Sofia Carolina: «Desafios fazem-me crescer»

A portuguesa emigrou para o país vizinho e está a jogar no principal campeonato feminino de Espanha (onde também atua Carla Freitas), ao serviço do Cadi.

Atletas | Competições
8 NOV 2013

A experiência, conta, está a ser muito gratificante, o nível da competição é muito exigente, mas só assim, entre as melhores, se consegue evoluir. Não perca a entrevista nos detalhes desta notícia

Como tem sido a experiência de fazer parte de uma equipa da principal Liga feminina espanhola? E sobre o nível da competição?Tem sido uma experiência gratificante, uma oportunidade única na verdade. O nível da competição é extremamente elevado, sendo também bastante equilibrada.A equipa trabalha de uma forma profissional? Como é a sua habitual semana de trabalho?Sim, a semana é formada por treinos bidiários e trabalho físico duas a três vezes por semana, sempre com a equipa completa. Treinamos de Segunda a Sábado, folgando sempre aos Domingos. Durante a semana quando chegamos ao quinto treino por norma folgamos. Contudo, quer joguemos fora ou em casa treinamos uma hora de lançamentos e outras situações, nomeadamente a “revisão” de todas as nossas jogadas. Por fim, os treinos da parte da manha tem a duração de 1h45 ou 2h e da parte da tarde 1h30.Ao que julgo saber, o treinador aposta muito na defesa e num ritmo elevado de jogo. Tem sentido alguma dificuldade em se enquadrar nesse estilo de jogo? A defesa é a base do nosso jogo. Por vezes, em situações de treinos em 5×5 temos de fazer 5 defesas seguidas e ate 10 para poderemos atacar. Nada é dado, mas sim conquistado. Inicialmente foi-me muito difícil conseguir acompanhar o ritmo de algumas companheiras de equipa já bem habituadas ao estilo de jogo da Liga Feminina. É também verdade que o meu treinador considera que defensivamente tenho dado bons feedbacks mas ainda assim não suficientes. Considera também que a minha maior vantagem será em transições ofensivas, muito “contra-ataque” ganhando assim vantagem sobre as minhas adversárias diretas. O que nunca pode faltar é intensidade! Honestamente, é difícil manter a concentração quando os pulmões e o cérebro já não aguentam (risos), ainda assim sou constantemente posta a prova em várias situações de treino as quais tenho conseguido superar.A concorrência dentro da equipa é grande?Bastante. Falamos de jogadoras a nível interior que competem a um alto nível profissional ainda eu não jogava basquete (risos). De momento jogar na posição 5 não é solução para mim, pois não tenho vantagem clara dentro da minha equipa, nem na Liga, o que tem “desabrochado “ em mim digamos assim situações de 1×1 a partir de situações exteriores. Surpreendentemente, assim o diz o meu treinador também, sou dos postes mais “baixos” da Liga. Todos os dias tenho o desafio de defender uma poste de 1,97m e com mais 10kg que eu. Contudo só me faz crescer e certamente desafios são o que procuro de momento.Na época passada ficaram em 4º lugar. O clube este ano reforçou-se com algumas jogadoras, sente que tem expetativas de repetir o êxito da temporada anterior, e se possível melhorar a posição final?Sim, de facto um feito único para uma localidade pequena como é La Seu, contudo e tal como foi referido hoje antes do início do treino, de momento estamos em 3 º lugar…Mas apenas fizemos 3 jogos, no mínimo ainda faltam 19. O que conta é o resultado final de sete meses de trabalho. Melhorar é possível sempre e no que quer que façamos, certo é que trabalhamos de Segunda a Sábado para jogar uma final, todas as semanas temos uma final.Neste momento vão com duas vitórias e duas derrotas. Resultados que se podem considerar normais, tendo em conta os adversários que defrontaram?Diria que é subjetivo, tivemos um início complicado tendo jogado contra o 3º classificado da última época, Uni Girona, para a final da Liga Catalã, em que perdemos por 18 pontos, passado um dia começou o campeonato oficial no qual sofremos uma derrota de seis pontos contra a equipa que ascendeu a Liga principal esta época, equipa da internacional Carla Freitas (Biskaia GDKO).Por fim, na semana seguinte uma vitória de 26 pontos contra Uni Girona e uma vitória suada contra o último classificado. Portanto, diria que pode acontecer de tudo.Confiante que vai conquistar mais minutos de jogo? E para que isso aconteça e vença esse desafio, existem algumas áreas do jogo em que vai ter de se tornar mais forte?Sim, sempre, é para isso que trabalho. As expectativas por parte do Clube em relação a mim são altas. É-me dito algumas vezes que em alguns treinos apresento qualidade de jogadora de 2 divisão espanhola e que outras vezes jogadora de qualidade de Liga principal. Estou a procura do meu potencial máximo. As principais equipas da Liga Feminina normalmente jogam com 8 a 9 jogadoras, é extremamente importante treinar bem com muita intensidade, consistência, ter os níveis de confiança elevados e sobretudo muito desejo de competir. Sei que a nível de treinos estou num ótimo caminho e que apenas tenho que desfrutar, fazendo o que sei de melhor e não entrar em pânico em jogos oficiais. Por fim, certamente e principalmente irei melhorar o meu tiro exterior e respetivas percentagens, jogando na posição 4 agora será o mais evidente, o que só fará de mim uma jogadora versátil.

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8 NOV 2013

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