Artigos da Federaçãooo
Portugal e Brasil estudam dinâmicas de colaboração no BCR
Portugal e Brasil encaminham-se a passos largos para um acordo de cooperação técnica. No passado sábado, 6 de fevereiro, o presidente da CBBC – Confederação Brasileira de BCR -, Mário Belo, e o presidente do CNBCR – Comité Nacional de BCR -, Augusto Pinto, conversaram virtualmente, intermediados pelo Prof. Sileno Santos, selecionador nacional brasileiro que tem sido presença assídua em formações online dinamizadas pelo CNBCR.
Do lado brasileiro, enalteceu-se a vasta experiência de técnicos, árbitros e atletas, a consolidação internacional das seleções masculina, feminina e sub23, assim como o legado e importância do Centro de Treino Paralímpico Brasileiro. No caso português, o retorno poderá advir da proximidade geográfica com as potências europeias e mundiais da modalidade, nomeadamente Espanha, do envolvimento na classificação funcional derivado da posição de relevo de Regina Costa, máxima responsável da área à escala mundial na IWBF (Federação Internacional), e do histórico de atletas portugueses em vários campeonatos europeus (Espanha, Itália, França e Alemanha).
Ambas as nações convergiram no diagnóstico de algumas lacunas que se pretendem limar: pouca qualificação da classe dirigente, baixo investimento em marketing e comunicação, e necessidade de massificação da prática do BCR.
No que toca a projetos em comum, Augusto Pinto exortou o seu homólogo brasileiro para que os dois países tomem a dianteira no fomento da evolução do BCR junto da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Ficaram ainda estabelecidas as seguintes metas:
– Desenvolvimento técnico (treinadores, árbitros, classificadores e atletas), através de seminários, workshops, cursos e palestras presenciais (quando for possível) e online;
– Intercâmbio com as seleções (assim que a situação pandémica o permitir), com prioridade para, no Brasil, a seleção sub23 masculina e seleções feminina (sénior e sub25), e as seleções A e sub22/23, em Portugal;
– Desenvolvimento da vertente científica do BCR em cooperação com Universidades dos dois países.
Nota: Foto de Federação Catalã de Desporto para Pessoas com Deficiência Motora
Jorge Marqués: “A hospitalidade que tenho de Portugal é maravilhosa”
Em 1990, “enganado” por um amigo e sem qualquer preparação prévia, Jorge González Marqués viu-se a apitar uma Copa Galicia de basquetebol em cadeira de rodas. A dureza do jogo e o tratamento agreste dos atletas, submersos à data num grande amadorismo, não o afugentaram, benevolência prontamente aproveitada pela federação para uma futura contratação “vitalícia”.
Ao longo de 31 anos, o juiz internacional desde 2008, natural de Lima, Perú, soma quase uma dezena de finais da Copa do Rei e División de Honor, escalão cimeiro em Espanha, mas Portugal está igualmente inscrito no seu currículo distinto. Aliás, Jorge foi obreiro de uma façanha difícil de repetir: arbitrou, por duas épocas consecutivas, as finais da Copa do Rei e liga, em Espanha, e do campeonato, Taça, bem como a Supertaça, em Portugal.
Desvendamos o percurso de um nome consensual da arbitragem à escala ibérica, entre atletas, técnicos e colegas, que reserva ainda tempo para se notabilizar na fotografia, de tal modo que desempenhou a função de oficial do Obradoiro CAB, da liga ACB.
Qual a primeira ligação ao desporto e à arbitragem (basquetebol convencional e BCR)?
Quando tinha 18 anos, um colega do meu irmão, árbitro de basquetebol, pediu-me boleia. Pensei que era para ir a um hospital em Vigo, mas fomos a um jogo numa escola em frente. Fiquei como oficial de mesa. Gostava muito de basquetebol, da NBA dos anos 80 e da liga espanhola, mas não tinha conhecimento real nenhum. Enquanto árbitro, na minha estreia, mandei calar o treinador de uma das equipas, porque pensei que não sabia as regras. Quando houve um desconto de tempo, um dos árbitros chegou à minha beira, disse-me “Olha, ele é árbitro, professor nesta escola e o responsável da arbitragem escolar em Vigo”. Assim foi o meu primeiro jogo.
Em 1990, jogou-se uma Copa Galicia de BCR, e um colega árbitro ligou-me para que levasse roupa de arbitragem para ajudar como oficial de mesa. Fui, era mentira, queria mesmo que apitasse o jogo. Na época seguinte, nomearam-me para um jogo. A arbitragem era complicada, os jogadores estavam sempre a protestar e ninguém queria apitar. Foi divertido para mim, um espetáculo. Ao chegar à federação, perguntaram-me como correu e eu disse “bem”. Quiseram dar-me logo todos os jogos.
Mais tarde, em 1999, ao assistir a uma Copa do Rei, havia um curso no qual me inscrevi, mas quando cheguei lá, o responsável, Julian Rebollo, pediu-me para apitar, porque andavam a falar muito de mim. Apitei com duas pessoas que não conhecia, Juan Manuel Uruñuela e Clara Baquero [consagrados árbitros espanhóis]. Depois, foi sempre a evoluir. O jogo era espetacular, com uma dinâmica distinta; a evolução do BCR dos anos 90 para agora é incrível, sobretudo pelo avanço das cadeiras. Houve muito mais evolução no BCR do que no basquetebol a pé.
Como surgiu a ligação a Portugal?
O ano-chave foi 2012. Aconteceram duas coisas. Tive o meu “Refresher Clinic” [para a renovação da licença internacional] em Sevilha e partilhei quarto com o Gustavo Costa [árbitro português]. Antes, já tinha uma boa relação com o Ricardo Vieira [atual técnico da APD Braga, selecionador nacional sub22, treinador adjunto da seleção A, ex-árbitro internacional], que me contactou uma semana depois disso por causa do I Torneio Ibérico de BCR. Pretendia convidar as equipas de Vigo e Ferrol. Foram minutos para convencer as duas equipas e o Ricardo pediu-me para eu apitar. Gostei muito da receção e do trato de todas as pessoas envolvidas.
Nessa época, a APD Braga ganhou o campeonato pela primeira vez. Continuou a relação com eles, com o José Cardoso, que também era árbitro internacional, e conheci ali o João Correia. Falei muito com ele e conheci o Augusto Pinto [atual presidente do Comité Nacional de BCR], excelente pessoa. Meio a brincar, meio a sério, disse que não tinha problema de vir apitar aqui. Para mim, é uma experiência fantástica, estou muito agradecido pela oportunidade. Sinto que estou a colaborar e a ajudar.
O que opinas do nível da arbitragem portuguesa?
Todos os dias falo com o Gustavo. O grupo da arbitragem de BCR de Portugal é ativo como nunca vi na minha vida, nem em Espanha se trabalha tanto. O esforço é incrível, necessário, porque se partiu do zero há duas épocas, quando se fez um Clinic em Aveiro e entraram muitos árbitros, sem experiência. Outros tinham, mas a formação era praticamente inexistente em vários aspetos. Há “ganas”, muito que trabalhar, mas o interesse é espetacular. Daí que o contacto com o Gustavo e o José Cardoso seja contínuo.
Quais são os pontos altos na tua carreira?
Com carinho, lembras-te sempre do primeiro jogo de basquetebol, que também apitei “enganado”. De BCR, lembro-me de um jogo espetacular, no qual o Amfiv subiu à máxima categoria, em Vigo, contra o Ademi de Canárias. O pavilhão estava cheio, nunca tive um ambiente de nervosismo assim, porque se jogava a subida. Depois, a primeira Copa do Rei; ou quando me tornei internacional, em Gent, na Bélgica. Havia dois jogadores portugueses a jogar no Silversport Gent, porque um falou em português comigo, disse-me algo mau referente à minha mãe. Não sabia que eu era espanhol.
Em termos de importância, a primeira Copa do Rei, o Europeu Sub22 em Lignano, em 2017. Levo umas 20 ou mais Taças do Rei e Ligas; finais são oito ou nove. Tirando a época passada, interrompida pela pandemia, nas quatro últimas que se jogaram em formato Final Four, fui o único árbitro de Espanha que esteve em todas. Houve ainda duas épocas importantes para mim, por um detalhe que me faz sentir orgulhoso. Por dois anos seguidos, fui o árbitro principal da Final Four e Copa do Rei, em Espanha, e da Liga, Taça e Supertaça de Portugal.
Qual o objetivo que persegues na tua carreira?
Já há algum tempo que estou focado em ajudar a formar mais árbitros. Em Espanha, perguntam-me muito se tenho hipótese de ir aos Jogos Paralímpicos ou a algum Mundial. Eu digo que não. Para mim, o melhor árbitro da história, atualmente do mundo, é o Juan Manuel Uruñuela, espanhol. Quando há Jogos ou Mundiais, vai um árbitro, dois no máximo, por país. Nunca seria justo para as equipas que não fosse o melhor possível.
Não preciso de um jogo ou torneio específico. Estou muito satisfeito em conseguir ajudar uma rapariga de Vigo em ser internacional, Patricia. Na época anterior, em Lignano, curiosamente, outra rapariga espanhola, Laura, conseguimos que se tornasse também. Agora, estou focado em tratar de devolver tudo o que recebi, em dar. A hospitalidade que tenho de Portugal é maravilhosa.
“Melhora o teu jogo”
Inauguramos o espaço “Melhora o teu jogo”, dedicado ao basquetebol em cadeira de rodas (BCR), com o intuito de dar a conhecer propostas e dicas de treino, aplicáveis em casa ou no pavilhão, que ajudem os atletas a subir um patamar.
Esta semana, sob a orientação de Doug Garner, treinador dos Movin’ Mavs, da UTA – Universidade do Texas em Arlington -, equipa vencedora de oito campeonatos universitários da NWBA – National Wheelchair Basketball Association -, o plano incide em três exercícios dedicados ao controlo de cadeira.
No BCR, a exigência física e agilidade associadas à utilização da cadeira de jogo requerem uma atenção particular, razão pela qual todas as sessões devem contemplar o seu treino.
Lane Lines
Gates
U-Turn
Nota: Foto retirada do Facebook oficial dos Movin’ Mavs.
“Na Primeira Pessoa” com Hugo Maia
No segundo episódio da rubrica “Na Primeira Pessoa”, percorremos o trajeto de Hugo Maia, capitão do GDD Alcoitão e subcapitão da Seleção Nacional de BCR, que ostenta um longo palmarés, amealhado ao serviço da APD Sintra. O base/extremo de 42 anos conta ainda com uma passagem fugaz pela APD Lisboa, outro dos emblemas centrais do BCR nacional.
Ao longo dos próximos meses, iremos conhecer vários dos atletas e técnicos que contribuíram inegavelmente não só para o sucesso das suas equipas, como para elevar o estatuto e reconhecimento do BCR. Em foco, estarão igualmente as vicissitudes da prática da modalidade, em particular as dificuldades sentidas na iniciação, lacuna que persiste em todo o panorama Paralímpico.
Nota: Foto de Miguel Fonseca
Man Out a “André Gomes”
Com menos de dois anos de BCR e apenas 18 de idade, André Gomes dá mostras de maturidade de um veterano e já “convenceu” o selecionador nacional, Marco Galego, a integrá-lo num estágio da seleção principal. Cerebral e disciplinado, o jovem poste promete dar novo fôlego ao jogo interior do GDD Alcoitão e espreitar os palcos reservados aos melhores.
Data de nascimento: 20/02/2002
Ano de iniciação: 25/05/2019
Posição: Poste
Clube: GDD Alcoitão
Palmarés: Em construção
Jogo da tua vida (e porquê): Foi contra a APD Braga, na Final Four da Taça de Portugal. Por ser um dos meus primeiros jogos e, apesar de só ter alinhado nos últimos 5 minutos, foi a partida que me fez sentir que o BCR era aquilo que eu queria fazer e que era a partir daí que eu tinha de trabalhar para conseguir tornar-me num ótimo jogador.
Chamam ao BCR a modalidade paraolímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como o “vendias”?
Simplesmente, diria para experimentarem, pois tenho a certeza de que depois disso a pessoa se iria apaixonar pela modalidade. A paixão pelo BCR é quase inexplicável!
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti?
Os jogadores que mais me fascinam são quatro: Márcio Dias e Hugo Maia, pelo trabalho, forma de jogar, força e pelo tempo que dedicam ao BCR; e Pedro Bártolo e Marco Gonçalves que, para além do trabalho, têm uma enorme qualidade de jogo.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR.
O momento mais caricato que vivi no BCR foi no primeiro estágio da seleção sub22, quando os capitães me entregaram uma lata de conserva de atum num saco com água (O Rico), e me disseram que tinha de tomar conta dele durante um dia inteiro. No final do dia, tudo tinha um significado, que era o sentido de responsabilidade.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito?
O meu momento do jogo favorito é a defesa pois, na minha opinião, é a altura com maior complexidade, pelo que envolve comunicação, técnica de cadeira, experiência, concentração e confiança entre colegas de equipa.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”?
Pedro Bártolo.
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.
Nota: Foto de Miguel Fonseca.
Servigest Burgos alcança vitória importante
Luís Domingos (2.5) e Helder da Silva (2.0), do Servigest Burgos, continuam a merecer destaque a solo na rubrica “Portugueses lá fora”. Na 10.º jornada da División de Honor, a formação de Castela e Leão fez valer o fator casa diante do Iberconsa Amfiv, de Vigo, ao impor-se por 71-61. Em Itália, más notícias para Ismael de Sousa (4.0), do Santa Lucia Basket Roma – Série B -, que viu o começo do campeonato adiado para março, depois de inicialmente previsto para 30 de janeiro. Em França, recordamos, Christophe da Silva (1.0), do CAPSAAA Paris – Nationale B -, e Yuri Fernandes, a atuar pelos Hornets Le Cannet – Nationale A –, arrancam a 13 de fevereiro.
Servigest Burgos 71-61 Amfiv
O Servigest Burgos reforçou as suas aspirações de qualificação para a Copa do Rei, que agrega os oito primeiros classificados, ao bater o mais direto perseguidor, Iberconsa Amfiv, no 9.º posto – 71-61. O ascendente pertenceu sempre ao conjunto local, municiado pela melhor versão do polaco Mateusz Filipski (4.0) – 32pts, 5res, 9ast, 1rb -, bem secundado pelo seu compatriota Andrzej Macek (1.5) – 14pts, 4res, 2ast – e pelo internacional espanhol Roberto Mena (4.0) – 16pts, 18res, 8ast, 2rb. Helder da Silva (2.0) não saiu do banco, ao passo que Luís Domingos (2.5), nos escassos 2 minutos em campo, converteu um dos dois lances livres que teve à disposição.
Do lado galego, Agustin Alejos (4.5), símbolo do clube e da seleção espanhola, foi dos mais inconformados, ao registar 17pts, 18res, 8ast, 2rb e 13 faltas sofridas.
Parciais: 24-17 / 18-19 / 16-5 / 13-20
“Na Primeira Pessoa” com Márcio Dias
Inauguramos o espaço de entrevista “Na Primeira Pessoa” com Márcio Dias, capitão da APD Braga e da Seleção Nacional de basquetebol em cadeira de rodas, cujo percurso, em Portugal e em Espanha, onde se destacou pelo Servigest Burgos, é fértil em êxitos.
Ao longo dos próximos meses, iremos conhecer vários dos atletas e técnicos que contribuíram inegavelmente, não só para o sucesso das suas equipas, como para elevar o estatuto e reconhecimento do BCR. Em foco, estarão igualmente as vicissitudes da prática da modalidade, em particular as dificuldades sentidas na iniciação, lacuna que persiste em todo o panorama Paralímpico.
Nota: Foto de Photo Mumentus – Carlos Viana
Luís Domingos arranca 2021 com derrota
Esta semana, na rubrica “Portugueses lá fora”, relativa ao basquetebol em cadeira de rodas, ênfase exclusivo para Luís Domingos, único atleta nacional que esteve em ação nas ligas estrangeiras. A contar para a 9.ª jornada da División de Honor, principal escalão espanhol, o Servigest Burgos saiu vergado por 71-54 na visita a Málaga, perante Amivel, adversário direto na luta pela fuga aos lugares da metade inferior da tabela.
Amivel Málaga 71-54 Servigest Burgos
Após um período inicial bem-sucedido, no qual a formação de Castela e Leão assumiu a dianteira, os malaguenhos reagiram com determinação e assinaram um parcial dominador – 24-9 – para não mais perder o comando. O porto-riquenho Carlos Martinez Nieves (3.0) – 27pts, 14res, 4ast – e o norte-americano Zachary Blair (4.5) – 15pts, 11res, 1rb – lideraram a reviravolta do conjunto do sul de Espanha, bem secundados pelo internacional britânico Abdi Jama (1.0) – 14pts, 2res, 4ast. Nos visitantes, o internacional polaco Mateusz Filipski (4.0) e o internacional espanhol Roberto Mena (4.0) não se exibiram ao nível habitual, o que limitou as aspirações à conquista dos dois pontos, apesar das excelentes réplicas do também internacional polaco Andrzej Macek (1.5) – 22pts, 1res, 1ast – e de Martin Arredondo (3.0) – 11pts, 7res, 4ast -, peça basilar da seleção mexicana. O internacional A e Sub22 Luís Domingos (2.5) disputou 14 minutos do encontro, enquanto o veterano capitão Helder da Silva (2.0) não constou na convocatória e deverá ter maior protagonismo na equipa B, cujo primeiro compromisso se prevê para 26 de março, na Segunda División, terceiro escalão.
Segue-se outro teste decisivo para o Servigest Burgos, sétimo classificado, diante do Iberconsa Amfiv, de Vigo, no seu encalço e atualmente na nona posição.
Parciais: 12-16 / 24-9 / 18-12 / 17-17
Nota: Foto de Tiago Pereira
APD Braga e APD Sintra cumprem expectativas
Os dois encontros relativos à 6.ª jornada do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de basquetebol em cadeira de rodas decorreram como previsto, com vitórias confortáveis para APD Sintra, fora de portas, frente à APD Paredes (22-48), e APD Braga, que bateu, sem contestação, o GDD Alcoitão (66-19), emblema ainda em busca do primeiro triunfo.
APD Paredes 22-48 APD Sintra
A APD Sintra somou a segunda vitória consecutiva, depois de derrotar o BC Gaia na jornada anterior – 44-41 -, ao impor-se na deslocação ao norte, no reduto da APD Paredes, por inapeláveis 22-48. O começo titubeante e perdulário, de parte a parte, produziu um parcial inaugural pobre, com as defesas a reclamarem o protagonismo. A partir do 2.º quarto, a APD Sintra surgiu mais esclarecida e embalou para uma vantagem significativa, já nos dois dígitos, graças, em larga medida, ao acerto do internacional Sub22, Ibrahim Mandjam (4.0), o melhor marcador do encontro com 23 pontos. Por seu turno, Marco Almeida (4.0), a principal ameaça ofensiva nos anfitriões, raramente encontrou situações cómodas de concretização, mas, ainda assim, foi o mais produtivo entre os paredenses, com 8 pontos apontados.
Parciais: 4-7 / 2-12 / 6-15 / 10-14
Melhores marcadores: APD Paredes – #16 Marco Almeida 8pts, #12 Eduardo Bacalhau 6pts; APD Sintra – #24 Ibrahim Mandjam 23pts, #10 Pedro Gonçalves 14pts
APD Braga 66-19 GDD Alcoitão
Em Ferreiros, a APD Braga derrubou a oposição do GDD Alcoitão, sem sobressaltos, não obstante a boa réplica inicial dos cascalenses, contrastante com o desperdício minhoto. Paulatinamente, a pressão do conjunto orientado por Ricardo Vieira traduziu-se em desgaste e turnovers no seu rival, que, quando chegado ao ataque, se viu forçado, várias vezes, a recorrer a lançamentos desenquadrados. A exibição de gala de Márcio Dias (4.5.) – 35pts, 6res, 2ast, 4rb -, a par da entrada preponderante de Eduardo Gomes (4.0) – 11pts, 4res, 4ast, 2rb -, permitiram à equipa tetracampeã nacional alcançar maior serenidade na manobra ofensiva e disparar no marcador. De assinalar também o regresso e contributo do internacional A Jorge Palmeira (2.5) – 7pts, 7res, 2ast. Já o GDD Alcoitão, apesar de se continuar a debater com as baixas de Mário Silva (4.0) e do internacional A Daniel Tristão (1.5), deixou melhores apontamentos em relação à estreia, na semana anterior, perante a APD Paredes.
Parciais: 12-6 / 18-6 / 13-5 / 23-2
Melhores marcadores: APD Braga – #4 Márcio Dias 35pts #0 Eduardo Gomes 11pts, #13 Jorge Palmeira 7 pts; GDD Alcoitão – #15 Hugo Maia 6pts, #18 Emanuel Alonso 4pts
Nota: Foto de Miguel Gonçalves
APD Lisboa, APD Paredes e APD Sintra somam primeiros triunfos
Numa jornada fértil em surpresas no Campeonato Nacional de basquetebol em cadeira de rodas, o destaque vai para a vitória da APD Lisboa, na sua estreia na época 2020/21, frente à APD Leiria (66-59). A APD Paredes apadrinhou o arranque oficial do GDD Alcoitão esta temporada, e superou fora de portas os cascalenses (25-33), enquanto a APD Sintra bateu o Basket Clube de Gaia (44-41).
APD Lisboa 66-59 APD Leiria
No melhor encontro do fim de semana, a APD Lisboa surpreendeu na receção à APD Leiria, mercê de uma dinâmica ofensiva assinalável, sob a batuta do inspirado Ângelo Pereira (2.5), autor de 31pts (2/3 de 3pts), 12 ressaltos, 2 assistências e 1 roubo de bola. Bruno Lopes (3.0) – 14pts, 7res, 1ast, 3rb -, Ahmat Afashokov (3.0) – 11pts, 2res, 7ast, 4rb – e Emanuel Soares (3.5) – 10pts, 4res – foram os outros homens em evidência na formação orientada por Daniel Pereira. Do lado leiriense, Marco Francisco (4.5), com 24 pontos, e Iderlindo Gomes (4.0), com 19, mantiveram os visitantes na discussão até perto do final. O jovem Nuno Nogueira, de apenas 13 anos, teve um papel determinante em romper a estratégia de pressão imposta pelos lisboetas, que rendera bons frutos antes da sua entrada, e amealhou 10 pontos. De salientar que esta foi a primeira partida oficial da APD Lisboa na presente temporada, após um hiato competitivo de 10 meses.
Parciais: 23-14 / 18-22 /13-11 / 12-12
Melhores marcadores: APD Lisboa – #8 Ângelo Pereira 31 pts, #10 Bruno Lopes 14 pts, #11 Ahmat Afashokov 11 pts; APD Leiria – #5 Marco Francisco 24 pts, #10 Iderlindo Gomes 19 pts, #33 Nuno Nogueira 10 pts
APD Sintra 44-41 BC Gaia
Ao terceiro encontro, a APD Sintra averbou os dois pontos, perante um BC Gaia destemido, que nunca consentiu um distanciamento significativo aos anfitriões e cobiçou a vitória. O jovem conjunto nortenho assumiu a dianteira no 1.º quarto, ao conseguir travar as principais ameaças dos sintrenses, Ibrahim Mandjam (4.0) e Pedro Gonçalves (3.5), algo erráticos na finalização neste período, mas debateu-se com dificuldades evidentes na sua produção ofensiva, demasiado dependente da iniciativa individual do treinador-jogador Pedro Bártolo (2.5). Por seu turno, ainda à procura da melhor versão, os pupilos de Jorge Almeida passaram a capitalizar com bastante sucesso algumas jogadas de man-out, bem como a demonstrar maior assertividade no lançamento exterior, particularmente por intermédio de Pedro Gonçalves, letal nos momentos-chave.
Parciais: 4-7 / 19-11 / 9-10 / 12-13
Melhores marcadores: APD Sintra – #24 Ibrahim Mandjam 22 pts, #10 Pedro Gonçalves 20 pts; BC Gaia – #8 Pedro Bártolo 22 pts, #18 Miguel Reis 7 pts
GDD Alcoitão 25-33 APD Paredes
Em Queluz, a APD Paredes conquistou uma importante vitória frente a um adversário direto, ao pôr em prática os seus predicados habituais, transição rápida e defesa combativa. Já o GDD Alcoitão acusou o peso da estreia no campeonato e a longa paragem, fator ilustrado pela pobre percentagem de lançamento. Ambas as equipas procuram reconstruir a sua identidade de jogo, depois das saídas de Rui França (2.5), Hélder Freitas (3.5) e Miguel Reis (4.0), nos paredenses, e de Marco Gonçalves (1.5) e Rui Nascimento (4.0), nos cascalenses, o que ajuda a explicar parcialmente o resultado inusitado.
Parciais: 6-2 / 4-12 / 9-10 / 6-9
Melhores marcadores: GDD Alcoitão – #18 Emanuel Alonso 10 pts, #16 André Gomes 6 pts, #8 Rui Pedro 6 pts; APD Paredes – #16 Marco Almeida 18 pts, #18 Carlos Cardoso 5 pts
Nota: Foto de Ana Morais.
“Desenvolvi muito o lado mental do jogo”
Luís Domingos (2.5), internacional A e Sub22 de basquetebol em cadeira de rodas (BCR), que vive a primeira experiência na División de Honor, principal escalão do BCR espanhol e montra cimeira da modalidade a nível mundial, mostra-se satisfeito ao cabo de oito jornadas.
Por contraponto à época transata, em que vestiu as cores do Basketmi Ferrol, no segundo patamar do país vizinho, o atleta de 22 anos confessa estar ainda a adaptar-se ao ritmo da liga. “A intensidade que põem em tudo, tanto a nível defensivo, como ofensivo, mesmo em coisas simples, como o 1×0, é muito alta”, assevera, aspeto que tem procurado limar a par do “lado mental”, sob a orientação de um dos colegas a quem mais competência reconhece neste domínio.
“Estou a aprender muito com o Martin Arredondo [internacional mexicano, 3.0]. É uma pessoa muito calma e transmite isso. Agora posso olhar para um jogador, uma equipa ou seleção e enfrento-os sem receio”. Já no plano técnico, o extremo, que conta com uma passagem pela Série A italiana, no HS Varese, e realizou a sua formação numa das grandes “escolas” europeias, a inglesa, realça os reparos constantes de técnicos e jogadores para imprimir “mais contacto com a cadeira na defesa”, imperativo essencial numa modalidade que presta atenção crescente à dimensão física.
A exigência em campo é acompanhada pelo volume de treino, o mais elevado que já teve, ao contemplar cinco sessões coletivas de duas horas, à tarde, e outras tantas individuais de uma hora, pela manhã, além do trabalho de ginásio três vezes por semana, entre uma hora e uma hora e meia. No núcleo de jogadores profissionais do Servigest Burgos, Luís Domingos goza da companhia de nomes consagrados, como o já referido Martin Arredondo (3.0, internacional mexicano), Mateusz Filipski (4.0, internacional polaco), Roberto Mena (4.0, internacional espanhol) e Andrzej Macek (1.5, internacional polaco).
Com uma média de 11 minutos, sem sobressair na estatística devido à função mais restrita de bloquear e auxiliar os jogadores de classe alta, como Filipski, o parceiro de ataque habitual, o principal embaixador do BCR nacional na temporada 20/21 retém um encontro em particular ao serviço do conjunto de Castela e Leão.
“Gostei de enfrentar Bilbao. Da atitude deles, da maneira que jogam, da humildade que demonstram, e também da minha prestação. Entrei no terceiro quarto e consegui fazer algumas coisas interessantes; senti que estava com boa intensidade”, sublinha, por contraste com a impotência constatada perante o CD Ilunion, nome insigne do BCR espanhol e último campeão. “Cada vez que tentava no ataque fazer um bloqueio, empurravam-me, davam contacto e não conseguia. A equipa de Bilbao também fazia tudo bem feito, mas sentia que havia mais igualdade, na velocidade de execução”, concretiza.
Do duelo com os bascos, cresceu a admiração nutrida por Jhon Hernández (3.5, internacional colombiano). “Já o tinha visto em vídeo, mas agora deu para perceber melhor que ele é um jogador mesmo muito, muito bom. Chamou-me à atenção a mobilidade e a maneira como lança”, elenca Luís Domingos, que revela igualmente fascínio por Gregg Warburton (2.0, internacional britânico), o MVP do Mundial de 2018, pela “intensidade e trabalho sem bola”.
Prestes a reentrar em cena, no dia 16, frente a Amivel, em Málaga, o Servigest Burgos persegue o objetivo da qualificação para a Copa do Rei, o que implica permanecer entre os oito primeiros. No plano individual, além das metas no clube, Luís Domingos aponta à subida à divisão B com a Seleção A, onde acredita poder assumir uma maior preponderância. “As coisas que aprendi até agora, técnica e mentalmente, vou levar para a Seleção e tentar ajudar”, afiança.
Nota: Foto de Tiago Pereira.
“Man Out” a Rui Nascimento
Acabado de chegar à APD Sintra, onde se reencontra com o técnico Jorge Almeida, Rui Nascimento, protagonista da rubrica “Man Out”, representa o terceiro de emblemas históricos, depois da APD Lisboa e do GDD Alcoitão. Jogador que prima pela capacidade física e disciplina na ocupação do espaço, irá perseguir os títulos que lhe escaparam em 20 anos de carreira.
Data de nascimento: 26-03-1983
Ano de iniciação: 2000
Posição: extremo/poste
Clube: APD Sintra
Jogo da tua vida (e porquê): O próximo. Todos são importantes e especiais. Vivo cada um como se fosse o último.
Chamam ao BCR a modalidade paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como o “vendias”?
O mais completo desporto de sempre. Tens de ser inteligente, tens de ter força e, acima de tudo, conseguir fazer muita magia!
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti?
Tenho três jogadores que fazem de mim o que sou. Hugo Lourenço, pela referência que é no nosso BCR e pela posição em campo que ocupa. Jorge Almeida, dos melhores bases com quem já tive o prazer de jogar, com uma visão de jogo extraordinária. Marco Gonçalves pela positividade, entrega dentro de campo e os fantásticos bloqueios. É só segui-lo. Acrescento o Hugo Maia, pela liderança e confiança que demonstra dentro e fora de campo.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR.
Tenho um que não posso detalhar, mas, basicamente, estava na defesa e o Marco Gonçalves disse-me para dar as costas ao atacante (com ele a ouvir). Eu respondi que não sabia o nome dele para tal. Perguntei-lhe o nome, ao que o jogador respondeu “não interessa”, e foi atacar para o lado contrário do garrafão.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito?
“As assistências a queimar”. Quando estão todos concentrados no poste, não há maior prazer do que assistir para o colega marcar.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”?
Hugo Maia.
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.
Nota: Foto de Ana Morais
Noticias da Federação (Custom)
“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”
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Legenda
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Miguel Maria
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