Artigos da Federaçãooo
APD Braga e APD Leiria com triunfos categóricos
No regresso do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de basquetebol em cadeira de rodas, os favoritos APD Braga e APD Leiria impuseram-se com contundência. Os bracarenses, tetracampeões nacionais, obtiveram a vitória mais folgada (38-80), apesar da boa réplica inicial do Basket Clube de Gaia, enquanto os leirienses trouxeram de Queluz mais dois pontos (49-64), perante um GDD Alcoitão em crescendo.
Basket Clube de Gaia 38-80 APD Braga
Em Gaia, os anfitriões obrigaram a APD Braga a esforços redobrados, graças a uma entrada fulgurante, com muito acerto ofensivo, particularmente de Pedro Bártolo (2.5), que capitalizou alguma apatia defensiva adversária. Em zonas mais interiores, João Rumor (4.0), poste dos gaienses, constituiu uma segunda ameaça difícil de parar. Do lado bracarense, Márcio Dias (4.5), Filipe Carneiro (2.0) e José Miguel Gonçalves (3.0) orquestraram o ataque bem oleado de Braga, a par de Eduardo Gomes (4.0), cuja entrada também revestiu a equipa de maior poder de fogo e serenidade. Paulatinamente, os comandados de Ricardo Vieira recuperaram o controlo da partida e, depois de uma segunda parte equilibrada (30-38), a agressividade e concentração a nível defensivo, ora com adoção de pressão, ora com um esquema em linha bem para lá dos 6,75, permitiu um domínio absoluto, à imagem de partidas anteriores. Já o BC Gaia viu ainda mais dificultada a sua missão com as quartas faltas de João Rumor (4.0) e Rui França (2.5), este posteriormente excluído.
Parciais: 13-15 / 17-23 / 3-24 / 5-18
Melhores marcadores: BC Gaia – #8 Pedro Bártolo 18pts, #5 João Rumor 12pts; APD Braga – #4 Márcio Dias 33pts, #9 Eduardo Gomes 14pts
GDD Alcoitão 49-64 APD Leiria
O GDD Alcoitão continua a perseguir a primeira vitória. Desta feita, os cascalenses até deram mostras evidentes de evolução, ao pautar o seu jogo por maior entreajuda e pendor coletivo nas ações ofensivas, mas, do outro lado, a APD Leiria não se deixou amedrontar e vincou a sua supremacia do ponto de vista físico e no jogo interior, com as suas três “torres”, Iderlindo Gomes (4.0) – 24pts -, Marco Francisco (4.5) – 20pts – e João Silva (4.0) – 17pts – altamente produtivas. Nos locais, às ameaças habituais, Hugo Maia(2.5) – 12pts -, Rui Pedro (2.5) – 12pts – e Pedro Macedo (4.0) – 10pts -, juntou-se o contributo valioso do jovem de 19 anos André Gomes (3.0) – 8pts.
Parciais: 8-15 / 17-19 / 8-6 / 16-24
Melhores marcadores: GDD Alcoitão: #15 Hugo Maia 12pts, #8 Rui Pedro 12pts; APD Leiria – #10 Iderlindo Gomes 24pts, #5 Marco Francisco 20pts
“Melhora o teu jogo” #5
Sob o comando do melhor do mundo, Patrick Anderson, campeão Paralímpico com o Canadá por três ocasiões e vice-campeão em 2008, indicamos três exercícios com foco no lançamento.
Apesar da necessidade de estabilização da cadeira e do tronco ser uma das premissas essenciais no BCR para uma finalização de êxito, existe a tendência de tornar a sua prática excessivamente estática e lenta, circunstância aqui contrariada, onde emerge o esforço de aproximação à realidade de jogo.
“Variations”
“Two Ball Shooting”
“Three Layup Drill”
Nota: Foto de Wheelchair Basketball Canada
BCR Sesimbra e UDI dinamizam conversas online
O BCR Sesimbra e a União Desportiva para a Inclusão – UDI -, cuja colaboração conjunta pretende voltar a erguer uma equipa na margem sul do Tejo, lançaram um ciclo de debates online com o intuito de dar a conhecer a modalidade e captar o interesse de potenciais praticantes.
No dia 24 de fevereiro, quarta-feira passada, o primeiro episódio da rubrica “À conversa com…”, moderada por Ana Rita Santos, da UDI, juntou à mesa virtual o presidente do Comité Nacional de BCR, Augusto Pinto, o selecionador nacional A, Marco Galego, Hugo Maia, capitão do GDD Alcoitão e subcapitão da Seleção Nacional, função partilhada na equipa das quinas com Pedro Bártolo, treinador-jogador do Basket Clube de Gaia, o quarto convidado do painel.
O momento de partilha irá repetir-se nas últimas quartas-feiras de março e abril, na página de Facebook da UDI. O segundo episódio versará a atmosfera local, nomeadamente as valências da UDI no desporto adaptado e o respetivo enquadramento da cooperação com o BCR Sesimbra, por isso o BCR irá preservar o estatuto de tema dominante. Na terceira edição, o enfoque volta-se para a cena internacional, com quatro nomes, ainda por determinar, oriundos do topo do BCR Paralímpico.
Episódio #1
Convocados da Seleção Nacional de BCR
A Seleção Nacional A de BCR irá realizar o terceiro estágio da época, no Luso, Mealhada, com o objetivo de preparar a participação no Campeonato da Europa C, prova ainda por calendarizar por parte da IWBF – Federação Internacional de BCR. Recorde-se que o Europeu B, previsto para novembro de 2020, em Atenas, não se realizou, o que tem implicações nos níveis acima e abaixo.
De 11 a 14 de março, o selecionador nacional, Marco Galego, e o selecionador adjunto, Ricardo Vieira, terão ao seu dispor 14 atletas e há várias mexidas face à concentração anterior. Saem Ibrahim Mandjam(4.0, APD Sintra), Pedro André Gomes (3.0, GDD Alcoitão), Daniel Tristão (1.5, GDD Alcoitão) e Ahmat Afashokov (3.0, APD Lisboa). Em sentido inverso, regressam Henrique Sousa (1.0, APD Braga), Rui Pedro (2.5, GDD Alcoitão) e Luís Domingos (2.5, Servigest Burgos – Divisón de Honor, Espanha), o único a atuar fora do país.
Convocados:
APD Braga
Henrique Sousa (extremo, 1.0)
Filipe Carneiro (extremo, 2.0)
Sílvio Nogueira (extremo, 2.0)
Jorge Palmeira (poste, 2.5)
José Miguel Gonçalves (extremo/base, 3.0)
Hélder Freitas (poste, 3.5)
Márcio Dias (poste, 4.5)
Basket Clube de Gaia
Pedro Bártolo (base/extremo, 2.5)
Miguel Reis (poste, 4.0)
GDD Alcoitão
Hugo Maia (base/extremo, 2.5)
Rui Pedro (extremo/poste, 2.5)
APD Leiria
Iderlindo Gomes (poste, 4.0)
APD Lisboa
Ângelo Pereira (base/extremo, 2.5)
Servigest Burgos – Espanha
Luís Domingos (extremo, 2.5)
Nota: Foto retirada do Facebook oficial da Federação Búlgara de Basquetebol
“Man Out” a Yuri Fernandes
Yuri Fernandes (2.5), de 30 anos, despontou para a modalidade na extinta ASCD “Os Trovões”, formação do Barreiro pela qual se sagrou campeão nacional da Divisão B, então 2.º escalão nacional. A emigração para França e a consequente continuidade num BCR mais exigente apelou ao seu espírito de sacrifício, que se repercutiu numa escalada das divisões inferiores a um dos clubes gauleses de maior poderio, os Hornets Le Cannet. Veloz e atlético, Yuri juntou ao seu jogo a cultura e disciplina de um campeonato que figura no top 5 da Europa e anseia pelo seu recomeço.
Data de nascimento: 28 de abril de 1990
Ano de iniciação: 2006
Posição: Extremo/Base
Clube: Hornets Le Cannet
Palmarés: Campeão da Divisão B com a ASCD “Os Trovões” em 2011.
Jogo da tua vida (e porquê): Tenho alguns e espero ter mais ainda pela frente, mas diria quando fui campeão da 2.ª divisão portuguesa com a ASCD “OS Trovões”, e a minha estreia com a equipa principal Hornets Le Cannet.
Chamam ao BCR a modalidade Paralímpica rainha. Se tivesses que convencer alguém a ver ou praticar, como o “vendias”?
Que venham ver ou experimentar, que não iriam ficar dececionados no final dos 40 minutos. É um desporto em que os atletas com as suas limitações físicas dão tudo o que têm para garantir um bom espetáculo.
Qual ou quais os jogadores que exercem maior fascínio sobre ti?
O jogador que mais fascínio guardo até hoje é o António Vilarinho, sem dúvida, porque me meteu o bichinho do BCR que ele tinha e tem; não me deixava faltar aos treinos e estava sempre à minha porta para mais uma semana de trabalho com a equipa. Não fui o único jovem que ele marcou na altura. Essa mentalidade de treinar e de querer sempre mais nos treinos vem também um bocado dele.
Recorda-nos um momento caricato que tenhas vivido por jogar BCR.
Quando conheci o António Barreto, o António Vilarinho e o Victor Sousa, que me fizeram o convite para experimentar o BCR, respondi que não precisava de uma cadeira para jogar, que podia jogar em pé, mas quando experimentei já não queria sair da cadeira.
Qual o teu movimento, gesto ou momento do jogo favorito?
Como se costuma dizer, uma boa assistência já é meio caminho para dois ou três pontos, ou então lançamentos apoiados sobre uma roda.
Qual o jogador a quem gostavas de fazer “Man Out”?
A todos os adversários que puder, para a minha equipa ir para o ataque em superioridade numérica, mas se tiver que escolher um, Patrick Anderson!
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O “Man Out” é essencial no BCR. Na elite – mas não só -, todas as equipas adotam esta estratégia que consiste, após a recuperação da posse de bola, em reter um adversário com um, ou idealmente mais jogadores, no seu reduto ofensivo de forma a atacar em superioridade numérica. O espaço ocupado pelas cadeiras torna uma missão árdua recuperar a posição perdida, de modo que o “Man Out” é uma tónica constante no jogo de BCR, privilegiando-se como alvos, claro, os elementos mais lentos da equipa adversária.
Servigest Burgos tomba o gigante CD Ilunion
O Servigest Burgos, de Luís Domingos (2.5) e Helder da Silva (2.0), sem minutos concedidos pelo técnico Rodrigo Escudero, reclama o destaque na rubrica “Portugueses lá fora”. O conjunto de Castela e Leão foi mesmo o único a ir a jogo, entre aqueles a envolver atletas nacionais. Ismael de Sousa (4.0), do Santa Lucia Basket Roma, vê finalmente “fumo branco” e disputa o primeiro encontro da época, no grupo D da Série B, a 13 de março, fora de portas, frente a Giovani i Tenaci, outro emblema da capital italiana.
Servigest Burgos 84-81 CD Ilunion
O Servigest Burgos assinou a surpresa da jornada, na División de Honor, ao vergar o todo-poderoso CD Ilunion, repleto de nomes sonantes e com o palmarés mais recheado do BCR espanhol. O técnico local, Rodrigo Escudero, não se desviou do plano de jogo e confiou os 45 minutos a quatro elementos do seu cinco inicial – o duelo teve um prolongamento – e viu a aposta premiada com a vitória. Mateusz Filipski (4.0) – 44pts, 13res, 6ast, 3rb -, internacional polaco dos burgaleses, superou o internacional norte-americano dos madrilenos, Jake Williams (2.5) – 35pts, 10res, 8ast, 4rb –, no despique pela distinção de MVP.
Desta feita, por contraste à jornada anterior, Luís Domingos (2.5) e Helder da Silva (2.0) apoiaram de fora o êxito dos seus companheiros. O internacional Sub22 e A soma 13 minutos de média por jogo, ao passo que o veterano capitão só no último encontro averbou os primeiros minutos da época e deverá perfilar-se como um dos homens em evidência na equipa B, a militar na Segunda División – terceiro patamar -, cuja estreia se prevê para 27 de março, frente ao CB Villa de Leganés.
Parciais: 12:23 / 21:13 / 17-16 / 25-23 / 9-6
Nota: Foto retirada do Facebook oficial do Servigest Burgos
“Melhora o teu jogo” #4
O fundamento basilar do jogo de BCR, o controlo da cadeira – o trabalho de pés da vertente sobre rodas da modalidade -, repete o protagonismo no “Melhora o teu jogo” #4.
Doug Garner, também em destaque no primeiro bloco de exercícios de cadeira, treinador dos Movin’ Mavs da UTA – Universidade do Texas em Arlington – e no Hall of Fame da NWBA – National Wheelchair Basketball Association -, esboça algumas propostas, a par de Anton de Rooij, o mítico atleta holandês, que exemplifica outras rotinas, com e sem bola.
Wheelchair Stations
Cone Circle
J-Cut Drill
Team Lane Lines
Nota: Foto de Miguel Fonseca
“Melhora o teu jogo” #3
No “Melhora o teu jogo” #3, prestamos atenção ao fundamento e razão do jogo, o lançamento. No BCR, esta ação reveste-se de algumas peculiaridades, em particular nas classes baixas e intermédias, forçadas a armar o gesto de um ponto inferior ou a “menosprezarem”, em grau variável, a mão de apoio no follow through para não comprometerem o seu equilíbrio.
Os intérpretes de hoje, considerados os dois melhores jogadores do mundo em atividade, são modelos irrepreensíveis na hora de “disparar”, sem olhar a distância e com recursos ilimitados. Steve Serio (3.5), campeão Paralímpico em 2016 pelos EUA, recupera um acrónimo indispensável para qualquer jogador, B.E.E.F., e Patrick Anderson (4.5), atleta canadiano com estatuto de lenda, já com três medalhas de ouro e uma de prata em Jogos Paralímpicos, sugere duas rotinas de lançamento para o treino individual, uma delas demonstrada na companhia do adversário e amigo norte-americano.
Steve Serio – B.E.E.F.
Patrick Anderson – exercício de Matteo Feriani
Patrick Anderson e Steve Serio – Drive, Jumper, Floater
Grande prestação coletiva vale triunfo ao Servigest Burgos
Na rubrica “Portugueses lá fora”, mantém-se o foco exclusivamente em Luís Domingos (2.5) e Helder da Silva (2.0), ao serviço do Servigest Burgos, na División de Honor, máximo escalão espanhol. Christophe da Silva (1.0), do CAPSAAA Paris, 2.ª divisão francesa, e Yuri Fernandes (2.5), 1.ª divisão francesa, permanecem num impasse, com as competições suspensas por tempo indeterminado. Em Itália, Ismael de Sousa (4.0), do Santa Lucia Basket Roma, tem arranque previsto para março, na Série B.
Fundación Vital Zuzenak 50-79 Servigest Burgos
Na viagem ao País Basco, o Servigest Burgos alcançou a segunda vitória mais dilatada da época, fruto de uma excelente prestação coletiva, na semana em que veio a público a cisão com o internacional espanhol Roberto Mena (4.0).
Mesmo sem aquele que fora uma das referências até à data, a formação de Castela e Leão não demorou para lá de um quarto a descolar dos anfitriões, que detêm a marca do número mais elevado de jogadores da cantera. Ruben Viso (4.0) – 16pts, 8ast, 3res – encabeçou a réplica dos da casa, mas os polacos Mateusz Filipski (4.0) – 26pts, 9res, 8ast, 2rb – e Andrzej Macek (1.5) – 18pts, 2ast -, e o internacional britânico Sub22 Lee Fryer (4.0) – 18pts, 10ast, 9res – aplacaram as intenções do conjunto de Vitoria. O internacional A e sub22 Luís Domingos (2.5) amealhou 4 ressaltos e 1 assistência em 34 minutos, de sacrifício notório no trabalho de man-out e bloqueio para as classes altas, enquanto o capitão Helder da Silva (2.0) foi aposta de Rodrigo Escudero por 2 minutos. Segue-se a receção ao campeão espanhol CD Ilunión, no sábado, 20 de fevereiro.
Parciais: 14-18 / 12-21 / 14-25 / 10-15
Nota: Foto retirada do Facebook oficial do Servigest Burgos
“A sociedade alemã respeita esta modalidade Paralímpica”
No final de 2011, ano sem provas no basquetebol em cadeira de rodas nacional (BCR), a crise económica levou Paulo Soeiro a fazer as malas para se fixar no Luxemburgo, onde, afirma, era “fácil sentir-se em casa”, dado o extenso contingente de cidadãos lusos. Encantado com as condições encontradas, em particular pela existência e facilidade logística dos apoios para as pessoas com deficiência, desde a cadeira de rodas de rodas quotidiana à adaptação de carro ou da casa, o antigo jogador do GDD Alcoitão não abdicou da possibilidade de continuar a jogar BCR.
Nos Lux Rollers, formação luxemburguesa inserida nas provas alemãs, Paulo Soeiro começou por integrar a equipa B, ensaio coroado com o convite para acumular o cargo de treinador. A rápida evolução e recuperação da forma física motivaram a promoção à equipa principal, ao serviço da qual disputou a Bundesliga 2, segundo escalão germânico – profissional -, desempenho novamente louvado, de tal forma que surgiu a proposta para atuar nos Dolphins Trier, da Bundesliga 1, uma das ligas mais competitivas do mundo.
Parado devido à pandemia, o campeão da Europa da divisão C em 2007, peça importante no “xadrez” do então selecionador Jose Maria Cristo, aborda a carreira de quase duas décadas e afiança a vontade de prosseguir na próxima época. “Preciso disto!”, afirma Soeiro.
Como é que surgiu a tua ligação ao BCR?
Tive o meu acidente em dezembro de 2001 e comecei a jogar na época 2002/03, no GDD Alcoitão. Antes do acidente, sempre fiz parte de equipas de desporto, portanto foi muito fácil procurar alguma coisa que me mantivesse ativo. Na altura em que estive internado, era uma coisa que procurava saber, porque os médicos só me diziam o que eu não podia fazer e eu também queria saber o que podia fazer. Os médicos ficaram um bocado ofendidos, se calhar fui um bocado arrogante, mas já estava cansado de ouvir sempre a mesma lavagem ao cérebro. Nunca me deram resposta. Felizmente, moro muito perto da escola onde eles [GDD Alcoitão] treinavam. Isto é um bicho que facilmente nos vicia. Bastou ver, sentar, jogar um pouco e automaticamente fiquei viciado nisto até hoje.
Que jogos recordas em particular?
Gostava de fazer um parêntesis. Nós não éramos uma equipa de topo, andávamos ali sempre pelos lugares cimeiros, mas não o suficiente para lutar pelo título. De maneira que o nosso grande rival era a APD Lisboa. Lembro-me de dois jogos com eles, em que, no primeiro, praticamente no final, faço uma falta ao Luís Oliveira, ele vai para a linha de lance livre, marca os dois e perdemos por um ponto. Nessa mesma época, no jogo em Lisboa, no último segundo, em contra-ataque, fui eu que marquei e ganhámos por um ponto.
Tiveste um trajeto marcante na Seleção. Quando surgiu a primeira convocatória e que momentos destacas?
Creio que foi em 2005 quando o selecionador nacional, Jose Maria Cristo, foi ver um jogo. Ele tinha uma ideia muito simples, pois, na altura, não tínhamos muitos jogadores de nível europeu. Tínhamos três que marcavam a diferença para todos os outros: o Hugo Lourenço, o Pedro Gonçalves – referências para todos – e, muito jovem, o Cláudio [Batista]. Os três juntos somavam 12 pontos, faltavam 2. A ideia dele era muito simples – “preciso de arranjar vários jogadores de 1.0”. Eu sou 1.0 e muito por isto abriu-se a porta para eu ser chamado tão cedo, após estar a jogar apenas há duas épocas. Além do Europeu C de 2007, que vencemos e nos permitiu subir de divisão, também tenho que fazer referência ao Europeu B de 2008, um nível diferente, mais exigente. Fizemos um Europeu muito bom. Lembro-me do jogo contra a Bélgica, vencedora da prova e promovida à divisão A, em que perdemos por 2 ou 4 pontos. Não houve nenhum jogo em que tivesse ficado presente em campo no qual tenha sentido que a outra equipa era melhor do que nós.
De uma forma inesperada, chegas a um campeonato estrangeiro. Quais as primeiras grandes diferenças que constataste?
Se a [primeira] liga alemã não é a mais forte do mundo, anda lá perto. A quantidade de jogadores, equipas, a maneira como promovem o BCR… é fantástico. Basta ver que nas últimas Champions, as equipas alemãs, se não ganham, chegam sempre à final. Todas as equipas profissionais na Alemanha têm equipas B e C. Apesar de serem equipas B e C, puxam por aqueles miúdos e dão-lhes todas as condições para chegarem à equipa A e serem atletas de elite mundial. Vindo de uma época em que não havia nada, de repente deparei-me com esta realidade; tudo tão bem promovido, organizado, uma coisa incrível. Os alemães são muito humildes e valorizam qualquer trabalho, profissão, respeitam muito o próximo. E em termos de desporto a mesma coisa. A sociedade alemã respeita esta modalidade Paralímpica. Depois, trabalham com espírito de cooperação. Fazem conferências conjuntas, partilham jogadores, ideias. Temos uma equipa muito forte aqui perto do Luxemburgo, os Dolphins Trier, com quem por vezes treinamos e fazemos workshops. Quando querem pôr a rodar jogadores da equipa B, mandam-nos para a nossa equipa. Há esta troca de informação, partilha, que é obviamente uma mais-valia. Procuram não ter excesso em nada. Se houver uma equipa que tem carência de jogadores ou patrocínios, a própria equipa vizinha procura dar apoio nesse sentido.
Quando chegaste ao Luxemburgo, sentiste um impacto na aprendizagem do jogo? A qualidade do treino é superior?
Temos um velho ditado que diz “quem não sabe, inventa”. O alemão não sabe o que é isso. Estudam, planeiam, trabalham imenso. Têm muita cultura de jogo, um dicionário de jogadas, táticas, movimentos com a cadeira. Para eles tudo tem de ser pensado do início ao fim.
Encaras a possibilidade de vir a ser treinador?
Quando cheguei, havia a barreira linguística. E aprender uma língua como o alemão é difícil. Vinha em baixo de forma, sem competição e puseram-me na equipa B, que jogava na 4.ª divisão da Alemanha (de um total de 7). Correu muito bem, cheguei a ser o melhor marcador de jogadores de um ponto, gostaram muito de mim e convidaram-me a ser treinador-jogador da equipa B durante duas épocas. Gostei muito, porque, apesar de faltar muita coisa na equipa, procurava ter sempre um objetivo. Disse “nós temos de ser os melhores em algo” e conseguimos ser a melhor defesa do campeonato. Passados três anos, fui para a equipa A e, na última época, tive um convite para me juntar aos Dolphins Trier. Acabei por recusar, pois cheguei a uma fase da minha vida em que as prioridades são outras. Quero jogar sim, mas não podia andar naquele ritmo intenso que as equipas profissionais na Alemanha têm.
“Na Primeira Pessoa” com Pedro Bártolo
A rubrica “Na Primeira Pessoa” voltou ao norte para revisitar o percurso de Pedro Bártolo, treinador-jogador do BC Gaia e subcapitão da Seleção Nacional de BCR, com uma das carreiras internacionais mais ricas entre os atletas nacionais. O base/extremo de 29 anos é indissociável das duas únicas subidas ao máximo escalão espanhol dos galegos Basketmi Ferrol, representou o Mideba Extremadura e o BSR Valladolid, precisamente na principal liga do país vizinho, e atingiu plena afirmação europeia ao serviço do HS Varese, na Série A italiana. Regressou a Portugal, na presente época, para envergar as cores do Basket Clube de Gaia, equipa que ajudou a erguer em 2016 e se estreia na 1.ª Divisão.
Nota: Fotografia de Ana Morais
“Melhora o teu jogo” #2
Esta semana, no “Melhora o teu jogo”, apresentamos três rotinas de drible, com diferentes graus de complexidade, mas facilmente praticáveis em casa (ou pavilhão), dada a natureza específica do fundamento técnico em causa, um dos mais negligenciados na aprendizagem do basquetebol em cadeira de rodas (BCR).
Como “professores”, temos novamente Doug Garner, treinador dos Movin’ Mavs, equipa masculina da UTA – Universidade do Texas em Arlington -, Courtney Ryan (2.0), treinadora da Universidade do Arizona, internacional pelos EUA no Mundial de 2014, e Patrick Anderson (4.5), consensualmente apontado como o melhor jogador de BCR de sempre, vencedor de três medalhas de ouro e uma de prata em Jogos Paralímpicos, que nos oferece a sessão de trabalho mais desafiante.
Courtney Ryan
Doug Garner
Patrick Anderson
Nota: Foto de Carlos Lezama / Lima 2019 – Jogos Parapan-Americanos
Noticias da Federação (Custom)
“Foi um jogo muito competitivo e o benfica levou a melhor”
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