Sara Guerreiro e Carolina Cruz, jovens internacionais portuguesas, e que se assumiram como figuras importantes da Quinta dos Lombos, têm pela frente grandes desafios. A primeira vai alinhar na Universidade de South Florida, enquanto a segunda é reforço para a Universidade de Manhattan.
A caminho de South Florida, Sara Guerreiro mostra-se ciente deste grande passo na carreira: “As minhas expectativas são boas, mas também muito realistas. Sei que vou ter que trabalhar muito para ter minutos e um lugar importante na equipa. No entanto, estou muito contente por ir e acho que vai ser uma experiência muito boa. Os meus principais objetivos são alcançar títulos com a equipa, evoluir individualmente e desfrutar ao máximo desta oportunidade”, afirma.
A base de 18 anos vai juntar-se a Beatriz Jordão, também ela saída da Quinta dos Lombos, e isso aumenta ainda mais o entusiasmo: “O facto de a Jordão estar lá deixa-me mais contente e confortável, sei que posso contar com ela para o que for preciso e vice-versa. Para além disso, esta ser a faculdade onde jogou a Laura Ferreira deixa-me ainda mais motivada”, reforça.
Sara Guerreiro passou três intensas temporadas nos Lombos, e na hora do adeus não poupa nos elogios ao clube: “A minha passagem pela Quinta dos Lombos foi muito boa e importante. Faço um balanço positivo destes três anos porque tive a oportunidade de crescer muito com o José Leite, com a Gilda Correia e com todos os restantes treinadores e colegas de equipa. Deram-me muitas oportunidades e apredizagens que guardo comigo, tanto em termos desportivos como pessoais. A Quinta dos Lombos contribuiu bastante para a construção da jogadora que eu possa vir a ser no futuro. Não diria melhor clube para jogar em formação”, finaliza.
Manhattan é o destino de Carolina Cruz, que espera evoluir o máximo para chegar ao topo: “Quero transformar um sonho em realidade, experimentar novas vivências e melhorar. Jogar o máximo possível, evoluir e, quem sabe, um dia ter possibilidade de integrar a WNBA”, assume.
E porquê Manhattan? “Tive a possibilidade de visitar a Universidade no final da época passada e assim constatei o que me espera. São super organizados academicamente e com todas as condições em termos de basquetebol. Este ano algumas jogadoras vão sair, e por isso trata-se de uma temporada de transição. É uma equipa que gosta de defender, que alinha em transição, mas falta-lhe o jogo exterior das atletas interiores”, analisa.
A poste de 19 anos passa em retrospetiva o seu percurso em Portugal: “A melhor recordação que guardo do nosso país, falando da minha carreira, é a Taça de Portugal conquistada esta época pela Quinta dos Lombos, sem esquecer os momentos em que represento a Seleção. Vou ter saudades de todos os treinadores, colegas, seccionistas e staff à volta das equipas”, vinca.
Simone Costa, base portuguesa de 24 anos, tem dado nas vistas em Inglaterra, no Nottingham Wildcats. Em entrevista à FPB, assume vontade de voltar ao basquetebol nacional e de voltar a representar as cores do nosso país.
Como avalias esta primeira temporada na WBBL? A tua equipa estava em quinto lugar.
Foi uma experiência bastante boa em Inglaterra, tínhamos equipa para conseguir lutar por títulos, mas infelizmente a época acabou cedo demais para isso acontecer.
Chegaste a figurar no cinco ideal da semana. Esperavas uma primeira temporada tão positiva em Inglaterra?
Não, não esperava que fosse tão positivo o meu percurso no clube. Especialmente porque estive uma época parada devido à faculdade. Trabalhei bem e os resultados apareceram.
Que melhores recordações guardas dos anos passados nos EUA? A presença no March Madness foi o ponto alto?
As melhores recordações que guardo dos EUA foram, claro, o March Madness, SEC Tournament, jogar em pavilhões com milhares de pessoas, é o que sempre me marca mais. Mas, provavelmente, a melhor memória é um jogo contra Tennessee em que fomos a três prolongamentos e em que acabámos por ganhar. Foi incrível.
Vais continuar em Nottingham na próxima temporada? O teu futuro passa por Inglaterra?
O futuro está um pouco incerto para mim. Neste momento, com a pandemia, estou a decidir qual será a minha melhor opção.
Saíste muito nova de Portugal, sendo que chegaste a alinhar na Liga Feminina pelo Algés. O regresso para jogar no nosso país é uma hipótese para o futuro?
O regresso a Portugal é uma hipótese. A Liga Feminina é a minha casa e gostaria de voltar no futuro.
Quais são os maiores objectivos para a tua carreira? A ida à Seleção Nacional está nos teus planos?
Os meus objectivos passam por ser a melhor versão de mim própria, não só no campo mas também fora, conseguir influenciar gerações mais jovens. A meta é sempre ganhar títulos e chegar às melhores competições possíveis. Eu representei a Seleção nas camadas jovens, e agora como sénior seria uma honra chegar a esse patamar, e assim representar o meu país.
Maria Carvalho, base de 19 anos há duas épocas na Universidade de Utah Valley, nos EUA, falou à FPB sobre o sucesso em solo norte-americano, e mostra-se muito focada num grande objetivo: chegar à WNBA.
Como avalias estas duas épocas em Utah Valley?
Estas duas épocas em Utah Valley foram realmente fantásticas. A equipa técnica, as minhas colegas de equipa e a universidade em si são tudo o que eu sempre quis ter quando comecei a pensar em vir jogar e estudar para a NCAA D1, nos Estados Unidos. Esta minha segunda época em Utah Valley foi, definitivamente, o meu melhor ano até agora, mesmo com as dificuldades inerentes de adaptação a um novo treinador e a uma nova equipa técnica.
Foste considerada para a segunda equipa da conferência e para a equipa defensiva. Esse são os melhores sinais do teu trabalho?
Ter sido considerada para a segunda equipa da conferência e para a equipa defensiva são apenas alguns dos melhores sinais do meu trabalho. Eu tenho muito mais dentro de mim e sei que para o ano vou, certamente, ter ainda melhores prestações comparativamente com esta época. Se consigo ser considerada a melhor base da WAC?… Sim definitivamente. Julgo ter todo o potencial para isso. Esse vai ser um dos objetivos para a próxima época.
Quais são os maiores objectivos na tua carreira?
Vir para os Estados Unidos foi só o início do meu grande sonho. O meu objectivo é chegar à WNBA. Tenho andado a trabalhar para isso desde que comecei a jogar basquetebol e vou continuar a demonstrar as minhas potencialidades para atingir os meus objetivos. Vai ser tudo uma questão de tempo!
Um regresso ao basquetebol português, a longo prazo, é hipótese?
Adoro Portugal, as minhas gentes, a minha cultura, mas nos tempos mais próximos não tenho intenção de voltar a jogar em Portugal. Eu tenho uma nova vida, na qual me inseri muito bem e que eu adoro, e estou muito satisfeita pelas decisões que tenho tomado. Tenho muitas saudades da minha família, dos meus amigos e do meu país (a distância tem esse inconveniente ), mas vou continuar focada na minha carreira internacional e tentar chegar o mais longe possível. É para isso que trabalho todos os dias!
Esteve fora de competição durante esta época e os motivos não foram os piores, pelo contrário. A internacional portuguesa Márcia Costa tirou um ano sabático para abraçar a maternidade, mas agora diz-se pronta para regressar à alta competição, estando já a preparar-se para a temporada 2020/21. A FPB conversou com a experiente jogadora de 30 anos que não escondeu as saudades do basquetebol, falou do período da gravidez e ainda mostrou que está ansiosa por regressar ao ativo com atenções voltadas para as competições europeias.
Recentemente anunciaste que pretendes regressar à competição depois deste ano de paragem. Já sabes onde vais jogar na próxima temproada?
Ainda não tenho nenhuma equipa, estou completamente livre. A época acabou muito mais cedo devido a toda esta situação e as equipas não sabem bem como tudo se vai resolver, porque também ainda não há nenhuma decisão oficial da FPB. No entanto, estou livre e a preparar-me para a próxima época, era esse o meu objetivo. O meu filho acabou por nascer no final de fevereiro e a intenção era mesmo essa, ter tempo para preparar o regresso à Liga.
Depois de oito temporadas consecutivas na Liga como foi este ano de paragem? Sentiste falta do basquetebol?
Estava tudo minimamente planeado. Custou estar um ano sem jogar, mas estava mentalizada para algo que desejava muito, que era ser mãe. Tudo isto acabou por ser vivido com alguma naturalidade, no entanto claro que continuava a acompanhar. Via alguns jogos na FPBtv, porque como é evidente depois de tantos anos a jogar, parar uma época custa. De qualquer das formas continuei com o ginásio, mantive-me ativa. Não parei de jogar para voltar num nível inferior. Está fora de questão. Vou trabalhar para voltar ainda melhor. Para isso acontecer precisava de estar ativa durante a gravidez e enquanto pude foi o que fiz. Tudo isto teve repercussões no meu parto, que durou apenas oito minutos, algo que acaba por trazer benefícios para o regresso ser mais eficaz.
Algo que caracteriza o teu jogo é a fisicalidade e intensidade que colocas dentro de campo. Como uma atleta bastante forte e explosiva, sentes que mantiveste intactas essas capacidades físicas?
Sinto-me uma privilegiada. Tanto eu como o meu marido temos formação nesta área e então sabemos todos os passos que temos de dar para que eu consiga estar realmente bem a partir do dia 1 de setembro, que é quando eu espero começar a minha época. Há uma série de processos que não podem ser ultrapassados para mais tarde não me ressentir. Neste momento ainda não estou a treinar com bola, mas já faço coisas que vão vez despertar novamente as minhas melhores caraterísticas enquanto jogadora. É um processo, e tenho noção desse trajeto. Não estou ansiosa porque sei que vou lá chegar.
Falando da próxima temporada, apesar de toda a indecisão que vivemos atualmente, que tipo de projeto desperta mais a tua atenção? Que expetativas reservas para a próxima temporada?
Não está fora de questão voltar a jogar fora do país no futuro, mas este ano prefiro ficar em Portugal e jogar EuroCup. Quem me der melhores condições para que consiga estar nas competições europeias, é onde vou apostar. Estar num sítio sem ambições não faz sentido nenhum, quero representar uma equipa que me dê condições para jogar EuroCup no próximo ano. É esse o meu desejo.
A contínua busca para reunir as opiniões e contributos dos emblemas e associações das equipas que compõem a malha do basquetebol nacional levou a Federação Portuguesa de Basquetebol a reunir novamente, desta vez com os clubes do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão feminina, para debater o futuro da competição.
O arranque da sessão ficou marcado pelas palavras do presidente da FPB, Manuel Fernandes, assim como do Diretor Técnico Nacional, Nuno Manaia, que fortaleceram e esclareceram os presentes acerca do trabalho que tem sido feito para encontrar as devidas resoluções para as competições desta época, bem como da próxima. O apelo ao esforço coletivo que terá de ser desenvolvido por todos os agentes da modalidade, face à crise pandémica que marca a atualidade, foi reforçado com a certeza de que qualquer decisão apenas surgirá após a auscultação de todos os clubes dos principais níveis competitivos seniores.
Logo de seguida os doze clubes tiveram a oportunidade de tecer as respetivas opiniões e fazerem as sugestões que consideram mais viáveis para o futuro da prova, às quais se seguiram as intervenções das associações presentes na reunião. Das várias opiniões emitidas, realce para o debate em torno do modelo competitivo da próxima temporada que não reuniu consenso entre os clubes presentes, apesar do comprometimento demonstrado por todos os intervenientes em encontrar a melhor solução para o futuro da prova.
Todos os clubes do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão feminina marcaram presença na reunião que também contou com as cinco associações que têm clubes em prova. Entre os 40 participantes estiveram presentes representantes dos clubes Académico FC, CAD Coimbra/Chelo, CB Queluz, E.S.A, CD Póvoa, Boa Viagem AngraAçores, Esgueira, Galitos/ CL Dr. Semblano, CLIP, SIMECQ, Algés e SC Coimbrões e das associações de basquetebol de Aveiro, Coimbra, ilha Terceira, Lisboa e Porto. A reunião de final de época desta prova encontra-se agendada para 6 de junho.
Em entrevista à FPB, Mery Andrade falou do ano de estreia como treinadora adjunta na G-League. A segunda atleta mais internacional de sempre por todas as seleções (129 internacionalizações) abordou ainda as hipóteses de Neemias Queta chegar à NBA.
Como tens lidado com o isolamento por causa da COVID-19?
Estou em casa da minha mãe, em Boston, e tive que ser criativa. Preparo aulas de fitness e convido pessoas para as fazerem comigo. Acordo, faço exercício e, enquanto estou na bicicleta estática, assisto a clinics online para treinadores. Aproveito para desenvolver o meu trabalho.
Como vês as imagens que chegam de Itália, onde jogaste 15 anos?
São imagens tristes. Parte de mim é italiana. Privarem os italianos, que são latinos, do contacto é um grande choque. Quando começaram a tomar medidas mais drásticas em Itália, eu comecei a fazer o mesmo aqui, onde as pessoas ainda não se aperceberam do quão grave é a situação.
Como correu a estreia nos Erie BayHawks, equipa da G-League da NBA?
Foi um ano de aprendizagem e adaptação, mas muito positivo. Foi o primeiro ano desta equipa, depois de passar a ser afiliada dos New Orleans Pelicans. Tivemos jogadores com “two-way contracts” e que iam jogar pelos Pelicans várias vezes, o que obriga a alterar os planos da nossa equipa. É preciso flexibilidade para nos ajustarmos diariamente e esse foi o maior crescimento que eu senti.
Descreve-nos as funções que tens na equipa.
Desenvolvimento de jogadores, “scouting” e “breakdown” de vídeos. No campo, trabalho com postes e treino de lançamento com extremos/postes. Fora de campo, incentivo os atletas a continuar a estudar e ajudo-os noutras vertentes. Por exemplo, tenho um atleta que canta e tento entrar em contacto com agências. Isto ajuda-me a conhecê-los melhor e isso é muito importante.
Estiveste no NBA Combine do ano passado, onde também esteve o Neemias Queta. Achas que o Neemias pode sonhar com a NBA?
O Neemias não esteve em grande, mas é compreensível. Era a primeira vez e tinha muita pressão. Por vezes a ansiedade leva a melhor. Mas ele já provou, na universidade e nas seleções nacionais, que tem um fogo dentro dele que o faz jogar no seu melhor. As lesões não o ajudaram e isso é algo que as pessoas perguntam na NBA. Ele é jovem. Se aprender a tratar do corpo e fizer prevenção de lesões, essa ideia desaparece. É um jogador com potencial, mas precisa de ser mais forte para a posição em que joga. Pode ser um “two-way player” e jogar nas duas ligas: G-League e NBA. A G-League pode ajudá-lo em termos físicos e ritmo de jogo. Algo que encontramos muito na G-League são jogadores com QI basquetebolístico médio/baixo. Nesse aspeto, o Neemias já é um jogador de alto calibre. Percebe do jogo, aprende rápido e a G-League é uma liga onde ele pode ter muito sucesso e despertar a curiosidade das equipas da NBA.
Fala-se cada vez mais da possibilidade de uma mulher ser treinadora principal de uma equipa da NBA. É algo que vês a acontecer a breve prazo?
É uma questão de tempo e só não aconteceu ainda porque a Becky Hammon não quis. Vai acontecer na altura certa. Fico feliz por reconhecerem as nossas qualidades. O basquetebol é universal e não olha a género, raça ou origem. Eu tenho a sorte de ser uma mulher não-americana a treinar homens nos Estados Unidos. A Becky está a abrir-nos a porta e nós abrimos para outras.
Já confessaste que, depois de Old Dominion, imaginavas-te a regressar a Portugal para seres pediatra. É o que te vias a fazer, se o basquetebol não existisse?
A minha mãe conta-me que eu vestia a bata do meu pai, que era farmacêutico, e andava pela casa a dizer que tinham que me chamar Sr.ª Dr.ª Mery Andrade. Tenho a certeza que, se não fosse basquetebolista profissional, voltaria a Portugal para ser pediatra.
Se pudesses falar com a pequena Mery que pegou numa bola de basquetebol pela primeira vez, em Massamá, o que lhe dirias?
Os ensinamentos que tive na vida levei para o basquetebol e as coisas que vivi no basquetebol trouxe para a vida, portanto ia dizer-lhe para ouvir e ser uma esponja contínua de pessoas mais velhas e que sabem mais.
A Federação Portuguesa de Basquetebol reuniu com todos os clubes da Liga Feminina e todas as associações dos emblemas da competição máxima do basquetebol feminino nacional, esta terça-feira, através de videoconferência, para debater o futuro da prova.
As intervenções iniciais do presidente da FPB, Manuel Fernandes, e do Diretor Técnico Nacional, Nuno Manaia, centraram-se no reforço da ideia que a Federação continua a trabalhar na procura de soluções para as provas. As preocupações sobre o restabelecimento das condições de saúde pública e as repercussões financeiras da pandemia de COVID-19 foram sublinhadas, e foi destacado que quaisquer decisões só serão tomadas e publicadas após as reuniões com todos os clubes dos principais níveis competitivos seniores.
Depois, os doze emblemas e as oito associações foram auscultados sobre a realidade atual provocada pelo novo coronavírus e a forma como afeta a época atual e o arranque da próxima temporada. Numa reunião pautada pelo sentido de responsabilidade coletiva, destaque para o facto de todos os clubes, sem exceção, terem mostrado disponibilidade para aceitar qualquer decisão da Federação sobre a edição 2019/20 da prova, enriquecendo o debate com contributos e sugestões para os próximos passos a dar.
Estiveram nesta reunião a totalidade dos clubes e associações da Liga Feminina, num total de 43 participantes, incluindo representantes dos clubes AD Ovarense, AD Vagos, Carnide Clube/Holos, CAB Madeira, CPN, União Sportiva, GDESSA Barreiro, Guifões SC, Olivais FC, Quinta dos Lombos, SL Benfica, Vitória SC e das associações de basquetebol de Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa, Madeira, Porto, São Miguel e Setúbal. A próxima reunião da Liga Feminina está prevista para 6 de junho.
A Quinta dos Lombos soma oito títulos nos últimos sete anos, num exemplo claro de sucesso. Depois de analisados pormenores da estrutura e do processo de construção dos plantéis, é altura de centrar atenções na cultura do clube e nas constantes presenças nas grandes decisões.
Para Jorge Vieira, presidente da Quinta dos Lombos, há um momento-chave: “A chegada ao clube do José Leite mudou tudo em termos de ambição. Ele conhecia tudo e rapidamente nos tornámos muito competitivos. Por outro lado, nós temos cultura de estabilidade e os resultados nunca questionam o projeto desportivo”, vinca. O líder do emblema de Carcavelos enaltece toda a confiança existente e o que isso tem representado para a carreira das atletas: “As jovens jogadoras e os pais acreditam no nosso clube, havendo uma evolução das atletas ao ponto de nos últimos anos termos proporcionado o “sonho americano” às melhores”, lembra.
E o que dizem as protagonistas em campo? A capitã, Carolina Escórcio, salienta o clima de união em torno do clube: “A Quinta do Lombos é uma família, no verdadeiro sentido. As pessoas que fazem parte do clube, desde a direção, ao staff e aos adeptos, todos tentam apoiar e celebrar a grande festa que é o desporto. Os jogadores são acarinhados e valorizados, pois o clube tem plena consciência de que está a lidar com pessoas, e são os jogadores como pessoas que estão primeiro”, afirma. Mais jovem, mas com uma posição cimentada nas seniores, Inês Vieira enfatiza a aposta na formação: “O clube tem excelentes treinadores de formação e a principal preocupação é a evolução da jogadora e não o resultado da equipa. Depois, qualquer jogadora da formação dos Lombos pode ter a ambição e o objetivo de jogar nas seniores, porque o treinador não tem problema nenhum em dar oportunidades às jovens atletas que o merecem”, destaca.
Quanto ao já recheado palmarés da Quinta dos Lombos, José Leite, treinador da equipa sénior, recorda todo o sucesso dos últimos anos: “A Quinta dos Lombos é uma referência do basquetebol nacional, com 12 títulos nacionais no escalão sénior nos últimos dez anos e penso ser o único clube que, desde a sua ascensão à Liga, esteve em mais de 50% das respetivas finais”, adianta.
E ganhar será o mais importante? Para Jorge Vieira há outra prioridade: “O mais importante não são os títulos, isso fica na história e na sala de troféus. O importante é disputá-los e ser feliz”, salienta. Mas para Carolina Escórcio também há algo que se sobrepõe à conquista de títulos, neste caso o lado pedagógico: “Todos querem ganhar. Mas o ganhar não é tudo. Aqui é muito valorizada a forma como se ganha e isso é muito importante. O clube tem um compromisso enorme com a pedagogia e com a formação do atleta, o que é verdadeiramente notável e fundamental para elevar ao mais alto todas as potencialidades que o desporto pode trazer”, finaliza a atleta madeirense.
Quando a Quinta dos Lombos, no passado dia 8 de março, conquistou a Taça de Portugal feminina, em Torres Novas, vieram à memória mais títulos conquistados pelo clube nos últimos anos, assim como outras finais perdidas. Mas uma coisa é certa: o emblema de Carcavelos tem sido um “cliente habitual” na luta pelos troféus, tanto em seniores como na formação, e por isso quisemos saber as razões que sustentam este sucesso.
A Quinta dos Lombos sobressai pela estrutura, tendo nos seus “quadros” várias pessoas com muito anos de casa, e Jorge Vieira, presidente do clube, delega em José Leite toda a confiança: “Os nossos técnicos – Gilda Correia, João Pedro Vieira, Ernesto Nhangulo e Ana Moreira – foram todos escolhidos pelo José Leite e todos têm competência para treinar qualquer equipa portuguesa de qualquer escalão e género”, afirma, num rasgado elogio a todos.
E José Leite, treinador das seniores, vinca a organização do clube e toda o amparo que é dado às equipas técnicas: “A cadeia de decisão do clube é restrita, mas muito competente e facilitadora. Decide rápido e o suporte estrutural a atletas e técnicos é muito bom. Somos um clube organizado, com um planeamento estruturado e focado para os objetivos a médio e longo prazo”, adianta. O treinador dos Lombos, que durante anos foi selecionador nacional femininos, mostra-se muito satisfeito com as condições de trabalho e levanta o véu quanto a novidades: “Temos excelentes recursos físicos e humanos. Dois campos de treino, sala de musculação integrada no pavilhão, gabinete médico e de fisioterapia dirigido por excelentes profissionais diariamente, estrutura de acolhimento para jogadoras de fora, lavandaria própria que disponibiliza equipamento diário de treino, sala de vídeo e scouting. E temos projetos para novos investimentos”, promete.
Mas também as atletas corroboram as anteriores opiniões, no caso Carolina Escórcio, capitã de equipa: “A estrutura e organização do clube dá-nos um conforto e condições tais, que nos permite estar apenas e só focadas na nossa performance”, garante.
Outro aspeto que salta à vista sobre a Quinta dos Lombos é a habitual mescla entre juventude e jogadoras estrangeiras, oriundas dos mais diversos países. José Leite explica um pouco a forma como o clube trabalha a prospeção: “O recrutamento de jogadoras nacionais é direcionado para jovens, que identificamos terem margem de progressão para poder jogar com qualidade na Liga Feminina, e para atletas mais experientes, que além de contribuírem com o seu valor, têm papel importante para a plena afirmação das mais jovens. Procuramos que as atletas estrangeiras sejam mais-valias no sentido coletivo da equipa”, deixa a nota. O timoneiro do conjunto da Linha de Cascais mostra não olhar ao “bilhete de identidade” das atletas: “”Ao fim das primeiras semanas de trabalho, já não há jovens e menos jovens. Há jogadoras em quem confiamos plenamente e os níveis de autoconfiança crescem naturalmente. Procuramos ter um estilo de jogo simples, coletivo e com grande exigência defensiva, estimulando as leituras e tomadas de decisão. No entanto, não há sucesso sem humildade”, avisa.
A formação é um pilar no clube, e Jorge Vieira afirma que as jovens atletas estão conscientes disso: “A nossa equipa de seniores tem tido cerca de 50% de jogadoras juniores, quer tenham 16 ou 18 anos. Sendo capazes, elas sabem que podem e vão jogar, e isso faz crescer o clube, a equipa e as jogadoras que virão no futuro”, afirma um otimista presidente.
E se há símbolo de jovens com sucesso na Quinta dos Lombos, falamos de Inês Vieira, vice-campeã europeia de Sub16 (Divisão B), e que conta com muitos minutos de competição pelas seniores. A madeirense assume dificuldades iniciais, mas destaca a importância desta experiência: “No ano passado jogava em Sub16 e três meses depois já jogava nas seniores. No início foi um choque! Passei a jogar com e contra pessoas mais experientes, mais fortes e com um conhecimento do jogo muito maior, o que torna a experiência mais enriquecedora”, vinca.
A internacional portuguesa Inês Viana fez a sua época de estreia no estrangeiro, ao serviço do BCF Elfic Fribourg Basket, e apesar de ver a temporada interrompida a base de 25 anos fez um balanço positivo dos meses que passou na Suíça. Além de falar da experiência positiva nas competições europeias e do domínio nas provas internas, a base da Seleção Nacional abordou ainda o futuro.
Qual é o balanço que fazes desta época de estreia no estrangeiro? Como descreverias este desafio que é jogar fora de um campeonato que conheces tão bem como o português?
É sempre desafiante sairmos da nossa zona de conforto, e apesar do campeonato português tem muita qualidade, muito boas jogadoras, achava que já estava no momento para sair e me desafiar. Na generalidade foi uma época muito positiva, joguei EuroCup a base principal com muitos minutos, no campeonato também estávamos em crescendo. Foi positivo e um excelente desafio.
A temporada terminou de forma abrupta e o campeonato foi cancelado sem a atribuição de um campeão, contudo o Friburgo terminou no topo da fase regular (13-3), estava invicto na fase intermédia e apurado para a final da Taça da Suíça. Sentes que caso a época terminasse iam conquistar mais títulos?
O coronavírus veio estragar a época. O nosso campeonato foi dos primeiros a cancelar tudo, sobretudo depois da evolução do número de casos no país na Suíça. Primeiro foi o hóquei no gelo, depois seguiram-se as outras modalidades. Antes da paragem estávamos em forma, no primeiro lugar partilhado com o Winterthur, invictas na fase intermédia e com sete vitórias consecutivas com margens pontuais na casa das dezenas. Se tivéssemos a oportunidade de jogar até ao fim acredito que poderíamos ser campeãs e ganhar a Taça da Suíça. Estávamos a crescer como equipa.
Além do evidente sucesso nas competições internas, conseguiram passar a fase de grupos na EuroCup feminina. Que balanço fazes da prestação nas competições europeias?
Penso que o auge para qualquer atleta é jogar nas competições europeias, neste caso joguei EuroCup e o balanço desta época é muito bom. Fiz bons números que se refletiram no coletivo já que passamos a fase de grupos e ficamos à porta dos dezasseis avos de final da prova. Foi espetacular, até porque tivemos mais exposição. A melhor coisa que me aconteceu este ano foi ter a oportunidade de jogar na EuroCup.
Depois de uma temporada de estreia positiva, onde foste uma das peças mais influentes de uma equipa com ADN de campeã, quais são as perspetivas para o futuro?
Quero continuar a jogar fora. É muito desafiante poder jogar noutros campeonatos, experimentar novas ligas. Não gosto de estar na minha zona de conforto, quero sempre superar-me e, posto isto, acho que ainda tenho alguns anos para continuar a jogar no estrangeiro.
Regressaste a Portugal assim que a SBL foi suspensa e atravessaste um período de quarentena. Que recomendações deixas, sobretudo aos desportistas, nesta fase de paragem precoce das competições?
O campeonato foi suspenso dia 12 de março e no dia seguinte já tinha viagem de regresso para Portugal. A situação na Suíça não estava boa e desde que regressei estou de quarentena voluntária para não colocar em risco os meus pais, senti que essa era a melhor decisão. Esta sexta-feira acabo esse período de isolamento e apesar de não ser o melhor, é algo que devemos fazer para zelar por nós e pelos nossos. Estou em casa desde 13 de março e isso não me impede de treinar duas vezes por dia. O exercício físico tem-me ajudado muito, sobretudo mentalmente. Torna tudo mais fácil.
Sofia da Silva, internacional portuguesa ao serviço do Basket Namur Capitale, voltou a ser peça importante na equipa belga. Com a época terminada, é tempo de balanço em entrevista à FPB, na qual a jogadora de 29 anos assume querer experimentar uma liga mais competitiva.
O campeonato belga já terminou e o Namur classificou-se no terceiro lugar, sendo que te voltaste a assumir como uma peça importante na equipa. Como avalias esta temporada? Que aspetos mais positivos retiras?
Foi uma época com alguma complexidade. Por diversos fatores a equipa não pôde estar reunida desde o primeiro momento, o que dificultou o nosso arranque de Liga (ainda que as estatísticas apresentem vitórias). Considero positiva a resposta dos membros do clube às adversidades e o esforço por fazer uma equipa mais competitiva do que na época anterior. Apesar das derrotas, jogar EuroCup é sempre positivo.
Percebes o terminar definitivo da competição? Ou preferias que fosse retomada?
Inicialmente tive esperança, uma vez que até dia 26 de março íamos obter uma resposta conclusiva. Entendo perfeitamente e aceito. A saúde pública deve ser sempre uma prioridade.
Voltaste a estar presente na EuroCup e melhoraste os teus números. Sentes que o teu bom momento na carreira também passa por estas campanhas europeias?
Sem dúvida! Tenho-me preparado, nos últimos verões, em Espanha e Portugal para estar ao meu máximo nível. As competições europeias são a minha motivação. Se quero ser melhor, tenho que defrontar as melhores.
O teu futuro passa pela Bélgica depois de duas épocas no Namur? Tens algum objetivo em especial?
Normalmente levo estas coisas ano a ano. O clube queria/quer que eu fique por algum tempo, mas cheguei a uma fase em que estou demasiado confortável, preciso de mudança. Não está nos meus planos voltar. O meu objetivo é estar numa Liga mais competitiva.
És treinada pelo selecionador belga, equipa que faz parte do grupo de Portugal na corrida pelo Europeu. Apesar de ainda faltar algum tempo, o que podemos esperar dos jogos frente à Bélgica? Quais são as suas maiores qualidades?
Na verdade foi criada uma relação muito especial com este treinador, é muito humano! Deu-me uma liberdade enorme e impagável de ser eu mesma em campo. Melhorei aspetos de jogo, criei novas habilidades que vão servir, e muito, para o futuro. Basicamente, as opções que criava para a Emma Meessemen, criava para mim. Isso é um privilégio! Assim sendo, sei perfeitamente o que nos espera em novembro. A Bélgica tem jogadoras dominantes em todas as posições do campo, sabem perfeitamente para quem jogam e quando.Como uma peça de teatro, não saem muito do seu papel. Gostam de jogar em transições rápidas, 80% das jogadas acabam em pick&roll. Da nossa parte, somos uma Seleção com uma base defensiva sólida, eu diria (quando cumprimos o plano de jogo), e por isso devemos desacelerar o seu jogo, a começar pela base, Julie Allemand. Sei perfeitamente como vai reagir o treinador em termos táticos e emocionais, o que joga a nosso favor.
Na antecâmara da 54.ª edição da Taça de Portugal feminina, a FPBtv viajou pelo país e foi conhecer a opinião dos treinadores presentes na Final Four, bem como de algumas das protagonistas das equipas apuradas para a final a quatro da prova rainha do basquetebol nacional.
Raquel Laneiro, Ricardo Botelho, Ana Raimundo e Jorge Maia projetaram a primeira meia-final (16h, FPBtv), com Marcy Gonçalves, Eugénio Rodrigues, Larisse Lima e José Leite a analisarem a segunda meia-final deste sábado.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam iaculis blandit magna, scelerisque ultricies nisi luctus at. Fusce aliquam laoreet ante, suscipit ullamcorper nisl efficitur id. Quisque id ornare est. Nulla eu arcu neque. Sed ornare ex quis pellentesque tempor. Aenean urna enim, commodo ut nunc sit amet, auctor faucibus enim. Nullam vitae felis ipsum. Etiam molestie non enim quis tincidunt. Pellentesque dictum, nulla id ultricies placerat, neque odio posuere orci, quis vestibulum justo odio ut est. Nullam viverra a magna eu tempor. Nullam sit amet pellentesque magna. Vestibulum vel fermentum turpis, nec rhoncus ipsum. Ut et lobortis felis, sed pellentesque dolor. Nam ut porttitor tellus, ac lobortis est. Fusce vitae nisl vitae ante malesuada venenatis. Sed efficitur, tellus vel semper luctus, augue erat suscipit nunc, id hendrerit orci dui ac justo.
Pellentesque eleifend efficitur orci, et pulvinar dui tempus lobortis. Proin accumsan tempus congue. Cras consectetur purus et lacinia rhoncus. Ut eu libero eget quam semper malesuada. Aliquam viverra vulputate tempor. Sed ac mattis libero, a posuere ligula. Quisque tellus dui, placerat vel ex in, fringilla fringilla tellus. Aliquam erat volutpat. Aenean convallis quis eros vel ornare. Aliquam et lorem vestibulum, posuere quam ac, iaculis arcu. Fusce feugiat blandit mattis.
Legenda
Praesent sed metus euismod, varius velit eu, malesuada nisi. Aliquam aliquet quam tempor orci viverra fermentum. Sed in felis quis tortor accumsan vestibulum. Aliquam erat volutpat. Maecenas pretium sem id enim blandit pulvinar. Pellentesque et velit id arcu feugiat hendrerit ac a odio. Sed eget maximus erat. Phasellus turpis ligula, egestas non odio in, porta tempus urna. Fusce non enim efficitur, vulputate velit in, facilisis metus.
Nulla sagittis risus quis elit porttitor ullamcorper. Ut et dolor erat. Ut at faucibus nibh. Cras nec mauris vitae mauris tincidunt viverra. Donec a pharetra lectus, vitae scelerisque ligula. Integer eu accumsan libero, id sollicitudin lectus. Morbi at sem tincidunt augue ullamcorper tristique. In sed justo purus. Aenean vehicula quam quis pellentesque hendrerit. Fusce mattis mauris lorem, in suscipit diam pretium in. Phasellus eget porttitor mauris. Integer iaculis justo ut commodo eleifend. In quis vehicula nisi, non semper mauris. Vivamus placerat, arcu et maximus vestibulum, urna massa pellentesque lorem, ut pharetra sem mauris id mauris. Vivamus et neque mattis, volutpat tortor id, efficitur elit. In nec vehicula magna.
Miguel Maria
“Donec Aliquam sem eget tempus elementum.”
Morbi in auctor velit. Etiam nisi nunc, eleifend quis lobortis nec, efficitur eget leo. Aliquam erat volutpat. Curabitur vulputate odio lacus, ut suscipit lectus vestibulum ac. Sed purus orci, tempor id bibendum vel, laoreet fringilla eros. In aliquet, diam id lobortis tempus, dolor urna cursus est, in semper velit nibh eu felis. Suspendisse potenti. Pellentesque ipsum magna, rutrum id leo fringilla, maximus consectetur urna. Cras in vehicula tortor. Vivamus varius metus ac nibh semper fermentum. Nam turpis augue, luctus in est vel, lobortis tempor magna.
Ut rutrum faucibus purus ut vehicula. Vestibulum fermentum sapien elit, id bibendum tortor tincidunt non. Nullam id odio diam. Pellentesque vitae tincidunt tortor, a egestas ipsum. Proin congue, mi at ultrices tincidunt, dui felis dictum dui, at mattis velit leo ut lorem. Morbi metus nibh, tincidunt id risus at, dapibus pulvinar tellus. Integer tincidunt sodales congue. Ut sit amet rhoncus sapien, a malesuada arcu. Ut luctus euismod sagittis. Sed diam augue, sollicitudin in dolor sit amet, egestas volutpat ipsum.