Artigos da Federaçãooo

“Devemos ser vistos como atletas, não pessoas com deficiência que praticam desporto como fisioterapia”

Yuri Fernandes, extremo português de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), perspetiva a nova etapa na equipa principal dos Hornets Le Cannet, e aborda o que separa Portugal e França.

Ao lado de nomes consagrados do BCR gaulês, como Stéphane Keller (1.0) e Alexis Ramonet (4.0), e de outras paragens, casos do espanhol Ivan Toscano (2.5) ou do marroquino Rida Maatoui (4.0), Yuri Fernandes (2.5) vive o ponto alto da sua carreira. O extremo de 30 anos conheceu o BCR em 2006, no Santoantoniense FC, no Barreiro, antes de rumar à ASCD “Os Trovões”, altura em que, pela mão de Inês Lopes, mereceu a chamada à Seleção Nacional para estágios e torneios de preparação para o Europeu B de 2010.

Em 2012, mudou-se para França, em busca de melhores oportunidades profissionais e desportivas. Antes de chegar à equipa “B” dos Hornets Le Cannet, em 2018, Yuri representou várias formações: Saint Barthélemy Nice, Cavigal Nice e ASCO Mulhouse. Na antecâmara da época 2020/21, ouviu a boa nova de que integraria a pré-época da equipa principal, cuja primeira bola ao ar em jogos oficiais se faz em casa, no dia 26 de setembro, frente a Lannion, a contar para a Nationale A, principal campeonato do país.  Ciente da competitividade que o espera, Yuri Fernandes exprime o desejo de conquistar títulos e de regressar à Seleção Nacional.

 

Estás a fazer a pré-época com a equipa principal. Como avalias o nível de treino?
Começámos na primeira semana de agosto, com quatro treinos por semana, que agora passaram a ser treinos de segunda à sexta. Temos a possibilidade de fazer até sete treinos. Às segundas e sextas, temos treinos de técnica/lançamento; às terças e quintas, temos a possibilidade de treinar duas vezes ao dia, sendo que as terças-feiras à tarde são dedicadas à preparação física. Às quartas-feiras, face ao ano passado, aumentámos a carga horária de duas para quatro horas.

Le Cannet tem um plantel repleto de grandes jogadores. Destacas algum em particular, pela qualidade e/ou pelo que te tem ensinado?
Já seguia os Hornets em Portugal. De facto, a equipa tem um plantel recheado de grandes jogadores, na equipa nacional francesa, espanhola e marroquina. Sem querer estar a individualizar, destaco, sim, a união e dedicação, que vai desde o presidente e do treinador, até aos jogadores, que me receberam muito bem e com quem tenho aprendido e evoluído muito.

Que objetivos defines para a época 2020/21?
Continuar a evoluir com a equipa principal, jogar na divisão principal do campeonato e ser campeão nacional.

Quais as tuas ambições a médio/longo prazo no BCR?
Conquistar troféus com a minha equipa e, claro, voltar a representar a Seleção Nacional, algo que sempre quis para contribuir para ganharmos títulos europeus.

França está no top 5 dos melhores campeonatos. Sei que é uma pergunta com pano para mangas, mas quais as principais diferenças que constatas entre o BCR português e francês? O que é que precisamos de “importar” para Portugal?
A grande diferença está na divulgação e promoção do desporto adaptado. Aqui, só a competir, existem cerca de 70 equipas. Uma das coisas que mais me impressionou foi saber que há um centro dedicado ao desporto adaptado, para encontrar jovens até aos 18 anos e formá-los nas respetivas modalidades. Fazem o seu percurso escolar e ao mesmo tempo são atletas. Acho que essa é a grande mentalidade que devemos importar para Portugal. Devemos ser vistos e considerados atletas, não pessoas com deficiência que praticam desporto como fisioterapia. Essa mentalidade tem que fazer parte do atleta, de querer sempre mais e ter que fazer sacrifícios para atingir os seus objetivos. Conheço o BCR português e acompanho o campeonato desde que deixei o país. Muita coisa mudou para melhor; é com orgulho que vejo Portugal participar nos Campeonatos da Europa e, pela primeira vez, uma seleção Sub22. Mas é preciso mais para poder colocar Portugal onde todos queremos.

 

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Sete atletas nacionais irão competir no estrangeiro na próxima época

Conheçam os jogadores portugueses de basquetebol em cadeira de rodas (BCR) que vão atuar no estrangeiro, na temporada que se avizinha.

Espanha
Na División de Honor, reconhecida como a melhor liga do mundo nas últimas épocas, vão militar, no Servigest Burgos, Helder da Silva (2.0), capitão de equipa, com uma longa carreira construída no emblema de Castela e Leão, e Luís Domingos (2.5), para quem a experiência significa uma estreia no principal escalão do país vizinho. Recorde-se que o Servigest Burgos ocupou a vaga de promoção deixada livre pelo Basketmi Ferrol, que, na época 2019/20, contou com um significativo contingente luso, composto pelos internacionais Pedro Bártolo (2.5), José Miguel Gonçalves (3.0) e, precisamente, Luís Domingos (2.5).

Itália
Ismael de Sousa (4.0) não tem ainda futuro definido, fruto da renúncia do Santa Lucia Basket, histórico do BCR da nação transalpina, em disputar a Série A. Perante o cenário económico melindroso, a formação romana terá apenas uma equipa com atletas da “casa”, na Série B. O poste ex-Sporting CP-APD Sintra prevê anunciar o seu destino brevemente, que deve contemplar a participação na Euroliga (1, 2 ou 3), cláusula essencial para que, em ano de Europeu, tente consumar a descida de pontuação e ganhe mais hipóteses de figurar nos eleitos de Marco Galego.

França
Na Nationale A, principal escalão, Yuri Fernandes (2.5), ex-Trovões, vai continuar a representar os Hornets Le Cannet, equipa talhada para atacar todos os títulos internos e intrometer-se, eventualmente, na luta por um troféu europeu. Já na Nationale B, Christophe da Silva (1.0) estreia-se com as cores do CAPSAAA Paris, cujo projeto prevê o ataque à subida e a participação na Euroliga 3, após vários anos ao serviço do colosso CS Meaux, onde perdeu espaço nas últimas épocas.

Alemanha
Paira a incerteza quanto à época de Paulo Soeiro (1.0), nos Lux Rollers, conjunto luxemburguês que compete nas provas germânicas. Se a Bundesliga 1 e 2 têm garantias de arranque, a Regionalliga, terceiro degrau do BCR mais profissionalizado da Europa, consta num patamar de prioridade abaixo, por isso não há ainda informações concretas.

Suíça
No Ticino Bulls permanece um dos atletas mais jovens da Seleção Nacional Sub22, Nuno Silva (1.0), extremo de apenas 17 anos. Nas aspirações aos lugares cimeiros, o clube do sul do país surge logo atrás dos experimentados Pilatus Dragons, de Zurique, e Les Aigles de Meyrin, de Genebra.

 

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Christophe da Silva ruma aos parisienses CAPSAAA

Após quatro épocas ao serviço do CS Meaux, histórico do basquetebol em cadeira de rodas francês, Christophe da Silva, extremo da Seleção Nacional, procura minutos num emblema da Nationale B, o CAPSAAA segundo escalão, cujo projeto aponta à subida.

Aos 37 anos, Christophe da Silva (1.0), internacional português desde 2017, num trajeto que totaliza duas presenças em Campeonatos da Europa, vai em busca de um novo desafio. “Melhorei e aprendi muito em Meaux. Queria mudar, tentar a sorte noutro clube e ter mais tempo de jogo”. A necessidade de minutos, com a Seleção Nacional e o Europeu de 2021 no horizonte, pesou especialmente na decisão do atleta iniciado em 2009, que perdeu espaço nas duas últimas épocas. Pelo CS Meaux, disputou várias fases preliminares da Champions Cup e Euroligas 1 e 2 – nestas alcançou fases finais -, e, no apogeu da sua carreira, sagrou-se campeão francês, na época 2016-17.

Com as cores do CAPSAAA ao peito, espera “vencer o campeonato e voltar à Nationale A”, objetivo que se soma à participação na Euroliga 3, um tónico e uma oportunidade para “continuar a alto nível”. A prever maior protagonismo no conjunto da capital gaulesa, ambiciona, no plano individual, “desenvolver o jogo ofensivo e melhorar o lançamento exterior”, metas inseparáveis do desejo em “trazer mais experiência à Seleção Nacional”.

Na turma liderada por Marco Galego, após duas experiências frustradas, nas quais a Seleção ficou à porta da Divisão B, Christophe da Silva tem em mente um único cenário. “Quero ser campeão no próximo ano e conhecer a Divisão B”.

 

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BCR arranca oficialmente a 17 de outubro

Na reunião de clubes de BCR, realizada no passado sábado, 25 de julho, determinou-se a data de início das competições, bem como dos estágios das Seleções, e perspetivaram-se cenários, caso a pandemia force nova paragem.

O esforço de retoma à normalidade conheceu outro capítulo, na reunião entre clubes e o Comité Nacional de BCR (CNBCR), de onde saíram os calendários para a época desportiva 2020/21. A 1.ª Divisão, disputada agora por sete emblemas, fruto da subida do Basket Clube de Gaia, será a primeira a descolar no dia 17 de outubro, com os embates APD Paredes vs. APD Braga, Basket Clube de Gaia vs. GDD Alcoitão e APD Leiria vs. Sporting CP-APD Sintra (folga a APD Lisboa). A jornada inaugural do segundo escalão, também jogado a 7 (equipas B da APD Braga, APD Lisboa, SCP-APD Sintra, GDD Alcoitão; CD “Os Especiais”, AD Vagos-Núcleo e Lousavidas), acontece apenas uma semana depois e prevê quatro encontros: APD Braga “B” vs. Lousavidas, Lousavidas vs. AD Vagos-Núcleo, SCP-APD Sintra “B” vs. APD Lisboa “B”, APD Lisboa “B” vs. GDD Alcoitão “B”.

Contudo, antes, de 1 a 5 de outubro, as Seleções A e Sub22 reatam a atividade, circunstância essencial, uma vez que no verão de 2021 se jogará o ECMC – Campeonato da Europa C -, no qual Portugal tem o objetivo claro de alcançar um dos dois lugares de acesso à divisão B. Na semana seguinte, a 10 e 11 de outubro, toma lugar a 20.ª edição do histórico Torneio Internacional de Lisboa, marco da pré-época do BCR nacional.

Num momento prévio de discussão, os treinadores dos clubes e das Seleções debruçaram-se, em conjunto com o CNBCR, sobre as soluções a adotar, num hipotético segundo surto da Covid-19, de modo a ser encontrado um campeão nacional, desfecho vital para a promoção da modalidade. Também o panorama atual das equipas esteve em análise, nomeadamente o acesso a instalações desportivas para a realização dos treinos e as estratégias privilegiadas pelos técnicos em alternativa ao contexto normal de pavilhão.

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Luís Domingos vai jogar na melhor liga de BCR do mundo

Luís Domingos, internacional A e Sub22 de BCR, transita do Basketmi Ferrol, que abdicou da subida, precisamente para o emblema que ocupa a sua vaga na promoção à División de Honor, o Servigest Burgos. Sendo assim, Luís Domingos vai jogar na melhor liga do mundo.

O término precoce da época, no mês de março, não permitiu ao Basketmi Ferrol discutir o objetivo legítimo de disputar o título da Primera División, depois de uma brilhante fase regular, que culminou no segundo posto. No entanto, o impacto de Luís Domingos (2.5) na formação galega foi de sobra e atraiu o interesse de outros emblemas rivais, nomeadamente o Servigest Burgos, terceiro na fase regular, que aproveitou a renúncia do conjunto onde também militaram Pedro Bártolo (2.5) e José Miguel Gonçalves (3.0).

Aos 22 anos, o possante extremo embarca para a sua terceira experiência internacional, uma vez que, antes da jornada espanhola, teve uma breve experiência no Handicap Sport Varese, da Série A italiana, ao lado de Pedro Bártolo. Em Burgos, baluarte do basquetebol na comunidade de Castela e Leão, Luís Domingos partilhará novamente o balneário com um português, Helder da Silva, veterano base e capitão de equipa.

Quais são as tuas expectativas para a nova época?

São muito simples. Melhorar como jogador, ajudar a equipa a garantir a manutenção e descobrir como é jogar contra tantos atletas incríveis.

Que competências esperas desenvolver enquanto jogador ao alinhar na División de Honor?

Espero trabalhar mais o aspeto mental e melhorar a visão de jogo e perceção de ocupação do espaço no campo. Outra coisa que quero aprimorar no meu jogo é o lançamento. Durante a quarentena, tenho trabalhado muito no lançamento de curta e média distância.

Há algum jogador que queiras enfrentar em particular?

Estou entusiasmado por jogar contra todas as equipas e jogadores, mas especialmente contra o Terry Bywater, para mim, seguramente, no top 5 dos melhores.

Tiveste um papel muito específico em Ferrol. O que esperas acrescentar a Burgos?

Uma das razões que me levou a sair de Ferrol foi não ter compreendido a minha função enquanto jogador e, na maior parte do tempo, sentia-me perdido. Por exemplo, nos treinos tinha mais liberdade para lançar e entrar na zona. Nos jogos, tinha tarefas completamente diferentes, era mais bloqueador, ajudava os grandes a entrar e fazia cortina. Foi um pouco confuso para mim. O que quero dar a Burgos é energia em campo, trabalho árduo e capacidade de lançamento.

És um dos jogadores portugueses de topo da tua geração. Que objetivos traças para o próximo Campeonato da Europa C, em 2021, com Portugal?

Temos um grupo muito bom, com muito talento, não só os veteranos e os que lá estão há mais tempo, como os mais jovens, que têm trabalhado imenso para se tornar melhores atletas. E isso dá-me esperança para que, daqui a uns anos, Portugal seja uma Seleção de topo. Os meus objetivos pessoais com a Seleção são subir à Divisão B e trabalhar para lá ficar. Quem sabe, se trabalharmos mais, talvez competir por um lugar na Divisão onde acho que devíamos estar.

 

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Balanço dos Clinics de BCR

De forma a capitalizar a paragem da pandemia, o Comité Nacional de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CNBCR) organizou vários Clinics, que versaram exclusivamente o BCR, sob distintas perspetivas. A iniciativa colheu a atenção de um total de 55 participantes, com a assistência média das quatro sessões dinamizadas a cifrar-se em 51 e o número de unidades de crédito atribuídas em 1.6. Pela mesa virtual de preletores, passaram Marco Galego, selecionador nacional A, Bruno Silva, adjunto da seleção A e preparador físico, Ricardo Vieira, selecionador nacional sub22, Regina Costa, responsável máxima da classificação a nível mundial, João Crucho, vice-presidente do CNBCR, Gustavo Costa, árbitro internacional, José Cardoso, vogal do Conselho de Arbitragem da FPB e ex-árbitro internacional de BCR, Beatriz Araújo, nutricionista das seleções de BCR, João Veloso, fisioterapeuta da Seleção A de BCR, e Sileno Santos, técnico da seleção brasileira. Perante a afluência, absoluta no caso dos treinadores nacionais da modalidade, Augusto Pinto, presidente do CNBCR, faz um saldo positivo das ações decorridas a 19 e 25 de junho, e a 8 e 15 de julho.

Foram cumpridas as expectativas do CNBCR com a organização dos Clinics?
Não só cumpridas, como esta primeira experiência superou as nossas expectativas tanto no número de participantes, como nas intervenções nos debates.

Como classifica a adesão dos técnicos, de BCR e basquetebol a pé?
Existiu uma adesão a 100% dos técnicos que estarão à frente das equipas de BCR, na próxima época, mais alguns que já fizeram o modulo de BCR, mas estão ligados ao basquetebol a pé. Aqui a presença rondou os 50%.

Que feedback tem recebido da organização das formações?
Houve diversos participantes a enaltecer as excelentes preleções, com especial ênfase na troca de conhecimento havido graças à parceria com técnicos brasileiros.

A pandemia foi um pretexto para dinamizar mais intensamente estas ações. Quais os próximos passos?
Consideramos muito importantes as ações presenciais (fisicamente) para abordar os aspetos práticos das cadeiras de rodas, mas que constituem, sem dúvida, um instrumento útil para questões mais teóricas, e que têm uma outra grande vantagem: a distância geográfica fica esbatida. Vamos continuar as ações online com uma mais ampla diversificação de conteúdos e trazendo intervenientes geograficamente mais distantes.

Está a nascer a semente de uma sinergia com o Brasil e os PALOP. De que forma a pretendem concretizar e como surgiu?
Foram dados os primeiros passos com muito agrado e sucesso, em especial no que concerne ao Brasil. A ideia surgiu aquando da minha presença no mundial de Hamburgo, onde acompanhei mais de perto a seleção brasileira masculina e feminina, e encontrei nos seus técnicos (em particular no Prof. Sileno Santos) um vivo interesse na troca de conhecimentos sobre o BCR. Posteriormente, fiz um primeiro contacto para trazer uma equipa de BCR e seus técnicos a um encontro com jogadores e técnicos portugueses num estágio das nossas seleções. Entretanto, a pandemia trocou-nos as voltas e acabou por haver este primeiro contacto online. Também foi iniciado um processo de aproximação aos países pertencentes aos PALOP que esperamos continuar a aprofundar.

 

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“Em Linha” com Martinho Santos

O nome de Martinho Santos não se pode dissociar das conquistas da APD Leiria, na qual acumulou as funções de jogador e treinador. Em 1984, residia em França, quando se iniciou no BCR, no Corbeil, clube que subsiste nos escalões inferiores gauleses. 

Ano de iniciação como treinador (Basquetebol a pé e/ou BCR): 1994
Clubes/seleções orientados (Basquetebol a pé e BCR):  APD Leiria
Palmarés: 3 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 1 Supertaça
Jogo da tua vida enquanto treinador de BCR (e porquê):
Houve diversos jogos que foram importantes, em várias competições. No entanto, houve um que me marcou de forma especial, quando ganhámos a Taça de Portugal, na cidade de Coimbra, no dia 11 de junho, na véspera do batizado do meu filho.
Resumo do percurso no desporto (enquanto atleta e treinador):
Comecei como jogador de BCR em França, país onde me encontrava a viver, em 1984, no clube Corbeil. Quando regessei a Portugal, integrei a equipa da APD Leiria, por volta de 1991, onde, passados 3 anos, passei a ser jogador e também treinador.
Que mensagem dirigias a um treinador hesitante em treinar BCR?
O conselho que daria era para não hesitar, porque tem muito em comum com basquetebol dito normal, apenas tem que haver uma adaptação ao nível do manuseamento da cadeira e alguns movimentos. Tudo o resto é muito idêntico, basta ser criativo.
Quais os treinadores que exercem maior fascínio sobre ti e porquê? 
Não tenho treinadores que me fascinem muito. Para mim, um treinador tem que ser um homem ou mulher muito inteligente, porque liderar um balneário de 15 ou 20 atletas, sejam homens ou mulheres, todos com uma identidade distinta, dá muito trabalho, exige criatividade e capacidade de transmitir confiança de forma a poder aplicar as suas ideias e fazê-las cumprir. Depois, no momento do jogo, manter uma elevada concentração, sobretudo naqueles momentos em que os jogos são disputados, onde cada decisão tomada pode resultar numa vitória ou numa derrota.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por treinar BCR. 
Um momento caricato e terrível foi quando estávamos num playoff, empatados 2-2 no jogo final, e os atletas estavam concentradíssimos. Fizemos o aquecimento e, no momento do jogo, o pavilhão não tinha eletricidade. Apesar de todos os esforços feitos para que esta fosse reposta, não foi possível. As equipas tiveram de mudar para outro pavilhão, com todo o stress que isso gera. Efetuou-se o jogo, sempre bastante equilibrado, e a nossa equipa perdeu no ultimo minuto por 2 pontos! Foi terrivel!
Quais as competências que considera essenciais para ser um treinador de sucesso?
Muita criatividade, firmeza, confiança e capacidade de transmitir essa confiança. E muito trabalho.
Em linha (ou em banana), a defesa que todos os treinadores querem, mas poucos conseguem. Qual a receita para lá chegar?
Requer muito treino, muito trabalho, e atletas concentrados e empenhados. É necessário haver trocas certeiras entre os atletas, porque não pode haver falhas. Aqui o papel do treinador é muito importante, porque tem de aplicar todos os seus conhecimentos, de forma a levar os atletas a conseguirem atingir esta forma de defesa o mais corretamente possível. Pessoalmente, sou um admirador desta defesa, mas reconheço que muitas vezes não é fácil aplicar na prática.

“Man Out” a Paulo Araújo

O trajeto no BCR arrancou, oficialmente, “perto” de casa, para Paulo Araújo, o extremo natural de Mirandela, na AD Aguiarense. A extinção da equipa motivou a ida para a APD Paredes, o que supõe colecionar quilómetros, sacrifício que lhe tem rendido a presença nos quadros da Seleção e um papel de destaque na formação nortenha. 
Data de nascimento: 21 de outubro de 1989
Ano de iniciação: 2004
Posição: Base/Extremo
Clube: APD Paredes
Palmarés:
Jogo da tua vida (e porquê): GDD Alcoitão vs. APD Paredes – Jogo às 20h30, precisávamos de ganhar para ir ao playoff e, após uma longa viagem, com apenas seis jogadores e alguns lesionados, mostrámos garra e união, acabando por ganhar o jogo.
Chamam ao basquetebol em cadeira de rodas a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como “vendias” o BCR?
A melhor forma de “vender” esta modalidade é levar a pessoa a experimentar ou a ver um jogo, no qual irá assistir a muita intensidade, rapidez e muito contacto físico.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti? 
Sem dúvida alguma, Hugo Lourenço, o meu ídolo a nível nacional. Em segundo, o Pedro Goncalves, pela visão fantástica de jogo que tem, sem esquecer o Pedro Bártolo, por tudo que faz pelo basquetebol e pelo colega excelente que é.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR.
Já passei demasiados ao longo destes anos todos, desde uma longa viagem de Sintra até Mirandela e um javali me aparecer à frente, em plena autoestrada, e passar-lhe por cima, até um determinado jogador marcar no próprio cesto num jogo oficial.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito? 
Sem dúvida alguma, fazer aquela assistência perfeita para o colega (poste) que está, com o braço no ar, rodeado de adversários, sem esquecer o mais importante dos movimentos do basquetebol, os bloqueios.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”? 
Não me vou prolongar muito nesta resposta, pois pode ser qualquer adversário que no momento esteja mais vulnerável para essa ação, mas nesta próxima época gostaria de o fazer ao meu ex-colega de equipa e grande amigo, Hélder Freitas (Vareta) (recém-transferido para a APD Braga).
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.

Entrevista a Regina Costa, responsável máxima da classificação a nível mundial

Regina Costa, responsável máxima da classificação a nível mundial, abordou a controvérsia atual com o IPC – Comité Paralímpico Internacional -, que ameaça excluir o basquetebol em cadeira de rodas (BCR) dos Jogos de Tóquio 2021 e dos Jogos de Paris 2024.

O choque anunciado, entre IWBF (Federação Internacional de BCR) e IPC, consumou-se este ano. A entidade máxima do desporto paralímpico comunicou à IWBF a possibilidade de exclusão do BCR dos Jogos de Tóquio 2021 e, com efeito imediato, a sua retirada do programa de Paris 2024, caso o organismo não ajuste o seu processo de classificação de atletas às normas do IPC. Entre os danos colaterais com maior repercussão está a declaração de inelegibilidade de David Eng, lenda do BCR canadiano, cuja lesão, à luz dos códigos do IPC, se entende como insuficiente. Reacende-se, assim, a discussão da introdução do classe 5 (cada atleta é pontuado entre 1 a 4.5 face à sua funcionalidade e lesão, perfazendo o total do cinco 14.0) para atletas com limitações mínimas ou até sem qualquer lesão, como acontece em Inglaterra, outrora em Itália ou precisamente no Canadá. Regina Costa, Presidente da Comissão de Classificação do Conselho Executivo da IWBF, esclarece a polémica instalada.
Para os leigos na matéria, consegues explicar sucintamente a controvérsia atual em torno da classificação? 
No final de janeiro de 2020, o IPC exigiu que a IWBF fizesse uma reavaliação de todos os jogadores com Classificação Internacional para confirmar a sua elegibilidade de acordo com o Código de Classificação do IPC. Esta reavaliação faz parte do processo que a IWBF tem de fazer para continuar a fazer parte do programa dos Jogos Paralímpicos.
O mérito do BCR é a introdução de critérios funcionais e, à conta disso, abarcar uma multiplicidade de lesões. Constitui um retrocesso a adoção do código do IPC? 
A revisão que estamos a fazer tem sido uma vantagem, porque havia imensas coisas que precisavam de ser atualizadas e melhoradas. O Código de Classificação do IPC veio ajudar imensas modalidades onde o sistema de classificação era mais débil. No BCR, temos um bom sistema e esse vai continuar. O que estamos neste momento a rever é a questão da elegibilidade dos jogadores. Estar em conformidade com o Código do IPC é a única forma de mantermos a modalidade nos Jogos Paralímpicos. Como tal, é difícil de considerar isso como um retrocesso.
Já tivemos as primeiras baixas à conta das imposições do IPC, com a falta de elegibilidade do David Eng a ser o caso mais mediático. Que soluções se estão a encontrar para atletas como ele, inapto para o basquetebol convencional e BCR? 
A IWBF criou um documento que foi distribuído aos diversos países com as várias possibilidades de continuação na modalidade para qualquer jogador que deixe de jogar, devido a este processo ou não. Poderá haver a hipótese de continuar a participar nas ligas nacionais e, eventualmente, a participação em competições internacionais de clubes.
Quais os maiores desafios da classificação funcional do BCR no momento atual? 
O maior desafio é o processo de reavaliação que está a decorrer. A logística por trás de todo este processo é enorme, porque estão envolvidos cerca de 4500 jogadores! A pandemia não veio ajudar, uma vez que estamos a pedir aos jogadores para nos enviarem informações médicas. Este desafio é enorme para nós, IWBF, mas também para todos os países e jogadores envolvidos, não só devido à informação que é pedida, pelo stress psicológico a que todos ficam sujeitos. O objetivo é acabar todo este processo e ter o “carimbo” do IPC para que possamos continuar em frente e desfrutar da modalidade que tantos gostamos!

Versão wap:


“Em Linha” com Teresa Xavier

Recém-chegada ao BCR, Teresa Xavier faz parelha com Daniel Pereira no comando da APD Lisboa e denota já um envolvimento ao nível dos técnicos mais experimentados. A vontade de aprender, que emana de todo o seu discurso, colocam-na com justiça no lote dos treinadores em ascensão na modalidade. 

Em anexo podem encontrar todos os dados sobre o percurso de Teresa Xavier.

Que mensagem dirigias a um treinador hesitante em treinar BCR?
Aceita, porque pode ser o maior desafio desportivo da tua vida. Mais do que os capítulos técnico-táticos, é o poder treinar com pessoas diferentes, que tinham tudo para desistir, mas que são entusiasmantes, que te ensinam mais pessoalmente do que tu jamais pensaste aprender. É cativante perceber os esforços que todos os participantes neste desporto fazem e é reconfortante entender o que o grupo e a modalidade fazem aos participantes de BCR. Quando tu tens oportunidade de viver isto, já ganhaste um grande desafio na tua vida.
Quais os treinadores que exercem maior fascínio sobre ti e porquê?
No basquetebol a pé tenho duas grandes referências com quem tive o privilégio de privar, o professor José Tavares da Silva, meu professor na faculdade e tutor de curso, pela sua forma de estar na modalidade, pelo treinador que foi e pelo que alcançou; o San Payo Araújo pelo que representa para o minibasquete em Portugal e por todos os ensinamentos que partilhou comigo em treinos, formações, torneios e outros eventos. No BCR, o Ricardo Vieira, não só pelo que tem construído e conquistado com a APD Braga, mas também pela partilha e vários ensinamentos ao longo dos últimos anos.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por treinar BCR.
Com frequência, os meus atletas de Mini 10 vão assistir aos jogos da APD Lisboa. Um momento caricato que se tornou um ritual é, no final, os meus atletas de Mini 10 juntarem-se aos meus atletas de BCR e, nas cadeiras, lançarem ao cesto. A confraternização e o gosto fazem com que os meus Mini 10 me perguntem regularmente quando tenho jogo e os meus atletas de BCR, sempre que veem os meus Mini 10 na bancada, não abandonam o recinto sem fazerem uns lançamentos em conjunto.
Quais as competências que considera essenciais para ser uma treinadora de sucesso?
Para além do conhecimento técnico-tático e saber intervir no jogo, a componente emocional/psicológica é para mim cada vez mais importante. A forma como conseguimos mobilizar os jogadores, encorajá-los a ser melhores em cada treino, a gestão do feedback corretivo, assertivo e positivo, mas fundamentalmente fazer com que acreditem que, apesar de todas as limitações ou adversidades, é possível atingir a excelência individual e coletiva. Somos treinadores de sucesso quando conseguimos que as partes e o todo na nossa equipa atinjam a excelência.
Em linha (ou em banana), a defesa que todos os treinadores querem, mas poucos conseguem. Qual a receita para lá chegar?
É um modelo de defesa em que acredito, mas obedece a um conjunto de requisitos nem sempre fáceis de conciliar: comunicação exímia entre todos, excelente técnica de cadeira e disponibilidade física. Quando bem executado, cria muitas dificuldades à equipa adversária, mas se não o conseguirmos implementar de forma eficiente, vamos ser permeáveis. Por outras palavras, usa-o se o sabes fazer bem, se não sabes, treina-o melhor antes de o usares.

“Man Out” a Hélder Moreira

Um dos novatos na APD Braga, turma tetracampeã nacional, Hélder Moreira distingue-se pela dedicação digna dos melhores, a que acrescenta uma forma de estar conciliadora com colegas e adversários. Detém um registo raro e peculiar: o jogo de estreia significou a conquista do seu primeiro título. 

Data de nascimento:28/04/1989
Ano de iniciação:2018
Posição: extremo/poste
Clube: APD Braga
Palmarés: Supertaça 2019/20
Jogo da tua vida (e porquê): Supertaça 2019/20, porque foi o primeiro jogo oficial e o primeiro titulo!
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como “vendias” o basquetebol em cadeira de rodas? 
Para vir experimentar, que de certeza de que vai adorar e querer ficar/praticar. Foi o que aconteceu comigo!
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti? 
O Márcio Dias, o nosso mágico!
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR. 
O corte de barba que o os meus colegas me fizeram no Torneio Internacional de Lisboa, no começo desta época!
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito? 
Quando consigo ganhar o espaço para entrar na área restritiva.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”? 
Márcio Dias!
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.

2019 viu a estreia da 1ª seleção portuguesa de BCR sub23

Em Janeiro de 2018, o Comité Nacional de BCR lançou as bases para a constituição de uma seleção nacional sub23. Apenas um ano depois, na Finlândia, Portugal fazia a sua estreia oficial nos Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude. Ricardo Vieira, na altura técnico adjunto, agora selecionador principal, analisa o impacto da experiência.

 

Há muito se cogitava a criação de uma seleção jovem no BCR português, mas o passo decisivo para mitigar o fosso em relação aos melhores, surgiria apenas em Janeiro de 2018. Daí à participação nos Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude (EPYG), na Finlândia, decorreu cerca de um ano e cinco meses, tempo que seria sempre curto para abordar uma das etapas mais transformadoras na vida dos 10 convocados. “Foi o “abrir de olhos” necessário para entenderem que, sem trabalho, empenho e consistência não se consegue atingir patamares altos.

 

Perceberam que o que desenvolvem nos clubes não os levará a pódios europeus e que, por enquanto, a única forma é trabalhar individualmente, esperando que os clubes possam vir a dispor de mais horas de treino, melhores condições e de técnicos qualificados”, adverte Ricardo Vieira, rendido, contudo, ao “espírito de grupo” fomentado no certame.

 

Na véspera do terceiro encontro, contra a favoritíssima – vencedora da prova – França, o selecionador vaticinou um resultado extremamente desnivelado, algo que causou perplexidade no grupo, cuja modesta perceção do jogo à escala internacional não pressagiava tão mau cenário. “Disse-lhes: “se não perdermos por mais de 100 pontos, considerem uma vitória”. Responderam, por outras palavras, que eu estava maluco. Resultado final: 106-17”, remata, para discorrer sobre “a ilusão que é criada ao jogador de BCR em Portugal, em que basta pegar numa bola e lançar duas vezes por semana”. Menosprezados ficam os “fundamentos, o trabalho físico, psicológico, o cuidado com a alimentação, o descanso, a recuperação física pós-treino e jogo”, componentes onde, embora condicionados pela ação dos clubes, os atletas “devem fazer a sua parte”.

 

A lição repercutiu-se em mudanças tangíveis, mesmo em tempo de pandemia, com “pelo menos 8 dos atletas” a treinarem de forma “muito profissional”, numa base diária, e em alguns casos com retoma progressiva do treino em pavilhão. Mesmo que a contragosto, Ricardo Vieira responde à questão e mostra-se convicto na capacidade dos seus pupilos dificultarem as escolhas a Marco Galego, selecionador nacional A, para o próximo Europeu C, em 2021. “Sou muito suspeito, ainda assim, parece-me que estão reunidas as possibilidades de marcarem presença 3 a 4, com alguma “facilidade”. Os 5 não sei se será possível, até porque o grupo, em relação ao último europeu, tem os regressos de Filipe Carneiro e Marco Gonçalves, dois atletas de classe europeia”.

 

Ciente do potencial existente, mas sem deslumbramentos, Ricardo Vieira espera não ver dissipar-se a boa dinâmica na melhoria estrutural da modalidade e desafia “entidades públicas e privadas a aumentarem o apoio aos clubes”. Se a nível federativo, o técnico bracarense não coloca Portugal “atrás de ninguém na Europa”, na realidade do clube o panorama está aquém do exigido para que a seleção sub22 (sub23 somente no contexto dos Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude e Campeonatos do Mundo) integre um europeu da categoria.

 

“Treina-se, no máximo, 2x por semana, com treinos de 1h30min, e isso é algo inaceitável para que possamos almejar estar presentes num Europeu a um nível razoável”, afirma. Não obstante as adversidades, o primeiro passo está dado. Da viagem aos EPYG 2019 subsiste o legado da mentalidade de verdadeiro atleta, ponto de partida para qualquer conquista vindoura.


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“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”

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Miguel Maria

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