquei totalmente desinibido. Aprendi muito com os deficientes estrangeiros, eram autênticos profissionais”, circunstância que atribui aos “bons técnicos, melhores condições de treino e apoios”, apesar de enaltecer o auxílio dos primeiros tempos a esta inédita formação portuguesa. “Fomos na TAP para Stoke Mandeville. Para Heidelberg, fomos num avião militar, só para nós”, relembra.
No plano desportivo, ambas as aparições internacionais produziram episódios insólitos, decorrentes da impreparação da equipa técnica, que o corpulento ex-atleta se vê forçado a sublinhar. “Em Inglaterra, cometi uma violação de meio-campo. Era elementar e nem isso sabíamos. Fiquei parvo a olhar para o árbitro”. No ano seguinte, em Heidelberg, a contestação ao conhecimento incipiente do técnico gerou uma resolução coletiva inusitada. “Corremos com o treinador em plena competição. Mandamo-lo para a bancada!”, decisão que, afiança, proporcionou a única vitória portuguesa, frente à Suíça.
Apesar dos dissabores competitivos, a primeira experiência além-fronteiras, em Inglaterra, permitiu vislumbrar uma realidade contrastante com a invisibilidade imposta em território nacional, até mesmo no centro de Alcoitão. “Cá, escondiam os deficientes. Havia um triciclo, com as rodas vazias, e não deixavam que se usasse, precisamente para não se verem as pessoas. Mas consegui encher os pneus e andar. Revolucionei um bocado aquilo”, regozija-se.
Competidor acérrimo, distinguia-se pela dominância na área restritiva, capacidade física e passe fácil, herança parcelar do passado no futebol e boxe. Tinha “um bom relacionamento com todos os jogadores”, inclusive adversários, mas no campo a vontade insaciável de se superar chegou a provocar algum desagrado. “Uma vez, ganhámos 60-0 ao GDR “A Joanita”. Acusaram-me de abusar da fraqueza deles. Eu disse que tinha dado 60, mas se pudesse dar 70 ou 80, dava. Era muito rigoroso comigo próprio”, explica. No lote dos que o embeveciam, recorda Vilarinho, “o único a marcar de três pontos”, Delgado, “muito habilidoso e rápido”, e Morais, “telefonista em Alcoitão” e irmão do futebolista João Morais, obreiro da conquista sportinguista da Taça das Taças, em 1964.
No ativo até 1993, então com 55 anos, equacionou as funções de treinador, mas abandonaria em definitivo o “vício do cesto”. Em anexo podem consultar o testemunho de Jorge Almeida, técnico do Sporting CP-APD Sintra, ex-treinador e jogador da APD Lisboa e Seleção Nacional.

“Em Linha” com Daniel Pereira

Pai de uma das maiores esperanças do basquetebol em cadeira de rodas nacional, o internacional A e Sub22 Ângelo Pereira, Daniel Pereira viu o acesso privilegiado ao pavilhão despertar-lhe o interesse de se testar nos bancos, aguçado pelo convívio próximo com Jorge Almeida, que nomeia como referência. Na presente época, passou a conciliar o cargo de técnico-adjunto da APD Lisboa com iguais funções na Seleção Sub22. 

Ano de iniciação como treinador: 2015
Clubes/Seleções orientados: APD Lisboa e Seleção Nacional Sub22 (adjunto)
Palmarés: Um jovem atleta, recentemente, quando questionado sobre isso, respondeu “em construção, volte daqui a uns anos”. Sem dúvida, a melhor resposta.
Jogos da minha vida: GDD Alcoitão vs. APD Lisboa – 51.-49. Após uma entrada forte, o GDD Alcoitão passou para a frente, mas graças a 3 triplos da nossa parte mantivemos o jogo em aberto até ao fim. No último segundo, com uma falta a nosso favor, após tentativa de triplo, o atleta acusou pressão e falhou 3 lances livres. Assistiu-se à alegria de uns e tristeza de outros. Saliento o fair-play do GDD Alcoitão que, liderado pelo seu técnico Fernando Lemos, veio confortar os meus jovens atletas; APD Lisboa vs. APD Sintra – 53-45. Significou para os mais novos a primeira vitória desde que jogam BCR. Pela oportunidade de manifestarem alegria e prazer de celebrar uma vitória, este jogo merece destaque; Portugal vs. Grécia – 57-61 – Europeu C 2019. Causou-me um misto de sentimentos, mas foi com orgulho que representei o meu país. Não esqueço o que senti ao cantar “A Portuguesa”, o grupo incansável do CNBCR, o apoio da FPB, a equipa técnica, o grupo de atletas que deu tudo e um quarto: #420. Estará para sempre nos jogos da minha vida e eu era só o mecânico.
Atleta: ex-praticante de natação. Treinador: 2002-2012 – infantis, iniciados, juvenis e seniores femininos do ADB (Bobadela) – Futebol;
Primeiro contacto com o BCR em 2013, na APD Lisboa, por intermédio de Jorge Almeida, atual técnico do Sporting CP-APD Sintra, ex-APD Lisboa e Seleção Nacional A;
Classificador de BCR.
Que mensagem dirigias a um treinador hesitante em treinar BCR?
Atreve-te, desafia-te e descobre-te como pessoa e treinador.
Quais os treinadores que exercem maior fascínio sobre ti e porquê?
Jorge Almeida – apresentou-me a modalidade e fez-me ficar fascinado por ela com o grande conhecimento que detém. Tive o privilégio de o ver jogar. Andou afastado por um tempo, mas ainda bem que voltou; Ricardo Vieira – aprendi a conhecer, depois a admirar e a considerar amigo. Um líder, com um conhecimento vasto, uma grande pessoa e um excelente treinador, sem tabus em partilhar o seu conhecimento.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por treinar BCR.
Menciono dois. Uma ida a Barcelona de autocarro para fazer 4 jogos, voltar de autocarro e no dia seguinte ir trabalhar. Nessa viagem, de 16 horas, cada vez que se parava, eram necessárias 4 pessoas só para tirar os atletas, mas o caricato disso é que, se fosse para ir amanhã com o mesmo grupo de atletas e staff, era o primeiro. E depois, num jogo para o Campeonato Nacional, agendado para as 15 horas, a funcionária do pavilhão andava a fazer tempo, porque pensava que bastava abrir o pavilhão 5 minutos antes.
Quais as competências que consideras essenciais para ser um treinador de sucesso?
Conheço alguém que diria “define sucesso”. Convencer alguém que se acha incapaz por ter uma deficiência e fazer com que volte a sonhar, porque descobriu que afinal pode ser atleta, é um pouco do teu sucesso. Se daqui a uns anos vir os meus atletas felizes e me reconhecerem como alguém importante no seu percurso, tive sucesso.
Em linha, a defesa que todos os treinadores querem, mas poucos conseguem. Qual a receita para lá chegar? 
Requer um leque de jogadores com boa capacidade física, excelente técnica de cadeira e capacidade de comunicação. Treinar exaustivamente estes parâmetros é a receita.

Estabilidade foi aposta ganha

O Imortal/AlgarExperience foi um dos “reis” da temporada 2019/20, graças a um percurso imaculado na Proliga com 22 vitórias em outros tantos jogos, sem esquecer a conquista do Troféu António Pratas e a boa campanha na Taça de Portugal. Quisemos saber as razões do sucesso com o treinador, Luís Modesto, e com os atletas Rui Quintino, Hugo Sotta e António Monteiro.

Luís Modesto, técnico do Imortal, não esconde a ambição colocada no projeto: “O Imortal, quando construiu a equipa para participar na Proliga, foi com o principal objetivo da subida de divisão e uma das metas secundárias era ganhar jogo a jogo, porque tínhamos a consciência de que o plantel nos dava garantias de podermos alcançar estes dois objetivos”, lembra.
O treinador de 45 anos explica as razões que determinaram uma época tão positiva: “Este sucesso está alicerçado num conjunto de fatores em que cada um teve a sua quota-parte de responsabilidade. Em primeiro lugar, a qualidade individual dos nossos atletas e a sua dedicação, depois as excelentes condições de trabalho que a direção do clube proporciona, quer aos atletas, quer ao corpo técnico. Não podemos esquecer o apoio fundamental e precioso dos nossos patrocinadores, onde se destaca o do Município de Albufeira, e também o apoio incondicional dos nossos adeptos, assim como da equipa técnica”, enumera.
O emblema algarvio está de volta à Liga Placard, estando ainda na memória a curta passagem pelo campeonato em 2018/19. Para Luís Modesto, todos os esforços estão a ser feitos para que o futuro seja risonho: “Após uma experiência mal conseguida na época 2018/19, o principal objetivo na próxima temporada será, sem dúvida, assegurar a permanência na Liga Placard. Para isso se concretizar, a direção do clube está a fazer o seu trabalho para continuar a proporcionar excelentes condições de trabalho para todos, mesmo numa conjuntura desfavorável, devido à dificuldade em garantir apoios financeiros, motivada pelo problema da pandemia da COVID”, realça.
Rui Quintino foi um dos “craques” que chegou há um ano a Albufeira, sua cidade-natal, e por isso este ano foi especial: “O meu futuro passa pelo Imortal. Estou bastante satisfeito por representar o clube e poder ajudá-lo a crescer. A equipa foi contruída de raiz com o objetivo, não só de regressar à Liga, mas também de aproveitar a experiência adquirida por todos os intervenientes durante esta época. Estou bastante otimista porque acredito que este projeto, apoiado pela cidade de Albufeira, tem condições e potencial para ser uma referência do basquetebol no nosso país”, afirma.
Outro jogador garantido para a próxima temporada, no Imortal, é o influente poste Hugo Sotta, que destaca a estabilidade do plantel: “Todos os jogadores portugueses e estrangeiros tinham contrato de dois anos, e isso criou uma dinâmica de grupo que nos vai ajudar a entrar na Liga noutro patamar, com uma ligação já criada. Os novos jogadores que vierem vão colocar ainda mais qualidade nesta equipa, por isso só há razões para estar otimista. Sabendo que a Liga está bastante competitiva, teremos ainda de ser mais sérios e trabalhadores para poder dar o tal passo em frente”, avisa.
Ainda sem mostrar certezas quanto ao futuro, mas igualmente muito grato ao Imortal temos António Monteiro. Com uma carreira já bem preenchida, o jogador de 31 anos enaltece a importância da experiência no Algarve: “Sem dúvida de que foi a época de que eu precisava. Sou um jogador que já conquistou tudo o que havia para conquistar a nível coletivo em Portugal, e as pessoas pensavam que vir para o Imortal ou para a Proliga era um passo atrás. E no início foi um passo atrás, no sentido em que estava habituado a lutar por títulos e a jogar na Europa. A qualidade não é a mesma, isso é verdade, mas sinto que evoluí muito mais esta época, porque joguei muitos minutos e é isso que um jogador quer e precisa. Por isso, posso dizer que dei um passo atrás e que, logo em seguida, dei dois em frente”, vinca.

APD Sintra, a obreira do único “penta” do BCR português

A formação dona do palmarés mais recheado a nível nacional do basquetebol em cadeira de rodas, APD Sintra, conseguiu um feito inédito, entre as épocas 2003-04 e 2007-08, ao conquistar o pentacampeonato. Mafalda Santos, a autora do lançamento que selou o quinto título, e Victor Sousa, dirigente e ex-atleta, guiam-nos pelos alicerces ganhadores do histórico emblema. 

O trajeto da APD Sintra está longe de se cingir ao marco do pentacampeonato, embora este sobressaia. No pecúlio da instituição, agora associada ao Sporting CP, moram uns imponentes 11 troféus de campeão nacional, 11 Taças de Portugal e 14 Supertaças. Do primeiro título, obtido na época 1994-95, ao último, que data de 2014-15, distam exatamente 20 anos, indício de um trabalho sustentável, cujo ponto de partida Victor Sousa nos ajuda a situar. “A diferença residiu na formação dos jogadores, que passou por várias etapas, destacando-se o excelente trabalho realizado pelo Pedro Esteves, a deslocação a Espanha para assistir aos jogos de BCR dos Paralímpicos de Barcelona 92 e a formação em 1995 ministrada por um treinador jugoslavo”, enumera, sem esquecer a importância do material, em alusão à “aquisição de 12 cadeiras da RGK, feitas à medida de cada jogador”, fator de especial relevância na modalidade. O somatório destas ações em conjunto com “a vontade de ganhar de cada elemento do grupo de jovens que constituía a APD-Sintra foram o motor para se alcançar o êxito”, na opinião do emblemático dirigente. No livro dos recordes e das estreias, os sintrenses contribuíram para aumentar a visibilidade internacional do BCR português e impulsionar o nível de exigência do jogo dentro de portas ao se tornarem na primeira equipa nacional (e até agora em exclusivo) a disputar uma prova europeia de clubes. “Após atingir o patamar mais alto à escala nacional, pareceu-nos que o passo seguinte seria a participação nas provas oficias internacionais da IWBF-Europa”, conclui convicto, apesar do processo árduo que se supunha na angariação de apoios financeiros, que rotula de “trabalho ‘formiguinha’”. Seguiram-se outras seis participações, quatro na Taça Willi Brinkmann e duas na Andre Vergauwen.
No plano interno, o capítulo do pentacampeonato começou a erguer-se na época 2003-2004. Interlocutora ideal do apogeu sintrense, Mafalda Santos, ex-atleta de baixa pontuação, recorda o momento que a converteu em protagonista improvável do quinto título. “Estavam todos preocupados em bloquear os meus colegas e, basicamente, esqueceram-se de mim. O Rui Lourenço passou-me a bola e, na minha cabeça, pensei: “Tens de passar a alguém”. Não havia ninguém e lancei”, sumariza com simplicidade, ao evocar o lance capital da partida frente à APD Leiria, que se fez longo na perceção. “Deu a sensação de levar muito tempo a passar aqueles segundos e nem tive a noção de que tinha dado o penta a Sintra”. Então com 20 anos, e uma experiência de meros três no BCR, a extremo, uma das raras vozes no feminino no panorama nacional da modalidade (a nível de clubes, o BCR é misto), atribui ao bom acolhimento do grupo a rápida integração e a consequente assimilação do jogo. “Éramos uma equipa muito unida, da qual me orgulho ter pertencido, tínhamos uma ligação inexplicável. Todos me aceitaram bem”, sublinha a atleta retirada em 2014.
Atualmente, a APD Sintra procura retomar o rumo dos triunfos e enfrenta, em particular, a dura concorrência da tetracampeã nacional APD Braga, formação com um registo arrebatador nos últimos anos, que ameaça a exclusividade do pentacampeonato. Porém, na ótica de Victor Sousa, estão reunidas as premissas para ver a equipa escalar novamente ao topo. “Estamos no bom caminho para alcançar o sucesso de outras épocas; dotados de um conjunto de jogadores valiosos, alguns ainda bastante jovens, e orientados por um técnico muito sabedor e experiente”, afiança, apesar de lamentar a “falta de horários disponíveis no pavilhão para se treinar mais”. Tal obstáculo não o impede de corroborar a própria afirmação de que “aliando o conhecimento, a experiência, o trabalho árduo e a vontade de vencer, a APD-Sintra voltará a ganhar provas oficiais dentro de pouco tempo”.

“Apita tu também!”

O “Apita tu também!” está de regresso! Coloca-te no papel dos árbitros e deixa a tua opinião na caixa de comentários das nossas páginas de Facebook Twitter.

Situação 1: “Flop” da defensora ou falta ofensiva?
Situação 2: Jogada legal ou passos?
Situação 3: Falta pessoal ou falta anti-desportiva?

“Betinho”: “Não lidero pelo que digo, mas sim pelo exemplo”

Às 76 internacionalizações pela equipa das quinas, João “Betinho” Gomes juntou nova distinção ao vasto currículo e, na época de regresso à Liga Placard, destacou-se como o português mais valioso do campeonato. Sem privilegiar os feitos individuais, o extremo de 35 anos olhou para a atípica temporada de 2019/20 e realçou os feitos alcançados pelo coletivo que encontrou no regresso ao Sport Lisboa e Benfica.

 

É precisamente o regresso à Luz que o #15 das águias começa por referir, justificando a aposta no clube que representou entre 2011 e 2014 como o único caminho a seguir para voltar a conquistar títulos: «Decidi voltar e tinha de ser para o Benfica, onde se faz um trabalho sério, com muitas boas condições. Sabia que aqui podia continuar a lutar por títulos. Quando jogava em Trento fui duas vezes à final e não ganhei o campeonato, aqui no Benfica sabia que isso era possível, apesar da infelicidade do cancelamento da época», explica.
No global da temporada, mesmo que esta não tenha chegado ao fim, “Betinho” fez um balanço positivo da época que ficou marcada pela boa campanha europeia dos vice-campeões nacionais: «Tivemos um ano muito positivo. Estivemos a pouco de conseguirmos algo inédito, que seria passarmos a segunda fase de grupos da FIBA Europe Cup, mas nunca é fácil jogar no campeonato e nas competições europeia em simultâneo», afirmou.
Sem destacar nenhum momento em específico vivido durante o ano, o ex-internacional luso optou por salientar o espírito resiliente que encontrou no plantel: «não destaco nada em particular deste ano, no entanto mesmo com as provas europeias e com as lesões, a equipa acabou por se manter unida e sempre na luta pelo primeiro lugar do campeonato. Isso define esta equipa. Mesmo com dificuldades, demos sempre um passo em frente», conta.
Peça fundamental na manobra de Carlos Lisboa, dentro e fora das quatro linhas, “Betinho” explicou como faz sentir a sua influência no conjunto encarnado: «Sou uma pessoa bastante tranquila, muito calmo. Tento transmitir essas sensações à equipa nos momentos complicados dos jogos. Não lidero pelo que digo, mas sim pelo exemplo. A forma como trabalho é que me define. Sou o primeiro a chegar ao pavilhão e o último a sair», refere.
Desafiado a nomear o jogador mais complicado de travar durante a temporada e a equipa mais difícil de defrontar, o MVP Nacional não se coibiu em apontar dois nomes: «Há muitos bons jogadores, mas escolhendo um optava pelo Marqueze Coleman do Vitória SC. Causou-me alguns problemas, foi o jogador mais difícil de defrontar esta época. No que diz respeito ao coletivo, a equipa mais desafiante diria que foi a UD Oliveirense. Tenho muito respeito pelos jogadores que eles têm no plantel e realço o José Barbosa que é um jogador espetacular, que sabe por a equipa a jogar. A ajuda do treinador Norberto Alves, que é dos melhores da nossa Liga, fazem deles um excelente adversário», finaliza.

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“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”

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Legenda

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Miguel Maria

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